Notas iniciais
Obrigada meninas pelos comentários. Obrigada Lizzy Noris, pela recomendação! :)

Alguns dias depois.

– Marina, vamos, meu amor. É só um almoço de domingo em família, não precisa dessa arrumação toda.

– Claro que precisa. — Marina saiu do banheiro apressada, colocando brincos. — É a primeira vez que eu vou, então...

– Então que você já está mais que linda e o Ivan já está impaciente lá embaixo também, nós estamos atrasados.

– Tá bom. — Marina se olhou no espelho uma última vez. – Acho que estou pronta. Estou.. ansiosa, nervosa. – Respirou fundo.

– Está linda, como sempre. — Clara a abraçou por trás, apoiando a cabeça em seu ombro. As duas se olhando no espelho. – E é só minha família, não precisa ficar nervosa.

– Devem me culpar pelo seu divórcio.

– Ou pela minha felicidade. – Clara sorriu. — Eu te amo, sabia?

– Eu te amo mais. — Marina se virou e selou seus lábios no de Clara levemente, antes que ela discutisse. — Agora sim, acho que podemos ir.

As duas desceram de mãos dadas.

– Caraca, que demora, heim?

– Duas mulheres, né Ivan? Você queria o quê? – Marina sorriu para ele.

– Nem vem que quem enrolou foi você, Marina.

Marina olhou para ela com falsa indignação e entraram no carro.

Durante a viagem, Ivan era quem mais falava, sobre novidades na escola e no judô. Quando já estavam se aproximando ao seu destino, Marina decidiu criar coragem de discutir um assunto que já queria há algum tempo com Clara.

– Acho tão bonito isso, essa união da sua família, todo mundo mora perto, qualquer coisinha está todo mundo junto.

– É, nossa família é bem unida. Às vezes até demais. — Riu.

– Ah, Clara, mas isso é bom. As pessoas que a gente ama.. quanto mais perto, melhor.

– Isso é verdade. — Clara pegou sua mão.

Chegaram ao prédio e Ivan saiu andando na frente.

– Por isso.. — Marina falou só para Clara ouvir.

– Hmm? — Clara olhou para ela.

– Por mim, você não saía de Santa Tereza nunca mais.

Clara passou o braço em sua cintura.

– Eu sei, meu amor. Só que eu ainda estou conseguindo meu divórcio e tem o Ivan, não é assim tão simples, eu não posso deixar meu filho para...

– Deixar seu filho, Clara? Que ideia maluca! É claro que o Ivan está incluso. Nós três juntos, uma família. E quem sabe até mais alguém, mais pra frente?

Clara olhou para Marina sem saber o que dizer. Mas, como já haviam chegado ao apartamento de Helena, as duas entraram atrás de Ivan.

– Clara, finalmente! Que demora! Você geralmente é a primeira a chegar.

Helena a cumprimentou.

– Aqui a culpada. — Ergueu sua mão que segurava a de Marina, e esta ruborizou.

– Clara.. — Reclamou baixinho.

– Não precisa ficar nervosa, amor. – Clara riu e beijou sua mão.

– Não mesmo. Seja bem vinda, Marina. — Helena a cumprimentou. – E está linda, olha só! O atraso valeu a pena. – Riu.

– Muito obrigada, Helena.

Chica cumprimentou as duas logo em seguida.

– Oi, minha filha. – A abraçou. — Marina, tudo bem?

– Dona Chica, tudo ótimo e a senhora?

– Não precisa me chamar de dona e nem de senhora. – Riu e pegou sua mão. — Seja bem vinda à nossa família, Marina. Nós ficamos muito felizes por ter vindo.

Marina sentiu seu corpo relaxar e Clara sorriu para mãe, agradecida.

Logo, Marina não estava nervosa mais. Clara tinha ido ajudar Helena com a comida e a deixou conversando com Chica e Ricardo. Marina tinha insistido para ajudar também, mas Clara sabia bem das capacidades limitadas de Marina quando se tratava da cozinha.

