Can't let you go.
38 Capítulo 38
Notas iniciais
– Clara. Clara, acorda.
– Marina? Que foi? Tá sentindo alguma coisa?
– Não, tá tudo bem. Eu só não tô conseguindo dormir.
– Ah, amor, vem cá. — Clara a abraçou.
– Não. Amor, olha.
– Fala.
– Eu quero um milk shake.
– O quê?
– Me deu vontade de tomar um milk shake de morango daqueles grandes e eu não tô conseguindo dormir.
– Tenta dormir, amanhã a gente..
– Não, Clara. Eu quero agora.
– Agora, Marina? — Olhou o celular. — São três horas da manhã! Onde nós vamos arrumar milk shake de morango essa hora?
– Eu já pensei nisso. A gente faz. Leite nós temos em casa e certeza que naqueles postos de gasolina com lanchonete 24 horas a gente consegue sorvete.
Clara olhou pra ela. — Marina… — Tentou argumentar.
– Por favor?
Clara deitou e cobriu a cabeça com o travesseiro.
– Eu vou com você. Vem. — Puxou o travesseiro.
– Vai se arrumando porque você é mais demorada. Eu vou dormir mais cinco minutinhos. — Virou pro lado.
– Tá bom. — Marina levantou e começou se trocar. Vestiu uma roupa casual e foi lavar o rosto. Voltou ao quarto com a escova de dentes na boca.
– Amor.
– Hm?
– Já tô quase pronta.
Clara resmungou e se levantou ainda de olhos fechados.
– Clara, o bebê vai nascer com cara de morango!
Clara riu. — Isso não existe, Marina!
– Vai correr o risco? — Marina riu. — E se? Vai conviver com essa responsabilidade? Levanta. — Riu e puxou sua mão. — Se arruma, vou por o leite no congelador. — Beijou seu rosto.
– Tá bom.
– Quem mandou me engravidar? — Saiu rindo.
Dez minutos depois, estavam no carro saindo de casa.
– Pra onde nós vamos?
– Procurar um posto com lanchonete aberto.
Clara olhou pra ela. — Eu não tô acreditando nisso. — Deitou a cabeça no volante.
– Melhor eu dirigir, você ainda tá dormindo.
– Não, vamos. Olha na internet os que tem e eu dirijo. — Clara ligou o carro e começou a dirigir a esmo.
– Hmm, aqui. Tem um 24 horas na rua Barão Mesquita. 15 minutos daqui.
– Vai ter sorvete?
– Deve ter. — Deu de ombros. — Vamos.
– De onde veio essa vontade louca?
– Não sei, eu tava dormindo e de repente acordei querendo um milk shake. Devo ter sonhado.
Clara riu.
Em vinte minutos chegaram ao local.
– Viu, tá aberto?
– Ai, Marina, será que não é perigoso nós duas sozinhas aqui a essa hora?
– Não, a gente vai rapidinho. Estaciona aí.
– Tudo isso por um milk shake?
Ela assentiu.
Desceram do carro e andaram juntinhas até a lanchonete. Clara ficava olhando ao redor, com medo.
– Vamos direto ali no freezer.
Marina o abriu. — Viu, tem sorvete!
Clara remexia os potes procurando algum de morango.
– Frutas vermelhas!
– Não é morango.
– É quase a mesma coisa, amor. — Clara resmungou, mas Marina continuou procurando.
– Esse! Napolitano tem morango. Vamos levar os dois.
Pagaram e foram embora.
Assim que desceram do carro, ao chegar em casa, Marina puxou Clara para um beijo.
– Muito obrigada, amor.
Clara a beijou novamente.
– Tudo pros meus amores. — Pôs a mão em sua barriga e lhe deu um beijinho de esquimó. — Vamos lá bater esse milk shake porque eu ainda quero dormir. — Entraram de mãos dadas.
Clara pegou o liquidificador, Marina pegou o leite e leite condensado. Colocaram no copo. Clara ligou e desligou logo em seguida.
– Que barulhão horrível.
– É porque tá tudo quieto, mas a gente bate rapidinho. — Ligou de novo.
Clara desligou e colocou num copo com canudo pra Marina.
