Can't let you go.
37 Capítulo 37
Notas iniciais
– Parabéns, chefa. Finalmente saíram as revistas com a exposição. Foi tudo um sucesso, só boas críticas, embora a foto de você grávida brincando de família tenha sido mais notícia que as suas fotografias. — Vanessa jogou as revistas perto delas.
– Parabéns à todas nós, parabéns equipe. Eu só tiro as fotos. — Riu.
– Exatamente, você quem tira todas essas fotos maravilhosas. — Clara, que estava deitada no colo de Marina, pegou os papeis que mostravam a repercussão da exposição.
Voltou a se deitar e começou a ler em voz alta cada um delas, todas elogiando o trabalho de Marina Meirelles.
– Olha, amor, todo mundo adorou o trabalho da mamãe. Sua mãe, além de linda, é muito talentosa e famosa.
Vanessa virou os olhos, mas sorriu.
– Ai, olha nossa foto, Marina! Ficou linda.
– Muito linda, nossa família é linda. — Abraçou a revista e Clara riu.
– Mães, tem uma visita lá na sala. Chama Débora.
– Ahh, é nossa doula!
– Doula? — Ivan enrrugou a testa.
– Que isso? — Vanessa perguntou.
– Doula é uma mulher que ajuda na gravidez, no parto. — Clara explicou. — Vem, Marina.
Foram ao seu encontro.
– Débora! Muito obrigada por ter vindo aqui nos encontrar.
– Você deve ser a Clara. — Se cumprimentaram e Débora tombou o rosto para ver Marina.
– E você.. Marina. Você tá linda! Olha, já vou logo confessando que sou também uma grande fã. — Pegou sua mão. — Ai, posso por a mão?
– Pode. — Marina riu.
Débora tocou sua barriga. — Fiquei muito feliz com o convite. É muito bom ver nosso trabalho finalmente sendo prestigiado e requisitado.
Se sentaram.
– E como está a gravidez? Quanto tempo?
– Pouco mais de quatro meses. Tudo ótimo. Os enjôos já passaram, ainda bem. A barriga já tá começando a pesar, mas eu tô amando.
– Gravidez é maravilhoso. E vocês já tem pensado sobre o parto? Já decidiram alguma coisa?
– Já. — Clara respondeu dessa vez. — Nosso obstetra, Dr Paulo, nos explicou sobre os dois tipos, riscos e benefícios. E mesmo antes disso, nós já tínhamos pensado no parto natural, acho que a conversa só reforçou, né, Marina?
Marina assentiu. — Ótimo. E o que você pensa sobre o parto natural, Marina?
– Eu sei que vai doer. — Riu. — Mas eu sei que a dor vem muito da nossa mente também, né? Todo mundo fica te falando o quanto vai doer, o quanto você vai sofrer, e a gente fica imaginando o tamanho do bebê que tem que passar ali num espaço tão pequeno. — Fez careta e riu. — Mas acho que se a gente tentar se concentrar na parte boa, dá pra dar uma aliviada. E quero poder participar do nascimento do nosso bebê, não quero só deitar lá. Além disso, não tem porquê passar por uma cirurgia desnecessária, que como toda outra tem lá seus riscos. Sem falar no pós operatório, que é muito mais sofrido. Pelo menos grande parte do problema do parto natural desaparece quando o bebê chega. Ouvi dizer que ajuda na amamentação, facilita, né?
– É verdade, facilita a descida do leite. Justamente para isso que vamos nos preparar então. Vamos te preparar física e emocionalmente para o nascimento do filho de vocês, vamos trabalhar essa questão de focar na parte boa do parto natural. Vou te explicar como tudo vai acontecer, orientar o passo a passo, seus direitos, vou estar com vocês o tempo todo. Sei que você tem a Clara aqui, que já passou por tudo isso, né? Mamãe experiente já.
– Ah, mas vai ser ótimo ter você com a gente, porque eu vou estar lá como futura mamãe também. — Riu. — Tem que ter alguém do lado pra manter a sanidade.
Débora riu. — Vamos fazer um excelente trabalho juntas. É muito bom ver as mamães assim tão focadas.
Pouco depois, Vanessa entrou e viu Marina e Clara sentadas no chão de frente para Débora, estando Marina entre as pernas de Clara. Estavam fazendo exercícios de respiração.
Ficou olhando, mas deu meia volta, puxando Flávia com ela.
– Pelo amor de Deus.
– Que foi?
– Acho que a Marina tá ficando louca.
– Eu te ouvi, Vanessa! — Jogou uma almofada na direção dela.
– Ai, que violência! Foca no seu yoga do diafragma aí. — Riu. — Vem, linda. — Saiu com Flavinha.
– Não se preocupe, não vamos ficar assim na nossa vez. — Flávia zombou.
– Oi? No-nossa vez? — Vanessa parou.
– É, Vanessa. Nossa vez. Vem.
– É assim que você vai respirar na hora da parto. Viu como acalma? E ajuda a ter fôlego suficiente na hora de fazer força.
– Que engraçado. — Marina e Clara riram.
– Faz direito, amor.
– Não tem problema, temos muito tempo pra treinar ainda. — Débora sorriu. — Vai ficar craque.
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– Adorei a Débora.
– Eu também. Achei super legal esse trabalho de doulas. E ela tem uma paciência com a gente. Ela falou da minha experiência, mas não é isso que tô sentindo, não. Sabe que tô me sentindo tipo o pai na situação? Nem parece que já passei por tudo isso. Também já tem muito tempo, né?
Clara riu, mas Marina nem riu e nem disse nada. Clara olhou para ela. Marina estava sentada no sofá, atônita, sem se mover, com as mãos perto da barriga, mas sem tocar
– Marina? Amor. — Clara se aproximou dela. — Amor?
