Notas iniciais
Oii, gente! Dessa vez voltei rapidinho. :) Tentei escrever um capítulo maior, mas me arrastei pra escrever isso aí. PARABÉNS PRA THAISAAAAA!!!

Clara quis tê-la acompanhado, mas viu que Marina claramente estava chateada com alguma coisa e que talvez fosse melhor lhe dar algum espaço. Afinal, ela não a tinha convidado pro chuveiro. Deitou na cama e esperou.

Marina ficou muito tempo no banho. Queria conversar com Clara e perguntar logo sobre essa mentira, mas, francamente, estava com medo do que ia ouvir. Com medo de estar perdendo Clara. No momento ela só pensava em outra pessoa, ou até mesmo o Cadu. Mas não podia ser. Conhecia bem a Clara, tinha passado por toda essa história com ela, afinal. Sabia que Clara nunca a trairia, ninguém. Só de ter essa certeza, já se sentia um pouco melhor. Clara havia mentido para ela, sim. Mas não seria esse o motivo. Então resolveu esperar mais um pouco.

Só que esperar não era nada fácil. Foi obrigada a aprender a esperar pra ter o que sempre quis, por Clara. E esperou, mas nunca conseguiu esconder seus sentimentos, nem pra ela e nem pra ninguém. Portanto, Clara com certeza já tinha percebido o seu humor, por isso nem entrou no banheiro.

Assim que saiu, Clara a recebeu com um sorriso.

– E aí?

– Deu uma melhoradinha. – Passou as mãos no cabelo.

Clara foi atrás dela e passou as mãos em seus braços e beijou seu pescoço.

– Não quer tomar um remedinho? Nada?

– Já tomei. Logo deve passar. – Clara a beijou novamente. — Na verdade, eu não estou com cabeça nenhuma pra trabalhar. Você pode olhar com as meninas o que pode ser cancelado?

– Claro. Vou mandar uma mensagem aqui pra Vanessa.

– Obrigada.

Clara assistia enquanto Marina se vestia. Por mais que, a essa atura, já tivesse decorado cada detalhe daquele corpo, a beleza de Marina sempre a surpreendia. Ao se virar, seus olhos se encontraram e Marina viu o jeito que ela a olhava.

– Desculpa, Clara. Realmente..

– Eu sei.

Marina terminou de colocar uma camisola e deitou na cama.

– Posso ficar aqui com você?

Marina pensou um pouco. – Pode.

Clara atrás dela e a abraçou.

Mesmo que Marina ainda estivesse chateada, não podia negar que queria Clara ali com ela. Ainda mais que ela estava tão assustada sem saber o que estava se passando na cabeça dela.

“Como pode uma surpresa, algo pra te deixar feliz, estar te deixando tão mal?” Clara pensava. Entrelaçou seus dedos.

– Você sabe que eu te amo, Marina. Muito. Mais do que poderia imaginar.

– Eu sei. Eu também te amo. – Marina sentiu seu coração se aliviar um pouco mais.

No outro dia, Marina decidiu confiar mais e deixar a paranóia de lado. Estava tudo bem. Clara a amava e isso bastava. Devia ter bons motivos para ter agido de tal forma.

No entanto, no final do expediente, procurou por Clara e a encontrou perto da piscina, no telefone. Parecia bem animada, gesticulando. Marina decidiu ir até ela, mas Clara se virou e a viu antes que ela chegasse muito perto. Mas perto o suficiente para ouvir Clara dizer baixinho que precisava desligar, mas retornava a ligação depois.

– Tudo bem?

– Claro, amor. Vamos buscar o Ivan? Tá na hora.

– Vamos.

Depois de lancharem e passarem um tempo juntos no apartamento, Marina voltou para casa. Continuou preocupada com o silêncio de Clara e com a mudança de seu comportamento. Queria mais que tudo perguntar principalmente sobre a mentira. Não conseguia esconder sua chateação mais. Elas se conheciam melhor do que ninguém. E até Ivan já tinha percebido que ela estava estranha. Mas não entendia porque ela não estava fazendo nada para clarear a situação.

