Notas iniciais
Oii, geeente! Postando antes porque cês tão tensas hauhauhauah E porque estou viajando, melhor não correr o risco de deixar vocês sem capítulo. Beijos

Quando Clara finalmente conseguiu parar de chorar, se afastou de Felipe e Helena e passou as mãos no rosto.

Respirou fundo. — Não tem outro jeito, irmão? Me fala a verdade, me explica isso.

– A condição da Marina tá piorando muito rapidamente. Ela não responde ao tratamento e só piora. Rins, fígado, a pressão no teto. Isso tudo tá fazendo muito mal pra ela e pra bebê também. Não estamos conseguindo reverter o quadro. E se progredir, mais e mais órgãos serão afetados. Ela já tá com edema pulmonar grave também e estamos falando em possíveis alterações cardíacas, neurológicas, eclâmpsia..

– Mas precisa…? — respirou fundo. — Você sabe.

– O quadro é reversível. — Enfatizou. — Se interrompermos a gravidez, em algumas horas, poucos dias, ela volta ao normal. Ainda dá pra reverter.

Clara assentiu. — A gravidez tá fazendo isso com ela?

Ele fez que sim. — Ela não vai aguentar esperar os nove meses. Nem a criança. Com ela nesse estado, vai ter um parto prematuro de qualquer forma. Mas a Marina já está muito mal e tá muito cedo pra ela nascer, ela não tá pronta ainda.

– Mas vamos desistir dela assim? Falta tão pouco. — Clara passou as mãos no cabelo. — É tudo culpa minha. — Voltou a chorar e pôs as mãos no rosto.

– Clara, nada disso é culpa sua.

– É sim, Leninha! Ela.. ela .. — mal conseguia falar em meio aos soluços. — Ela queria adotar. Eu.. — Pôs a mão no peito. — Eu a convenci! Helena, eu a convenci de engravidar! Ela já tinha procurado orfanatos, ela só queria um bebê, não engravidar, não passar por tudo isso. Isso é tudo culpa minha, eu fiquei falando pra ela de como gravidez era mil maravilhas e ela quis tentar. Foi ideia minha.

Helena a abraçou de novo.

– Clara! É uma fatalidade, você não tem culpa.

– Ela não estaria passando por isso. — Chorou. — Talvez ainda não teríamos conseguido nossa filha, mas.. mas… olha só, agora eu corro risco de ficar sem as duas! Você não viu ela implorando, irmã. Eu não vou conseguir convencê-la de… de fazer isso. Eu não sei nem se consigo pedir isso pra ela. E eu entendo, sabe? Poxa, eu sei que você também entende, nós somos mães. Mas ao mesmo tempo, eu não posso perder a mulher da minha vida. E eu que a coloquei nessa posição, Helena! É tudo culpa minha e agora vou perder as duas.

Helena olhou para Felipe pedindo ajuda. — Traz a mamãe.

– Felipe. — Clara chamou antes que ele saísse. — Liga pra Vanessa, manda chamar o pai dela.

Chica entrou e ficou abraçando Clara o tempo todo, que não tirava os olhos de Marina e nem soltava sua mão.

Felipe passou as novidades para Vanessa e foi atrás do médico.

– Mudou alguma medicação, Paulo?

– Corticoesteroides.

Felipe pegou a prescrição e leu. — Isso tudo? Não é demais?

– Pra mãe e filha. Ela não vai deixar, você viu. Eu acompanhei essa gravidez toda, poxa, vou continuar tentando.

Felipe assentiu.

Já era depois de meio dia quando Marina acordou. Abriu os olhos devagar, piscou algumas vezes e já chamou Clara, pondo as mãos na barriga, com medo de que tivessem feito alguma coisa.

– Tá tudo bem. — Clara pegou sua mão. — Tá tudo bem, não fizeram nada com você.

– Graças a Deus.

Marina olhou para Clara. — Ô, meu amor. — A puxou para um abraço. — Não fica nesse estado.

