Can't let you go.
36 Capítulo 36
Notas iniciais
– Clara. — Marina chamou, entrando no quarto e a encontrou sentada na cama passando seus cremes. — Cansei. — Sorriu e a beijou.
– É, receber a família inteira não é fácil, não. Tiro o chapéu pra Leninha.
Sentou na cama e encostou na cabeceira.
– Sabe o que eu fiquei pensando hoje?
– Hm?
– Bendito o dia que eu resolvi ir embora do Brasil, embora tenha sido um dos dias mais difíceis da minha vida!
Clara riu.
– Trouxe você para mim. — Ficou acariciando sua barriga. Clara viu e deitou em seu colo, virada para Marina. Também pôs a mão.
– Oi, bebê! — Olhou para Marina, que sorria. — Aqui é sua outra mamãe, olha que sorte a sua, vai ter duas. Duas "mãezonas" apaixonadas por você. E você também já tem um irmão mais velho! Que é super fofo, o Ivan, você vai amá-lo.
Marina ficou assistindo sorrindo. — Nós precisamos de um nome.
Clara levantou e pegou um bloquinho.
– Vamos lá. Quais você gosta?
Marina olhou para cima pensativa.
– Menino ou menina?
– Menino primeiro.
– Tá. — Voltou à pensar. — Eu gosto de Henrique. Enzo. Hmm. Eduardo? Não, já tem o Cadu. — Riu. — Difícil.
– Rafael? Gabriel? Fernando? — Clara anotava. — Acho que por hora tá bom. Meninas?
– Hmm, meninas é mais fácil. Alice, Isabela, Laura. Carol?
– Mariana também acho bonito. Letícia? Também gosto daquelas combinações com Maria, Ana..
– Ana?
Assentiu. — E seria uma boa homenagem.
– Bom, já anotou todos?
Marina pegou o bloco e colocou no criado mudo.
– Quando surgirem mais, a gente vai anotando. — Marina subiu em cima dela e a beijou.
– Tá ansiosa pra amanhã?
– Você nem imagina. — Segurou o pescoço de Clara e voltou a beijá-la.
No outro dia, pela manhã, foram se encontrar com Paulo.
– E aí? Animadas?
– Muito.
– Pode-se deitar, Marina. Sentiu alguma coisa diferente nos últimos dias?
– Enjôo matinal.
– Tá sempre pulando o café da manhã.
– O típico enjôo. Mas mais alguma coisa? Dor? Sangramento?
– Não. Nunca mais. — Sorriu aliviada.
– Algum acidente? Alguma queda?
– Não.
– Estamos sendo bem cuidadosas. — Clara pôs a mão no ombro dela.
– Ótimo. Vamos ver como tudo está por aqui. Com licença. — Ajustou a roupa dela. — Pode desabotoar a calça, por favor. Você vai sentir um geladinho. — Passou o gel.
Clara segurou a mão dela.
– Vamos lá. Bom, essa primeira ultrassom não revela muita coisa. É mais pra gente ver se tá tudo bem, verificar a idade gestacional e o número de fetos.
Marina olhou para Clara.
Dr. Paulo passava o aparelho por todo o abdome de Marina e marcava no computador. Marina tentava enxergar algo, mas não entendia nada da imagem.
– Pelo que posso ver está tudo bem, e você tem um feto. Só um bebê.
Se entreolharam sorrindo.
– Um bebê de aproximadamente 8 semanas. — Continuava anotando coisas no computador. — E agora a parte mais interessante. Estão preparadas?
Assentiram.
Paulo ligou o som do computador e conseguiram ouvir leves batidinhas aceleradas.
Marina pegou as mãos de Clara e as duas se olhavam com sorriso de orelha à orelha.
– Tá tudo bem?
– Tá, tudo ótimo. Taí o coracãozinho do neném de vocês.
– Desculpa. — Clara soluçou, começou a chorar e abraçou Marina.
Marina estava ofegante, sem tirar os olhos da tela e ouvindo o que parecia ser o melhor som que já ouvira.
– Nosso bebê, Clara. — Beijou sua testa e enxugou suas lágrimas.
– A primeira vez que a gente ouve esse som, nunca esquece. Pode marcar o que eu tô dizendo. — Paulo se levantou e imprimiu as imagens enquanto as mamães ainda ouviam deslumbradas.
– Poderia ficar ali o dia inteiro, ouvindo. Ai, Clara. — Beijou sua mão. — Está cada dia mais real.
– Aqui. — Clara lhe passou um copo de àgua. — Tem que tomar bastante água, principalmente agora.
Marina bebeu toda a àgua e depois ficou mordendo o gelo. Clara enrugou a testa e ficou olhando.
– Tem mais?
– Água ali...
– Não, gelo.
– Gelo, Marina?
– Deu vontade! Cadê? Vou pegar mais.
Clara ficou rindo e balançando a cabeça.
