Notas iniciais
Beijos pra Cacau que aguenta meus surtos no twitter e ajuda demais. Beijos pra Nameless Chick que recomendou Intimacy!! ajsdhfjkashdk surtei Obrigada pelos comentários, gente. :)

Clara se maquiava e pelo espelho reparava na cara fechada de Marina.

– Tá tudo bem, meu amor?

– Tá. Só.. tô inchada. — Olhou e apontou pros seus pés. — Mas isso é normal, né? — Deu de ombros. — Dor de cabeça também e parece que tô um pouco enjoada.

Clara colocou travesseiros embaixo de seus pés. — Fique aqui assim ó, isso vai ajudar. — Beijou sua cabeça. — Não parece tão bonito e animador nessas horas, né?

– Mas vale a pena. — Pôs a mão em sua barriga de seis meses. — Você ainda me ama? — Olhou para ela e fez beicinho. — Com essa barriga imensa, nariz gigante e pés de elefante? — Ficou triste. — Parece que tô ainda maior hoje, tô maior a cada dia.

– Claro que eu te amo, sua boba. -Você tá — inspirou — linda. Simplesmente linda. Mais linda ainda, Marina. Você é a mulher da minha vida e você tá grávida de um filho nosso. Isso é mágico. Os inchaços não importam. — A beijou.

– Eu também te amo.

– Melhor descansar, amor. Se quiser adiar…

– Não, claro que não. Só esperando a Vanessinha...

– Opa! A Vanessinha já chegou. Tá tudo pronto lá embaixo, Marina. E nós estamos partindo. Arrasem, beijos. — Saiu tão rápido quanto apareceu.

– Vamos. — Marina pegou na mão de Clara e se apoiou para levantar. Estava usando um top branco que deixava toda sua barriga exposta e uma saia branca que ia até os pés. O cabelo solto e descalça.

– Tem certeza que quer confiar essas fotos nas minhas mãos? — Foram para o estúdio. — São tão importantes.

– Claro, amor, você é ótima. Te falo do seu talento desde o primeiro dia que veio aqui. E não vão ser todas, depois você vem posar comigo igual no nosso autorretrato. — Piscou para ela.

– Tá bom. — Clara pegou a câmera e bateu a primeira foto. — Você tá tão linda, Marina! Você nem faz ideia.

Fizeram várias fotos em luz baixa. Em uma delas, Marina estava de perfil parcialmente coberta por uma cortina branca transparente, olhando para a barriga e fazendo coraçãozinho com as mãos na frente dela. Também posou com sapatinhos, com um laço na barriga, com flores, com o body de “bonequinha da mamãe”, fez coraçãozinho com as mãos na frente do umbigo. Usou batom para desenhar corações e escrever “loading 67%”.

Depois, Clara posou com ela. Abraçadas, estando Clara atrás e ambas com a mão na barriga. Clara ajoelhada beijando a barriga. Ambas com as mãos na barriga e se beijando.

Também tiraram fotos no jardim, com Ivan, deitados na grama, com o cachorro, e na rede. Na piscina tiraram fotos debaixo d’água e com Marina boiando enquanto Clara beijava sua testa com a mão na barriga. Pra finalizar, tiraram algumas fotos com Marina nua.

– Olha só quem tá adorando esse reboliço! — Pegou a mão de Clara e pôs em sua barriga.

Clara riu. — É tão gostosinho sentir ela chutando! Tá adorando tudo isso, né, minha filha? — Beijou a barriga. — Será que vai ser modelo da mamãe?

Marina riu. — Ai. — Suspirou. — Mas acho que já tá bom, Clara. Tô cansada. — Se jogou no sofá. — Foi tão divertido que até me esqueci desses meus pés gigantes. — Riu. — E dessa dorzinha chata. — Pôs a mão na testa fazendo careta.

Clara a beijou e se sentou no chão, perto dela, para ver as fotos na câmera.

– Marina, as fotos estão maravilhosas. E espera até a Flavinha por as mãos nelas.

– Eu quero ver. Deixa eu só… — Olhou ao redor. — Cadê meus óculos?

