Can't let you go.
7 Capítulo 7
Notas iniciais
– Mãe? — Perguntou chorando. — A senhora vai me deixar?
– Claro que não, meu filho. Pelo amor de Deus, claro que não. A mamãe nunca te deixaria, meu anjo. Eu estou deixando seu pai, Ivan. Nós vamos nos separar e ele vai sair dessa casa. Nossa vida vai mudar, meu filho. Mas essa separação é entre seu pai e eu. Nossa relação com você continua a mesma. Nós te amamos da mesma forma.
– Mas... — suspirava — por quê?
Clara chorou junto com o filho. — Porque eu não consigo mais, Ivan. Eu.. eu não amo mais seu pai da mesma forma que antes. O que eu sinto por ele ainda é muito forte, mas... mas tem outra coisa — pôs a mão no peito — me consumindo. E eu.. eu preciso dar espaço à esse sentimento novo.
– Senhora disse que ama outra pessoa.
Clara assentiu. — Muito.
Ivan balançou a cabeça e correu para o quarto.
Clara decidiu dar ao filho um tempo para processar as novidades. Sentou no sofá deixando as lágrimas rolarem livremente, com a mão nos cabelos, tentando ela mesma processar tudo que estava acontecendo. Encostou a cabeça para trás e fechou os olhos. De repente tudo tinha virado de cabeça para baixo. Casamento afundado, Marina longe, seu filho, família... tudo passava em sua cabeça atormentando seu coração.
– Queria tanto que você estivesse aqui agora. — Falou pensando em Marina. — Nem que fosse só pra me dizer que vai ficar tudo bem. — Chorou.
Pegou seu celular. Não conseguiria falar com Marina, mas ainda podia ouvir sua voz. Chamou a caixa postal. "Oi, Clarinha! Me liga quando puder, tá bom? – Silêncio. — Tô com saudades. Beijos."
– Também estou... morrendo de saudades. — Desligou.
Clara se levantou, foi ao banheiro lavar o rosto e foi ver Ivan.
– Filho? — Sentou na cama.
Ivan levantou a cabeça, os olhos vermelhos de chorar.
– Mãe. — Se jogou nos seus braços. — Eu não quero que vocês se separem.
– Eu sei, meu amor. — O segurou forte. — Desculpa. Mas.. eu preciso disso, Ivan. Olha pra mim.
Segurou seu rosto. — Eu preciso disso, meu bichinho.
– Quem é ela?
Clara olhou para o filho surpresa.
– Eu escutei o papai falando. Que ela foi embora e não vai voltar por causa de você. É essa pessoa que você ama, num é? Quem é ela?
– É... — Clara não conseguiu falar, começando a chorar novamente. — É a Marina. — Não conseguiu segurar as lágrimas ao falar seu nome. Marina ter ido embora era uma ferida que ainda sangrava.
De repente, Ivan percebeu a tristeza em Clara. Nunca havia visto sua mãe daquele jeito. Se lembrou do dia anterior, de vê-la correndo desesperada, chorando. Abraçou sua mãe novamente, mas dessa vez era ele quem consolava.
– A Marina foi embora?
Clara só assentiu, com a cabeça no colo de Ivan.
– Mas ela deve voltar.
– Vai. – Clara se levantou enxugando as lágrimas. – Vai. Porque eu vou trazê-la de volta.
Ivan deu um sorrisinho.
– Eu só preciso saber se tenho seu apoio, meu filho. É tudo que importa.
Ivan a abraçou novamente. – Eu te amo, mãe.
Tinha que arrumar uma forma de se comunicar com ela. Mas não tinha muitas opções, só lhe restava o email.
"Oi, Marina!
Eu sei que está chateada comigo e tem toda razão e direito de não querer falar comigo, mas me perdoa, por favor. Eu não consigo ficar assim sem você. Eu preciso falar com você. É importante. Por favor, me responda. Espero que tenha chegado bem, estou tão preocupada, e sinto muito não ter conseguido evitar. Estou morrendo de saudades.
Sua. Clara."
Mandou com o coração apertado, desejando mais que tudo que ela lhe respondesse.