Era tarde da noite e ela estava sentada em sua cama, mais uma vez sozinha. Vanessa e Flavinha estavam passando mais tempo juntas ultimamente, e Marina acabou sobrando. Só restava tomar um vinho e se afundar em suas dúvidas. Decidiu que não ia mais ficar imaginando centenas de cenários, iria conversar com Clara assim que a visse novamente, não ia ficar se escondendo atrás do seu medo.

Se perguntava quando ela tinha se tornado tão insegura. Sempre tinha sido assim com Clara. Cada vez que pensava em não tê-la ou perdê-la era simplesmente maior que ela, mas não ia adiar essa conversa outra vez. Sabia que não seria fácil, pois Clara evitava a situação tanto quanto ela.

O dia de seu aniversário finalmente havia chegado. Clara acordou bem cedo. Na verdade mal tinha conseguido dormir, de tanta ansiedade. Mas não se sentia cansada, pelo contrário, estava animada demais. Vestiu uma roupa que havia comprado especialmente para esse dia. Ivan tinha dormido na casa de Cadu e ia ficar com ele. Pegou uma malinha e foi para Santa Teresa.

Quando chegou, foi direto pro quarto de Marina que ainda estava dormindo, com o rosto sereno, parecendo um anjo. Clara notou a taça de vinho e desejou que ela não acordasse de ressaca. Fechou a porta com cuidado e foi para cozinha. Tinha comprado umas coisinhas para fazer um café-da-manhã especial para ela. Usou uma caneca que tinha os escritos "parabéns, meu amor". Arrumou tudo na bandeja, colocou uma rosa vermelha e alguns chocolates e subiu. Abriu a porta e viu que ela ainda estava no mesmo lugar.

Colocou a bandeja no chão e foi pro lado dela. Ficou um tempinho só assistindo-a, com aquele sorriso bobo e apaixonado no rosto. Deslizou o dedo pela linha da mandíbula de Marina até seu queixo.

– Acorda, meu amor. — Lhe deu um beijinho de esquimó.

Marina franziu a testa e depois sorriu. — Clara?

Clara beijou sua testa. — Acorda.

– Que surpresa. Hmm, tá cedo. Vem pra cá. — Marina tentava puxá-la pra cama com ela. Incrível como a presença de Clara sempre melhorava seu humor.

Clara deitou do seu lado e a abraçou. Beijou seu rosto e sussurrou em seu ouvido.

– Feliz aniversário!

– Obrigada. — Marina riu. — Pensei que não estava lembrando.

– Eu nunca esqueceria, meu amor. Agora vamos levantar porque nós temos muito pra fazer hoje.

Marina entreabriu os olhos, confusa.

– Como assim? Achei que não tivéssemos marcado nenhum ensaio pro dia do meu aniversário.

– Não tô falando de trabalho. Levanta vai.

Clara se levantou.

– Olha! O que é tudo isso? Por que você tá toda arrumada assim?

– Pra você. Porque hoje é seu dia. Agora levanta, sua preguiçosa, senão seu café esfria.

Clara pegou a bandeja e pôs na cama.

– Café na cama? Oba, Clarinha!

Clara se juntou a ela, pegou a flor e a beijou antes de entregá — la. Marina ficou toda derretida com o gesto. Não conseguiu se lembrar de nenhuma de suas preocupações mais.

– Eu te amo, sabia?

– Unhum. — Clara assentiu. — Desde o primeiro dia que me viu.

– Abusada

As duas riram e começaram a comer.

–---

– O que que você tá aprontando, heim Clarinha?

– Você vai ver. Corre pro banho.

Marina pegou sua mão. — Vem comigo?

Clara fez uma caretinha — Ai, que maldade. Quero muito, mas a gente tem hora marcada. Então corre, amor.

– Hora marcada pra quê, Clara?

– Já te disse, calma. Vai pro banho que eu pego sua roupa e uma malinha.

– Mala? — Marina agora estava curiosíssima.

– Banho, Marina!

Marina mostrou a língua pra ela e entrou no banheiro.

Clara se apressou em separar uma roupa pra ela vestir agora e pegar tudo que fossem precisar pra esse dia. Quando viu que Marina já estava prestes a sair do banheiro, ela correu para porta. Marina abriu a porta e deu de cara com Clara que a puxou pela cintura e a recebeu com um beijo.

