Can't let you go.
50 Capítulo 50
Notas iniciais
– Clara, Clara, Clara. – Marina entrou em casa agitada.
– Oi, meu amor? – Clara respondeu da sala, com uma caneca na mão.
Marina olhou para ela e sorriu maliciosamente.
– Marina. – Clara disse naquele tom de quem sabia que ela estava aprontando algo. — O que você tá...
Marina se aproximou, tirou a caneca de sua mão, e agarrou Clara num beijo que a deixou sem fôlego.
Clara se afastou, inspirando profundamente. – Nossa, amor! – Clara sorriu.
Marina pôs a mão em sua cintura, puxando Clara contra seu corpo e beijou sua orelha.
– Sua mãe acabou de sair daqui com Ana Carolina. Isso quer dizer que temos a casa inteira. – Mordeu o lóbulo. — Só. Pra. Nós duas.
Raspou os dentes de leve na mandíbula de Clara, que passou os braços ao redor de seu pescoço e se beijaram novamente.
Marina foi empurrando Clara para trás, contra a parede, colocando sua perna entre as dela. Trocaram um olhar cheio de desejo e Marina mordeu seu lábio, alternando o olhar entre os olhos e a boca de Clara.
Se beijaram novamente. Marina a apertou contra a parede, passou a mão por baixo de sua blusa e começou a assaltar o pescoço de Clara. Clara tentou tirar a blusa de Marina, mas ela prendeu sua mão. Olhou para ela e Marina sorriu.
– Hoje eu sou sua dona.
Foi a arrastando para o sofá e ficou em cima dela. Segurou suas mãos acima de sua cabeça e correu os olhos pelo corpo de Clara, balançando a cabeça e mordendo a boca. Clara colocou as pernas em torno de sua cintura.
– Deixe as mãos aqui, tá?
Marina começou a despi-la bem devagar, parecendo uma tortura. Depois que tirou toda sua roupa, começou a beijá-la de forma lenta e delicada. Começou na testa, bochecha, nariz, queixo, pescoço, orelha, onde mordeu e depois lambeu.
Clara suspirou, ansiosa por um beijo de verdade.
Marina desceu de volta pro pescoço e foi lentamente de encontro aos seios. Beijou, chupou, mordeu cada um deles, com muita paciência. Desceu pela barriga, dando beijos que deixavam um rastro molhado. Chegou perto de seu sexo, mas o ignorou.
Marina não precisou olhar para Clara para saber que ela já estava furiosa.
– Pô, Marina!
Olhou para ela e sorriu.
Se concentrou em suas pernas. Abriu-as. Passou as mãos em seus pés e subiu beijando suas pernas, beijando e mordendo as coxas.
Clara se contorcia e suspirava, não agüentando mais.
Marina olhou para cima e viu Clara com os olhos fechados. Resolveu surpreendê-la, invadindo-a com dois dedos. Clara respondeu gemendo alto. Começou a dar estocadas mais fortes, enquanto chupava um de seus seios. Subiu, puxou seu lábio com força e a beijou, mas diminuiu a força e o ritmo das penetrações, retirando os dedos eventualmente para estimular seu clitóris. Clara rebolava lentamente, tentando pegar mais contato, mas Marina continuou torturando-a.
– Marina...
– Hmm?
– Por favor?
– O quê?
Clara abriu os olhos e a fitou, sem muita paciência. Marina sorriu aguardando.
– Me chupa. Para de me torturar.
Marina a beijou, sorrindo. – Seu desejo é uma ordem.
Marina foi ansiosa, querendo sentir todo seu gosto. Alternou entre beijar seus lábios, chupar seus clitóris e penetrá-la com a língua, até que sentiu e ouviu Clara gozando e sugou todo seu líquido.
Clara ficou toda ofegante, tentando se recompor, mas Marina não lhe deu muito tempo. Voltou a beijá-la com ferocidade. Clara segurou em seus cabelos com força e a beijou na mesma intensidade, até que teve forças para virá-la e ficar por cima.
