Can't let you go.
16 Capítulo 16
Notas iniciais
No outro dia, as duas acordaram cedo, tomaram o café na companhia de Diogo e então saíram para um passeio na cidade. Andavam de mãos dadas quase o tempo todo. Marina só soltava sua mão para tirar fotos da amada. E tirava sempre que podia. Achava Clara ainda mais linda sem tanta maquiagem, mais natural. E a paisagem da cidade era maravilhosa.
Mais tarde, foram juntas à um café e aproveitaram para comprar suas passagens.
– Essa aqui é melhor. O horário que vamos chegar lá é melhor para alguém pegar a gente.
– Tem essa aqui também, ó.
– Mas essa já é amanhã, Marina!
– O que tem? Achei que já estava com saudades do seu bichinho.
– Ai, eu tô. – Disse com uma carinha amorosa e a mão no peito. – Muitas.
Marina sorriu. – Eu também. Seu filhote é um amor. Mas se quiser ficar mais, a gente fica. A gente pode...
– Não, tem razão. – Pegou sua mão. – É melhor a gente voltar.
– E também nós teremos outras oportunidades de passear pela Europa, América, onde a gente quiser. A gente pode trazer o Ivan. Aposto que é doido pra conhecer a neve!
– Se é! – Riu.
– Então... a gente volta amanhã.
Clara beijou sua testa e a puxou para um abraço apertado.
– Eu te amo.
Marina olhou para cima e a beijou nos lábios sorrindo.
Como estavam usando o computador de Marina, ela apareceu online e Vanessa a chamou para uma vídeo chamada.
– Nossa senhora, mas que demora, heim? Eu te mando aí pra buscar a Marina e você aproveita pra ficar e turistar, dona Clara Fernandes?
– Tá com saudades, Vanessinha? – Marina sorriu.
– Tô! E tô com saudades de trabalhar também.
Nesse momento, Flavinha chegou atrás de Vanessa.
– Oi, Marina. Oi, Clara. Estão aproveitando muito?
– Que aproveitando, Flavinha? Já era pra essas duas estarem no Rio ó, há muito tempo. Acho que a Clara deu o calote na gente.
Ela e Flavinha trocaram um olhar e Flavinha deu aquele sorrisinho de “para” pra Vanessa.
– Deixa de ser boba, Vanessa, porque a gente já está voltando. Já pode ficar feliz. – Clara disse.
– Ah é?
– Amanhã mesmo. – Marina completou.
– Oba. – Bateu uma palma, e aí pôs um braço na altura do pescoço de Flavinha, como num meio abraço. – Estaremos aguardando a entrega, Clara.
Marina riu. – Que isso? Virei encomenda agora? É isso?
Vanessa não respondeu. – Só mandou um beijo para elas e desligou.
– Até parece! Ela nem queria que eu viesse. – Clara resmungou e Marina a abraçou.
– Ainda bem que veio. Vanessa pareceu mais leve, não acha? Sem cara amarrada por ver nós duas juntas.
– Ela está aliviada que não vai ficar longe de você.
– Deve ser. Ah, a gente podia comprar umas coisinhas pro Ivan, o que acha?
– Ah, é. Quero comprar pra Helena e minha mãe também.
Voltaram a caminhar pela cidade, à procura de presentes. Clara comprou roupas e um brinquedo para Ivan, e umas lembrancinhas para Helena e Chica.
– Agora vamos porque nós temos malas e malas para arrumar.
– Adorei conhecer essas cidades.
– Lindas, né?
– Ainda mais com essa companhia. – Entrelaçou seus dedos. – Mas, já estou louca pra voltar pro Rio. Pra dar um beijo e um abraço apertado no meu filhote. Acho que é a primeira vez que fico esse tempo todo longe dele.
– Ele deve estar sentindo muito sua falta também.
– Mas ele.. o Ivan é muito compreensivo.
– É incrível, não é? Ele é tão novinho.
Voltaram para a casa de Diogo, mostraram os presentes e avisaram que em breve já partiriam.
– Nossas visitas são sempre tão breves. Vou sentir saudades, minha filha.
– Vai lá visitar a gente, pai. – O abraçou. – Também vou sentir sua falta, mas já está na hora de a gente ir.
– O filhote tá esperando. – Clara falou.
– Ah, e não pode deixar o filhote esperando. Estão certas. Quantos anos seu filho tem, Clara?
– Oito.
– Quando eu for, levo alguma coisinha pra ele.
Clara agradeceu e saiu da sala. Tinha que ligar para o filho e avisar a todos que estavam voltando.
Diogo beijou a cabeça de Marina e falou baixinho, só para ela. – Espero que dê tudo certo para você, minha filha.
– Vai dar, velho. Agora tá tudo certo.
No outro dia, Diogo levou as duas para o aeroporto e se despediu. Clara se surpreendeu quando ele a puxou para um abraço apertado também.
– Cuida dela, heim? Tá com uma jóia nas mãos.
– Eu sei. – Sorriu.
Quando já estavam em suas poltronas, organizando as malas de mão, Marina olhou para Clara que estava com os olhos fechados. Pegou sua mão.