Marina olhou para ela, ainda sem se mexer.
– Marina, que foi? Tá tudo bem?
– Clara… Sente. Clara. — Falava baixinho. — Clara, eu não sei, não sei explicar.
– Que foi?
– Eu acho que ele mexeu.
Clara abriu um sorriso. — Sério? Deixa eu ver.
– Devagar.
Pôs a mão.
– Tá sentindo? — Riu.
– Não, não senti. — Clara fez beicinho.
– É tão sutil, acho que não dá pra você sentir ainda. Parece cócegas. — Riu de novo.
Clara continuou com a mão no mesmo lugar. Ambas em silêncio.
– Marina, nós já estamos indo. Que isso, gente?
– Acho que tá mexendo. — Marina sorriu.
– Ai, deixa eu ver. — Flavinha correu e colocou a mão também.
– Ainda não, não tá mexendo agora. Mexe, bebê, mexe pra gente, mexe pra mamãe.
– Amor, vamos? — Vanessa chamou de longe, mas ninguém respondeu.
– Flávia, que demora! O que cês tão fazendo?
– Vem ver, vem ver. — Marina chamou cochichando.
– Ver o quê, meu Deus?
– Põe a mão.
– Marina..
– Anda, Van! Larga de ser chata. Põe, põe.
Vanessa pôs a mão também.
– Posso saber por que estamos todas fazendo esse papel? — Vanessa cochichou também.
– Marina sentiu o bebê mexendo. — Flávia respondeu.
– Aí, aí! — Riu. — Sentiram?
Todas negaram.
– Ai, gente, acho que ainda tá muito discreto pra sentir por fora.
Vanessa sorriu, mas pareceu mais uma careta. — Então vamos, né? A gente tá indo. — Pegou a mão de Flávia. — Vem! — Se levantaram.
– Tchau, mamães. — Flavinha se despediu, mas mal recebeu uma resposta, as duas continuavam focadas.
– Vamos embora logo, eu te disse que ela tava surtando. Isso deve ser contagioso.
Flávia riu.
– Daqui a pouco começa a te chutar. Aí, você vai ver que engraçado, e eu finalmente vou sentir também.
– Manda mensagem pro vovô aí. Fala que nosso neném já começou a se mexer.
Clara riu. — Ele vai ficar desesperado lá querendo ver, vou dizer que só você que sente, por enquanto, pra ele não ficar tão triste.
– Mal posso esperar pra te ver, meu amor. — Marina acariciava a barriga. — Mamãe já tá louca pra te ver, te segurar, amamentar.
– Ai, amamentar, Marina! Não é nada lindo igual nos comerciais da tv, não. — Clara riu. — É tão difícil. — Pôs a mão na cabeça.
– Tudo é difícil, né, bebê? — Riu. — Tudo em gravidez é difícil, mas é tudo lindo também.
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– Meninas, tentem ficar mais soltas, tô sentindo vocês muito tensas. Finjam que não estamos aqui. Só vocês, se divertindo. — Marina tirava fotos. — Isso, assim tá melhor. Clarinha, ajusta aquele poste ali. Assim, obrigada. Agora você, isso, olha pra câmera. Assim, tá ótimo. — Marina se agachou para bater fotos.
– Marina!
– Ai, uma ajudinha aqui. — Estendeu o braço para Clara que pegou e a ajudou a se levantar.
– Não é bom você agachar desse jeito, sua barriga já tá grandinha pra isso.
Marina se apoiou nela.
– Tá tudo bem?
– Tá, só uma tontura. Por ter agachado e levantado. — Riu. — Mas já tô bem. Meninas, vamos tirar cinco minutinhos? Por favor?
– Cinco minutinhos mesmo, tá, gente? Não vamos enrolar. — Vanessa interveio. E Marina, toma cuidado, você já não é mais tão jovem quanto antigamente. — Saiu rindo, deixando Marina e sua careta para trás.
– Não escuta ela, amor.
– Você acha que eu envelheci?
– Claro que não, Marina. Você só está grávida, e com a barriga já grandinha não dá pra ficar fazendo tantas peripécias, mas depois que nascer, voltará a ser a mesma mulher de antes.
– Duvido muito. Nunca mais voltarei a ser a mesma mulher, já me sinto tão diferente, mais..sei lá, responsável, madura. Parece que só agora me tornei ‘adulta’. — Riu.
– Isso é se tornar mãe. — Clara riu e beijou seu rosto.
– Mas olha meus pés, tô parecendo um elefante.
– Quando terminar aqui nós vamos cuidar disso. E para de exagero. — Clara riu. — Ainda faltam 4 meses, você ainda vai ficar bem maior que isso.
– Meninas, Marina, acabou o recreio, vamos voltar?
– Sim, senhora, Vanessa. — Marina se levantou novamente.
Assim que terminaram, Clara mandou Marina para o quarto e disse que logo ia também.
– Aqui, amor. Senta na beirada.
– O que é isso?
Clara entrou no quarto com uma bacia.
– Água quente com sal grosso, óleo de lavanda e alecrim. — Colocou no chão. — Ponha os pés.
– Hmm, que sensação boa.
– Isso vai ajudar com a circulação e depois você põe um pouco pra cima.
Clara se sentou ao seu lado e Marina deitou a cabeça em seu ombro.
– Minha mulher maravilhosa. — Beijou seu pescoço. — Sabe do que eu tô com saudade? — Deu uma mordidinha.
Clara riu. — Hm? Do quê?
– Da minha gostosa. — Marina subiu as mãos pelas coxas de Clara que ria.
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