Clara voltou a chorar. — Me desculpa, é tudo minha culpa. Eu não..

Marina a abraçou. — Clara, que besteira! Não volta a falar isso, nada disso é culpa sua.

– É sim, eu te coloquei nessa posição, nessa escolha.

– Não, não, nada disso é culpa sua. Não é culpa de ninguém. E não tem escolha, não vou tirar a nossa filha.

– Ana Carolina?

Marina sorriu. — Gosto de Carol. E Ana da vovó. Parece perfeito.

Clara sorriu por um instante, mas logo perdeu o sorriso. — Marina…

– Clara, é nossa filha! Não me pede isso.Não é sua culpa, não é minha, e não é dela, poxa. Não é culpa dela, ela não tá pronta ainda, eu não vou deixar fazerem isso.

– Eu não posso te perder. — Chorou inconsolável. — Eu não posso. Eu não sei o que faria...

Marina fechou os olhos chorando também.

– Eu sei, meu amor. Eu também não posso te perder. — Puxou o rosto dela e a beijou várias vezes.

Vanessa e Flávia tentavam se consolar na sala de espera. Ligaram para Diogo, tentaram não alarmá-lo, mas como estava sendo chamado antes dos nove meses já sabia que tinha algo errado. Deixou tudo para trás e pegou o primeiro vôo para o Brasil.

Chica e Helena saíram do quarto.

– Você vai ficar aqui, Helena? — Falou tentando se recompor. Não estava sendo fácil ver sua filha naquele estado com a mulher que ela também tinha aprendido a amar como filha correndo risco de vida e também sua netinha.

– Senhora tá indo embora?

– Vou pra casa delas. Vou lavar as roupinhas, manta, essas coisas, vou deixar tudo pronto. Ninguém vai esperar os nove meses.

– Mãe.. — Helena tentou dizer que talvez não fosse preciso, mas não teve coragem.

– Não, Helena, eu vou. E vou passar o dia lá, lavando roupas. Qualquer coisa, qualquer mudança, me liga.

Helena não disse mais nada e deixou que ela fosse.

– Marina.. — Vanessa entrou chorando.

– Van. — A abraçou, mas Vanessa a afastou e segurou seu rosto.

– Marina, olha pra mim. — A encarou. — A Clara não vai te pedir, mas eu vou. Para com isso, põe um fim nisso, escuta os médicos.

– Vanessa, para.

– Sofreu tanto pra ficar do lado dessa mulher pra isso? Me escuta uma vez na sua vida.

– Para, Vanessa! Para! — Se alterou.

Flávia puxou Van para trás. — Para, amor.

Vanessa respirou fundo. — Me desculpa. Eu te amo, mas eu não consigo, Marina. — Pegou a mão de Flávia e saiu do quarto chorando, fechou a porta. Encostou na parede. — Ela é minha melhor amiga, Flávia, minha família.

– Eu sei, amor. — A abraçou.

Felipe viu a cena, passou a mão no braço da ruiva e entrou no quarto.

– Se veio me convencer, pode voltar.

Felipe pôs as mãos na frente. — Tô aqui como sua família, Marina.

Ela relaxou.

– Mas acho que gostaria de saber que o Paulo tá tentando. Ele não vai interromper agora.

Fechou os olhos e respirou aliviada.

– Não agora, mas ele não vai deixar você morrer por isso também.

– Felipe..

– Marina, me escuta. Ele tá tentando, tá bom? Ele tá fazendo tudo que pode.

– Tantas crianças nascem de sete meses, só tô pedindo pra esperar mais um pouco.

– E ele vai. O corticoide que tá te dando vai ajudar a acelerar a maturação da nossa bebezinha também. Mas se acontecer qualquer coisa, ele vai tirar.

– Ai, Clara. — Se lembrou. — Cesariana, a gente não se preparou pra isso. A gente tem se preparado o tempo todo pra natural, eu não sei nada agora. A Débora nem tá aqui, a gente devia chamar ela.

