– Você aceita uma água, suco, qualquer coisa?

– Não, eu e o Ivan comemos antes de vir. Obrigado. Senta aí.

Os dois sentaram no sofá, de frente um para o outro. Clara esfregava as mãos, nervosa.

– Dá pra acreditar no quanto nossa vida mudou, cara? – Cadu olhava ao redor. — Essa aqui era a minha casa, você minha mulher. Vivi anos e anos aqui e agora.. o lugar é o mesmo, mas eu sou um estranho aqui. — Cadu olhou para Clara. – E sou um estranho para você.

– Não, que isso, Cadu? — Clara pegou sua mão. — Claro que não, cara. — Seus olhos se encheram de lágrimas.

– Separar de você nunca tinha passado pela minha cabeça.

Clara olhou para o chão.

– Chegar nesse ponto de a gente não poder nem olhar um pro outro mais.

Clara olhou para ele. — Eu entendo. Eu te magoei, eu entendo. Mas eu espero que isso passe também. Eu sempre gostei muito de você, Cadu. Você sempre foi um homem muito bom, por isso me apaixonei por você.

– Mas não foi o suficiente.

– Não teve nada a ver com você. Foi... eu não sei te explicar. Eu não estava procurando por isso. Poxa, separação também não passava pela minha cabeça, mas..

– Mas a Marina chegou e aí você não conseguia viver sem ela mais. — Dessa vez, Cadu não usou um tom acusador como todas as vezes em que mencionava Marina, então Clara só assentiu.

– Como um dia.. um dia foi com a gente. Lembra? A gente se conheceu, e eu não via minha vida sem você mais. A gente namorou e logo já estava casando, para o desespero de dona Chica que achava que a gente estava fazendo tudo rápido demais.

Os dois riram.

– Você também acha isso agora? Que foi rápido demais? Precipitado?

– Claro que não, Cadu. Eu nunca me arrependi de nada que vivi com você. Você foi e é muito importante para mim e não é só porque você me deu o Ivan. Eu faria tudo exatamente da mesma forma novamente.

– Até mesmo esse desfecho?

Clara assentiu novamente.

– Não sei se assim, da mesma forma, porque nós todos acabamos sofrendo muito com isso. Mas.. sim, no final eu acabaria com a Marina. É mais forte que eu, Cadu. Eu sei que é egoísmo meu dizer que faria tudo igual, sendo que eu te machuquei tanto. Mas sua presença na minha vida também é muito importante para mim, eu te amei muito. Eu acho que tudo tem seu tempo certo para acontecer. Nós tivemos o nosso. Não era para eu ter conhecido e amado a Marina antes. Mas sim você. Cara, só de pensar.. nós.. o Ivan!

Os dois sorriram. — Não tem presente melhor que nosso filho.

– Eu sinto falta daqui.. de quando era a nossa casa. – Cadu estava emocionado. — Nós fomos muito felizes, ou pelo menos eu achava..

– Nós fomos. — Clara interrompeu.

– Mas a Marina foi uma força maior, e, portanto, eu tinha que sair de sua vida para dar espaço para ela.

– Não fala assim também. Não é sair da minha vida, Cadu.

– Eu também não quis dizer isso. Afinal, nós temos um elo pra vida toda.

– Se a gente ainda pudesse conviver.. ai, Cadu, eu sei que não é fácil para você aceitar a Marina e seria egoísta nós pedirmos isso, mas nós ficaríamos muito felizes.

– Ela foi me procurar.

– Eu sei.

– Mandou ela lá?

– Não, eu só fiquei sabendo depois.

Os dois ficaram um pouco em silêncio.

– Nunca imaginei também que você fosse gostar de mulher.

– Para você ver! Nem eu...

– Mas foi maior que você. — Suspirou.

– Não é uma mulher.. é.. é a Marina.

Clara olhou para o chão novamente e Cadu pegou sua mão.

– E pelo jeito foi maior que o Ivan também. Só fala bem dela, apaixonado pela fotógrafa.

– Mas isso é porque a Marina é boa pessoa, um dia você vai poder ver isso também. E foi maior que ela também. — Riu.

– Tava tudo contra mim, né?

Clara já ia responder, mas viu que ele estava.. sorrindo. Sorriu também e encostou a cabeça na dele, e ele passou o braço ao redor dela.

– Obrigada. – Clara sussurrou.

Cadu respirou fundo. — Três dias com o Ivan, fins de semana alternados, e é claro.. flexibilidade em ocasiões especiais ou.. qualquer coisa. Se pintar uma programação diferente, por exemplo. Tudo conversado antes, claro. Só não quero ter a impressão de precisar marcar horário para falar com o meu filho. E o Nando cuida de todo o resto.

Clara sorriu para ele e o abraçou. — Obrigada. Vai ser melhor assim, para todo mundo.

– Eu conversei bastante hoje com o Ivan antes de tomar essa decisão. E quanto à.. Marina. — Suspirou. — Não sei.

–Não precisa saber agora. — Clara passou a mão em seu ombro.

Aquela conversa com Marina tinha tido muito efeito em Cadu, mas ele não estava pronto para admitir ainda.

– Bom, tá na minha hora. — Se levantou. — Você pega o Ivan?

– Claro.

Se despediram e Cadu saiu.

Clara saiu logo após, e foi recebida por Helena.

– Ei, ainda bem que chegou porque tem um homenzinho ali aflito te esperando.

Ivan correu até a porta e ficou feliz com a expressão de Clara.

– Ele prometeu que não iam brigar. — Abraçou a mãe, contente.

– Pois é, meu filho, seu pai me surpreendeu, viu? Eu acho que logo vamos poder ser todos família sem brigas, do jeito que você quer. Que nós todos queremos.

Ele a abraçou novamente e Helena sorriu para Clara.

Notas finais
Pessoas, eu sei que algumas de vocês estavam esperando algum conflito agora. Maaaaas, eu não sou mulher de conflitos, eu sou morna meeesmo e não é segredo que adoro o Cadu, e enfim. E sei que continuo enrolando vocês mesmo tendo tempo de sobra, dormindo o dia inteiro e talz. Mas não é maldade, porque eu sinto falta de vocês também, adoro os comentários haha. Mas eu não tenho mais ideias. Só rola criatividade durante o período de aulas que é para me distrair dos estudos, estou percebendo isso haha. Como se eu já não fosse procrastinadora o suficiente. Mas acho também que vocês já devem ter percebido que eu adoro escrever e ler a conquista, o caminho até o casal ficar junto. Depois disso, minha cabeça é tipo assim: 3 anos depois e eles ainda estavam felizes e foram felizes para seeempre! õ/ kkkk Aquela utopia básica, porque a realidade a gente já encara o tempo todo mesmo, rs. (Mini depressão pré término de férias). Vou dormir porque as notas finais estão ficando maiores que o capítulo kkkk Beijos. P.S: Gente, como não amar o sorriso daquele cara?