– Que que tá acontecendo? Que barulho é esse? — Um Ivan muito sonolento apareceu coçando os olhos. — O que cês tão fazendo? — Olhava incrédulo.
– Milk shake. — Marina mostrou seu copo feliz e começou a beber. — Hmm, tá divino, Clarinha.
– Milk shake essa hora?
– Desejo de grávida, meu filho. — Clara enchia outro copo. — Quer?
– Claro. — Ivan se sentou perto delas. — Onde arrumaram sorvete?
– Fomos comprar.
– Essa hora??
Marina sorriu envergonhada.
– Sim, a essa hora. Senão o bebê nascia com cara de milk shake rosa. — Clara riu. — Hmm, e olha a hora! Quero ver você conseguir dormir depois desse milk shake, amanhã temos que acordar cedo.
Marina assentiu. — Estarei de pé.
Clara sorriu. — Quero ver.
– Essa gravidez tá tudo de bom. — Ivan comentou e brindou com Marina.
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Clara olhou a hora e viu que já devia acordar Marina.
Beijou sua testa. — Acorda lindinha.
– Hmm, só mais cinco minutinhos.
Clara riu. — Cinco minutinhos nada. Vamos levantando que temos hora marcada, Paulo vai estar esperando a gente.
– É hoje! — Sentou ao lado da Clara e a puxou pra um abraço. Pegou as mãos de Clara. — Vamos tomar banho?
– Olha, fora isso e o milk shake de ontem, nunca vi mais nada te tirar dessa cama tão facilmente. — Clara zombou.
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– Bom dia, meninas. Que prazer ver vocês de novo. — Se cumprimentaram. — Como está essa gravidez, Marina?
– Tudo bem, Paulo. Cada dia mais pesada, às vezes meus pés incham, mas normal, né?
– Só os desejos, doutor, que meu Deus! — As duas riram. — Ela tá me enlouquecendo.
– Não foram tantos assim, Clarinha.
– Mas os que surgem três horas da manhã contam em dobro.
– A loucura dos hormônios. — Paulo riu. — E será que o bebê vai cooperar com a gente hoje?
– Tomara.
– Não tô aguentando mais de curiosidade.
– Vamos torcer, então. — Pegou um papel de pedidos. — Vou te pedir alguns exames, sei que já fez na clínica para a inseminação, mas precisamos repetir. ABO e Rh já temos, vou pedir mais um hemograma, glicemia, vamos repetir os de infecções, urina, e vamos marcar a próxima ultrassom pra semana 32 apenas, okay? Podemos aproveitar para fazer a 3D, assim vão poder dar uma espiadinha na carinha do bebê antes do parto.
Marina olhou para ele esperançosa.
– Não, não dá pra fazer hoje ainda. — Ele já se adiantou. — Aguarde, mamãe. Deita lá, vamos ver como estamos.
Marina se deitou e Dr. Paulo começou a ultrassom. Como sempre, ficou passando o aparelho na barriga, olhando para o computador e marcando.
– E então?
– Seu bebê é pequeno, mas tá na faixa normal. Não deve nascer muito grande, não. Vamos ver na semana 32. Mas tá tudo bem. — Continuou anotando. — Tá mexendo, já tá sentindo?
– Eu já. — Marina sorriu. — Mas a Clara não consegue sentir ainda.
– Vai ver no próximo mês! No sexto mês já não para quieto mais. — Se concentrou. — Vamos lá, bebê, deixa eu ver.
As duas aguardavam ansiosas.
– Já começaram a comprar roupinhas? Escolheram o nome?
– Já, compramos algumas unissex, mas estamos esperando pra comprar as outras, decoração pro quarto, carrinho e tudo mais. Nomes.. estamos fazendo listas. — Clara sorriu.
– De menino ou de menina?
– Os dois.
– Bom, já podem reduzir metade das opções. Podem jogar a lista dos meninos fora. Vem aí uma garotinha. — Paulo riu.
– Uma menininha, Clara!! — Marina quase gritou e pegou sua mão comemorando.
– Ai, que lindo, vamos ter uma menininha! — Se abraçaram.
– Não acredito.
– Notícia boa, é? — Paulo imprimia as imagens.
– De qualquer jeito já seria. Mas a gente tava doida pra ser menina, pelo menos eu estava, porque já temos o Ivan, né, amor? A Marina não viu ele bebezinho, já era um moleque. — Clara riu. — Mas mesmo assim.
