Can't let you go.
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Marina estava extremamente confusa e mal conseguia andar de volta ao seu quarto. Ainda sentia os lábios de Clara nos seus, seu gosto. Nunca tinha sentido algo tão profundo com apenas um beijo, nem no seu primeiro beijo. Suas pernas estavam fracas e ela tentava se concentrar no percurso.
Entraram no quarto e Marina disse à Clara para sentar-se. Fechou a porta e sentou na cama de frente para ela.
– Eu não estou entendendo nada.
– Eu te explico. – Clara estava toda animada. – Eu.. eu tinha medo de encarar, de assumir, o que eu sentia verdadeiramente por você, Marina. Nunca foi só amizade, você é minha melhor amiga, mas é muito mais que isso. Eu me vi cada dia mais... apaixonada por você, e isso me assustava. Não só por você ser mulher. Isso também, mas mais por causa das minhas responsabilidades. Eu ficava martelando na minha cabeça e na sua que eu amava o Cadu, mas eu sabia que quem tinha se tornado o amigo era ele. Estava tentando me convencer, te convencer e à ele também, que não é bobo nem nada. – Suspirou. — Aquele dia que eu fui até sua casa te dizer que nós tínhamos renovado os votos foi um dos dias mais difíceis da minha vida.
Marina desviou o olhar, e Clara pôs sua mão na dela.
– Quando o Cadu me ofereceu aquela chance de apagar tudo e recomeçar nosso casamento, eu realmente cheguei a pensar que poderia dar tudo certo. Só dependia de mim. Eu pensei que era o mais certo a se fazer. Mas em momento algum eu me sentia como se estivesse fazendo a coisa certa. Eu me senti sufocada, sabe? E eu precisava falar com você. – Clara riu. – É incrível como agora toda vez que eu me sinto em apuros, é de você que eu preciso. Só você.
Marina tentou falar, mas Clara continuou,
– Assim que entrei no estúdio, eu sabia que não seria fácil de jeito nenhum. Me agarrei naquele abraço seu, tive tanto medo de ser o último. E de certa maneira foi. – Começou a chorar. – Porque só agora eu estou te vendo de novo. – Passou a mão em seu rosto. — Eu sabia que ia te machucar, e mais, eu sabia que ia me machucar. Mas continuei. – Balançou a cabeça negativamente. – Por medo das conseqüências da minha decisão, escolhi o comodismo. Achei que era a decisão mais fácil. Mas não foi. Não foi nada fácil te ver naquele estado. Olhar nos seus olhos e saber o que estava passando lá dentro. Eu sei que você estava revivendo nossos momentos juntas, tentando entender, porque eu também estava. E eu vi na sua expressão você chegando à conclusão de que eu só havia brincado com você. Não foi isso, Marina. Não foi brincadeira. Foi – Suspirou. – Tudo que nós passamos juntas foi muito importante para mim, você me redescobriu, você puxou a verdadeira Clara lá de um fundinho que eu nem sabia mais que ela ainda se escondia ali. – Entrelaçou seus dedos. – Não foi brincadeira. Eu.. eu me arrependo de cada oportunidade que tive te dizer isso, e não disse. De cada chance que nós tivemos de nos entregar uma à outra, e eu não deixei. E você como sempre, nunca fez nada que eu não gostaria. Mesmo sabendo que eu gostaria. – Sorriu acariciando sua mão.
– Clara.. – Marina também chorava.
– Espera. Eu tentei te ligar inúmeras vezes, mas eu entendo que não quisesse falar comigo. E também, né? Eu estava sendo egoísta mais uma vez. Eu estava preocupada com você, claro. Queria saber como você estava, se me odiava. – Falou baixinho. — Mas o que eu queria mesmo era ouvir sua voz, para me acalmar. E te dizer que não era verdade. Eu só não apareci no estúdio porque tinha a Helena, que é mais sensata, me segurando. – Sorriu de novo. – Não podia fazer isso com você, te arrasar e ficar voltando. Eu decidi que deixaria que você tomasse um novo rumo na sua vida, achasse alguém assim como você que estivesse disposta a ser completamente sua. Mas acho que subestimei meus sentimentos, porque na prática foi tudo diferente. Meu Deus, quando a Flávia me ligou..
– A Flavinha? Como assim..?
– Ela me ligou me avisando que você estava indo embora. Pelo amor de Deus, Marina, não estou te culpando por nada. Mas, quando eu ouvi ela dizendo que você estava saindo do Brasil e você nem quis se despedir de mim. – Fechou os olhos tentando se controlar em vão e pôs a mão em seu peito. – Doeu tanto. Eu pensei que nunca tinha sentido uma dor tão grande ao saber que você estava partindo, que eu podia nunca mais te ver. – Passou as mãos nos braços de Marina como que se lembrando de que agora ela estava ali, em sua frente. – Mas depois eu vi que não foi nada perto do que o que eu senti quando eu cheguei naquele aeroporto e você já tinha ido embora.