– Calma, amor. Eu sei que não é o que planejamos, nada disso é. Eu vou ligar.

– Quem é Débora?

– Nossa doula.

– Não é muita loucura.. querer esperar. — Olhou para os dois, buscando compreensão. — Clara, você é mãe! Você sabe.

Entrelaçou seus dedos. — E eu te entendo perfeitamente, meu amor. Mas também sou sua mulher e não posso pensar em te perder.

– Então reza. Eu não sou boa nisso, mas você é. Reza pra dar certo, mas fica do meu lado. — Implorou.

Clara beijou a mão dela e concordou.

– Então nosso plano é esperar?

Paulo assentiu. — Vamos continuar o tratamento, mesmo que ela não esteja respondendo, não dá pra ficar sem. Monitoramento renal, hepático, oxigênio, repouso absoluto. Tô pensando até em controlar melhor as visitas. Já estamos com 29 semanas, e agora com os corticoides os pulmões da bebê vão estar mais maduros, embora o desenvolvimento dela tenha atrasado. E, assim que estiver um pouco melhor, nós vamos induzir o parto.

– E se ela não aguentar até lá?

– Se ela evoluir para eclâmpsia, vamos abrir.

Felipe concordou e Paulo suspirou.

– Como elas estão?

Felipe não respondeu, apenas olhou para ele.

– É.

No dia seguinte, Diogo chegou ao Brasil e foi direto para o hospital com uma mala onde tinha jogado as primeiras roupas que encontrou. Entrou e foi em direção à recepção, mas Chica o chamou.

– Diogo!

– Chica! Cadê a Marina? O que tá acontecendo? — Ele se assustou ao ver o semblante dela.

– Ela não está bem, não vou mentir para você. Os médicos estão até falando em.. em tirar a bebê, mas ela não quer deixar de jeito nenhum.

Passou a mão no cabelo. — Meu Deus do céu, me deixa ver minha filha.

Assim que Marina o viu na porta, estendeu os braços e começou a chorar.

– Pai.

Diogo foi para o lado dela e a abraçou.

– Ô, minha filha. — Marina se escondeu no abraço dele e chorou como uma criança no colo do pai.

Clara assistia chorando e envergonhada porque ainda se sentia culpada.

– Como isso foi acontecer, meu Deus? — Olhou para Clara.

– Senhor já sabe de tudo?

– Sei o que importa. — Beijou a cabeça de Marina. — Será que não é melhor levarmos ela para outro hospital? Algum lugar melhor? Exterior até?

– Eles já estão fazendo tudo que podem, e acho que ela nem pode ser transportada.

– Marina..

– Não faz isso. — Ela pediu.

– Você já pensou em tudo? Marina, minha filha, pensa em mim, pensa na Clara, no Ivan.

– Falta tão pouco, pai. — Ela chorou. — Falta tão pouco pra ela.

Diogo preferiu não falar mais nada ainda. Só abraçou e consolou a filha. Marina acabou dormindo, já estava exausta.

Diogo olhou para Clara.

– Eu não sei mais o que fazer.

– Você não pode fazer muito mais que isso, minha filha.

– Eu não vou contra a vontade dela, Diogo. Mas eu também não posso deixar que ela acabe… Eu não posso deixar isso acontecer, eu não vou suportar.

– Eu sei. Eu no seu lugar também não saberia o que fazer. E eu sou o pai dela! Ela é tudo para mim. Tudo que eu mais quero é protegê-la e eu não sei o que fazer. Pelo que eu consigo ver, de qualquer jeito a gente acaba perdendo a Marina. Se ela aceitar interromper essa gravidez e tudo der errado, você sabe que ela nunca mais voltaria a ser a mesma.

– Eu sei. — Clara chorou. — Ela escolheu o nome. Ana.. Carolina.

Diogo sorriu.

– Sua mãe ia adorar. — Beijou a testa de Marina que ainda dormia.

Notas finais
Beijos :)