– Nossa bonequinha. — Marina sorriu.
– Já vou mandar mensagem pra família toda. É certeza, né, Paulo?
– É. — Ele riu. — É uma menininha.
– Clara, manda mensagem pro meu pai também.
– Claro, amor.
– Vamos comprar roupinhas! Fala que já podem começar a dar presentes. Ah, tem aquela festa pra isso, né? Como chama, Clara?
– Chá de bebê, chá de fraldas. — Riu. — A gente faz no oitavo mês. Porque já é no finalzinho, mas antes dela nascer. — Seu celular fez barulho. — Olha, dona Chica já tá surtando. — Riram.
– Surtar vai meu pai, ele já quase pirou quando viu que eu estava grávida?
– É mesmo?
– Tinha que ver, Paulo. Achei que ele ia desmaiar. — Riu. — Mas ele ficou muito feliz.
Paulo riu. — Vovô coruja. Então é isso, Marina. Se prepara que vem mais uma mulher pra família. Os exames, pode fazer aqui mesmo, é bom que não precisa vir trazer resultado, eles já passam direto pra mim. Se tiver alguma alteração, eu entro em contato. Na semana 32 você volta pra outra ultrassom e já te oriento pras semanas seguintes, reta final da gravidez. Temos que colher strepto e entrar com antibióticos, caso necessário, ainda mais que será parto natural, né? Já está se preparando?
– Já. Nossa doula é maravilhosa.
– Excelente. Até a próxima consulta então. Já deixa marcada. Qualquer coisa, me liguem.
– Pode deixar.
– Amor?
– Nem precisa falar. Sim, nós vamos às compras.
Marina sorriu.
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– Clara, olha esse vestidinho! — Estendeu na frente dela.
– Que graça! Nossa filha vai andar mais bem vestida que a gente. Imagina que gracinha ela aqui dentro? E olha essa blusinha? — Riu. — Essa vai com certeza.
– Gente, olha esse sapatinho! Que mimo. — Juliana mostrou.
– Esse é lindo, mesmo! Vamos levar.
– Não vão comprando muita coisa, hein, meninas? Bebê cresce que é uma loucura. Usa duas e as coisas não servem mais. — Disse Helena.
– É verdade.
– A gente já pode ir comprando de outros tamanhos também.
– Olha essa mantinha, que linda, irmã! Essencial pra sair do hospital. Já compraram a bolsa?
– A bolsa, Clara! Não acredito que a gente tava esquecendo. Tem bolsa, moça? — A funcionária assentiu e foi buscar algumas para mostrar.
– Olha essas touquinhas. — Marina saiu deslumbrada.
Helena cutucou Juliana e as duas riram do entusiasmo das mamães.
Quando chegaram em casa, Ivan as recebeu com abraços.
– É menina!
– Vamos ter uma princesinha, filho! Olha o tanto de coisas que já compramos hoje.
– Nossa!
– O Ivan, tadinho, já fica perdido nessa casa com esse tanto de mulheres. Imagina mais uma! — Vanessa pôs o braço no ombro dele.
– E nós já compramos presente! — Flavinha entregou.
– Obrigada, meninas. — Clara pegou.
– Ai, abre, amor. — Marina se aproximou.
Tirou de dentro do pacote um body de manga curta.
– Bonequinha da mamãe. — Leu e riu. — É perfeito.
– Tem uma tiarinha também.
– Olha que lindinha, Clara. Ai, gente, mal posso esperar pra vestir nossa bonequinha! Vamos por tudo no guarda roupas dela?
– Vamos. Temos que lembrar de lavar tudo no último mês, importante.
– Marina, só mais uma coisa?
– Hmm? — Parou no caminho.
– Ligaram da galeria de Niterói. Eles querem uma foto sua lá junto com a exposição. Marquei pro mês que vem.
– Tá bom, só me avisa o dia. — Subiram pro quarto.
Foram para o quarto.
– Acho que podemos por um rosinha aqui, né? Ai, vai ficar bonitinho.
– Vamos. Sabe aquelas plaquinhas de decorar a parede? Vamos olhar flores, uma princesinha.
Marina a abraçou suspirando.
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