Marina fotografava modelos para uma campanha publicitária.

– Van, peça a Clara pra pegar aquele catálogo da última campanha, tive uma ideia.

Antes que Vanessa se movesse, Clara apareceu com Ana no colo.

– Onde tá? Eu pego. – Se ofereceu.

– Não, pode deixar, mais fácil eu pegar do que te explicar onde está. Aqui, fique com ela. – Clara passou Ana pra Vanessa, que olhou para ela assustada enquanto Clara saía da sala. – O quê? A..Mas.. Marina. – Se virou pra ela, segurando a criança sem jeito.

– Ela não morde, Van. Quer dizer, só não deixar ela te morder, mas não dói. – Sorriu e deu um beijinho na filha antes de continuar.

Ana Carolina resmungou. – Não, mamãe tá trabalhando agora. Titia Vanessa vai brincar com você, não é, Van? Leva ela lá pra fora um pouco.

– Mas..

– Vá, Van. E segura ela direito, não é assim. – Marina a ajudou. – Pronto, agora pode ir. – Voltou para o ensaio.

Vanessa saiu pra área com Ana Carolina e se sentou com ela.

– Isso, fique aqui sentadinha, quietinha, até sua mãe voltar, tá bom?

Não demorou muito e Ana Carolina começou a reclamar.

– Não, não chore, pelo amor de Deus. Ai, você não gosta de ficar sentada, né? – A pegou pelos bracinhos, colocando a em pé no seu colo. Ana Carolina começou a mexer o corpinho, brincando, e Vanessa riu.

– Você é bem bonitinha mesmo, né? E engraçadinha. Puxou a mamãe. – Sorriu e deu um beijo na sua testa. Ficou balançando o corpinho dela.

– É você até que não dá muito trabalho, mas não vá se acostumando porque eu não vou ser rebaixada a babá da família não, tá? – Riu.

Ana Carolina pôs as mãozinhas no cabelo de Vanessa e começou a puxar.

– Não. Socorro. – Vanessa puxava sua cabeça e Ana ria. – Não pode. – Tirou as mãozinhas dela. – Longe do meu cabelo, e olha isso, que babação é essa? Você não era assim. Cadê sua toalhinha? – Procurou. – Não tá aqui, que ótimo. Tira a mãozinha da boca, vamos limpar com sua roupa mesmo. – Limpou fazendo careta. – Pronto, agora podemos brincar. — Pegou na mão dela. – Ah, não, sua mão tá toda babada. Ai, Aninha, sinceramente!

Ana Carolina fez cara de choro.

– Não, não precisa chorar, não tô brigando com você... Que..que cheiro é esse? – Fez careta. — Mas você me pegou pra Cristo hoje, hein? Que que isso, gente? – A afastou do seu corpo.

Ana Carolina começou a chorar.

– E eu pensando que a gente tava se entendendo. – Levantou e foi andando em direção ao estúdio com Ana chorando.

– Clara, por favor. – Chamou.

– Vanessa! – Marina largou a câmera. – Segura ela direito, parece que tá com medo da menina! E já conseguiu fazer ela chorar.

– Ela fez cocô! E tá babando em mim toda e agora não para de chorar. – Entregou a para Marina.

– Ô, meu amor. Não chora. Titia Van ladra, mas não morde. – Riu da cara de indignação da Vanessa.

– Eu tentei. — Jogou as mãos pra cima.

Clara já chegou com o catálogo e uma fralda na mão. Marina limpava a boca de Ana.

Clara a pegou e Marina voltou pra câmera. – Desculpa a interrupção, meninas. Ela tá irritada com os dentinhos que tão querendo nascer.

Clara beijou a cabeça dela. — Mamãe sabe que é ruim, mas não chora, Aninha. Vamos trocar.

Ana voltou a chorar. – Mamamã.

Marina olhou para as modelos com os olhos arregalados e ficou parada, enquanto Clara olhava para Ana com a mesma expressão.

– Clara? Isso..? – Se voltou para elas.

Clara sorriu. – Mamãe?

– Isso com certeza foi um mamãe. – Marina abraçou as duas. – Não acredito, fala de novo, Aninha, mamãe, mamãe.

Vanessa sorriu, mas virou os olhos. – Gente.

– Shh, Van. – Continuaram olhando para a filha. — Fala mamãe.

Mas Ana Carolina só voltou a chorar.

– Alguém troque a fralda dessa menina, pelo amor de Deus.

– É, tadinha. Depois a gente fica vigiando pra ver se ela fala de novo. — Clara beijou Marina e saiu com Ana, ainda pedindo para ela voltar a falar.

– E Marina, ensaio! – Pôs as mãos em seu ombro e a virou para as modelos.

– Van, ela falou! – Seus olhos brilhavam. – E falou mamãe.

