Notas iniciais
Gente, e aquela briga ontem? huahuahua

No outro dia, as duas acordaram cedo, tomaram o café na companhia de Diogo e então saíram para um passeio na cidade. Andavam de mãos dadas quase o tempo todo. Marina só soltava sua mão para tirar fotos da amada. E tirava sempre que podia. Achava Clara ainda mais linda sem tanta maquiagem, mais natural. E a paisagem da cidade era maravilhosa.

Mais tarde, foram juntas à um café e aproveitaram para comprar suas passagens.

– Essa aqui é melhor. O horário que vamos chegar lá é melhor para alguém pegar a gente.

– Tem essa aqui também, ó.

– Mas essa já é amanhã, Marina!

– O que tem? Achei que já estava com saudades do seu bichinho.

– Ai, eu tô. – Disse com uma carinha amorosa e a mão no peito. – Muitas.

Marina sorriu. – Eu também. Seu filhote é um amor. Mas se quiser ficar mais, a gente fica. A gente pode...

– Não, tem razão. – Pegou sua mão. – É melhor a gente voltar.

– E também nós teremos outras oportunidades de passear pela Europa, América, onde a gente quiser. A gente pode trazer o Ivan. Aposto que é doido pra conhecer a neve!

– Se é! – Riu.

– Então... a gente volta amanhã.

Clara beijou sua testa e a puxou para um abraço apertado.

– Eu te amo.

Marina olhou para cima e a beijou nos lábios sorrindo.

Como estavam usando o computador de Marina, ela apareceu online e Vanessa a chamou para uma vídeo chamada.

– Nossa senhora, mas que demora, heim? Eu te mando aí pra buscar a Marina e você aproveita pra ficar e turistar, dona Clara Fernandes?

– Tá com saudades, Vanessinha? – Marina sorriu.

– Tô! E tô com saudades de trabalhar também.

Nesse momento, Flavinha chegou atrás de Vanessa.

– Oi, Marina. Oi, Clara. Estão aproveitando muito?

– Que aproveitando, Flavinha? Já era pra essas duas estarem no Rio ó, há muito tempo. Acho que a Clara deu o calote na gente.

Ela e Flavinha trocaram um olhar e Flavinha deu aquele sorrisinho de “para” pra Vanessa.

– Deixa de ser boba, Vanessa, porque a gente já está voltando. Já pode ficar feliz. – Clara disse.

– Ah é?

– Amanhã mesmo. – Marina completou.

– Oba. – Bateu uma palma, e aí pôs um braço na altura do pescoço de Flavinha, como num meio abraço. – Estaremos aguardando a entrega, Clara.

Marina riu. – Que isso? Virei encomenda agora? É isso?

Vanessa não respondeu. – Só mandou um beijo para elas e desligou.

– Até parece! Ela nem queria que eu viesse. – Clara resmungou e Marina a abraçou.

– Ainda bem que veio. Vanessa pareceu mais leve, não acha? Sem cara amarrada por ver nós duas juntas.

– Ela está aliviada que não vai ficar longe de você.

– Deve ser. Ah, a gente podia comprar umas coisinhas pro Ivan, o que acha?

– Ah, é. Quero comprar pra Helena e minha mãe também.

Voltaram a caminhar pela cidade, à procura de presentes. Clara comprou roupas e um brinquedo para Ivan, e umas lembrancinhas para Helena e Chica.

– Agora vamos porque nós temos malas e malas para arrumar.

– Adorei conhecer essas cidades.

– Lindas, né?

– Ainda mais com essa companhia. – Entrelaçou seus dedos. – Mas, já estou louca pra voltar pro Rio. Pra dar um beijo e um abraço apertado no meu filhote. Acho que é a primeira vez que fico esse tempo todo longe dele.

– Ele deve estar sentindo muito sua falta também.

– Mas ele.. o Ivan é muito compreensivo.

– É incrível, não é? Ele é tão novinho.

Voltaram para a casa de Diogo, mostraram os presentes e avisaram que em breve já partiriam.

– Nossas visitas são sempre tão breves. Vou sentir saudades, minha filha.

– Vai lá visitar a gente, pai. – O abraçou. – Também vou sentir sua falta, mas já está na hora de a gente ir.

– O filhote tá esperando. – Clara falou.

– Ah, e não pode deixar o filhote esperando. Estão certas. Quantos anos seu filho tem, Clara?

– Oito.

– Quando eu for, levo alguma coisinha pra ele.

Clara agradeceu e saiu da sala. Tinha que ligar para o filho e avisar a todos que estavam voltando.

Diogo beijou a cabeça de Marina e falou baixinho, só para ela. – Espero que dê tudo certo para você, minha filha.

– Vai dar, velho. Agora tá tudo certo.

No outro dia, Diogo levou as duas para o aeroporto e se despediu. Clara se surpreendeu quando ele a puxou para um abraço apertado também.

– Cuida dela, heim? Tá com uma jóia nas mãos.

– Eu sei. – Sorriu.

Quando já estavam em suas poltronas, organizando as malas de mão, Marina olhou para Clara que estava com os olhos fechados. Pegou sua mão.

