Can't let you go.
20 Capítulo 20
Notas iniciais
– As meninas chegaram. — Falou rindo.
Marina terminou de se vestir rapidamente. — Sua bandida. — Pegou o queixo de Clara e selou seus lábios. – Me surpreendeu.
– Tive uma boa professora. – Clara piscou para ela.
De mãos dadas desceram as escadas.
– Olha só, Clarinha está aqui. Quero nem pensar o que vocês duas... — apontou para elas, que sorriram uma para outra.
Flávia abraçou Clara. — Vocês não sabem o quanto eu fico feliz de vê-las juntas, finalmente.
– Aliás, Flavinha, muito obrigada. – Marina pôs as mãos em seus ombros, sorrindo.
– Flavinha, a maior cupido de todos os tempos. Especialista nas causas mais improváveis e impossíveis.
– Quem sabe ela não te dá uma ajudinha, né, Van? — Clara brincou e recebeu uma careta.
– Então, vamos trabalhar? Porque esse estúdio aqui já está juntando poeira.
– Vem aqui dar uma olhada numas ideias que a gente teve. — Marina saiu puxando Clara pela mão.
– E quanto a mim, Marina?
– Como assim? — Sorriu.
– Eu não sei se você lembra — mexeu em uma mecha de seu cabelo — mas eu trabalhava aqui.
– Trabalhava, não, trabalha. Se você quiser continuar, claro.
– Claro que quero. Adoro esse lugar. E não é só por causa da fotógrafa.
– Unhum. — Ouviram Vanessa e riram.
– Mas claro que quero continuar.
– Então a gente já começa agora porque eu quero recuperar esse tempo e estou doida pra trabalhar.
– Muito bom te ver assim, sabia?
Vanessa revirou os olhos se aproximando com uma agenda. — Eu e a Flavinha conseguimos algumas coisas para você.
– Meninas eficientes. – Deu uma apertadinha na bochecha de Vanessa.
– Não é muito, mas logo a gente pega o gás de novo. O pessoal sabia que você nem no Brasil estava e aí, ficam com um pé atrás de fazer compromisso.
– Tá ótimo. Vamos nos programar para isso aqui.
Trabalharam juntas o dia todo, tinham muito que fazer para fazer o estúdio voltar à ativa.
– Ah, como é bom estar de volta. Meninas, vocês arrasaram. Clara — olhou para o relógio — você não tem que buscar o Ivan?
– Não, vai ficar com o pai hoje.
–Ah.. então, você falou com o Cadu?
– Ele foi lá em casa hoje. Levou o bichinho para escola e disse que ia buscar.
– E aí?
– Tá tudo bem. Ele parece estar tranquilo, Marina. Acho que não vai dar muito trabalho para sair o divórcio. Aliás, para quê? Se não tem mais jeito mesmo. — Sorriu. — Ele tá com o orgulho ferido, mas o Cadu é boa pessoa.
– Eu sei.
Clara pegou sua mão.
– Então quer dizer que hoje você é só minha?
Clara sorriu e beijou sua mão.
– Hmm, vou preparar um jantarzinho romântico hoje à noite pra gente então.
Clara riu.
– O quê? Que foi?
– Você vai pra cozinha? — Riu.
– Eu posso tentar. — Fez uma caretinha e Clara ficou olhando pra ela. — Você me dá sorte, Clarinha.
– Acho melhor eu preparar esse jantarzinho romântico pra gente. Vou invadir sua cozinha.
– Então você cuida da comida e eu cuido do resto.
– Fechado.
– Ih, Flavinha, acho melhor a gente ir porque a gente tá sobrando aqui.
– Espera aí, Van. Amanhã quero ir lá no galpão ver se tem como retomar as aulas, vai comigo? Ai, Deus, abandonei tudo.. quero ver com que cara eu vou aparecer por lá.
– Não se preocupe com isso porque a Flavinha segurou as pontas para você lá.
– Sério? Então você está dando as aulas?