– Meninas, desculpa, podemos parar por mais cinco minutinhos? – Juntou as mãos, pedindo. — Eu preciso dar um ataque de beijos na minha filha.

As meninas riram e concordaram. Marina saiu correndo atrás de Clara.

Com seu aniversário de um ano se aproximando, Ana Carolina se desenvolvia cada dia mais. Marina e Clara trabalhavam em dobro, com os compromissos do estúdio e também a organização da festa.

Conversaram muito sobre como seria. Embora a comemoração do primeiro ano seja mais pra família do que para a aniversariante em si, por ser ainda tão novinha, concordaram que depois de tanta luta que a pequena já tinha vencido, mereciam comemorar.

– Vamos, amor? Já tá todo mundo esperando nossa princesinha.

– Estamos dando os últimos retoques, né, filha? – Marina beijou a cabeça de Ana Carolina, que estava sentada na cama. – Tá linda demais.

Marina mostrava Ana pra Clara. Estava usando um vestidinho rosa, com babados de fundo marrom e bolinhas na cor do restante do vestido, sapatos e tiara na cabeça.

Ana sorriu. – Olha que sorriso mais gostoso, com esses dentões. – Clara beijou o rosto dela.

Ana Carolina estendeu os bracinhos para Clara. – Mama, tolo, tolo.

– Colo, amor?- Clara a pegou. – Só um pouquinho, hoje o dia é todo seu. – Lhe deu um beijo de esquimó. — Tá tão lindinha, meu amor. – Ana sorriu.

– Gente, vamos?

– Olha só, não é só Aninha que está maravilhosa. – Marina puxou Ivan e o abraçou. – Meu amor, que garanhão. – Ivan usava um terninho.

Ivan riu e se afastou. – Mãe! Vamos logo, daqui a pouco vocês cansam ela só com a arrumação e ela não vai nem curtir a festa. Olha, já tô indo pra lá. Tragam ela logo. – Ivan saiu e as três ficaram olhando para ele.

– Meu bichinho tá crescendo. Tá ficando adolescente. – Clara reclamou e Marina passou a mão em seus braços.

– Daqui a pouco tá indo a festas sozinho e trazendo namorada.

– Ai, Deus me livre, Marina!

– Ué, Clara. É a verdade. – Marina riu. – Olha só como ele já cresceu, daqui a pouco tá homem feito.

– Ô, meu Deus. Podiam ficar assim. – Se virou para Ana. – Pra sempre. Nossos bebês.

– Pelo menos Ana Carolina ainda vai nos dar uns anos de neném das mamães. – Riram. – Vamos lá?

– Vamos. Agora chão chão, filha. Tem que mostrar seu vestidinho lindo.

Ana Carolina não andava sozinha ainda, mas segurando nas mãos das mães já conseguia ficar em pé e trocar alguns passos.

A casa da família estava lotada com amigos e familiares, incluindo os doutores Paulo e Fátima, e animadores de festa. Todos já comiam e bebiam aguardando a aniversariante que ainda não tinha aparecido.

Ao centro, uma grande mesa expunha o bolo e vários docinhos. O tema da festa era.. Ana Carolina. Havia fotos dela impressas em lonas que pendiam do teto. As fotos mostravam o desenvolvimento da criança, uma de cada mês de sua vida até então, sendo a primeira delas de Ana ainda tão pequena na incubadora.

Ivan chamou atenção de todos para onde Ana Carolina surgiu caminhando entre Marina e Clara, de mãos dadas. Começaram a cantar os parabéns. Ana quis se soltar das mães para bater palmas também, sorrindo, e acabou de caindo de bunda no chão pouco tempo depois. Clara logo a pegou no colo e beijou seu rosto, para que ela não chorasse.

– Viva Ana Carolina! – Gritaram.

Ela se assustou um pouco com o barulho e toda a atenção, mas se sentia segura no colo de Clara e com Marina abraçada a elas.

– Foto de parabéns da família! – Flávia apareceu com a câmera. – Atrás do bolo. Vem Ivan.

Ivan apareceu e pegou Ana Carolina no colo, ficando os dois entre Marina e Clara.

Marina olhou para Diogo chamando-o e Clara gritou Chica.

Diogo abraçou Marina, Chica ficou ao lado de Clara e Flávia tirou a foto. Marina beijou a cabeça de Ana e Ivan.

– Meus filhos, meus amores. – Olhou para Clara que a abraçou sorrindo e nenhuma das duas percebeu que Flávia continuava tirando fotos da família.

– Tá feliz?

– Precisa perguntar? – Marina pegou sua mão. – Vocês são tudo para mim. – Pôs a mão em seu pescoço, se aproximando.

– Eu te amo.

– Muito, muito, muito. – Marina a beijou. – Por toda a nossa vida.

– Todinha? – Ivan perguntou rindo.

– Todinha. – Sorriu e os quatro se abraçaram.

Notas finais
Beijos.