Notas iniciais
Música Lies - Marina and The Diamonds

– Marina.. – Vanessa chegou ao estúdio, mas percebeu que a fotógrafa não estava lá. Só Clara, que estava parada igual uma estátua, com os olhos vermelhos. – Cadê a Marina? – Perguntou.

Clara não respondeu, só se virou passando a mão no rosto e saiu.

– O que você fez? – Vanessa perguntou para o vento, pois Clara já tinha saído.

Vanessa correu para o quarto de Marina, bateu na porta, mas não esperou que ela abrisse, podia escutar seu choro de longe.

– Marina.. – Encontrou a amiga jogada na cama e abraçou.

– O que houve??

– Eu entendi tudo errado. – Falava em meio a soluços. – Ela não me ama.

Vanessa não falou nada, só a segurou forte deixando que a amiga desabafasse. Chorou por horas, até que dormiu. Vanessa beijou seu rosto e deitou ao seu lado para o caso de ela acordar e precisar de ajuda.

Clara voltou para casa também arrasada. Viu uma mágoa profunda nos olhos de Marina. Nunca nem tinha imaginado vê-la em tamanha tristeza. Passou a noite em claro só vendo a imagem de Marina chorando repetidas vezes em sua cabeça. Sentia uma dor imensa no coração. Doía. Claro que doía, havia magoado Marina. Por isso doía, só por isso.

Marina acordou cedo. Vanessa ao sentir ela se mexendo na cama acordou também. Olhou para ela com uma cara inconsolável. Vanessa a amava, afinal, mesmo que não estivessem juntas, ainda eram melhores amigas, e ela não agüentava ver Marina naquele estado. Ela nunca a tinha visto naquele estado. Bastou Marina olhar para ela para as lágrimas descerem de novo.

– Não, não chora. Olha, fica aqui. Toma um banho. Eu vou fazer um café da manhã especial para você.

– Não quero comida.

– Mas tem que comer, Marina. Por favor, tá? Me espera aí.

Não se moveu. Olhava para frente, pensando em como poderia ter estado tão enganada. Nesse momento, ouviu seu celular apitar e correu pra pegar, imaginando que fosse Clara. Talvez ela tenha se arrependido. Pode ter se arrependido. Clara a olhava com amor, a abraçava com amor. Não podia ter se enganado tanto. No entanto, não era Clara. Marina arremessou o celular na parede gritando de raiva.

– Marina, que isso? – Vanessa tinha chegado.

– Não quero comer, Vanessa! – Passou por ela a empurrando.

Vanessa correu atrás dela e encontrou Marina com uma garrafa de whisky na boca. Tentou pegar, mas ela não deixou.

– Me deixa. Não preciso de forças agora, preciso de álcool. – Se virou pra sair, mas parou. Suspirou. – As fotos estão prontas. Vocês cuidam do resto. – Saiu com a bebida.

Assim que as meninas chegaram para trabalhar, Vanessa avisou da situação e pediu que ninguém a incomodasse por enquanto, por mais que elas quisessem ajudar. E além do mais, elas tinham muito o que fazer.

Clara não sabia se devia ir trabalhar ou não. Passava a mão no rosto, preocupada. Decidiu mandar uma mensagem para Marina, que não respondeu. Por fim, resolveu ligar, mas a ligação foi direto para a caixa de mensagens. Sentiu um gelo percorrer seu corpo com medo de que algo tivesse acontecido à ela. Não. Marina era uma pessoa sensata, não faria nada de perigoso. Será? Clara não conseguia esquecer aquele olhar. Resolveu não ir. Não ainda. Na segunda apareceria por lá.

Vanessa achou até bom que Clara não tivesse ido ou sabe-se lá o que ela faria. Se dividia entre trabalhar e checar Marina, que agora não chorava tanto mais, mas ainda bebia com o olhar distante.

Vanessa passou a noite do lado dela. Não conversavam, não precisavam conversar. Só de estar ali do lado dela, era suficiente para Marina. Tentou dormir, mas não conseguia. Por fim, resolveu tomar algum remédio. Queria apagar, queria esquecer. Não queria mais pensar nela, só queria dormir.

No outro dia de manhã, Marina já acordou com um prato de comida do seu lado. Vanessa ia fazer com que ela comesse de qualquer jeito, então decidiu não discutir.

– Marina.. não acha que talvez fosse melhor, sei lá.. você se afundar no trabalho? Se tem uma coisa que te bota pra cima é esse talento seu.

– Eu decidi uma coisa, Vanessa.

– O que é?

– Eu.. Chega de Clara. Chega de sofrer por esse.. – Bateu em seu peito e não conseguiu mais falar, com as lágrimas ameaçando transbordar.

– Isso, Marina! Está certíssima.

– Mas eu também não.. não consigo viver com essa presença da ausência do amor dela, Vanessa.

– Marina...

“You're never gonna love me

So what's the use?

What's the point in playing

A game you're gonna lose?

What's the point of saying

You love me like a friend?

What's the point of saying

It's never gonna end?”

– Eu vou embora, Van.

– Vai o quê? Vai pra onde?

– Vou sair do Brasil. – Falou séria, se levantando.

– Marina, espera aí. Que história é essa de sair do Brasil? Em outros tempos eu te recomendaria justo isso. Férias, mas agora, assim não dá.

– Não são férias. Não sei se são. Eu vou embora!

– E o estúdio? Você tem uma vida aqui!

– Posso reconstruir minha vida em qualquer lugar.

– Mas, vai pra onde?

– Não sei. Paris, Londres, sei lá.

– Marina..

– Se quiser, pode vir comigo. Mas depois. Preciso de você aqui por mais alguns dias para resolver tudo. Fechar o estúdio, burocracia e tudo mais.

– Marina, pensa mais, isso não tem cabimento.

– Já pensei. Vou embora.