Can't let you go.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Depois de quase três horas de viagem, chegaram à Cardiff.
– Acorda dorminhoca. Já chegamos. – Clara beijou a testa de Marina, acordando-a.
Ergueu a cabeça meio assustada olhando onde estava. – Não acredito que caí no sono.
– Ah, eu acredito. Nunca vi gostar de dormir igual você. Não pode encostar... – Riu.
– É uma das minhas coisas favoritas. – Sorriram. – Tem poucas coisas que eu gosto mais do que dormir. – Mordeu seu lábio e beijou os de Clara. Beijou sua mão. – Vamos lá.
Pegaram um táxi para a casa onde seu pai as aguardava. Mal tocaram a campainha e já foram recebidas com grande entusiasmo.
– Marina! – Andou em sua direção de braços abertos e um sorriso largo no rosto.
Marina deixou as malas no chão e correu para o abraço.
– Velho!! Que saudade de você!
– Eu também, minha filha! – Passou a mão em seu cabelo e se afastou para beijar seu rosto. – Não sei o porquê de a gente se ver tão pouco, se sempre bate essa saudade da minha filhota. – Passava as mãos em seus braços. – Cada dia mais linda, estonteante.
– Para.
Clara assistia tudo encantada quando reparou que Diogo Meirelles agora olhava para ela.
– É ela? A tal Clarinha linda que você vive falando? – Gesticulou.
– É, pai. – Riu. – É ela.
– É um prazer.
– Se é. – A abraçou também. – Realmente tão linda quanto descrita. – Clara ruborizou. – Esse olhar de fotógrafa impecável da minha filha. Não deixou um detalhe de fora.
Marina também ficou envergonhada com o pai a dedurando.
– Entra, gente. Mandei preparar um jantar especial para nós.
Depois do jantar, foram para a sala para tomar um vinho e colocar a conversa em dia.
– Mas, me conte, minha filha. – Pegou sua mão. – Como está andando o processo de refazer seu estúdio por aqui? Já resolveu tudo lá no Rio?
– Não está, pai. – Olhou para Clara pelo canto do olho, que evitou olhar para ela, já que esperava muito saber essa resposta. – Eu e a Clarinha vamos voltar para o Rio em breve.
– É verdade? – Estava meio surpreso.
Clara não se sentiu muito à vontade e, percebendo que Diogo queria saber mais, se levantou para levar sua taça para a cozinha.
Diogo olhou até que ela saiu da sala.
– Tem certeza, filha? Voltar para cá seria uma grande oportunidade para você. Você sempre teve grandes exposições em Londres e nos arredores. É bem conhecida por aqui, seria um excelente lugar para recomeçar. Você parecia tão decidida quando falou comigo.
– É, eu estava. Mas você já deve imaginar o que aconteceu, não é? – Tombou a cabeça em direção à cozinha. — Mudança de planos.
– Então... já se decidiu?
Marina tomou o último gole de seu vinho e suspirou. – Ela tem que voltar. A família toda está lá, o filho... a vida da Clara é no Rio. – Respirou fundo. – E a minha vida é com ela. – Deu um sorrisinho fraco ao pai, que retribuiu. – Ela veio atrás de mim. – Diogo arqueou as sobrancelhas, impressionado. – Eu tinha perdido todas as esperanças. Mas ela as trouxe de volta. Não sei bem o que ela tem pensado nesse tempo, mas sei que tenho chances. Reais, dessa vez. – Riu. – E vou correr atrás delas.
– Espero que dê tudo certo.
Clara ouviu a última frase de Marina e retornou à sala, sentando ao seu lado e batendo a cabeça na dela levemente.
Conversaram por mais algum tempo, e Clara ligou para Ivan no skype antes de irem pra cama.
– Poxa, mãe. Quando é que a senhora volta?
– Nem tem tanto tempo assim, moleque! Já tá com essa saudade toda, é? – Zombou.
– Eu tô. – Falou abaixando a cabeça.
– Eu também, meu filho. A mamãe não vai demorar muito, tá?
– Deve ser muito legal aí, né? E a Marina? Cadê ela?
Marina entrou no quarto. – Ouvi meu nome!
Clara a chamou com a mão e ela se sentou ao seu lado.
– Oi, garotão! Que saudade de você!
– Oi, Marina. Eu também. Pô, você foi embora sem nem se despedir.
