Can't Stop Lovin' You
1 Velha Infância
Notas iniciais
Outra coisa muito importante, esse capítulo vai especialmente para a nossa parceira de crimes Thais Romes, que foi a primeira a ler e a dar os pitacos fundamentais para nós.
Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Velha Infância — Tribalistas
Oliver sentia-se inquieto. Desde o incidente com o ex namorado de Felicity, quando ela o nocauteou sem nem titubear, ele andava as voltas com alguns pensamentos perturbadores. Ela não havia precisado dele, não realmente. Na verdade tinha a impressão de que ela sabia que ele mataria Cooper por ousar fazê-la sofrer. Oliver nunca admitiria que colocassem a vida da sua Felicity em perigo, foi esse todo o motivo de ele, Oliver, nunca ter realmente se permitido acreditar que pudesse estar com ela, e o único momento que isso aconteceu ela esteve em perigo por culpa dele ser fraco de mais e se deixar envolver. Mas Felicity como sempre tomou a atitude certa, mais ou menos como quando ela tinha injetado a cura em Slade. Ela era corajosa de uma forma que muitos não eram.
Oliver estava perseguindo as pistas de uma nova droga, se é que aquilo podia ser chamado de droga. Na verdade era um gás e ele potencializava os sentimentos que a pessoa queriam suprimir. O que já havia constrangido e machucado várias pessoas. Como o caso do padre que se declarou em pleno sermão para a senhora que o ajudava nas obras de caridade da igreja, ou o estudante que partiu para cima do valentão da escola depois de mais uma sessão de bulling, ou o pai de família que havia matado a ex mulher, pois esta não o deixava ver os filhos.
Na verdade aquilo estava saindo do controle. Uma cidade cheia de pessoas liberando seus sentimentos e extravasando sua raiva, ou seu amor, podia acabar sendo um caos. — Felicity? –Ele a chama através do comunicador.
- Sim? – Ela responde deixando, mesmo sem querer, transparecer o cansaço na voz.
- Encontrou algo? – Pergunta esperançoso.
- Nada de concreto, mas muitos dos contaminados estavam perto da Quinta com a Saint James, há uma casa abandonada no local que costumava ser uma farmácia. –Ela sabe que é um tiro no escuro, mas não sabe o que mais pode fazer.
- Ok, estou indo pra lá, peça ao Roy que termine a ronda.
- Entendido. – Ela retira os óculos e aperta as têmporas.
Desde que aquele maldito imitador do conde explodido o restaurante onde ela e Oliver estavam, a sua vida deu uma guinada de 180º, ele havia a beijado no hospital, mas aquele beijo tinha um gosto amargo, gosto que não importasse o tempo não passava, estava sempre ali com ela, junto com aquela frase ‘Não me peça para dizer que eu não te amo.’ Aquilo só a confundia, a desnorteava, e por mais que ela quisesse seguir em frente seus pensamentos sempre voltavam para ele.
‘Inferno! Será que você não pode sair da minha cabeça por um só momento.’ Ela se debruça sobre a mesa tentando colocar a cabeça no lugar, mas sabia que seria inútil, mais uma noite infernal em que dormiria pensando em Oliver Queen, mas uma noite que o beijo dele amargaria em seus lábios.
A noite tinha sido arrastada e depois de sua ronda Roy tinha por fim ido para sua casa e John nem tinha vindo por que a pequena Sarah estava gripada. E agora não conseguia tirar da cabeça as palavras que Oliver disse para ela depois que seu ex namorado morto, mas nem tanto, resolve voltar, por sinal isso estava virando moda, Merlin, Cooper, agora gente que prestava não voltava. Ainda não tinha dado de cara com Tommy por ai, ou quem sabe poderia encontrar Sarah enquanto comprava um novo sapato.
Mas Felicity não estava pensando nisso, ela estava pensando naquelas palavras. “Você sabe como eu me sinto em relação a esta pessoa”. Era só uma confirmação do que ele havia dito no hospital, mas ela não podia se contentar com aquilo. Ou ele a queria ou não. Não existia meio termo no que diz respeito a sentimentos. Não para ela pelo menos. Ela o queria por completo ou nada feito. Claro que tudo o que houve interferiu, a morte da Sarah, a contenda com Ra’s Al Ghul e tudo mais afetava a todos, mas quando será que Oliver perceberia que eles poderiam ser mais fortes juntos? Bom...ela teria que seguir em frente...
- Oliver? – Ela o chama pelo comunicador preocupada como silencio prolongado.
- Fala...
- Tudo bem ai? – Pergunta sem saber ao certo o que falar.
- Sim...pode ir pra casa...vou demorar um pouco por aqui. –Oliver sabia que tinha feito uma escolha e por mais que amasse Felicity, e ele a amava, mais do que era capaz de mensurar, ele precisava deixa-la, e isso o doía.
