Can't let you go.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Marina acordou, sentindo o cheiro de Clara e sorriu, passando o nariz em seu pescoço.
– Bom dia, dorminhoca. – Sorriu.
– Bom dia, minha coisinha. Que delícia acordar com você! – Levantou seu corpo, se apoiando nos cotovelos para poder olhar para Clara. – Podia me acostumar fácil, fácil. Dormi como um anjo. – Se aninhou nela novamente, sentindo Clara acariciar suas costas.
– Eu também.
– Ah, eu tenho uma coisa para você. – Marina beijou seu rosto e se levantou puxando um dos lençóis para se cobrir.
Clara a assistiu andando pelo quarto toda descabelada com o lençol jogado no corpo e riu achando que ela nunca tinha estado tão linda.
– Não precisava do lençol.
Marina riu mexendo em suas malas e voltou para a cama.
– Aqui.
– O que é?
– Abra.
Clara olhou para ela e se apressou em abrir o embrulho.
– Um vestido? Que coisa mais linda, Marina. Quando comprou isso?
– Pouco antes de você chegar.
Clara olhou para ela com um meio sorriso.
– Estava lá na loja e esse vestido gritava você.
Clara passou a mão em seu rosto.
– Mesmo tendo todos os motivos do mundo para me odiar, você pensa bem de mim.
Marina pegou sua mão e a beijou. – Eu nunca te odiaria.
Clara apertou sua mão.
– Será que vai servir?
– Claro que vai! – Falou animada. – Vem comigo.
– Hum?
– Vem tomar um banho comigo. E aí eu posso experimentar. – Falou se levantando e puxando Marina com ela.
As duas entraram no chuveiro agarradinhas, trocando beijos e carícias e ensaboando uma a outra.
– Qual o plano pra hoje?
– Ficar bem aqui agarradinha com você. – Puxou-a para um abraço.
– Tô falando sério, palhaça. – Beijou sua cabeça.
– Humm, eu estava pensando em visitar mais alguns lugares e então ir ver meu pai. Prometi que ia visitá-lo. – Fez uma caretinha.
– É verdade. Coitado. – Sorriu. – Boa idéia.
– Ele vai gostar de me ver com você. – Beijou sua orelha, colocando as mãos na sua cintura.
– Será?
– Claro que sim. – Beijou de novo. – Papai Meirelles sempre soube o quê ou quem me faz bem.
Clara sorriu e seus lábios se encontraram, num beijo calmo e lento, mas que transbordava toda a paixão entre elas.
Saíram do banho e Marina ligou para o gerente, pedindo que realizasse seu check out novamente. As duas se arrumaram demorando muito mais tempo que o necessário, já que toda hora uma roubava beijos da outra.
– Não falei que serviria?
– Conheço cada pedaço seu. – Colocou as mãos no rosto de Clara. – Ficou linda. – Lhe deu um beijo de eskimó, e Clara capturou seus lábios.
– Então, vaaamos. Senão a gente não sai daqui hoje.
Riram e saíram de mãos dadas.
Visitaram o palácio de Buckingham e depois o Big Ben. Clara parecia uma criança, olhando tudo com curiosidade e admiração. Seus olhos até brilhavam
– Uma coisa mais linda que a outra, Marina! Dá pra entender porque todo mundo ama esse lugar.
Tiraram várias fotos juntas. Sorrindo, beijando a bochecha, a boca, fazendo palhaçada.
Pararam na beira do rio Tâmisa para selecionar algumas e mandar para Ivan, que “participava” feliz, ansioso pela volta das duas, e mostrava tudo à tia Helena e à avó.
– Ah, olha lá. Um sorveteiro. Vou comprar sorvetes pra gente. Será que consigo? – Saiu rindo de si mesma, deixando Marina encostada na ponte.
– What a pleasant surprise! (Que surpresa agradável) – Marina olhou para o lado para ver a tal ruiva do pub. – Even though you didn’t call me the next day. (Mesmo que você não tenha me ligado) – Piscou para ela e se aproximou para se cumprimentarem.
– Oh, hey. I hum I’m sorry. (Ei, hum desculpa) – Falou sem graça, e a ruiva tentou beijá-la nos lábios, mas Marina virou o rosto. No entanto, o beijo ainda foi perigosamente próximo demais.
Clara que já voltava com os sorvetes nas mãos viu tudo e não sabia bem o que fazer. Ficou parada vendo uma ruiva estonteante perto demais de sua Marina.
– I’m not by myself. I’m with my hum.. (Eu não estou sozinha, estou com minha hum...)– Marina não sabia o que dizer de Clara, nem elas tinham conversado sobre isso ainda – It’s complicated (É complicado).
– I see (Entendo). – Involuntariamente a ruiva olhou ao redor, passando a mão nos cabelos que voavam com o vento e viu Clara encarando-as embasbacada. – I’m guessing the pretty lady with ice creams (Imagino que seja a moça bonita com sorvetes).
– That would be her. (Sim, é ela). – Sorriu para Clara, que agora andava em sua direção.
Well, it was a pleasure (Bem, foi um prazer). – A ruiva a beijou novamente e saiu decepcionada.
– Aqui.
– Obrigada.
Clara ficou calada. Queria perguntar sobre a mulher, mas não sabia como entrar no assunto. Ela e Marina ainda não tinham conversado sobre nada e ela não sabia se estavam na mesma página.
– Vamos?
– Sim. – Marina, claro, havia percebido a mudança no humor da morena.
Entraram num taxi.
– Não sabia que tinha amigos em Londres. – Falou secamente.
Marina suspirou. – A conheci há pouco tempo.
Foi a vez de Clara suspirar, entendendo o que Marina havia dito e não deixando de se culpar por Marina ter deixado o Brasil. Virou para a janela, chateada. Marina ficou sentada ao seu lado, se sentindo constrangida, querendo se explicar, mas sem saber bem por onde começar. Preferiu não dizer nada, afinal não havia feito nada de errado. Passou o dedo no sorvete e no rosto de Clara.
– Ei! Sua moleca! – Riu, e Marina limpou seu rosto com um beijo.
Pôs uma mecha do cabelo atrás de sua orelha, olhando no fundo de seus olhos.
– Você não imagina o quanto eu estou feliz.
Clara pôs a mão em seu rosto. – Sei sim. Eu também. – Trocaram um rápido beijo.
Chegaram ao hotel e arrumaram tudo para a viagem.
– Você vai adorar lá.
– Vou adorar qualquer lugar com você. – A abraçou por trás, dando um beijinho em seu pescoço.
Marina se virou em seu abraço e puxou seu rosto para beijá-la.
A viagem seria de trem, para o alívio de Clara, que ainda não tinha se acostumado com os vôos. Marina deitou sua cabeça no ombro de Clara e entrelaçou seus dedos. Queria conversar com ela, saber como ela queria embarcar nessa história com ela. Se já estava pronta para se enfiar em outro relacionamento sério, tendo se divorciado tão recentemente, ou se queria tocar as coisas com mais leveza por um tempo. Mas, como não sabia a resposta que receberia, e como queria mais que tudo que Clara já se entregasse inteira para ela, preferiu não abordar o assunto ainda. Estava tão feliz quanto só sonhara antes, e não queria nenhum motivo para chateações. Entenderia qual fosse a decisão de Clara, mas sabia que se ela não quisesse nada sério ainda, sentiria uma pontadinha em seu coração. Ergueu a mão de Clara para beijá-la, fazendo com que ela olhasse para ela sorrindo e beijando sua testa.
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