– Hmm, vai me deixar mal acostumada.

– Você merece.

Beijou sua mandíbula e o pescoço. Mas quando Marina pôs a mão em seu cabelo, ela se afastou. Marina fez careta.

– Calma, amor. Já escolhi sua roupa. Tá boa essa?

– Não sei nem pra onde a gente tá indo, mas acho que tá, né? — Riu.

Clara sentou na cama e ficou assistindo Marina se arrumar.

– Então vamos?

– Tudo pronto?

– Sim.

– Ah, Ivan te mandou um beijo. E ele tem um presente pra você. Depois te entrega.

– Ah! Vou ficar curiosa. Por que você não trouxe ele?

– Porque hoje é só pra nós duas. — Pegou sua mão e beijou. — Vamos.

Clara dirigia enquanto Marina procurava alguma pista de seu destino. Ficou surpresa de ver que não estavam indo rumo à saída da cidade. Achou que saíriam, já que fizeram mala.

– Espere aí! Clara, a gente não tá...? A gente tá indo pro heliporto?

– Ai, pois é, Marina! Não acredito que vou fazer isso de novo. Mas o que eu não faria com você? — Pegou sua mão.

–--

– Senhoritas. Tudo bem? Já podemos voar.

– Pra onde a gente tá indo?

– Pra sua casa em Angra, dona Marina.

– Angra, Clara!? — Marina ficou animada.

– Entra logo nesse troço antes que eu desista, já estou ficando nervosa, morro de medo.

– Sua boba. Vem, eu te protejo. Que idéia maravilhosa! Adoro aquela casa, ainda bem que meu pai acabou não vendendo.

– Eu sei. Aquele lugar é um espetáculo. E eu queria muito voltar lá com você porque nunca esqueci aquele nosso passeio. A única coisa que me fazia ter vontade de voltar pra casa era o Ivan. Ficar com você lá, juntas o tempo todo, dormir juntas.. Foi muito bom. Foi quando meus sentimentos por você ficaram tão claros que não dava para ignorar que tinha algo a mais ali. — Entrelaçou seus dedos e Marina beijou sua mão sorrindo. — E quando você se declarou para mim daquele jeito.. eu fico emocionada só de lembrar. Engraçado como você sempre teve tanta certeza.

– Do momento que te vi. — Marina colocou uma mecha do cabelo de Clara atrás da orelha. — Obrigada.

Clara suspirou. — Calma, que nosso dia só está começando.

Assim que disse isso, começaram a sair e Clara resmungou e se escondeu no abraço de Marina.

– Mas fica com os olhos abertos, amor. A vista é linda!

Clara atendeu seu pedido e conseguiu olhar para os lugares que Marina apontava, mas sem sair de perto dela.

– Olha como é lindo, olha pra isso Clarinha. Que sorte a minha! – Marina gritou assim como na primeira vez.

– Que sorte a minha, Marina. – Clara selou seus lábios.

Desceram do helicóptero e entraram na casa de mãos dadas.

– Sabe que eu senti vontade de entrar assim com você antes? De segurar sua mão. Mas..

– Mas, eu sei. Tudo tem seu tempo e, felizmente, eu soube esperar.

– Realmente, porque você não é das mais pacientes, ás vezes.

Com essa frase, Marina se lembrou de suas preocupações e ficou um pouco tensa.

– Que foi? Disse alguma coisa? – Clara sentiu a diferença.

– Não, nada. Nada vai interferir nesse nosso dia.

– Não, Marina. – Clara parou na porta da casa e pegou suas duas mãos. – Esse dia é para você, pra nós. Eu não quero nada perturbando sua cabecinha. Não é de hoje que você está assim. Já está na hora da gente conversar e esclarecer tudo.

– Eu tentei, mas não consigo tirar isso da cabeça. Você mentiu para mim. – Marina olhou pra longe. – Eu fui à casa de leilões te procurar pra almoçar aquele dia. E fiquei sabendo que você nem tinha aparecido por lá. E por algum motivo você parece distante, não hoje, mas nos outros dias, eu fiquei tão preocupada. E você não quis me contar o que fez naquele dia realmente, mas.. sei lá, você não precisa me dar satisfações de tudo, Clara. Só não.. não mente pra mim

– Eu sei, meu amor. Eu sei. Me doeu mentir pra você, acredite. Mas eu não achei outra maneira de fazer toda essa surpresa sem deixar você descobrir. Eu sou péssima pra isso, porque acabei te deixando aí toda desconfiada.