– Ei, tá nervosa? Sua mão tá gelada, Clarinha.

– Esses vôos muito longos, ai. Tá certo que estou acostumada a voar para Goiânia, mas é bem rapidinho, você nem vê passando.

Marina deitou em seu ombro.

– E mesmo assim encarou um vôo desses sozinha para me encontrar.

– Sabe que nem senti muito? Estava o tempo todo com a cabeça a mil. Fazendo planos. O que fazer assim que chegasse. O que vestir. Te encontrar o mais rápido possível. O que eu ia dizer, fazer. Olhar para você. Nossa, era muita coisa. Me manteve ocupada o vôo todo.

– E agora eu que vou te manter ocupada. – Beijou seu rosto. – Não precisa ficar nervosa, coisinha. – Passou o dedo em seu queixo e virou seu rosto para beijá-la nos lábios lentamente, e passar a língua no seu lábio inferior.

– Marina! — Clara falou com a voz densa, assim que seus lábios se separaram, mas ainda sem se afastar dela.

– Que foi, amor? Estou tentando te ajudar.

– Ai, meu Deus. Parece que esse vôo vai ser ainda mais longo que eu esperava. – Clara encostou a cabeça e fechou os olhos.

– Sua boba. – Marina riu, voltando a deitar a cabeça em seu ombro.

O vôo foi bem tranqüilo. Marina provocava Clara sempre que podia, com beijos calorosos, e uma mão boba. Deixando a dona de casa toda vermelha, já que as pessoas das poltronas do outro lado do corredor podiam ver tudo.

– Marina! – Repreendia, e Marina caía na risada.

Para o “alívio” de Clara, as duas também acabaram dormindo por um tempo.

Quando já estavam quase chegando, Marina pediu ajuda dela para arrumar seu cabelo e retocar a maquiagem.

– Deixa de ser boba. Tá linda! Você está sempre linda. Nunca vi uma pessoa acordar tão bonita igual você.

Marina sorriu para ela, mas continuou se arrumando. – Aposto que tá sua família toda esperando. Não vou aparecer assim, né? Tenho que conquistar a cunhada, a sogra, o filho. Que eu esteja pelo menos apresentável.

– Apresentável. – Clara debochou. – Você nunca está apenas apresentável. Me dá essas coisas aí, que eu vou me arrumar também.

Marina olhou para ela.

– O quê? Olha só para você! Não dá pra ficar andando apagada do seu lado.

– Apagada, Clarinha? Você tem uma beleza única. Quanto mais natural, mais bonita você está. – Passou um dedo em seu rosto, e o acompanhou com os olhos. – Onde é que achou tanta beleza?

Clara sorriu, reconhecendo a frase.

O momento das duas foi interrompido pelo aviso de que deveriam ajeitar as poltronas, pois em breve pousariam.

– Chegamos. Tá ansiosa?

Clara pegou sua mão. – Muito.

Na sala de desembarque, aguardaram juntas as bagagens, sem saber que Ivan, explodindo de alegria, já conseguia vê-las do outro lado do vidro.

– O que será que o Ivan vai pensar de nós duas juntas?

Clara suspirou. – Não acho que a gente tem muito com o que se preocupar. Ele já sabe, e continua te tratando da mesma forma. Acho que ele vai nos aceitar bem.

– Tomara. Deus me livre de ficar de alguma forma entre você e seu filho.

Clara pegou sua mão. – Estamos falando do meu Ivan, aquela fofura em pessoa, que nem criança parece de tão esperto. Ele não vai querer nos afastar. Ele sabe que eu te amo. – Beijou sua mão.

Dessa vez até Helena sorriu, vendo a irmã interagindo com Marina.

Colocaram as malas no carrinho e saíram.

– MÃE! – Ivan correu e Clara se abaixou para abraçar o filho.

– Meu filho! Que saudade, que saudade de você! – Beijou seu rosto e o abraçou novamente bem apertado.

Enquanto isso, Marina e Helena se cumprimentavam, e também trocaram abraços.

– É bom te ver de novo. – Marina agradeceu, e as duas voltaram a atenção para Clara e Ivan de novo.

– Tá bonita, heim, mãe? Aproveitou bem essa viagem. – Olhou para os lados, procurando. – Marina!

– Oi, garotão. – Marina se aproximou e ficou surpresa ao ganhar um abraço apertado também. – Desculpa roubar sua mãe por esse tempo.

– Tá tudo bem. – Sorriu e voltou para perto de Clara, falando baixinho. – Eu te falei que ia dar tudo certo, num falei?

Clara sorriu.

Ajeitaram as malas no carro e Marina foi na frente com Helena, para que Ivan pudesse aproveitar a mãe no banco de trás.

– Me conta tudo. Como está na escola? O judô? Fez tudo direitinho? Ele deu trabalho, Helena?

Helena sorriu. – Imagina, Clara.

– Ih, mãe. Nem começa. Antes eu quero saber tintim por tintim dessa viagem aí. Viu, Marina?

Riram. – Pode deixar, Ivan! Eu não me esqueci da nossa conversa.