Can't let you go.
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Quando chegaram ao hospital, Felipe já estava lá com Chica. Paulo tinha entrado com Marina já para um quarto. Clara entrou e foi direto abraçar Chica.
– Calma, minha filha. Vai ficar tudo bem.
Felipe passou a mão em sua cabeça. — Fica calma, tá bom? Eu vou procurar o Dr. Paulo para me inteirar de tudo.
– Pré-eclâmpsia, mãe? — Clara chorou em seu ombro. — Isso não é bom.
– Eu sei, mas tenta ficar calma. A Marina vai precisar da sua força. E ela está em boas mãos, vão cuidar dela.
Clara assentiu. — Eu vou até lá.
Chica assentiu e enxugou as lágrimas da filha. — Não vou sair daqui, Helena já está vindo também e Virgílio já foi buscar seu carro.
– Agradeça ele por mim, mãe, por favor.
– Claro. Vai lá. — Beijou seu rosto.
Clara foi e Chica sentou na sala de espera apreensiva.
Quando Clara entrou no quarto, Marina já estava sendo medicada.
– Pra pressão.
Clara assentiu.
– Fica calma, amor. Vai ficar tudo bem. — Marina pegou sua mão.
– Eu sei. — Sorriu. — Sabe como eu me preocupo.
– Eu sei. — Marina beijou sua mão.
– Paulo? Sou Felipe, irmão da Clara. — Apertaram as mãos.
– Prazer.
– Clara me contou mais ou menos o que tá acontecendo. Pré-elcâmpsia.
– Então, nós já entramos com a medicação pra hipertensão, vamos ver como ela responde. O hospital de lá já tinha começado exame de função renal. Tô esperando o resultado. Bom, o que podemos fazer até então é isso. E monitorar.
Felipe assentiu.
– E a bebê?
– Baixo crescimento intrauterino, só isso até então.
– Que falta de sorte!
– Infelizmente é um risco grande, principalmente na primeira gravidez.
Felipe suspirou. — Mas vai ficar tudo bem. Ela vai responder. Obrigada, Paulo. Vou lá ver como ela está.
– Irmã. Como ela tá?
– Descansando. — Clara passou a mão na cabeça de Marina. — E aí?
– Temos que esperar agora. Ver como ela reage aos medicamentos.
Clara assentiu.
– Dieta nova também, livre de sódio; e repouso absoluto.
Clara assentiu novamente, sem tirar os olhos de Marina.
– Helena tá aí, eu vou lá falar com elas.
– Felipe, o Ivan…
– Tá com a Flávia. Vanessa tá aqui também.
– Liga pro Cadu. Fala que a Marina não tá muito bem, pede pra ele ficar com nosso filho. Pede pra ele dizer que estamos no hospital, mas não assustá-lo.
– Tá bom. — Beijou a cabeça de Clara. — Como já tá tarde, já passou do horário de visitas, não vão poder entrar hoje. Vou ver se consigo mandar todo mundo pra casa também.
– Tá. Pede a Van pra trazer algumas coisas pra gente, roupas, etc.
Felipe assentiu e saiu.
No outro dia, logo cedo receberam o resultado do exame do hospital de Niterói.
– Função renal prejudicada.
– Já era esperado. — Felipe falou.
– Vamos cuidar disso também. — Receitou outros medicamentos pra Marina e mandou pra enfermaria.
– E a pressão?
– Estável. Não subiu mais, mas também não diminuiu. Vou ter que alterar a dose.
– Mas com o rim afetado..
– Torcer pra não piorar. Tô preocupado também com a sua irmã, ela não dormiu nada a noite, não tira o olho da Marina, não sai de perto dela. Talvez fosse melhor você tentar fazer ela ir pra casa, nem que seja pra descansar um pouco, comer direito.
Felipe cerrou os lábios. — Tirar a Clara do lado dela? Impossível. Ela já pediu que trouxessem roupas e etc pras duas. Ela não vai sair do lado da Marina.
Paulo concordou.
– Como você tá, meu amor?
– Roxa. — Levantou o braço do catéter. — Mas bem.
– Bem mesmo, Marina?
– Acho que sim, tô me sentindo um pouco melhor. Só tá faltando..
– O quê?
– Um beijinho. — Sorriu.
Clara sorriu de volta e a beijou.
– E nosso amorzinho?
– Tá mexendo. — Sorriu. — Você não quer descansar um pouco?
– Nem adianta tentar, não saio daqui.
– Ivan deve estar preocupado.
– Tá com o pai, já ligou, já tranquilizei ele.
Marina riu. — Tá bom. Deita aqui comigo.
Clara subiu na cama dela e a abraçou.
Beijou seu rosto e pensou. “Melhora logo, meu amor. Nem sei o que faço se você não ficar bem logo.”
– Mas, pelo amor de Deus, que que isso, gente? Vocês não se desgrudam nem com a menina hospitalizada? Por favor, Clara! — Vanessa e Flávia entraram. — Como você tá? — Abraçou Marina, preocupada.
– O quanto vocês sabem?
– Tudo. Felipe tá traduzindo tudo pra família toda. — Vanessa sorriu.
