Notas iniciais
Beijos, beijos.

– Que vida boa, hein, Marina? – Vanessa e Flávia entraram e viram Marina, Clara e Ivan juntos na sala, jogando vídeo game. – Quero só ver quando que nosso estúdio vai voltar a funcionar, você adora uma vida boa.

– E também adoro fotografar. – Pegou pipoca com Clara. – Mas tô de licença maternidade, Van, me deixa em paz. – Riu.

– Pipoca antes do almoço. – Balançou a cabeça desaprovando. – Clara, você já foi melhor que isso.

– Deixa minhas crianças aproveitarem, Vanessa. – Clara riu.

– Meninas, me contem e é hoje o grande dia?

Pausaram o jogo. Marina suspirou. – É hoje, finalmente. Só estamos esperando dar a hora. – Olhou no relógio. – Aliás, Clara. Acho que já podemos ir nos arrumando.

– Também acho, do jeito que você é enrolada, né, meu amor? – Beijou o rosto dela.

– Ah! – Marina olhou para ela indignada.

– As duas são. – Ivan disse. – Tirar vocês duas de casa é a maior dificuldade, meu Deus. Quando era a mamãe só se arrumando já era difícil esperar, imagina agora duas mulheres.

– Ah, Ivan, Ivan, já era pra ter se acostumado. – Clara riu, pegou a mão de Marina e foram pro quarto.

– Me passa aqui esse controle, menino. – Vanessa pegou a outra manete e Ivan riu. – O quê?

– Você acha mesmo que vai dar conta de jogar comigo?

– Flávia, olha esse menino, que abusado! É bem filho daquelas duas mesmo. Anda, põe o jogo aí, que eu vou te mostrar.

– Quero até ver isso, amor. – Flávia sentou do lado dela.

– Tá do lado dele? Sério?

Flávia sorriu. – Desculpa, mas...

Vanessa virou os olhos.

Ivan olhou ao redor, vendo se suas mães já tinham ido, e cochichou. – Tá tudo pronto?

As duas assentiram. – Já pode avisar sua avó.

Ivan mandou uma mensagem para Chica e deu start.

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– Tá pronta, amor? – Marina perguntou ajeitando o móbile do berço.

– Aham. – Clara respondeu e saiu do banheiro. – Vamos? Já está quase na hora.

– Vamos, só quero passar mais uma vez no quartinho dela para ver se tá tudo no lugar.

– Marina, nós duas já revisamos aquele quarto milhões de vezes só essa semana. – Clara riu. – Tá tudo pronto pra receber nossa bonequinha. – Falou pegando a bolsa da neném. — Já tá tudo pronto, amor.

Marina respirou fundo. – Eu sei. – Sorriu. — Tô nervosa e ansiosa. – Riu. – Vamos logo então.

Voltaram para a sala.

– Aê, eu te disse, não tem pra ninguém, eu sou o melhor nesse jogo.

– Põe de novo. – Vanessa falou irritada. – Você ganha por pura sorte, garoto, sabe nem quais botões você tá apertando aí.

Flávia riu. – Tá bom, Vanessa.

– Ivan, você ainda tá aí do mesmo jeito? Olha, nós já ficamos prontas, vai logo se trocar, já está na hora. E vocês vão esperar a gente aqui, né, meninas?

– Claro, já viemos com essa intenção mesmo. – Flávia respondeu. – Estamos em casa. – Riu.

– Ah, mãe.. eu acho que vou ficar.

– O quê? Como assim? Tava louco pra buscar a Ana Carolina, não acredito que agora não vai.

– Eu sei, mas agora eu tô dando uma surra aqui na Vanessa.

– Rúm! – Vanessa virou os olhos.

– Eu espero aqui com elas. Depois terei todo o tempo com ela mesmo.

– Tem certeza, Ivan? – Marina perguntou estranhando.

– Aham, podem ir. – Sorriu e voltou a olhar para a TV.

– Tá bom. Flavinha, fique de olho aí, por favor. Não deixa os dois se matarem.

– Pode deixar, Mari.

Riram e as duas saíram.

– Que estranho o Ivan preferir o vídeo game a ir com a gente.

– Pois é. – Clara franziu o cenho. – Vai entender!

– Elas já saíram?

Vanessa, que olhava pela porta, confirmou.

Ivan pegou seu celular. – Vó? Elas já foram, podem vir.

– Vamos buscar nossas coisas. E vê se troca de roupa, menino.