– Então..era só isso? O tempo todo?

– Era. – Clara riu. – Ai, como você é boba, Marina! O que você pensou?

– Ah, não sei, Clara. — A abraçou forte, sentindo seu perfume. – Você é a pessoa mais importante na minha vida. Eu te amo tanto, fiquei com medo, é natural.

– Eu sei, desculpa. Você não é muito boa em esconder seus sentimentos, ainda bem. Deu pra perceber que você estava preocupada. – Clara lhe deu um sorrisinho amarelo. – Mas eu queria muito que isso saísse do meu jeito, então desculpe eu não ter falado nada antes.

– Não precisa nem pedir. Você é maravilhosa. Aliás, como você conseguiu arrumar isso tudo?

– Flavinha tem vários contatos.

– Sua bandida! Arquitetou tudo pelas minhas costas.

Clara riu. — Vem logo.

As duas entraram e trocaram para roupas mais confortáveis.

– Agora você não me escapa.

Marina puxou Clara pra si e a beijou.

– Tô tão aliviada. Tão feliz de estar aqui com você.

– Eu também. – Clara a beijou novamente.

Depois de passarem um tempo no quarto, trocando beijos e carícias, foram para área da piscina, onde Clara havia pedido os empregados para prepararem um almoço.

– Hmm, isso aqui tá divino. Qual a nossa programação para hoje?

– Pensei em piscina, passeio de barco, qualquer coisa que você quiser fazer. E o jantar é especial.

– Banho de piscina com você. Tudo de bom.

Começaram com o passeio de lancha, enquanto dividiam de sobremesa uma torta de chocolate com morangos. Antes de irem para a área externa, Clara acendeu uma velinha e cantou parabéns. Marina mais sorria do que cantava, ficou toda vermelha.

– Faça um pedido.

– Eu já tenho tudo, Clara. Mais do que eu sonhei, mais do que eu poderia pedir.

– Tenho certeza que ainda tem alguma coisinha ‘inha’ para trás. Pensa.

Marina se lembrou que realmente tinha algo que desejava muito e que ainda não tinha. Estava muito feliz, mesmo asim, mas não custava pedir. Assoprou a vela.

– Tô me sentindo uma princesa.

– Ah, que isso, Marina? Você tá acostumada com tudo isso aqui.

– Mas agora é tudo diferente. Porque agora você está comigo. E isso é o mais importante.

Na piscina, Marina não perdia uma chance de provocar Clara. Começou com brincadeiras, cócegas e beijos roubados, até conseguir prendê-la contra a borda da piscina e beijá-la apaixonadamente, deslizando sua perna entre as de Clara.

– Vamos pro quarto? – Clara sussurrou em seu ouvido.

Marina olhou no fundo de seus olhos. – Vamos.

As duas saíram correndo pela casa de mãos dadas, molhando o caminho por onde passavam.

Entraram no quarto e Marina fechou a porta, puxou Clara e a jogou na cama, ficando por cima. Entrelaçou seus dedos e ficou ali, só olhando pra ela.

– O quê? – Clara ruborizou.

– Ficou vermelhinha. – Marina sorriu. – Nada. – Beijou seu queixo e depois a boca. Acariciou seu pescoço e deslizou a mão pela clavícula até sua barriga, fazendo os músculos de Clara tremerem. Subiu sua mão novamente, passando por baixo do biquíni, acariciou o seio de Clara e beijou seu pescoço. Clara logo começou a ficar ofegante.

As duas se sentaram e tiraram os biquínis. Se abraçaram e permaneceram assim por alguns momentos, sentindo o corpo uma da outra e trocando beijos.

– Estava com saudades do seu corpo, do seu cheiro. — Marina passou seu nariz subindo o pescoço de Clara até chegar na sua orelha. Mordeu o lóbulo e passou a língua nas marquinhas. — Do seu gosto.