– Ei, tá nervosa? Sua mão tá gelada, Clarinha.
– Esses vôos muito longos, ai. Tá certo que estou acostumada a voar para Goiânia, mas é bem rapidinho, você nem vê passando.
Marina deitou em seu ombro.
– E mesmo assim encarou um vôo desses sozinha para me encontrar.
– Sabe que nem senti muito? Estava o tempo todo com a cabeça a mil. Fazendo planos. O que fazer assim que chegasse. O que vestir. Te encontrar o mais rápido possível. O que eu ia dizer, fazer. Olhar para você. Nossa, era muita coisa. Me manteve ocupada o vôo todo.
– E agora eu que vou te manter ocupada. – Beijou seu rosto. – Não precisa ficar nervosa, coisinha. – Passou o dedo em seu queixo e virou seu rosto para beijá-la nos lábios lentamente, e passar a língua no seu lábio inferior.
– Marina! — Clara falou com a voz densa, assim que seus lábios se separaram, mas ainda sem se afastar dela.
– Que foi, amor? Estou tentando te ajudar.
– Ai, meu Deus. Parece que esse vôo vai ser ainda mais longo que eu esperava. – Clara encostou a cabeça e fechou os olhos.
– Sua boba. – Marina riu, voltando a deitar a cabeça em seu ombro.
O vôo foi bem tranqüilo. Marina provocava Clara sempre que podia, com beijos calorosos, e uma mão boba. Deixando a dona de casa toda vermelha, já que as pessoas das poltronas do outro lado do corredor podiam ver tudo.
– Marina! – Repreendia, e Marina caía na risada.
Para o “alívio” de Clara, as duas também acabaram dormindo por um tempo.
Quando já estavam quase chegando, Marina pediu ajuda dela para arrumar seu cabelo e retocar a maquiagem.
– Deixa de ser boba. Tá linda! Você está sempre linda. Nunca vi uma pessoa acordar tão bonita igual você.
Marina sorriu para ela, mas continuou se arrumando. – Aposto que tá sua família toda esperando. Não vou aparecer assim, né? Tenho que conquistar a cunhada, a sogra, o filho. Que eu esteja pelo menos apresentável.
– Apresentável. – Clara debochou. – Você nunca está apenas apresentável. Me dá essas coisas aí, que eu vou me arrumar também.
Marina olhou para ela.
– O quê? Olha só para você! Não dá pra ficar andando apagada do seu lado.
– Apagada, Clarinha? Você tem uma beleza única. Quanto mais natural, mais bonita você está. – Passou um dedo em seu rosto, e o acompanhou com os olhos. – Onde é que achou tanta beleza?
Clara sorriu, reconhecendo a frase.
O momento das duas foi interrompido pelo aviso de que deveriam ajeitar as poltronas, pois em breve pousariam.
– Chegamos. Tá ansiosa?
Clara pegou sua mão. – Muito.
Na sala de desembarque, aguardaram juntas as bagagens, sem saber que Ivan, explodindo de alegria, já conseguia vê-las do outro lado do vidro.
– O que será que o Ivan vai pensar de nós duas juntas?
Clara suspirou. – Não acho que a gente tem muito com o que se preocupar. Ele já sabe, e continua te tratando da mesma forma. Acho que ele vai nos aceitar bem.
– Tomara. Deus me livre de ficar de alguma forma entre você e seu filho.
Clara pegou sua mão. – Estamos falando do meu Ivan, aquela fofura em pessoa, que nem criança parece de tão esperto. Ele não vai querer nos afastar. Ele sabe que eu te amo. – Beijou sua mão.
Dessa vez até Helena sorriu, vendo a irmã interagindo com Marina.
Colocaram as malas no carrinho e saíram.
– MÃE! – Ivan correu e Clara se abaixou para abraçar o filho.
– Meu filho! Que saudade, que saudade de você! – Beijou seu rosto e o abraçou novamente bem apertado.
Enquanto isso, Marina e Helena se cumprimentavam, e também trocaram abraços.
– É bom te ver de novo. – Marina agradeceu, e as duas voltaram a atenção para Clara e Ivan de novo.
– Tá bonita, heim, mãe? Aproveitou bem essa viagem. – Olhou para os lados, procurando. – Marina!
– Oi, garotão. – Marina se aproximou e ficou surpresa ao ganhar um abraço apertado também. – Desculpa roubar sua mãe por esse tempo.
– Tá tudo bem. – Sorriu e voltou para perto de Clara, falando baixinho. – Eu te falei que ia dar tudo certo, num falei?
Clara sorriu.
Ajeitaram as malas no carro e Marina foi na frente com Helena, para que Ivan pudesse aproveitar a mãe no banco de trás.
– Me conta tudo. Como está na escola? O judô? Fez tudo direitinho? Ele deu trabalho, Helena?
Helena sorriu. – Imagina, Clara.
– Ih, mãe. Nem começa. Antes eu quero saber tintim por tintim dessa viagem aí. Viu, Marina?
Riram. – Pode deixar, Ivan! Eu não me esqueci da nossa conversa.
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