Notas iniciais
Eeei :) Mais uma vez, muito obrigada, gente. Beijos. :* :*

No outro dia, Clara acordou e começou a beijar o rosto de Marina, que sorriu ainda de olhos fechados.

– Bom dia, minha linda. – A abraçou.

– Mãe. – Ouviram um grito do andar de baixo e se entreolharam. – Cheguei. Mãe. — Ouviram passos apressados subindo as escadas.

Ivan bateu na porta, abriu e entrou correndo.

– Bom dia, garotão! Que saudade! — Abriu os braços.

– Que bom que já chegou, mãe. – Ivan subiu na cama com elas e abraçou Marina, que beijou sua cabeça.

– Como foi seu final de semana?

– Foi mó legal. A cidade é super maneira, rios, cachoeiras, meu pai me ensinou a pescar, ó. – Pegou o celular e mostrou uma foto dele segurando um peixe na vara. – Cacei nosso almoço. – Sorriu orgulhoso.

– Que maravilha, meu filho!

– Corri atrás da Vê com ele, ela morreu de medo. – Riu

Marina soltou uma gargalhada. – Que maldade, Ivan! Se fosse comigo, eu também teria corrido de você.

– Hmm, mas me conta. — Se aconchegou e olhou para Marina. — Como foi o jantar de ontem?

– Você sabia de tudo!

– Claro, ué, eu que ajudo minha mãe em todos os planos dela. Não sei o que seria dela sem mim. Sabe disso, participo de todos.

– Desde a escolha do anel. – Ele e Clara falaram simultaneamente.

– Foi ótimo. — Deitou a cabeça no ombro do garoto. — Fizeram tudo direitinho, como sempre, adorei. Tava tudo lindo, e eu nem suspeitava. Mas a sobremesa... hmmm...

Clara olhou para Marina com os olhos arregalados e recebeu uma piscadela da fotógrafa. Antes que Ivan pudesse fazer qualquer pergunta, limpou a garganta e tentou desesperadamente mudar de assunto.

– Ivan, é.. É, então.. Nós.. temos novidade. — Olhou para Marina. — Não é Marina? – Clara viu seus olhos brilharem e assentiu. – E olha só o que ela me deu. — Clara mostrou a pulseira.

– Da hora. — Pegou.

– São os nossos corações, meu e de vocês.

Ele colocou a pulseira em Clara.

– Ficou lindo, mãe. — Sorriu. — Mas qual a novidade?

Se entreolharam. — Sua mãe e eu estávamos conversando sobre uma coisa muito importante ontem, uma ideia que tivemos e nós gostaríamos de compartilhar com você e saber o que você pensa disso.

– Iii, quando falam assim, já tô até com medo do que vem aí. — Cruzou os braços.

– Que medo, o quê, menino? – Clara riu, dando uma leve batida em seu braço.

– É coisa boa. – Marina completou. – Bom, esperamos que seja. – Riu.

– É coisa boa, sim. Só que é uma coisa grande, barulhenta. — Olhou para Marina sorrindo. — Que vai mudar muito a vida de nós três e a rotina daqui de casa. E que é permanente.

Ivan cerrou as sobrancelhas, tentando matar a charada. — O que é, gente? Conta!

– Eu e sua mãe estávamos conversando sobre aumentar a família. – Marina falou meio receosa com a reação do garoto.

– Um filho? Espera.. um irmão?

– Ou irmãzinha. – Clara sorriu. – O que você acha?

– Como? — Cerrou as sobrancelhas novamente.

– Bom, tem algumas possibilidades. Nós podemos adotar ou o que a Clarinha sugeriu, que eu amei.. eu posso engravidar. Fazer um tratamento e gerar nosso bebê.

Ivan pensou um pouco.

– Eu acho que vai ser legal. – Sorriu. – Vai ser legal ter um irmão ou irmã. Alguém pra cuidar e ensinar as coisas, pra mandar, pra implicar, botar a culpa. — As duas riram. — Eu acho que é uma boa ideia. Vamos ter um bebezinho em casa.

– Ai, que bom. Que bom que você gostou. – Os três se abraçaram.

– Quando?

– Vamos começar o mais rápido possível.

– É, mas pode ser demorado. Vamos torcer pelo contrário.. – Clara cruzou os dedos. – Mas temos que nos preparar, saber que pode demorar também. Só não conta nada pra família ainda, filho. Vamos esperar até termos algo certo.

– Agora desce. – Bateu na bunda de Ivan. – Que nós precisamos trocar de roupa e vamos tomar café.

Ivan deu um beijo no rosto de cada uma e saiu.

– Amor?

– Hmm?

– Será que estamos mesmo prontas para mais essa?

– Claro, Marina. Vai ser ótimo. – A abraçou.

– O mais rápido possível?

– O mais rápido possível.

– Ótimo. – Comemorou. — Eu vou ligar pro meu médico e ver a possibilidade de eu fazer exames, de sangue, dosagem de hormônios, etc, ainda hoje.

– Ainda hoje?

– O mais rápido possível. – Sorriu e beijou sua testa.

Clara riu. — Tá bom. Agora se arruma porque daqui a pouco tem modelos chegando aí.

Alguns minutos depois, desceram para tomar café da manhã.