Clara passou a mão pelo cabelo de Marina.

– De você toda.

Beijou Clara novamente. Fez uma trilha de beijos até chegar em seu seio. Chupou e passou a língua ao redor do mamilo de Clara, fazendo com que seu corpo se arqueasse e ela mordesse o lábio em prazer. Usava sua mão para massagear o outro seio. Clara gemeu, e Marina continuou descendo por sua barriga e parou para dar uma mordidinha perto do umbigo.

Sorriu ao sentir a antecipação de Clara e desceu mais, sentindo seu cheiro.

– Marina..

Marina riu e a beijou. Logo Clara sentiu sua língua quente percorrendo todo seu sexo e não conseguiu mais se conter. Se agarrou em Marina e fechou os olhos, experimentando toda aquela sensação.

Continuaram na cama, uma enrolada na outra, pelo resto da tarde.

– Amor?

– Hm?

– Sei que tá ótimo nós duas aqui, mas está na hora de tomar banho.

– Ah, não. Quero ficar aqui pra sempre.

Clara riu. – Mas é boba, mesmo. E o nosso jantar?

– Não tô com fome.

– Tá sim. E você vai adorar o que eu preparei. Então, hora do banho.

Clara levantou e foi em direção ao banheiro. Parou na porta e se virou pra Marina.

– Você não vem?

Marina sorriu e correu atrás dela.

As duas entraram na banheira. Clara sentou encostada na beirada e Marina sentou no seu colo. Trocaram vários beijos apaixonados, em meio à mordidinhas. Marina puxou o lábio inferior de Clara e se surpreendeu quando sentiu Clara lhe tocando.

Imediatamente, tombou a cabeça pra frente se escondendo no pescoço dela. Quando Clara finalmente parou de provocá-la e a penetrou, ela respondeu com um gemido e chupou seu pescoço. As duas continuaram se beijando, alternando com mordidas no lábio e gemidos, enquanto Marina rebolava em seu colo.

Trocaram de posição. Clara, agora sentada entre as pernas de Marina, ensaboava seu corpo enquanto ela lavava seu cabelo.

– Hmm, agora você fica aqui e termina seu banho porque eu vou me arrumar e vou ver como está nosso jantar. Você só apareça por lá quando estiver pronta, tá bom? Assim me dá um tempinho para terminar de organizar tudo.

– Tá bom. — Marina puxou seu rosto e lhe deu um último beijo antes que ela saísse.

Clara pegou suas coisas e foi se arrumar no outro quarto. Tinha comprado um conjunto de calça e blusa.Colocou um salto alto e se olhou no espelho, não era um look exagerado, mas estava elegante. Arrumou seu cabelo e caprichou na maquiagem. Na verdade, fez o que pôde, pois estava suas mãos tremiam muito. A parte mais importante do dia estava chegando.

– Que bobeira, Clara. Que tremedeira é essa? Vai dar tudo certo. Ela te ama. E ela quer isso também, você sabe disso. — Respirou fundo. Pegou uma jaqueta e colocou as alianças no bolso.

Desceu, deixou a jaqueta no sofá. Foi à cozinha e viu que já estava quase tudo pronto. Pôs a mesa, tentando se acalmar, seu coração acelerado. Acendeu velas,ajustou a luz e colocou música baixa ao fundo.

– Tudo pronto. Não. Vinho! Ai,meu Deus. Não sei nada de vinho. — Foi até a adega. — Marina disse que seu pai entende, então... Todos aqui devem ser bons. — Ficou alguns minutos escolhendo. Pegou uma garrafa e deu de cara com uma Marina encantada, e encantadora, olhando ao redor. Marina estava usando um vestido preto leve que terminava no meio de suas coxas.

– Clara! Tá tudo tão lindo.

Clara pôs o vinho na mesa.

– Você que está linda! Que bom que gostou. — Pegou sua mão, levou- até a mesa e puxou a cadeira pra ela.

Marina sorriu, ficou toda boba com o tratamento que estava recebendo. Clara serviu vinho para as duas e pegou sua mão.

Marina experimentou. – Ótima escolha.

– Você sabe que não entendo nada disso, né? Confiei no gosto do seu pai.