Passaram os dias seguintes preparando uma exposição na cidade mesmo.
– Não, Van. Van. VAN! Olha aqui, aí não. Essa foto tem que ficar perto daquela outra. Ali. Isso.
– Calma, chefinha. — Vanessa pôs as duas mãos na frente, em defensiva. — Meu Deus. — Se virou.
– Tá ficando perfeito. Flavinha ligou do estúdio, entregaram o berço. — Beijou seu rosto.
– Finalmente. Amor, essa luz.. não tá legal, tá vendo aquela foto? Tá.. não sei, tá apagada. Precisa..
– Eu te entendi, pode deixar.
– Van essa aqui.. — seu celular tocou, suspirou pesarosa. — Espere aí, não saia do lugar.
Vanessa virou os olhos. — Clara, dá um jeito na sua mulher. Não sou obrigada, não.
– Alô? Pai! — Procurou por Clara. — Aqui? — Pegou a mão de Clara e cochichou. — Pai está na cidade. Oi? Claro, pai, vai lá pra casa. Ivan está lá com a Flavinha e já nós chegamos. Estamos terminando de arrumar uma exposição. Não, é amanhã só. Vai lá, já nos encontramos. — Desligou. — Clara, Clara, meu pai! Finalmente, não tava aguentando esconder mais. E ele ia acabar descobrindo de outro jeito.
Clara pôs a mão na barriga de Marina que já aparecia.
– Ô, Marina! Eu não tenho o dia inteiro!
– Van! Desculpa, me esqueci. Ali, põe ali.
Terminaram e foram para casa.
– Ivan mandou mensagem. Seu pai já chegou.
– Ótimo. — Sorriu. — Mal posso esperar!
Assim que chegaram, Marina já pôde ouvir a voz do pai. Estava conversando com Ivan.
– Velho! — Gritou e foi correndo em sua direção, abraçando Diogo.
– Minha filha, que saudade! — Beijou sua cabeça.
Diogo viu Clara entrando e a abraçou também.
– Saudades da minha norinha maravilhosa. — Beijou sua cabeça. — Que eu não tive oportunidade de ver da última vez.
– E você, meu amor! — Diogo finalmente parou para olhar pra Marina. Cerrou as sobrancelhas. — Tá diferente. — Ficou olhando para ela. — Tá mais.. cheinha. — A abraçou de novo. — Continua linda.
– Tá me achando gordinha, é pai?
– Ô, minha filha. Longe de mim te chamar de gordinha, você só tá mais cheinha. — Riu, ficando nervoso.
– Mas eu tô gordinha mesmo. Mas não é por mudança de dieta, não.
– Não? — Diogo ficou confuso. — O que foi, então? Você não está doente, né, meu amor?
– Não, pai. Ai, nem acredito que finalmente apareceu por aqui, porque eu já estava louca pra te contar isso, mas queria que fosse pessoalmente.
– Você tá me deixando preocupado, Marina, o que..
– Não é pra preocupar. É notícia boa. O senhor vai ser vovô.. de novo. — Pôs a mão na barriga.
Diogo ficou boquiaberto, olhou para Marina, depois para Clara, e procurou o sofá para se sentar. Passou a mão na cabeça.
– Pai..
– Você? Você tá grávida, minha filha? Grávida?
– Tô. — Marina sorriu.
– Co-como?
– Inseminação, pai. Não ficou feliz?
– Feliz? — Ele se levantou e foi com os dois braços estendidos. — Eu tô.. eu tô em choque. — A abraçou. — Tô muito feliz, Marina! Não acredito que você tá mesmo grávida!! — Se afastou e olhou para a barriga dela. — Clara, que notícia maravilhosa. — Juntou as mãos e a abraçou também. — Já sabem o sexo?
– Não, tá cedo. — Clara respondeu sorrindo.
– Olha eu.. nunca esperei isso, achei que você acabaria adotando um dia, mas grávida?! Tá feliz?
– Não tô cabendo em mim! Literalmente. — Riu e pôs as mãos na barriga.
– Que coisa mais linda! Nós precisamos comemorar. Hoje vamos todos jantar fora, por minha conta! Devia ter me contado antes, eu já teria trago vários presentes. Que coisa! Um bebê na nossa família! Acho que o último bebê que segurei nos braços foi você. O bebê mais lindo do mundo. — Beijou Marina de novo. — Já tá de quantos meses?
– Três e meio! Deixa nós nos arrumarmos pra irmos jantar com você. Ivan, já tomou banho?
Ele fez que sim, mas foi trocar de roupas.
Quando as duas apareceram prontas, Diogo viu Marina com uma roupa que marcava mais seu corpo.
– Tá linda, maravilhosa com essa barriguinha. Me lembra um pouco sua mãe.
Ela deu um sorrisinho fraco. — Vamos? — Foi na frente.
– Falei algo errado? — Diogo cochichou com Clara.