– Estou, mas coisa temporária, Marina. Só porque a Clara prometeu que te trazia de volta. — Riu. — Pode se preparar para reassumir porque dar aulas não é o meu forte.
– Imagina, fez o maior sucesso por lá. Seus alunos nem lembram de Marina Meirelles mais.
– Ai, muito obrigada, Flávia. — Marina se levantou e a abraçou. — Mais uma vez salvando minha vida.
– Estamos acostumadas, né, dona Marina? — Vanessa interrompeu.
– Também não é pra tanto, Vanessa.
– Fazia tempo que eu não te dava trabalho assim, Van, nem vem.
As duas se retiraram, deixando Clara e Marina sozinhas.
– Sabe o que a gente podia fazer? Dar um pulo nessa piscina.
– Boa ideia, mas eu nem trouxe roupa de banho.
– Aqui tem de sobra. — Pegou sua mão.
Marina emprestou um biquíni para Clara e as duas saíram pela casa de roupão.
– Te olhando assim sabe do que eu me lembro? De Angra.
– Ai, aquele tempo em Angra foi tão bom. Pena que seu pai vendeu aquela casa, era linda.
– Uma pena mesmo. Mas duvido também que ia querer encarar o helicóptero de novo para voltar lá.
Clara suspirou. — Não encarei uma vez? Uma não! Duas, a ida e a volta. Demorei a criar coragem, mas acho que por você, Marina, encaro qualquer coisa, tudo o que me pedir.
Marina não conteve o sorriso bobo e puxou Clara pela cintura. Beijou seus lábios e abriu seu roupão, beijando depois o pescoço.
– Até água gelada. — Riu.
– Ai, meu Deus, até a água gelada dessa piscina.
– Vem agarradinha comigo que eu te esquento.
– Palhaça. — Riu. — Vou mesmo.
Pularam juntas e Clara fez careta.
– Que água fria, Marina!
Marina se aproximou dela e a abraçou.
– A água tá ótima. — Beijou-a. — Eu também encararia tudo e todos por você.
– Eu sei. — Beijou sua testa, suspirando. — E eu não vou te deixar fugir nunca mais.
Aproveitaram o fim de tarde na água, trocando abraços, beijos, e até uma massagem que Marina ganhou na beira da piscina. Continuaram o banho na banheira de Marina.
– Se lembra da primeira vez em que esteve aqui? Nesse lugar?
– Lembro. Sua maluca! — Jogou espuma nela.
Marina riu.
– Não esqueço sua carinha assustada.
– Espero que não fique tomando banho na frente dos outros, ou melhor, das outras... mais.
– Ciúmes, Clarinha?
Clara olhou para ela séria, fazendo com que Marina risse ainda mais.
– Claro que não, não têm outras.
Olhou para ela com os olhos semicerrados. — Ah, mas já teve! Muitas!
Marina puxou Clara para seu colo, abraçando-a por trás. — Mas agora tem A Clara. Minha Clara. Desde a primeira vez em que eu te vi, sua boba.
Clara virou o rosto e a beijou sorrindo.
– Mas que você é maluca, é. — Riram.
Depois do banho, Clara foi para cozinha, revirou os armários vendo o que tinha à sua disposição. Pediu para que Marina não entrasse lá, porque o cardápio seria surpresa. Marina também tinha muito que fazer. Foi preparar o ambiente, a mesa, a luz, velas, e, claro, não podia faltar o som de 'The Way You Look Tonight' no fundo.
Clara trouxe a comida e ficou impressionada.
– Que lindo, Marina! Adorei a decoração. Muito romântica essa minha namorada.
Mal teve tempo de terminar e Marina a puxou para dançar, antes que a música acabasse.
– Nossa música. – Clara encostou a cabeça na dela.
– Eu nunca vou esquecer aquela dança.
– Nem eu, meu amor.
Marina sorriu, como sempre sorria ao ouvir Clara chamando-a daquela forma. Dançaram agarradinhas, enquanto Marina sussurrava a música em seu ouvido.
"'Cause I love you, just the way you look tonight."
Fale com o autor