– Minha vez. – Puxou a coxa de Marina para cima, apertando-a e beijando sua boca.
Tirou toda a roupa dela com pressa e começou a lamber seu mamilo. Passou os dentes e Marina gemeu num misto de prazer e dor.
– Clara, meu amor...
Clara passou os dedos no sexo dela, percebendo sua excitação.
– Que delícia. – Sorriu.
– O que você faz comigo. – Sorriu de volta.
Clara apertou um dedo em seu clitóris e a boca de Marina passou de um sorriso para um “o”. Clara a estimulava numa lentidão terrível.
Marina estava ofegante. – Vingativa.
Clara riu. – Pra você sentir um pouco do próprio veneno.
– Não prefere você mesma sentir? – Olhou para seu sexo e sorriu atrevida.
– Ai, Marina.... – Clara mordeu a boca e se levantou.
Marina olhou para ela tentando entender o que tinha feito de errado.
– Amor... – Mas não soube o que dizer.
Clara pegou sua mão. — Levanta.
Marina obedeceu, cabisbaixa.
Clara se deitou no lugar dela. – Agora vem.
Marina ia se deitar por cima dela novamente, mas Clara pôs a mão em sua barriga, parando – a.
– Hum, não. – Negou com a cabeça e apontou para seu lábio. – Quero na boca.
Marina sorriu travessa e se sentou, mas não sem antes lhe dar um tapa. – Safada.
Clara piscou sorrindo. Pôs as mãos em sua bunda e começou a chupá-la.
Marina de olhos fechados e apertando os próprios seios quase gritou ao sentir o orgasmo. Deitou no corpo de Clara, se sentindo exausta. Clara a abraçou.
– Não sinto minhas pernas.
Clara riu. – Boba. Por enquanto só precisa sentir aqui. – Clara desceu seus dedos até seu sexo e Marina fechou os olhos gemendo novamente e se agarrando no corpo de Clara.
Continuaram no banho.
****
– Que tal aproveitarmos que temos mais algum tempinho só nosso para passear e comer alguma coisa na rua? Um açaí para recuperar toda a energia gasta? – Marina riu.
– Topo. – Clara pegou as chaves. – Não é todo dia que temos tanto tempo só para nós. Ainda mais num final de semana.
– Pois é, cadê Ivan que passou o dia todo fora?
– Deve estar com o pai e a Verônica. Bom pra nós. – Clara riu.
Enquanto Clara dirigia, Marina não tirava os olhos dela. Clara corou, percebendo, e sorriu.
– Não acredito. – Marina riu. – Depois de anos!
– Marina, olha o jeito que você me olha! Pode se passar todo o tempo do mundo e eu ainda vou amar. E nós ainda vamos nos amar.
–Amém! – Riu e colocou as mãos para cima.
– Pode ser aqui mesmo? – Parou o carro.
– Aqui tá ótimo. – Desceram.
Escolheram uma mesa e esperaram o açaí, abraçadas.
Marina colocou a primeira colherada na boca, mas não tirou e ficou olhando para frente com uma expressão estranha.
– Que foi? – Clara perguntou preocupada.
Marina se virou para ela e segurou seu rosto. – Amor.
– Que foi, Marina?
– Não surta.
– Com o quê? – Puxou a mão dela de seu rosto para tentar olhar.
– Só.. respira fundo antes. – Beijou seu rosto e a soltou.
Clara olhou para o ponto que Marina encarava antes. Colocou a mão no peito e arregalou os olhos, que marejaram.
– Não.
– Calma.
– Meu bichinho. – Sua voz falhou.
– Eu sei. – Marina entrelaçou seus dedos.
– Ivan!
– Hm?
– Aquelas não são suas mães olhando pra gente?
Ivan olhou para o outro lado da rua e pôde ver as duas. Clara continuou imóvel, mas Marina sorriu e acenou para ele.
Ivan suspirou e riu. – Bom, acho que vamos ter que adiantar a novidade. Vem. – Puxou a mão da menina que estava ao seu lado e cruzaram a rua.