- Ann...ok! Qualquer coisa me liga. – Ela esconde a decepção naquelas poucas palavras.
- Pode deixar. – Sem querer se prolongar Oliver desliga o comunicador, ele não confia nele mesmo quando o assunto era Felicity, tinha medo que um dia não aguentasse mais e parasse à porta de sua casa pedindo por ela, implorando para que ela o aceitasse. Ele não poderia ser egoísta a esse ponto.
[...]
Oliver entra na antiga farmácia e tudo parece abandonado, Felicity tinha acabado de entrar em contato para saber se estava tudo bem e ele a havia mandado descansar. Pelo jeito aquilo ali não daria em nada e ele acabaria sendo obrigado a procurar em outros lugares pela cidade. De repente ele ouve um barulho e passos apressados, ele segue o som e se depara com uma mulher jovem e bonita, com os cabelos negros assim como seus olhos.
- Olha só que resolveu participar da minha festinha!! – Diz a moça de um jeito debochado.
Oliver olha em volta percebendo que havia mais dois homens ali. Não os reconheceu, mas eles pareciam desnorteados. — Quem é você, e o que você quer?
- Baby – Ela disse e foi se aproximando dele. – Eu só quero que as pessoas liberem seus sentimentos!! Que sejam mais felizes por dizerem o que sentem! –A mulher o olhava com ar doentio, insano. Oliver se deixa pensar por um momento que esse é o motivo de reprimir seus pensamentos, pessoas sentimentais são assustadoras aos olhos dele.
- Isto está causando o caos na cidade!! –Fala com a voz grave e assustadora devido ao modulador de voz que ele usava.
- E não é divertido? – Ela quase pula de excitação.
- Não quando pessoas morrem – Oliver pode ver um pequeno vestígio de tristeza passar pelos olhos negros –Isso tem que para agora! –Ordena.
- Negativo! – E dizendo isso ela lança uma pequena granada de gás e desaparece.
Oliver tentou não aspirar o gás mas foi impossível. Correu em direção dos dois homens que estavam agora desacordados. Entrou em contato com o Capitão Lance e informou que havia duas vitimas do gás e deixou o resto por conta da polícia.
[...]
Voltou a pensar em Felicity enquanto seguia para a cave. Em como seus olhos eram lindos e em como ela era maravilhosa quando falava algo sem pensar para logo depois corar por isso. Em como os lábios dela eram macios e em como ele queria voltar a beijá-los. Oliver entrou na cave e ela não estava mais ali. Só havia um bilhete preso a samambaia que ela havia lhe dado:
“NÃO ESQUEÇA DE MOLHA-LA NO FINAL DE SEMANA!”
Ele sorriu, aquela planta era algo que os ligava, como um casal que cria um cachorrinho juntos. -Meu Deus! Ela era incrível! — Precisava dizer isso a ela, isso e muito mais, precisava dela e tinha que ser agora!
Sem perceber que tinha sido afetado pelo gás da misteriosa mulher ele pegou sua moto e foi em direção ao apartamento dela. Obvio que não precisava entrar pelos meios normais e assim se viu na sacada do quarto, a observando se movimentar e ir em direção ao banheiro guardar a toalha.
Quando ela voltou, foi abrir a sacada e quase enfartou por vê-lo ali. — Oliver!! Pelo amor de Deus!! Você quer me matar do coração? –Colocou a mão sobre o peito, para tentar aclamar os batimentos acelerados. Ela estava com um baby dool curto e de tecido leve que marcava ainda mais suas curvas. O olhar de Oliver passou por seu corpo com desejo. — Oliver!! Hey!!! – Felicity estala os dedos na frente de Oliver, mas ele não falou mais nada, só avançou em sua direção e a beijou como se fosse o ultimo dia de suas vidas. Ela espalmou as mãos no peito dele tentando afastá-lo, mas não por muito tempo, ela acabou se rendendo ao beijo apaixonado que nem de perto se igualavam ao primeiro beijo deles.
Quando o ar se fez necessário eles se afastaram. — Oliver que loucura foi essa? O que você tem? –Pergunta entorpecida.
- Eu te amo, eu preciso de você. – E ele a pegou pela cintura e a beijou novamente a empurrando em direção a cama. Ela não estava entendendo nada, quem entenderia uma hora ele a afasta e na outra ele a agarra daquela maneira? Ele nem havia dado atenção para ela quando entrou em contato antes, disse ‘pode ir embora’ e nem era por estar em missão, afinal ele não era multitarefas?
‘Missão. Era isso! Ele tinha sido afetado pelo gás.’ –Sua mente trabalha procurando explicações entre os beijos que Oliver lhe dava.
