Can't let you go.
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Marina estava sentada no chão distraída com suas fotos quando Clara e Ivan chegaram ao estúdio sem fazer barulho e Ivan a assustou.
– Boooo.
– Ai, Ivan! — Marina pôs a mão no peito. — Cara, que susto! — Riram e ele a abraçou. — E aí? Como foi o filme?
– Filme? — Clara olhou para ele rapidamente. — Ah, foi maneirão. Cê devia ter ido com a gente, ia gostar também.
– Pois é, Ivan. Eu tava.. Ocupada. — Marina olhou pra Clara.
– Tudo bem, meu amor?
– Tudo. — Sorriu. — Que bom que aproveitaram a tarde de vocês.
–Ivan. Você bem que podia tomar um banho, heim cara? A gente passou a tarde toda andando no cinema e andando no shopping.
– Pode usar lá o quarto de hóspedes, tem tudo lá, garotão.
Ivan assentiu e subiu.
– Te conheço, Marina. Agora me conta. Que foi?
– Nada, Clara. — Se levantou e colocou as fotos na mesa.
– Tem certeza?
– Unhum.
– Hmm.. Desculpa eu mandar ele pro banho aqui, mas ele insistiu em passar pra te ver antes de ir pra casa e eu queria perguntar se tava tudo bem.
– Imagina, Clara! Sabe que eu morro de saudades dele. Eu adoro o Ivan. Não tem problema nenhum. – Continuava olhando para as fotos.
Clara a abraçou por trás e beijou seu pescoço. — O que foi, Marina?
– Ah, Clara. Tô me sentindo ridícula. – Se virou para ela e pôs a mão no cabelo. — Eu só.. Queria ter ido com vocês. Me senti excluída, é isso. Mas é idiota, eu sei. Eu entendo que vocês queriam um momento família, mãe e filho. Então, não tem problema. Não precisa falar nada. Vai passar. — Marina lhe deu um selinho.
– Não é nada disso. Nós só estávamos atrasados pro filme. Por isso não esperei. Desculpa. Nossos momentos família te incluem, sua boba. Nós te amamos.
Marina sorriu e a abraçou. – E eu amo vocês.
– E vocês podem dormir aqui hoje.. Se quiserem. Ainda dá tempo de a gente fazer alguma coisa juntos.
Clara fez careta.
– Obrigada, Marina. Mas hoje não dá. O Ivan tem muito dever e a gente não trouxe o resto dos materiais, então... Além disso, não teria roupa pra ele amanhã cedo, tem o judô...
– Tá bom. Quem sabe um outro dia. – Suspirou. — Vou ver se o Ivan precisa de alguma coisa. — Beijou a mão de Clara.
Clara sabia que por mais que Marina tivesse dito que estava tudo bem, não estava. E ela tinha razão pra estar assim. Dava até uma dorzinha no peito, de mentir e de deixar ela se sentir assim. Mas logo tudo ia melhorar e muito. Assim que Clara a perdeu de vista, pegou o celular.
– Flavinha, tudo bem? Preciso da sua ajuda. Sua e da Vanessa, na verdade, pra uma idéia que eu tive. Ah, mas agora não dá pra conversar. Tô na casa da Marina e é sobre ela, claro. Mais tarde eu te ligo, tá bom? Beijos. E ó, é segredo!
Clara e Ivan comeram com Marina e então foram pra casa, deixando-a sozinha e frustrada. Vanessa e Flavinha estavam passando mais tempo juntas ultimamente, e, toda vez que Clara ia, Marina se sentia extremamente sozinha.
– Mãe, a Marina tava estranha hoje, né?
– Ela queria ter ido com a gente, filho. Só isso. Tá se sentindo excluída. Dá até dó, mas não podia ser diferente. Surpresa é surpresa. – Suspirou. — A gente vai dar uma passadinha lá na sua tia Helena. Preciso conversar com ela.
– Vai contar as novidades? — Perguntou com os olhinhos brilhando.