Marina cochichou. – Respira, fica calma, aja naturalmente. – Não agüentou e riu. Clara olhou para ela séria.
– É sério, amor.
– Marina, nosso bichinho! – Clara gesticulou e Marina segurou suas mãos.
– Ele não é um filhotinho já há um bom tempo.
– Ai, meu Deus. Já temos um dia difícil com a Aninha amanhã e agora isso também. Nossos filhos resolveram crescer de uma hora para outra.
Marina riu. — E tá chegando aí. Disfarce.
– Mamãe, mãe. Essa é a Joana. – Sorriu.
A menina estendeu a mão. – É um prazer conhecê-las.
Marina foi a primeira a cumprimentá-la, mas olhou para Ivan.
– É.. minha namorada. – Ele respondeu sem ela ter que perguntar.
Marina olhou para ela. – O prazer é todo nosso. Eu sou a Marina, essa é a Clara. – Repousou a mão na coxa dela, apertando um pouco para que ela se movesse. Clara olhou para Marina, sorriu e cumprimentou Joana também.
– Tudo bem, Joana? Que linda você. Sentem com a gente.
– A gente tava pensando sobre o dia de contar. – Ivan se desculpou.
– Mas já que pegamos vocês no flagra, vamos nos conhecer. – Clara riu e apontou para as cadeiras livres.
****
– Não, não chora, meu bebê. – Clara enxugou as lágrimas de Ana Carolina. – Olha pra mamãe, não precisa ficar assim.
– Mas eu não quero. – Bateu os bracinhos.
Marina enxugou suas próprias lágrimas e abraçou a filha. – Eu prometo, não vai demorar muito para virmos te buscar. E vou estar grudada no telefone o tempo todo, se você precisar de qualquer coisa vão nos ligar e a gente vem correndo.
– Marina. – Clara suspirou. – Você não tá ajudando muito. – Beijou o rosto dela e sussurrou. – Para de chorar.
Marina olhou para ela, fazendo beicinho. – Não quero deixar ela aqui, Clara! – Seus olhos marejaram novamente.
Ana Carolina aproveitou que Marina parecia estar do seu lado e abraçou sua perna.
– Aqui é escola, Marina. – Clara riu. – Seja forte. – Cochichou as próximas palavras. – E olha isso? – Olhou para a filha. – Me ajuda, né?
Abaixou para falar com Ana de novo. – Meu amor, você vai adorar, vai aprender muitas coisas, vai fazer amiguinhos, vai se divertir muito, você vai ver, vai gostar. Vai ficar um pouquinho longe de nós, mas vai passar tão rápido. Eu prometo, tá? Quando perceber, já vamos estar aqui de novo pra te pegar. Claro que, como sua mãe disse, se precisar pode pedir para nos ligar, mas não vai precisar. Você vai gostar. – Beijou sua testa e enxugou suas lágrimas mais uma vez. — Você não dizia que queria ir pra escola com o Ivan sempre que o via sair? Pois é, agora é sua vez.
O sinal da escola tocou.
– Olha e já tá na sua hora.
Marina olhou para a filha, fazendo beicinho.
Clara beijou seu rosto novamente e arrumou seu uniforme em vão, pois Marina a pegou no colo, a abraçando e suspirando.
– Mamãe vai sentir tanta saudade. – A apertou em seus braços.
– Marina! – Clara advertiu. – Por favor. – Pediu baixinho.
Se olharam. — Mas você vai adorar, nem vai sentir nossa falta, vai ficar feliz e nós também. – Sorriu e a colocou no chão. – Pega sua mochilinha. Isso. Tá tão linda, meu amor. Você vai gostar da escola, pode ter certeza. Divirta-se.
Ana assentiu, ainda não muito contente.
– E não se esqueça. – Marina passou a mão em seu rosto. — Nós te amamos.. muito, muito, muito.
Ana sorriu.
– Vamos, Ana Carolina? Tá pronta? – Uma professora tocou em seu braço.