Marina sorriu de volta. — Não tô 100%, mas pelo que vejo eles reclamarem da minha pressão e dos rins, eu até tô me sentindo bem. E o mais importante é que nossa bebêzinha tá bem também, melhor que a mamãe.
Vanessa acariciou a barriga. — Quanto tempo essa menina vai ficar sem nome? Vou acabar chamando ela de bebêzinha pro resto da vida.
Flávia riu, pondo a mão no ombro de Vanessa.
– Mas olha só! Que mudança, Marina! Pra quem pulava da janela se entrasse uma criança na sua casa, Vanessinha gostou de ser titia. Acabou de declarar que vai estar presente na vida da nossa filha.. pro resto da vida. É compromisso de bastante tempo.
– Vanessa faz charme, mas ela tá adorando. — Flavia passou a mão no cabelo da ruiva.
Marina passou o resto do dia na mesma, com os médicos tentando controlar a pressão, mas ainda não tinham obtido sucesso. Como iam dormir no hospital de novo, Clara resolveu dar um pulo na casa de Cadu para falar com Ivan.
– Ivan, sua mãe, cara.
Ivan veio correndo e a abraçou como costumava fazer quando pequeno.
– Como ela tá? E minha irmãzinha?
– Tão sendo bem cuidadas, meu bichinho. — Se sentaram. — Elas vão ficar bem. E enquanto isso, você fica aqui, tá bom? Marina vai precisar da minha companhia.
– Eu sei. Não tem problema. Só mande notícias. Mas ela vai ficar lá por muito tempo?
– Se Deus quiser, não. Mas eu ainda não sei.
Ivan assentiu triste. — Manda um beijo pra ela, fala que eu amo ela. As duas, tá?
Clara sorriu. — Ela vai adorar ouvir isso. — O abraçou e beijou sua cabeça. — Eu vim rapidinho, só pra te dar um beijo.
– Janta com a gente, Clara.
– Ah, não. Obrigada, Verônica, mas não quero demorar. Deixei minha mãe lá com a Marina, mas.. não é a mesma coisa. Quero ficar com ela.
– Eu entendo. Mas não dá pra cuidar das duas se você também cair doente. Já comeu alguma coisa hoje?
Clara negou.
– Foi o que eu pensei. Janta com a gente, e aí você vai.
Clara acabou concordando, pela primeira vez percebeu o quanto estava com fome.
No jantar, evitaram conversar sobre o hospital, Clara perguntou do dia de Ivan e contou sobre Niterói antes de Marina passar mal. Clara também contou do ensaio que fizeram e prometeu mostrar a todos assim que as fotos estivessem prontas.
No final, despediu do filho que foi tomar banho antes de dormir e Cadu a levou até a porta.
– Felipe explicou tudo pra gente.
– É, ele tem ajudado muito.
– Eu te conheço, Clara. Sei que ver ela daquele jeito tá te matando. — Abriu os braços e Clara o abraçou, deixando que algumas lágrimas descessem.
– Elas têm que ficar bem.
– Elas vão. — Ele passou a mão em suas costas. — E não se preocupe com o Ivan, ele pode ficar aqui o tempo que for necessário.
– Obrigada.
– Que isso. Sou o pai dele. — Ele sorriu.
– Vou lá, agradeça Verônica pelo jantar. E obrigada também.
– Mande melhoras pra Marina.
– Pode deixar.
Cadu ficou um tempo vendo Clara sair e Verônica o abraçou.
– A Clara sempre foi preocupada demais. Quando vê as pessoas que ela ama doente, ela adoece junto.
Quando Clara chegou ao hospital novamente, foi recepcionada pela mãe.
– Mãe, por que a senhora não tá lá dentro com ela? Pedi pra não deixar ela sozinha, poxa.
– Clara. — Pôs as mãos na frente. — Fica calma.
Clara arregalou os olhos. — O que aconteceu? — Não esperou a resposta, saiu correndo para o quarto.
– Minha filha, espera. — Mas ela já tinha ido.
– Marina. — Chamou ao entrar.
– Oi, amor.
– O que foi? — Enrugou a testa. — Pra que esse tubo?
– Calma, Clara. — Pegou sua mão. — Eu só comecei a sentir um pouco de falta de ar. É oxigênio.
Clara pôs as mãos na cabeça. — Eu não devia ter saído daqui.
– Ei, claro que não, você precisava de um tempo. Não é sua culpa. Você não ia poder evitar nada estando aqui. — Enxugou as lágrimas de Clara. — Não fica assim. Como tá nosso filho?
– Bem, e preocupado. Mandou dizer que ama vocês duas.
Marina sorriu. — Meu lindinho.
– Desculpa a demora, meu anjo. Eles me convidaram para jantar e eu acabei ficando.
– Ótimo, você precisava mesmo comer. — Acariciou sua mão.
Clara a abraçou e deitou no peito de Marina.
– Dói tanto te ver assim, dói tanto não poder fazer nada.
– Vai passar logo. — Beijou a cabeça dela.
– Te amo tanto.
– Eu sei, bobinha. — Riu.
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