Quando as duas estavam pondo a mesa, a porta do apartamento se abriu novamente. Era Cadu. Por alguns instantes houve um silêncio e até certa tensão no cômodo. Cadu estranhou a recepção fria e o fato de todos estarem olhando para ele, mas logo viu Clara andando para ficar ao lado de Marina e entendeu a situação. Era a primeira vez que estavam os três juntos no mesmo local depois de Clara ter pedido o divórcio para ficar com Marina. Cadu respirou fundo, se sentindo um pouco envergonhado, mas fechou a porta, acenou com a cabeça para Clara e Marina e continuou andando até onde a maioria da família estava concentrada. Com isso, cada um voltou ao que estava fazendo, e a tensão se diluiu. Clara sorriu e beijou a bochecha de Marina, antes de voltar a ajudar Helena.

– Será que eu ainda sou bem vindo nesses encontros da família? — Cadu perguntou, se aproximando de Chica.

– Claro que sim, meu filho. Você é sempre bem vindo. — Ela beijou seu rosto e ele sorriu.

Todos se juntaram à mesa para comer e tiveram uma tarde descontraída. Marina ficou meio chateada de Clara não ter dito nada sobre a conversa delas de mais cedo, mas ficou calada.

Ivan ficou com Cadu. Estava feliz com aquele dia. O fato de não morar mais com o pai ainda o entristecia às vezes, mas ele gostava muito de Marina. Além disso, conseguia ver como as duas estavam felizes juntas e, embora seu pai ainda não o estivesse, os dois brigavam cada dia menos e Ivan sabia que logo Cadu também encontraria alguém.

Marina e Clara foram para seu apartamento.

– Fica aqui comigo?

Marina acenou e sentou no sofá. Clara sentou ao seu lado, se aconchegando a ela.

– Viu só? Deu tudo certo.

– Sua família é maravilhosa.

– Eles são mesmo. – Encostou a cabeça em seu ombro. – Tá tudo bem?

– Claro, meu amor.

– Tá calada.

Marina balançou a cabeça.

Clara deitou abraçada com ela no sofá.

– Eu te amo, Marina.

Marina passou a mão no cabelo de Clara, respirando fundo e beijou sua cabeça.

Clara levantou e olhou para ela.

– Você tem certeza disso?

– Que você me ama? — Sorriu.

– Não. – Clara também riu. – Eu sei o que está te incomodando, eu te conheço, Marina Meirelles. Estou falando do convite que me fez hoje cedo. De morar junto, eu, você, o Ivan, família. E quem sabe mais alguém no futuro? Não é fácil morar com alguém, muito menos tendo criança em casa. Você acabaria se tornando responsável por ele também. Tem os horários, os compromissos do Ivan. Seria uma vida completamente diferente. Diferente do que a gente tem agora, e de tudo que você já viveu. De repente você se tornaria mãe de um moleque de oito anos. – Riu. – Isso não é pouca coisa não.

– Nunca achei que fosse, Clarinha. E para mim isso tudo não soa como esse bicho de sete cabeças que vai me desafiar, não. Parece.. natural. Eu sei, eu sei. A minha fama não é das melhores, mas.. eu soube no momento em que te vi que queria passar minha vida toda com você. Então acho que o próximo passo seja esse, nós morarmos juntas. Eu sinto tanto sua falta, principalmente à noite. Seria inenarrável poder dormir com você todas as noites e já acordar com você do meu lado. E é claro que o Ivan conta. Ele é seu filho. Eu não me importaria de dividir isso com você, ele é uma criança maravilhosa. Eu sei que.. eu talvez não seja uma boa mãe..

Clara pôs a mão em seu braço, interrompendo-a. – Eu tenho certeza de que será uma ótima mãe, meu amor. – Beijou seu rosto e depois sorriu. – E é claro que eu adoro essa idéia. Só me deixa conversar com meu filhote primeiro? E aí te dou uma resposta. Tudo bem? Quero que ele esteja confortável com essa mudança também.

– Tudo bem. – Marina sorriu e a puxou de volta para o abraço. – E eu também te amo.