– Na estante, vou pegar. — Ia se levantar, mas Marina pôs a mão em seu ombro.

– Eu pego, pode deixar. — Se levantou..

Assim que ficou de pé, Marina pôs a mão na cabeça e começou a tombar.

– Marina! — Num salto se pôs ao lado dela, segurando — a.

– Marina, Ei. — Sentou ela no sofá. novamente. — Fala comigo. — Passou a mão em seu rosto.

– Calma. — Procurou a mão de Clara e a pegou. — Foi só.. uma tontura, minha vista escureceu. — Apertou as sobrancelhas. — Devo ter levantado rápido demais. Não foi nada.

– Não, fica aqui, deita. — A abraçou. — Que susto, meu amor. Por um segundo, achei que ia cair.

– Ainda bem que você me segurou. — Sorriu de olhos fechados.

– A cabeça ainda tá doendo?

Assentiu.

– Fica aqui um pouco, daqui a pouco vou te levar pro quarto e te dar um remédio. — Beijou sua testa.

– Tem que melhorar essa noite. Amanhã temos que ir pra Niterói.

– Se precisar a gente cancela.

– Ah, não. Sabe que odeio cancelar. Ainda mais assim de última hora. Já vou estar melhor, não se preocupe.

– Consegue ir pra cama? Vou te ajudando.

– Aham. — Começou a se levantar.

– Devagar. — Clara passou o braço ao redor dela.

– Traz a câmera. Quero ver as fotos.

– Aqui, pega. — Deu para Marina e pegou seus óculos.

Ajudou marina a se deitar e deu um remédio para a dor. Ficou massageando seus pés.

No outro dia, acordaram cedo para irem ao local da exposição.

– Amor, você já trocou de roupa três vezes e ficou linda em todas. Nós vamos atrasar. E nem sei se você devia ir.

– Cabeça ainda dói, mas bem menos. E tomei outro remédio. Só pareço estar cada dia maior. Olha essas pernas! — Fez careta pro inchaço.

– Você não acha melhor ligar pro Paulo?

– Ah, inchar é normal. A dor já já passa. E tem essa parte boa. — Pegou nos seus peitos, fazendo Clara rir. — Desculpa a enrolação, só não tô me achando muito bonita.

– Você tá linda! — A beijou.

– Não é verdade, ganhei muito peso esse mês.

– E daí? Continua linda.

– Vou maneirar na alimentação. Claro que grávida engorda, mas não precisa ser desse tanto também. Nem faz bem. Nem cheguei nos 9 meses ainda e já tô essa bolinha. Mas vou confiar que você disse que tô bonita. Vamos assim mesmo.

– Tá bom. E não tá bonita, não. Tá linda. — A beijou de novo.

Em Niterói foram muito bem recebidas pelos organizadores. Era uma exposição para um congresso de discussão de gêneros. Marina tinha fotografado transexuais inseridos em sua rotina. O objetivo da exposição era desconstruir todo o preconceito ao redor dos transexuais e mostrá-los como pessoas comuns que fazem coisas comuns, e na maioria das fotos não dava nem para saber que a pessoa era transexual.

Como a exposição contava também com outros artistas, os organizadores fizeram um perfil de cada e pediram uma foto de Marina no local para sua apresentação e sua assinatura.

– Assim está perfeito, Marina. Só a nossa foto agora. Deve ser estranho para você ser fotografada por outra pessoa.

– Um pouco. É engraçado. — Marina riu, mas Clara via que seus olhos não correspondiam.

– Desculpa ter feito vocês se deslocarem até aqui.

– Não tem problema, imagina! — Marina sorria.

Bateram a foto.

– Ficou ótima, vamos imprimir no banner e tudo já fica pronto para hoje a noite. Claro que estão convidadas, nem precisa dizer.

– Seria um prazer, mas minhas pernas tão me matando. — Marina se desculpou. — Vamos voltar para o Rio, né, Clara?

Clara assentiu.

– É uma pena, mas entendo.

Respirou fundo. — Onde vocês tem um banheiro?

Apontou. — No corredor, à esquerda.

Marina assentiu e puxou Clara para o banheiro com ela.