– Tá bom. – Ivan virou os olhos para ela e levantou guardando o vídeo game.

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– Doutora Fátima.

– Clara, Marina. – Se abraçaram. — Finalmente vão levar a princesinha pra casa, hein? Estão animadas? Preparadas?

– Estamos, e ansiosas também. Aliás, cadê ela?

– Tomando banho.

Foram até ela.

– Oi, Aninha. Olha só, mamães vieram te buscar, vai poder ir pra casa hoje.

– Graças a Deus. – Clara comemorou e as duas pegaram nas mãozinhas dela.

– Olha só como nossa prematurinha cresceu. – Fátima falou. – Nem parece aquela coisinha tão pequena que nasceu.

– Ainda bem, né, meu amor? Eu fiquei tão triste de ter recebido alta e ela não, mas acho que ia ter medo de levá-la pra casa tão pequena também.

Clara concordou. – Podemos vesti-la?

– Claro, a filha é de vocês. – Fátima riu.

Marina pegou a bolsa e pela primeira vez as duas vestiram Aninha. Colocaram a fralda, um macacãozinho cinza escuro com rosa e que tinha uns desenhos de corações. Com muito cuidado, passaram a escova de bebês no cabelo e colocaram uma tiarinha que combinava. Ficaram olhando para ela e sorrindo.

– Olha como ela tá linda! Nossa princesa. – Clara pegou ela no colo, e as duas ficaram babando na filha.

– Vamos pra casa, meu amor? Vamos conhecer nosso refúgio, seu quartinho, seu irmãozinho.

Clara olhou para Marina sorrindo.

– Tô tão feliz. – Marina encostou sua cabeça na dela e sua mão acariciando a filha.

– Eu também. – Clara a beijou.

– Então vamos? Hora de te levar pra casa.

Se despediram do pessoal do hospital e foram pra Santa Tereza.

Chegando em casa, Marina andava com a maior cautela, levando Ana Carolina no colo. Clara caminhava abraçada com ela. Entraram na sala, ainda com os olhos na filha, mas se espantaram ao erguer os olhos e ver a família toda lá reunida.

– Surpresa. – Todos disseram, sem elevar muito a voz para não assustar a neném.

– Ai, não acredito! Olha isso, Aninha, veio todo mundo te receber.

Havia uma faixa de “bem vinda, Ana Carolina”, comidas e bebidas.

– Não acredito que fizeram todo uma festa enquanto fomos ao hospital.

– Já tava toda pronta, né, mãe? Só faltava trazer pra cá. Deixa eu ver minha irmãzinha. – Ivan se aproximou. – Que lindinha ela. Posso pegar?

– Pode, filho. Só que com muito cuidado, deixa a gente te ajudar. – As duas a colocaram no colo de Ivan.

Todos se aproximaram para ver a bebê de perto.

– Ela até que é bonitinha mesmo. – Vanessa disse sorrindo. – Não tem muita cara de joelho.

Marina a fitou, séria.

– É linda, gente.– Flavinha apontou. – Mamães, ali estão todos os presentes.

– Presentes? Não acredito, todos trouxeram presentes?

– Claro, é nosso chá de bebê, filha, que não deu tempo de fazer antes de ela nascer. – Chica riu. – Mas é de lei, tem que ter. Ah, Ivan, deixa eu pegar também. – Falou já pegando a bebê. – Vem com a vovó.

Diogo se aproximou. – Já tô na fila, heim? – Passou a mão na cabecinha da neném. – Lindinha do vovô.

Marina e Clara ficaram assistindo os avós babando em Ana Carolina.

Marina olhou para Clara, fazendo beicinho. – Ninguém vai deixar nossa filha com a gente hoje.

Clara passou a mão nas costas dela. – Daqui a pouco ela começa a reclamar e todo mundo devolve pras mães, você vai ver. Vamos ver os presentes?

– Vamos!

Levaram os presentes pro quarto da neném e abriram um por um. Pouco depois, ouviram o choro de Ana Carolina, e o som se aproximava.

– Escutou? Te falei. – Clara riu.

Diogo entrou no quarto com cara assustada. – Minha filha, ela não para de chorar, acho que tá com fome.

A colocou no colo de Marina. – Vem pra mamãe.

– Tem que fazer mamadeira? Eu posso ajudar.

– Não, eu já tava amamentando ela no hospital. Ela já consegue, né, meu amor? – Respondeu abrindo o sutiã e ajeitando o corpinho da filha que parou de chorar e começou a mamar.