Clara pegou a mão de Marina, a afastando, e deram tchauzinho pra Ana. – Divirta-se, amor.
– Daqui a pouco a gente volta! — Andou mais um pouco, mas se virou novamente falando baixo só para Ana e sinalizando com as mãos. – Qualquer coisa, liga.
– Marina. – Clara a puxou em direção ao carro. – Vamos embora, vem.
– Vamos esperar um pouquinho? E se ela chorar?
– Se ela chorar, as professoras vão cuidar dela. Ela tem que ficar, é assim mesmo. Não pode chorar e a gente correr e tirar ela de lá.
– Mas se..
– Não. Exatamente isso que tava pensando, né? Claro que não. – Clara riu. – Elas não vão ligar.
Marina arregalou os olhos. – Clara, ela pode precisar da gente! – Falou exasperada apontando para o imóvel.
– Meu amor. – Colocou as mãos em seu rosto. – É uma escolinha. – Clara riu. – Você tá agindo como se estivéssemos abandonando nossa filha. Primeiro dia não é fácil, nem pros bichinhos, nem pra nós que ficamos com o coração na mão. Mas vai passar e ela vai gostar. Se não gostar hoje, vai gostar em breve, é só questão de se acostumar. – Beijou o canto de sua boca. – Não precisa sofrer assim. – Sorriu e passou a mão em seu cabelo. – E não vá ficar decepcionada quando ela sair dali toda animadinha enquanto você tá aí toda chorosa. – Beijou sua testa.
Marina suspirou. – Eu sei, eu sei. Só é a primeira vez que deixamos ela sozinha sem ninguém da família por perto. Ela pode estar sofrendo.
Clara entrelaçou seus dedos. – Não, nesse momento ela já deve estar fazendo amiguinhos, não tá sofrendo. Sabe como ela é dada. – Riu. — Quem tá sofrendo é você. – Pôs uma mecha atrás de sua orelha. – Eu sei que é difícil, amor, mas nunca vi igual você. – Clara sorriu. – Eu não sofri assim nem no primeiro dia do Ivan e olha que ele chorou mais que Aninha.
– Tá bom, eu que sou uma boba mesmo.
Clara suspirou. — A mais linda de todas. – Pôs as mãos em seu rosto e a beijou, apaixonada. – Vamos pra casa?
Marina concordou. – Ai, é amor demais, só isso. – Riu e entrou no carro. – Mas eu sei que ela vai ficar bem. – Olhou para Clara. – Né?
– É, Marina. Claro que é. – Beijou sua mão. – Vamos logo antes que você busque a Aninha.
Marina ligou o carro. – Tenho medo. E se.. sei lá, ela sofrer por ser nossa filha, duas mulheres.
– Eu sei. Mas acho que ela não vai passar por isso, não por enquanto, pelo menos. Criança não tem preconceito, ninguém vai excluí-la por causa disso. Além do mais, nós conversamos muito com o pessoal da escola antes, eles vão ficar de olho em qualquer situação estranha. Os outros pais que poderiam arrumar encrenca, mas acho que ficaram com tanta dó do seu coração partido hoje, amor. – Clara riu. – Devem nos deixar em paz pelo menos por um tempinho.
Marina mostrou a língua para ela. – Tá doendo ainda, tá?
Clara passou a mão em seu cabelo e beijou seu rosto. Olhou para ela com um sorriso bobo. – Ai, o que eu faria sem você na minha vida?
– Choraria a presença da minha ausência todos os dias. – Marina beijou sua mão. – Mas ainda bem que não temos que nos preocupar com isso.
– Ainda bem. — Sorriu para ela, e ficou alguns segundos perdida na beleza daquela mulher que tanto amava. –Tudo bem, mas agora você vai ter que me dizer seu nome, o que você faz e onde foi que você encontrou tanta beleza.
Marina olhou para ela sorrindo. — Oi, meu nome é Marina. – Estendeu a mão direita para ela.
– Clara. – Pegou na mão dela.
– Oi. – Sorriu.
– Oi. – Clara piscou e sorriu de volta.
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