Clara olhou para ele sorrindo. — Vou.
Pegou o telefone.
– Ju, corre pro apartamento da Helena. A gente precisa conversar.
–----
– Ai, gente. Minha vida mudou tanto desde que conheci a Marina, né? Eu já fiz coisas antes inimagináveis para mim, com ela e por ela. A começar por ter me apaixonado. Nunca tive esse tipo de preconceito, mas também não tinha passado na minha cabeça antes... — suspirou — me envolver com uma mulher. Pô, nunca tinha passado na minha cabeça deixar o Cadu! Ela chegou assim.. desde o primeiro momento já como um furacão na minha vida, e furacão não é uma coisa que dá pra você segurar. Ela quis entrar e entrou.. definitivamente na minha vida.
– Você tá repensando sua vida, Clara? Suas decisões, é isso? – Helena perguntou.
– Sim. Ultimamente todos esses meses têm corrido na minha cabeça sem parar. Foi tudo uma grande loucura. Tem sido
Helena olhou para ela preocupada e Juliana decidiu falar.
– Mas, peraí, Clara. Você... se arrependeu?
– Não! Que isso? Tá doida, Ju? Foi a maior e a melhor loucura da minha vida. — Sorriu e suspirou. — Não consigo mais ver minha vida sem a Marina, ela se tornou.. essencial pra minha sobrevivência. Essencial. É essa a palavra. E.. — engoliu — Eu sempre soube disso. Mas ultimamente tem ficado cada dia mais evidente por causa de umas conversas que a gente teve, e de uma decisão minha.
– Fala, Clara. Nesse suspense todo! Tô ficando curiosa. – Juliana se exaltou.
Clara tirou uma caixinha de veludo da bolsa e colocou na mão de Helena.
– Isso é o que eu tô pensando?
– Ai, Helena. Abre isso logo. – Juliana tomou a caixinha da mão dela.
Abriu a caixinha e ambas ficaram boquiabertas.
– Clara! – Helena não tinha palavras.
– E no meio de tudo isso que disse. Uma coisa que nunca tinha imaginado é que um dia eu, Clara, pediria a mão de uma mulher em casamento.
As duas sorriram.
– Mas a Marina não me deixa outra escolha.
– Como assim? Não te deixa escolha? Ela tá, sei lá, fazendo você se sentir obrigada de alguma forma?
– Tá. Ela falou em morar juntos, nós três. Ser uma família, quem sabe aumentar a família. – Sorriu. –E pode parecer estranho o que vou te dizer, Leninha. Antiquado até. — Riu. — Mas eu já tinha pensando nisso também. E nesses últimos dias eu olho pra Marina e a única coisa que consigo pensar é que... eu quero muito me casar com essa mulher.
Helena sorriu de novo.
– Acabei de sair de um casamento e vou embarcar em outro...
– É! Você é doida, Clara. – Juliana riu.
– Um monte de gente concorda. – Pegou na mão de Juliana. — Mas é a Marina, ela.. ela deu um jeito de se tornar tudo para mim. É.. ela.
– Ai, Clara. Assim você me deixa até emocionada. Olha isso! – Helena se abanava e os olhos de Clara se encheram de lágrimas também.
– O aniversário dela tá chegando. E eu já estou trabalhando numa idéia. Acho que ela vai ficar feliz.
– Claro que vai. Ela é louca por você. Capaz de você enfiar batata frita no nariz e deixar ela feliz.
Riram. — Ah, e se der tudo certo..
– Claro que vai dar tudo certo, Clara. – Juliana virou os olhos.
– Eu quero vocês duas de madrinha.
– Sério? Ai, meu Deus, Clara! – Helena a abraçou. Depois olhou para Ju e as duas comemoraram.
– Mal posso esperar. Helena, nós temos um casamento pra planejar. Nossa, vai ser uma arraso.
– Vai com calma, gente. E só vocês não. Tem a parte da Marina também, e com certeza ela vai chamar a Vanessa.
