Can't let you go.
4 Capítulo 4
Vanessa tentou discutir, tentou argumentar, mas de nada adiantava. Marina já tinha feito sua cabeça. Só lhe restava passar a notícia adiante e pedir ajuda de Flavinha e Giselle para cuidar de tudo. Foi uma tristeza só. No momento, elas nem se preocupavam que iam perder o emprego, se preocupavam com Marina.
Clara acordou com a cabeça já em Marina. Não apareceria no estúdio novamente. Sentia-se mal, estranha, por não ter notícias da fotógrafa, por não vê-la, não ouvir sua voz. Sabia que tinha lhe dado esperanças e que agora ela devia estar arrasada. Sentou-se na cama esfregando as mãos, nervosa, sem saber o que fazer. Por fim, pegou o celular novamente.
‘Marina... me desculpa.’
‘Eu não queria te magoar.’
‘Fala comigo, por favor.’
Mandava as mensagens e ficava aflita, encarando o celular, esperando alguma resposta. Nada.
‘Você quer que eu te deixe em paz?’
‘Ou quer que eu vá aí? Pra gente conversar?’
Se levantou e foi cuidar da casa, afinal agora tinha tempo de sobra.
Na hora do almoço, Clara deixou o arroz queimar, não estava com a mínima atenção para nada. Só pensava na Marina. Quando pegou a panela, queimou sua mão.
– Saco! Saco! – Jogou tudo na pia, passando as mãos no cabelo. – Isso é ridículo, Marina! – Gritou sozinha. – Eu sei que eu te machuquei, mas não me ignora, pô! – Falou perdendo a voz.
Pegou o celular novamente e ligou. Caixa de mensagens.
– Saco! – Apertou o celular na mão cogitando a hipótese de ir vê-la, mas não tinha coragem ainda. E era melhor deixar que ela se remendasse primeiro.
Devia ter desligado o telefone. Tudo bem que não quisesse falar com ela, Clara entendia. Mas ela também estava preocupada. Ligou para Giselle, para pedir informações, mas ela também não atendeu.
– Claro. São todas amigas dela. Devem estar todas me odiando agora. Ai, Marina.. me desculpa! Eu não queria que você sofresse assim por mim. Mas.. eu não consigo, não consigo. – Chorava sozinha.
À noite, se esforçava o máximo para não deixar Cadu perceber seu olhar triste e preocupado. Ele havia percebido, claro. Qualquer um notaria. Mas imaginou que fosse algo a ver com um certo rompimento com Marina, afinal ela não tinha ido trabalhar. E não haveria notícia melhor do que aquela para ele. Então deixou que ela ficasse na sua.
Marina apareceu para se despedir das meninas, pelo menos. Iria embora o mais rápido possível. Pegou algumas poucas coisas, apenas. O resto Vanessa mandava para ela depois.
No outro dia, Clara resolveu ir conversar com Helena.
– Era para eu me sentir melhor, Helena. Mas não. Eu.. eu não consigo parar de pensar nela. Será que ela está bem? Eu sei que não está, e eu queria estar lá, dando uma força. Cuidando dela. – Falou baixinho.
– Mas não dá, né, Clara? Sua presença lá faria mais mal do que bem. – Passou a mão em seu ombro. – Vai passar, minha irmã.
– Ela não me atende. – Clara chorava. – Desligou o celular.
– Claro. Ela não quer falar com você, é compreensível. Dê um tempo a ela. Deixa ela cuidar das feridas sozinha. Aliás, sozinha não, ela tem amigas. Mas alguma hora você vai ter que aparecer por lá, é seu trabalho afinal de contas. Nem que seja, sei lá, para pedir contas. Marina vai entender que você não pode largar seu casamento assim, que você não sente o mesmo. – Clara olhou para longe. — Ela vai aceitar. Só precisa de um tempo. Se ela te ama mesmo, deve estar magoada, mas vai passar.
– Será? Ferida de amor não passa assim, Leninha!
– Mas vai passar. Mais cedo ou mais tarde. Você fez o melhor para a sua família, para você. – A abraçou.
– Não devia doer tanto então.
Marina tinha conseguido passagem para aquela manhã. Queria fugir do Brasil, como se isso a fizesse fugir das lembranças, da tristeza que assombrava seu coração. As meninas estavam se despedindo dela mais uma vez. Flavinha não conseguiu segurar o choro, abraçou a amiga e chefe e pediu licença.
Ficou caminhando na beira da piscina, pensando. Tinha passado esses dois dias inteiros pensando nisso, mas não achou que devesse se meter. Viu Marina saindo pela porta em direção ao aeroporto e tomou sua decisão.
Nesse momento, Clara sentiu seu celular vibrando no bolso e se afastou de Helena para atender.
– Flavinha! – Viu no visor e disse alto. – Ai, graças a Deus, devem ser notícias da Marina. Ai, meu Deus! Será que aconteceu alguma coisa?
– Atende, Clara.
– O-oi? Flavinha? Tudo bem?
– Clara. – Flavinha respirou fundo, porque ainda estava chorando.
– Flavinha, aconteceu alguma coisa? A.. a Marina?
– Não aconteceu, mas está acontecendo. Olha, Clara, eu não devia me meter. Não devia mesmo. Não sei o que você pensa, não sei o que você sente pela Marina, não sei de tudo que houve entre vocês duas. Mas a Marina.. ela é uma sonhadora, mas não é boba. Então, se ela achou que tinha chances com você foi porque você deixou que ela pensasse assim. E eu não acho que você seja do tipo de pessoa que engana as outras, que brinca com o coração das outras por capricho.
– Flávia.
– Eu não terminei ainda. Eu não devia estar te ligando. Mas eu só sei que.. que se fosse eu na mesma situação, eu gostaria de ser avisada.
Clara entrava em pânico imaginando que algo tivesse acontecido com Marina e começou a chorar.
– O que..?
– Ela tá indo embora, Clara.
– O-o quê?
– A Marina está deixando o Brasil. Não sei nem se ela volta. Então..
– Como assim? Ela.. ela não me ligou, não me disse nada. – Se desesperava.
– Claro, né? Claro que ela não falou com você, ela não quer te ver mais. E até onde eu sei, ela tem razão. Eu só te liguei, Clara, porque se você ama a Marina, escuta o que eu estou dizendo, não deixa ela ir embora.
Clara chorava copiosamente agora, preocupando Helena.
– O vôo dela é em uma hora, pra Londres. Ela – engoliu. – ela já saiu daqui. Se você tem certeza que fez a escolha certa, então partir é o melhor para ela. Mas caso contrário, Clara.. Não deixa ela ir embora. – Desligou o telefone.
Clara permaneceu por alguns minutos caladas, com o celular ainda no ouvido.
“You're too proud to say that you've made a mistake,
You're a coward to the end.”
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