– Ai, desculpa, Ivan. – Fez uma caretinha.
– Meu filho, a Marina teve seus motivos. – Falou olhando para ela.
– Tô com saudades de vocês duas e vocês devem estar aí no maior love passeando o dia inteiro, tomando sorvete... na maior vida boa.
Riram. – A gente também tá com saudades, seu bobo. E ó, eu não vou roubar sua mãe por muito mais tempo não, viu? Pode ficar tranqüilo.
– Então tá. Vou confiar em você, viu Marina? E a gente ainda tem que conversar sobre essa história aí de você ficar namorando minha mãe. Quero saber das suas intenções.
Marina riu, enquanto Clara fingia indignação. – Que isso? Atrevido! Olha só?
– Tá mais que certo! Tem que cuidar da mãe mesmo. Ainda mais uma mãe bonita igual essa.
– Agora que o papai saiu de casa, eu que sou o homem da casa. Tenho que cumprir meu dever.
– Homem da casa! – Riu. – Tá bom. Vai dormir, vai meu bichinho. Porque já está ficando tarde e o senhor tem judô amanhã bem cedo, heim? Espero que não tenha saído da rotinha comigo fora.
– Claro que não, mãe. Ó, tá tudo certo. Te amo, mãe. Boa noite, Marina.
Se despediram.
– O Ivan é uma graça mesmo.
– Muito atrevido, isso sim.
– Não, seu filho é uma maravilha. – Se deitou. – Eu gosto muito dele.
– E ele de você.
Sorriu. – É muito bom saber isso.
– Então.. disse que não vai me roubar por muito tempo, e disse ao sei pai que vamos embora. Já tem idéias de quando vamos voltar para o Rio?
– Essa semana mesmo, a gente só tem que dar uma olhada nas passagens. – Olhou para Clara e ela estava com um sorriso imenso estampado. – O quê?
– Estou tão feliz que vai voltar comigo. – A abraçou forte.
– Você me deixou sem escolha. – Riu.
– Eu queria conversar com você.
Marina olhou para ela séria, já prevendo o assunto da conversa. – Pode falar.
– Ouvi parte do que falou com o seu pai. Das suas chances reais. – Sorriu. – Você não tem mais que correr atrás de chance nenhuma, sua boba. – Passou a mão em seu rosto. – Eu estou aqui, eu sou sua, e tudo que eu mais quero é ficar com você. Não consigo imaginar mais nem um passeio no parque sem você comigo. Nós já perdemos tanto tempo. Por minha culpa. Eu não quero perder mais. Não quero mais te perder de vista. Eu sou só sua e quero que seja só minha, sempre. Eu sei que é muito para eu te pedir de repente..
– Shh. – Marina pôs o dedo em seus lábios e sorriu, com uma lágrima escorrendo. – É tudo que eu mais quero.
– Eu quero.. – Passou a mão em seu cabelo. – Reconstruir minha vida do teu lado. Eu te amo. Não vim atrás de você para te oferecer pouca coisa, não. – Riram, e Clara limpou a lágrima de Marina, ficando séria novamente. – Estou te dando tudo, tudo de mim.
– Eu te amo. – Sussurrou antes de beijá-la. – Parece um sonho. – Jogou a cabeça para trás suspirando. – Esperei tanto para ouvir essas palavras de você.
– Eu sei. Demorou muito para minha cabeça resolver as coisas, mas meu coração.. também esperou muito por você, por esse amor.
Marina sorriu e lhe deu um beijo de esquimó.
– Então nós vamos voltar para o Rio e começar nossa vida.
– Começar nossa história.
– Não, começar um novo capítulo da nossa história. Tá achando o quê? A conquista, o drama, o sofrimento.. fazem parte também. Um dia eu vou contar aos nossos netos o quanto essa avó deles me deu trabalho. – Riu.
– Abusada. – Clara lhe deu um tapinha de leve no seu braço, e Marina se afundou em seu pescoço, bijando-o. – É tudo parte da nossa história, meu amor.
Clara olhou para ela, surpresa com o apelido.
– Eu nunca vou me esquecer da primeira vez em que te vi. No meio de tanta gente, numa exposição que parecia como qualquer outra. Mas lá estava você. Olhei para você como.. como se tivesse alguma coisa me puxando, sabe?
– E tinha. – Clara a envolveu em seus braços. – E tinha.
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