Ao entrar, pegou um pouco de àgua e lavou o rosto.

– Que foi, Marina?

– Não sei. Não tô bem. — Pôs as mãos na pia e abaixou a cabeça, respirando fundo.

Clara passou a mão em seu rosto preocupada. — Melhor a gente procurar um lugar pra você se sentar, amor.

– Meu estômago parece que tá todo revirado. — Fez careta. — E tô vendo assim.. uns pontos escuros e essa cabeça que não para de doer. — Respirou. — Acho que vou desmaiar.

– Marina, pelo amor de Deus. — Pôs os braços ao redor dela tentando protegê-la. — Melhor sentar. Tocou nela, mas Marina se afastou, levantou a tampa do vaso sanitário e vomitou.

Clara se pôs atrás dela e segurou seu cabelo. Molhou a mão e pôs na testa dela. Marina limpou sua boca e encostou no corpo de Clara, com os olhos fechados. Logo depois desmaiou. Clara percebendo começou chamá-la.

– Marina! Marina? Amor? Meu Deus. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Calma, Clara. — Pegou o celular e ligou pro contato que tinha da exposição.

– Maurício, oi, é a Clara. — Sua voz tremia.

– Aconteceu alguma coisa?

– Estamos no banheiro, a Marina desmaiou.

– Meu Deus, tô chegando aí.

Clara esticou o braço para abrir a porta.

– O que houve?

– Ela tava se sentindo mal, vomitou e desmaiou. — Lágrimas começaram a molhar seu rosto. — Me ajuda levar ela pro carro? Vou levá-la para um hospital.

– Claro. Eu levo ela.

– Cuidado, por favor.

Ele pegou Marina no colo. — Vamos.

Clara foi na frente para abrir o carro. Maurício colocou Marina no banco de trás.

– Vai com ela, eu dirijo vocês até lá.

– Obrigada. — Clara passou as chaves para ele e pegou Marina parcialmente em seu colo. — Amor? — Pôs a mão no seu rosto.

– Cla.. Clara?

– Graças a Deus. — Tombou a cabeça pra trás com os olhos fechados.

– O que houve?

– Você desmaiou. — Passou a mão em seu rosto. — Mas já estamos indo pro hospital. — Beijou sua testa.

Marina fechou os olhos e esperou. Clara silenciosamente rezava para que não fosse nada demais.

Maurício parou o carro na entrada do hospital. — Vou chamar alguém. — Entrou correndo.

– Oi, bom dia. Preciso de ajuda. Tô com uma amiga no carro, ela tá grávida, não tava se sentindo bem e desmaiou.

A recepcionista chamou um médico que apareceu com enfermeiro e maca.

– Ainda tá desacordada?

– Não, acho que não, ela chegou a acordar. Mas ainda parecia fraca.

– Cadê?

Maurício os levou até o carro.

– Pronto, amor. O médico chegou. — Clara abriu a porta.

– Dr. Vinícius. — Disse se apresentando. — Ela caiu?

Clara respondia enquanto colocavam Marina na maca. — Não, ela tem reclamado de inchaço nas pernas, dor de cabeça, pontos escuros na visão e enjôo. Vomitou e desmaiou, mas não caiu, eu estava com ela.

O médico assentiu e começaram a levá-la pra dentro. — Quanto tempo?

– 27 semanas. — Clara segurava a mão dela.

– Único?

– Sim.

– A senhora é o quê dela?

– Esposa.

Médico e enfermeiro olharam para as duas, mas voltaram ao trabalho.

– Vou levá-la para a internação. Preciso que você faça a ficha dela.

Começou levá-la.

– Eu quero ir com ela!

– Depois da ficha, senhora. — Apontou para a recepção.

Levaram Marina antes que Clara pudesse protestar de novo. Foi à recepção preencher a ficha com dados pessoais, documentos e plano de saúde.

Notas finais
Cês não devem lembrar mais, mas um dia eu disse que escrevia fics sem muito drama porque a vida já era muito dura kkk mudei de ideia. Preparem os coraçõezinhos e não me odeiem, por favoooor. Beijos.