Oliver a beijava agora no pescoço, suas mãos passeavam por todo o seu corpo e a fazia gemer de prazer. Ele era realmente bom naquilo, por um momento ela se deixou levar, o beijou com vontade, acariciou seu peito e seu abdômen, coisa que desde sempre quis fazer. Ele é lindo aos olhos da garota, que não conseguia encontrar a razão enquanto o homem que ela ama distribuía beijos apaixonados por seu corpo, quando ele a olhou nos olhos antes de beijá-la novamente ela quase se perdeu, mas se deu conta do que estava acontecendo e para onde ele a estava levando resolveu dar um basta.
- Oliver! Para.... Para! – Disse decidida.
- O que foi? – Ele ainda tinha as mãos em sua cintura.
- Esse não é você.... Você foi afetado pelo gás. — A dor na face da garota o faz ficar confuso, pelo fato de suas expressões não coincidirem com suas palavras.
- Gás? – Ele pensou – Ah! Sim...aquele gás.... E o que tem isso? -Ela o empurrou e se afastou
- Você não vê? — Ele parecia não entender do que ela estava falando – Você só está me dizendo essas coisas e fazendo essas outras coisas porque o gás está te fazendo agir assim.
- Onde você quer chegar – Parecia sério agora.
- Que você não me quer, que você só está aqui porque você reprime o que sente por mim e amanhã quando o efeito do gás passar você vai me afastar de novo e eu vou sofrer mais ainda. –Felicity continha as lágrimas, mas sabia que parte daquilo era mentira ela não iria sofrer mais pela manhã, ela já estava sofrendo agora.
- Fel.... –Ele tenta mas ela é decidida.
- Vai embora Oliver.... – Ela aponta pela janela por onde ele tinha entrado, sua cabeça estava abaixada, e pouco a pouco as lagrimas escorriam por seu rosto, ela se odiava por isso, chorar por ele em sua frente.
-Felicity espera, então você pelo menos escute o que tenho a dizer. – Ele tenta a beira do desespero.
-Não Oliver, não tem nada que eu queira conversar com você, não hoje, você já deixou tudo muito claro, e esse gás só está afetando o seu discernimento. – A garota tenta colocar um espaço entre eles, espaço que o próprio Oliver tinha criado.
- Eu te amo, e você sabe bem disso. – Ele está de pé, Felicity não ousa levantar a cabeça, suas lagrimas escorrem livremente por seu rosto, que continua abaixado, suas mãos estão na lateral do seu corpo, seus punhos estão cerrados. Oliver levanta o seu queixo e a olha com aqueles profundos olhos azuis. – Por que eu faço isso com você, por que eu faço isso com nós dois? – Oliver não conseguia enxergar o motivo de causar tanto sofrimento a si, mas principalmente a pessoa que ele mais amava.
- Você é um retardado. – Ela não controla a birra.
- Não tenho como discutir. – Sorri. –Serio Felicity, eu não me lembro os motivos que me levaram a ficar longe de você.
- Isso por que você foi atingido pelo gás. – E Oliver viu que aquilo fazia sentido. – Agora você só consegue vê os motivos para ficarmos juntos. – Felicity tira a mão de Oliver que ainda estava em seu rosto. – Mas quando amanhecer o dia todas as bobagens que você sempre fala vão voltar ao seu discurso. Que você me põe em perigo e por causa disso você não pode estar com ninguém que seja meramente importante na sua vida. – Felicity para e se afasta um pouco de Oliver. – Mas o que você não consegue entender é que eu já estou em perigo estando com você ou não, meu ex namorado zumbi é a prova disso. Você não estava envolvido na minha vida na época, e se você não estivesse em minha vida hoje provavelmente eu não estaria viva. – Felicity suspira de frustração.
Oliver se sentia perdido, como ele era tão estupido, será que tudo isso era efeito do gás? – Felicity. – Ele estava atordoado agora, e ela percebe isso, o gás tinha atingido um outro nível, aquele que fazia com que os que o inalaram ficassem entorpecidos e acabava desmaiando. – Acho que eu não tenho condições de voltar para a Cave ou para o meu apartamento. Posso passar a noite aqui? — Felicity treme só de imaginar Oliver dormindo sobre o mesmo o teto que ela, mas sabia que não tinha como manda-lo embora.
- Vem vou te levar para o quarto de hosp.... – Mas Oliver cai e a leva junto, sorte ou azar que eles estavam perto a cama, o peso de Oliver a impede de se movimentar, e com o som da respiração dele Felicity, mesmo sem querer, se acalma e acaba por dormir no calor do corpo de Oliver sobre o dela.
Notas finais
Deixe nos saber.
Bjs
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