– Não, ela só.. tem se lembrado muito da mãe ultimamente com a gravidez e tudo. Só está com saudades.
Diogo assentiu e todos seguiram Marina até o carro.
– Quando for ter o bebê, você me avisa! Eu saio de onde estiver pra ver essa coisinha linda nascendo. — Riu.
– Pode deixar, pai. — Marina sorriu.
Durante todo o jantar, Diogo se mostrou muito animado com a novidade.
– E assim que souberem o sexo, liguem pra mim! Quero trazer muitos presentes pro nosso bebê. Quando dá pra saber?
– Com certeza, pai. E é melhor estar aqui pro nascimento mesmo, viu? A partir do quinto mês.
– Hmm, falta um tempo ainda.
– Tô vendo de onde Marina puxou toda essa ansiedade. — Clara riu e beijou o rosto da esposa.
– Clara, amor. Olha ali.
– O quê?
– No prato daquele cara ali. O que ele tá comendo? Verde?
– Jiló.
– Hmm, pede pra mim?
– Jiló, Marina? Você nunca gostou de jiló.
– Mas agora eu quero. Vou pedir. — Acenou para um garçom e fez o pedido.
– Mês passado nós ouvimos o coração pela primeira vez. Foi tão lindo. — Clara falou.
– Eu me lembro de ouvir o seu até hoje! Antes de nascer já me deslumbrava. — Pegou a mão de Marina. — E como está o romance de Vanessinha e nossa querida Flávia?
– Estão ótimas. Ainda bem. — Ergueu as mãos. — Van é minha melhor amiga, eu não conseguia mais ver ela sofrendo por mim, e a Flavinha esperando uma chance. Mas, finalmente, elas estão juntas e bem.
– E loucas uma pela outra. Nem parece aquela Vanessa que não desgrudava os olhos da Marina.
O prato de Marina chegou.
– Hmm, o cheiro é bom.
Ivan fez uma careta, discordando.
Marina continuou falando sobre a relação das amigas e começou a colocar açúcar em seu prato. Parou de falar apenas para dar a primeira garfada. Diogo fez que ia dizer algo, mas Clara acenou para que ele deixasse Marina.
– Hm, é bom. — Continuou comendo.
Clara olhou para ela e sorriu.
–--------
– Marina, tá pronta? — Clara chegou com uma camisa branca e saia alta preta.
– Hmm, que gata! — Sorriu para ela. — Tô pronta. — Clara se aproximou e olhou para ela. — Como estou? — Marina usava um vestido azul escuro que chegava perto dos joelhos.
– Maravilhosa, como sempre, meu amor. Não é a toa que me apaixonei tão fácil por você. — A beijou. — Já estão todos ansiosos pra te ver lá no salão. Vai deixar todo mundo de queixo caído. — Riu.
– Tá preparada? O assédio hoje vai ser grande e não vai adiantar você tentar fugir do holofote, não. Quando verem que estou grávida, todos vão querer foto de nós duas juntas.
Clara suspirou. — Morta de vergonha já. Mas, tô pronta, sim. Pelo menos vou estar posando do seu lado. — Pegou sua mão.
– Então vamos.
Era dia de exposição, e a primeira que Marina apareceria com sua barriga de grávida já visível. Assim que apareceram, de mãos dadas, os fotógrafos que aguardavam começaram um alvoroço. Foram vários cliques, todos chamando os nomes de Marina, tentando chamar sua atenção. Clara sorria do seu lado, mas tremia. Marina segurou sua mão com mais firmeza, lhe passando confiança.
Se virou pro seu lado e cochichou em seu ouvido. — Só mais um pouquinho.
Clara sorriu e Marina voltou a fazer pose, até que sinalizou que parassem.
– Marina, Marina. O que significa?
– Marina, você tá grávida?
– Marina!
– Calma, gente! Um fala.
Um homem tomou a frente. — Marina Meirelles, fotógrafa brasileira de prestígio internacional, que já deixou os amantes de fotografia surpresos ao se casar três anos atrás, com Clara Fernandes, aqui presente. Lindíssima também, diga-se de passagem. E agora, Marina? — Olhou para ela. — Podemos dizer que é o que parece? Você está grávida?
Marina sorriu. — Sim, gravidíssima. — Pôs a mão livre em sua barriga. Eu e Clara decidimos ter mais um filho, decidimos engravidar e já estamos curtindo essa alegria por quase quatro meses. Três e meio.
Todos anotavam. — Já sabe o sexo?
– Não.
– Marina, será que podemos tirar uma foto de toda a família? Tá faltando…
– Ivan! Tá faltando.. Van, por favor.
– Pode deixar, vou atrás do pestinha.
Logo Ivan chegou ao lado das mães, usando terno. Clara deu uma arrumadinha no cabelo dele antes de posarem para foto.
Marina dispensou os fotógrafos e foi passear pela exposição para poder dar atenção aos admiradores pelo resto da noite.
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