– E fez uma ótima escolha.

– Tá com fome?

Marina assentiu e Clara serviu o jantar.

Quando acabaram, continuaram na mesa conversando.

– Sabe que eu tô adorando isso tudo?

– Eu também. Estou adorando estar aqui com você. Não é nada como da outra vez, porque agora estou aqui como a sua namorada.

– Como a mulher da minha vida. — Marina beijou sua mão. — Desde a primeira vez. Você só não tinha aceitado ainda. — Riram.

– Tem mais uma coisa que eu quero fazer com você aqui.

Clara se levantou e trocou a música. "The way you look tonight" começou a tocar e Clara estendeu sua mão pra Marina. Marina sorriu e pegou sua mão. Começaram a dançar, com Marina cantando a música baixinho no ouvido dela, se lembrando dessa manhã quando Clara a acordou.

“Someday, when I'm awfully low.. when the world is cold, I will feel a glow just thinking of you and the way you look tonight.”

– Você disse que era sua música favorita da vida toda. – Clara suspirou. — Eu acho que é a nossa música.

Marina sorriu e a abraçou forte. Clara a abraçou de volta, mas logo percebeu algo estranho.

– Que foi? Marina? Você.. você tá chorando? — Passou a mão em seu cabelo e a afastou, para poder olhar pro seu rosto.

– Eu só tô... feliz demais! Você não imagina quantas vezes eu imaginei isso enquanto ouvia essa música. É só isso.

Clara enxugou suas lágrimas e beijou seu olho.

– Não chora, meu amor E vem que a música ainda não acabou.

Continuara dançando.

– Eu te amo, Marina. Pra sempre.

Marina entrelaçou seus dedos.

– Pra sempre.

Clara beijou sua testa, a bochecha e então a boca.

Após o fim da música, continuaram dançando no silêncio, de olhos fechados. Uma sentindo o coração da outra.

Clara clareou a garganta. — Já viu a lua hoje?

– Não. — Marina procurou pela janela.

– Tá linda. Lua cheia, tá imensa, vem ver.

Marina serviu vinho para as duas novamente. Como estava ventando, Clara colocou sua jaqueta para sair.

As duas sentaram juntas perto do mar.

– Olha essa lua. Tá maravilhosa. — Marina olhava encantada, enquanto tirava seu cabelo do rosto que o vento insistia em bagunçar. Já Clara não tirava os olhos dela.

– Sabia que várias vezes eu ficava assim olhando pra lua e pensando em você? Antes de nós ficarmos juntas. Eu olhava e ficava imaginando onde você estava, o que estava fazendo, se já tinha olhado pra lua.

Marina olhou para ela e sorriu.

– Minha coisinha. – Beijou o canto de sua boca.

– Dava vontade de te ligar, só para você olhar. Mas eu tinha medo de incomodar, porque a vontade de te ligar eu só não sentia quando estava com você. – Riu.

– Você sabe muito bem que nunca me incomodou, nem incomodaria. Tudo que eu queria era que pensasse em mim também. Que me amasse também. – Voltou a olhar para a lua e respirou fundo. — Meu dia já está quase acabando.

– E eu ainda nem te dei seu presente.

– Mais, Clara? — Marina olhou pra ela, sorrindo. — Esse foi de longe um dos melhores dias da minha vida.

Clara riu — Mais. Feche os olhos.

Marina virou pra frente e fechou os olhos.

Clara também fechou os olhos por um momento e respirou fundo, a sensação que tinha era que seu coração batia tão forte que parecia que conseguia ouvi-lo. Tirou a caixinha do bolso e colocou em sua mão. Marina apertou, tentando identificar o que era.

– Pode abrir.

Marina olhou pra caixinha e olhou pra Clara.

– Abre. — A voz de Clara falhou, agora tinha certeza que seu coração tinha parado.

Marina olhou pra caixinha de novo, sentindo seu coração bater cada vez mais rápido. Abriu e seus olhos se encheram de lágrimas. Olhou pra Clara novamente e não conseguiu segurar um soluço de choro de felicidade.

– Clara?

Lágrimas saltaram de seus olhos. — Casa comigo?

Notas finais
Enfim, comentários, sugestões, críticas haha Beijos.