– Você foi..? Você foi atrás de mim?
– Claro que eu fui. Eu corri tanto, mas não deu tempo. Às vezes, fico pensando que se eu tivesse dado um jeito de invadir a sala de embarques ainda tinha conseguido falar com você. Sairia dali presa, mas não te deixava partir. – Riu.
Marina ficou em silêncio se lembrando de quando foi chamada no aeroporto. – Clara, eu.. eu não fazia ideia.
– Eu sei que não. Como poderia? Eu fiz de tudo pra te convencer que não te correspondia. Mas eu não consigo mais viver sem você, Marina. – Pegou sua mão de novo. – Eu te amo. – Seu queixo tremeu ao dizer aquelas palavras de novo.
Marina olhou para baixo.
– Acredita em mim? – Pegou seu rosto em suas mãos e se inclinou em sua direção. Beijou seus lábios gentilmente sentindo o gosto de suas lágrimas se misturarem. Encostou sua testa na dela e sorriu. – É tão bom te ver de novo, te ouvir, sentir seu toque, seu cheiro, e melhor ainda, te beijar. – Beijou-a novamente. – Como eu quis fazer isso antes. – Se afastou. — Você tá tão calada. Fala alguma coisa, pelo amor de Deus.
– Como você conseguiu sair da minha casa aquele dia sabendo como eu ficaria? Vendo o meu estado?
– Eu sei. – Olhou para baixo.
– Por que não me avisou que estava vindo?
– Tive medo de que você não quisesse me ver. E eu.. eu sei que se você não quisesse, eu tinha que respeitá-la. Mas eu precisava disso, de mais uma chance pra te dizer tudo que eu tava entalado aqui. – Clara se ajoelhou do seu lado, abraçando-a novamente. – Eu acho que vou ter que te segurar assim por uma eternidade para matar minha saudade e superar o medo que passei de te perder.
Marina riu. – Eu ainda não estou acreditando que você está aqui.
Clara engoliu. – Me diz que não é tarde demais. – Se afastou para olhar em seus olhos. – Me diz que eu ainda tenho chance, que você.. que você ainda me ama.
– Passei esses últimos dias me forçando a não te amar. Mas não é assim que as coisas funcionam. – Suspirou. — É claro que eu te amo. Você não sai da minha cabeça, principalmente.. não sai do meu coração.
Clara sorriu. – Eu vou consertar tudo, vou fazer você se alegrar em me amar novamente.
Marina sorriu para ela. – Eu senti tanto a sua falta.
– Eu também. – Se beijaram novamente, dessa vez por mais tempo e com mais calma.
– Deus. – Passou o dedo nos lábios de Marina. – Esse beijo. – Sorriu. – Eu nunca me senti assim antes. – Beijou a marquinha perto de sua boca.
– Eu também não. – Marina pôs as mãos em sua cintura. – Só que eu tenho mais perguntas.
– Claro. – Clara saiu de cima dela.
– Como você me achou?
– Como você não me expulsou ainda, vou considerar um bom sinal e dizer logo que foi.. a Vanessa, acredita? As meninas me ajudaram.
– Claro. Por isso elas não estavam fazendo o que eu pedi e ficaram todas estranhas quando eu falei em sair daqui. Estavam confabulando lá com você. – Brincou. — Eu ainda não acredito que a Flavinha te ligou.
– Ainda bem que sim. Só queria que tivesse sido um pouquinho mais cedo. Você nunca teria saído do país.
– E Clara..e.. – Fechou a cara. – E seu marido? Onde ele pensa que você está agora?
– Ele não pensa, ele sabe.
Marina ficou surpresa.
– Eu terminei tudo com o Cadu antes de vir atrás de você.
– Terminou? – Arregalou os olhos.
– Demorou, eu sei. Ah, falando nisso, eu já ia me esquecendo. – Deu um beijo estalado em sua bochecha. – Beijo do Ivan, meu bichinho lindo, que também está morrendo de saudades de você.
– Ele sabe que você tá aqui?
– Sabe. Ele não ficou muito animado com essa história de divórcio, mas aceitou. Ele gosta muito de você.
– E você fez tudo isso na sua vida sem nem saber se me encontraria. – Marina falou impressionada.
– Ah, não, Marina, eu sabia. Te encontrar, eu encontraria de qualquer jeito, nem que fosse no último lugar do mundo.
Marina sorriu.
Ficou séria. — Agora basta saber se você ainda me quer.
– E eu sei dizer não para você, mulher? – Dessa vez quem tomou iniciativa no beijo foi ela. Depois do beijo, Clara espalhou vários selinhos em seu rosto.
– Não te solto, nunca mais. Volta comigo? Volta pra mim? Pra todos nós? Tá todo mundo te esperando, seu estúdio tá te esperando.
– As meninas não fecharam o estúdio?
– Não deixei. Falei que te levaria de volta.
Marina sorriu e a beijou novamente.
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