– Que baboseira é essa que aquele menino tá dizendo que vai ter outra criança aqui, meu Deus? Pior ainda... um bebê!

Vanessa apareceu, ‘discreta’ como sempre.

– Van, isso é jeito de falar? – Flávia entrou atrás e deu um tapinha em sua bunda. – Mas, é sério isso, gente?

– Desculpa. — Ivan olhou para elas. — Vocês só falaram para manter segredo da família, quando vi já tinha contado.

– Ei! Nós somos família! — Vanessa apontou para ela e Flávia.

– Não tem problema. — Marina pôs o braço no ombro de Ivan, que agora olhava como quem pedia desculpas para Van e Flavinha. — E, sim, muito sério, Flavinha. – Marina assentiu sorrindo e elas se abraçaram.

– Ahhh, que gracinha! Mal posso esperar. Nós vamos ser titias. – Olhou para a ruiva.

– Gente, vocês sabem a trabalheira que um bebê representa, né?

– Claro que sabemos, Vanessa. Não sou mãe de primeira viagem, se você se esqueceu. E não é trabalheira, não só trabalheira, vai ter muito amor envolvido também. – Piscou para ela e Vanessa sorriu, mas manteve a pose.

– Daqui a pouco, isso daqui vira uma creche. — Riu. — Aí eu quero ver. – Deu um meio abraço em Flavinha, que sorria envergonhada com as coisas que ela dizia.

Os dias se passaram com Marina fazendo exames, acompanhada por Clara, e escolheram a clínica do tratamento. Apesar de terem sido informadas sobre a possibilidade de inseminação caseira, ficaram inseguras e decidiram fazer tudo com acompanhamento. Foram juntas à clínica de inseminação várias vezes, onde a médica responsável por elas explicava passo a passo o que iam enfrentar. Tinham que escolher um doador entre os vários perfis que a clínica dispunha e daí partir para as tentativas. Os óvulos usados seriam os de Marina mesmo. E já haviam concordado que um dos critérios para a escolha do doador seria ter características físicas parecidas com Clara.

– É muito bonito poder acompanhar casais como vocês e ajudar nesse passo tão importante. Perguntei Lívia como estavam sendo as conversas de vocês com ela nessa preparação para o tratamento, para conceber e ter um filho, mas, como eu imaginava, vocês estão se saindo muito bem. Até porque já são mães, né?

– Ah, mas ela é maravilhosa, adoramos as consultas. Ajuda Marina a construir uma segurança maior sobre todo o processo, sobre ser mãe de um bebê. — Pegou sua mão.

– É exatamente essa a importância da terapia, para ajudar vocês nessa mudança na relação, no preparo do processo, como você disse. Muitos casais com outros filhos chegam aqui já querendo dispensar a psicóloga, mas acabam se surpreendendo. E eu só tenho boas notícias para vocês hoje. Seus exames estão excelentes, Marina! — As duas comemoraram. — Está apta para começar, não tem nenhuma alteração. Já vou te passar para nossa nutricionista, para ela passar uma dieta mais saudável, mais adequada para toda a gravidez, cortar bebidas...

– Nem precisa falar. — Marina interrompeu. — Já até parei.

– Além disso, estou te prescrevendo aqui ácido fólico para tomar diariamente. É um suplemento importantíssimo para os primeiros três meses da gravidez, e o ideal é já começar a tomar pelo menos um mês antes de engravidar. — As duas assentiram. — Como você é completamente saudável, podemos tentar primeiro com seu ciclo natural, caso seja necessário entraremos com estimuladores ovarianos. Tudo bem? Vocês têm alguma dúvida?

Fizeram com a cabeça que não.

– Nos vemos em breve então. — Trocaram apertos de mão. — Boa sorte, meninas.

Se despediram e saíram pela porta.

– E aí?

Marina inspirou profundamente e abraçou Clara. — Falta pouco.

Dias depois.

– Bom di.. Que isso, Marina?? – Vanessa chegou e pegou Marina sentada num puff com um termômetro na boca. — Tá doente? – Pôs a mão em sua testa.

– Doen.. – Tentou falar, mas se calou quando o termômetro quase caiu.

– Ela não tá doente. — Clara surgiu com uma caneca nas mãos. — Nós achamos que ela está no período fértil, tá próxima de ovular.

– E?

– E que se ela estiver mesmo, a temperatura do corpo estará um pouco aumentada. Ela tem tomado medicamentos e temos medido a temperatura todo dia pela manhã, para saber como a dela varia. Mês passado nós percebemos a mudança tarde demais. Mas dessa vez fizemos as contas direitinho, é nossa chance.

– Mas, aí vocês já vão tentar? Já assim? Agora? Já prepararam tudo?

– Tudo que devíamos ter feito até agora. Sim, tudo pronto. O que não é muito, foi mais preparação com a psicóloga da clínica, os exames, as mudanças de hábito, e o tratamento em si.

– 36,8! –Marina gritou se levantando e assustando Vanessa. – Clara! Nós temos que correr. – Pegou a chave do carro.

– Calma, Marina.

Cadê minha bolsa? Nós vamos pra clínica agora! – Pegou a mão de Clara e a arrastou pra fora de casa, deixando Vanessa assistindo tudo atônita.