Em Londres, Marina pegou um táxi para um hotel já conhecido. No caminho, ficou assistindo a cidade passar, assim como fez ao deixar o Rio, como se estivesse turistando pela primeira vez. Suspirou. Londres era linda. Talvez era exatamente isso que ela precisava, novos ares. Só o tempo curaria suas feridas, claro. Mas um novo lugar com certeza ajudaria.
Largou as malas num canto do quarto e foi direto para a banheira. Enquanto preparava seu banho, sorriu se lembrando de Vanessa, que sempre o fazia muito bem. Colocou uma música baixa e se afundou na água. No entanto, não teve paz por muito tempo. Toda hora pulava de música porque elas traziam lembranças contra as quais ela esteve lutando. Até mesmo o fato de estar na banheira a lembrava das vezes em que Clara já esteve no banheiro com ela, nervosa, tentando não olhar e fingindo desinteresse. Marina sorriu com a lembrança e se repreendeu. Não acreditava como ainda podia pensar em tudo com amor, com carinho, com saudades. Saiu da água, vestiu um robe e se jogou na cama queen size.
Pegou seu telefone para avisar as meninas que tinha chegado bem e viu que tinha recebido um email de Clara. Ficou por um tempo pensando se devia abrir ou não. Mas por fim, a curiosidade falou mais forte, e a saudade também, é claro.
Não havia nada demais no email. Marina ficou ao mesmo tempo feliz e irritada por Clara dizer que não conseguia viver sem ela. Dizia que não conseguia, mas vivia muito bem com seu amado marido, não vivia? E como assim não ter conseguido evitar? O email era muito vago, Marina não entendeu nada. Será que algo grave tinha acontecido? Já havia começado a se preocupar, mas não deixou que fosse além. Clara que resolvesse seus problemas sozinha, deveria ser só mais alguma coisa sobre Cadu. Colocou o travesseiro sobre a cabeça como se pudesse abafar seus pensamentos e simplesmente dormir, resistindo ao máximo a vontade de saber se ela estava bem.
– Leninha? — Clara chamou batendo na porta de seu quarto.
– Oi, Clara, entra!
Pegou sua irmã pelo braço puxando-a pra cama assim que ela entrou.
– E aí?
– Pronto. — Suspirou. — Cadu e o Ivan já sabem de tudo.
Helena arregalou os olhos.
– E aí?
– Ivan ficou triste com a separação, mas tá tudo bem. Cadu saiu de casa furioso, não sei nem o que ele está pensando...
– Ai, Clara..
– Nem quero pensar nisso agora. Agora tenho que me preocupar com outra coisa. Não consigo falar com a Marina. – Falou apreensiva.
– Já tentou email?
– Já, ela não me responde. Aliás, não sei nem se viu. A primeira coisa que você faz em Londres com certeza não deve ser checar o email.
– Contou para ela tudo o que aconteceu?
– Não.
– Ah! Por que não, Clara? Assim talvez ela te responderia.
– Porque não parece certo. Eu não quero finalmente ser franca com ela por um email. Precisa ser cara a cara. Ela tem que olhar para mim e saber que estou falando a verdade. Pela voz já saberia, mas nem sei como falar com ela lá. Estou tão preocupada. — Passou as mãos nas coxas, demonstrando nervosismo. — Preciso falar com ela. Ela tem que saber, tem que saber o que eu sinto antes que seja tarde demais. Antes que ela me arranque do coração dela, ou pior, antes que apareça outra pessoa para ajudá-la. Helena, preciso de sua ajuda.
– Claro, Clara.. o que precisar, estou aqui.
– Eu preciso ir pra Londres.
– Você o quê?
– Eu vou atrás dela, óbvio. Preciso de um empréstimo.. pra ontem! — Fez uma caretinha.
– Clara, pelo amor de Deus. Vai pra Londres como? Você mal sabe inglês! Vai despencar em outro país desse jeito! Vai com quem?
– Eu me viro Helena. E nem vou ficar tão perdida assim. Vou chegar lá e encontrar a Marina e pronto.
– E você acha que vai ser fácil assim?
– Não. Mas eu vou encontrá-la.
– Você nem sabe onde ela está.
– Eu não. Mas sei quem sabe!
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