– Ai, mas aquela mulher zicou tanto a história de vocês.
– É, mas no final ela acabou ajudando. Acho que ela já pode ter nos aceitado. Tomara. Sei que ela é importante pra Marina.
– Vocês ainda vão ser muito felizes juntas. E já posso imaginar a cerimônia.
– Imagina! Essas duas mulheres lindas de noivas? Gente! – Juliana já estava ansiosa. – De tirar o fôlego.
Foram para casa e Clara ligou para Flávia para conversar sobre sua idéia.
– Pode deixar, Clara, logo eu te passo todos os contatos e te ajudo também. É uma excelente idéia.
–----
No outro dia, Clara ligou para Marina logo cedo perguntando se tinha algum problema ela não ir pro estúdio pela manhã, pois teria que ir à casa de leilões ajudar Helena com os últimos detalhes de um evento que se aproximava.
– Claro que não, amor. Não tem problema. A gente segura as pontas aqui, mas vou ficar com saudades.
– Eu também. Obrigada por entender. Depois do almoço eu apareço sem falta. Beijos.
– Te amo. – Marina falou, mas Clara já tinha desligado. Marina olhou para a tela do telefone suspirando e entrou no banho.
O ensaio da manhã foi bem tranqüilo. Flavinha conseguia ajudar Marina em tudo, enquanto Vanessa cuidava de outras coisas. A ausência de uma outra assistente não teria feito nenhuma falta, mas essa assistente era Clara.
– Vamos almoçar, então? Tava pensando.... Ei, Marina! Tá indo onde, correndo assim? Tava aqui agora chamando a Flavinha para almoçar, vamos?
– Não, obrigada, Van. Eu vou almoçar com a Clara. Vou pegá-la de surpresa lá na casa de leilões, espero que ela ainda esteja lá. Beijos.
– Espera, Marina! Gente, mas ela não escuta mesmo. Não era hoje que a Clara ia..?
– Era. – Flavinha falou séria. — Marina não vai gostar nada disso. Digitou uma mensagem avisando Clara. Mas ela não recebeu.
Marina entrou na casa de leilões e percorreu o local com os olhos, procurando.
– Marina! Que prazer revê-la!
– Oi, Virgílio. Tudo bem? — O abraçou.
– Tudo ótimo. À que devemos a honra de sua visita? – Virgílio, como sempre, muito educado e sorridente.
– Eu tô procurando a Clara.
Virgílio franziu a testa. – A Clara? Mas a Clara não tá aqui não.
– Ah, ela já foi? – Marina perguntou decepcionada.
– Não, na verdade.. ela não esteve aqui hoje.
– Não?
Virgílio negou com a cabeça.
– Ah, eu.. devo ter entendido errado então. Que cabeça a minha. Obrigada, eu vou ligar pra ela.
Marina se despediu e saiu com a cabeça fervilhando.
– Clara tá estranha. E mentiu para mim! – Bateu no volante.
Decidiu voltar pra casa, e assim que chegou se jogou na cama. Tinha perdido a fome.
– Não consigo imaginar o porquê. Devo ter assustado a Clara com a conversa de morar juntas. Ou o Ivan não quer, ou Cadu tá criando problema, sei lá. É a única explicação. Só não sei porque ela não me disse ainda. – Bateu a mão na testa. – Droga, Marina.
Quando Clara chegou no estúdio, Marina ainda estava na cama.
– Que isso, Marina? Dormindo uma hora dessa? – Clara riu.
– Não, só.. tava descansando. Tudo bem?
– Tudo e você? Tá com uma carinha. – Clara passou a mão em seu rosto.
– Dor de cabeça, Clara. Só isso. – Suspirou. — Vou tomar um banho que deve ajudar. – Beijou sua testa e se levantou.
– Tudo bem. – Clara pegou sua mão antes dela sair e sorriu para ela.
Marina entrou no banheiro.
– Ah, dona Marina Meirelles. Tem que ser tão desconfiada? Espera só mais um pouquinho.
Fale com o autor