Candor Lunar - Livro 2
26 Capítulo 25 - Vrau Urban
Notas iniciais
E mais segredos revelados... segredos que apenas aumentam o mistério geral.
Tenham uma boa leitura.
Abração.
Ang.
Vrau Urban era alto... e magro como uma lança.
Seu rosto não era belo ou feio, mas marcante de uma forma estranha de se ver; tinha o nariz longo e adunco que parecia servir-lhe de cartão de boas vindas. Os cabelos eram da tonalidade da areia molhada e desciam em caracóis, espiralando-se sobre os ombros largos.
Seus olhos eram faiscantes, olhos perscrutadores, profundos e antigos. Tinha o mesmo tom sanguinolento dos de Erestor, mas um brilho de esperteza os clareava ainda mais... como se aqueles olhos fossem capazes de saber o que se passava na mente de cada um.
E seu sorriso era esfuziante. Numa boca ampla, parecia haver ali mais dentes do que o normal, brancos, claros, reluzentes... abriam-se num sorriso meio enviesado que lhe rendia um tom jocoso. Parecia que Vrau Urban estava ironizando o mundo que o cercava com aquele sorriso jovial e torto que lhe pendia do rosto como um insulto velado.
Suas roupas eram puídas e velhas. Usava calças alaranjadas e bocas de sino, pareciam ter saído diretamente dos anos 70, uma camisa de linho branca e encardida descansava por baixo de um colete de couro surrado. No alto da testa, uma corda de sisal impedia que os cabelos lhe caíssem na cara. E nos pés calçava sandálias de borracha confortáveis e leves.
Parecia um hippie.
Talvez fosse um hippie.
Mas a verdade é que o vampiro era de tal forma desconsertante, que não houve qualquer reação dos viajantes a não se um espanto total. Não houve palavras de surpresa, ou uma menção de questionamentos... somente a estupefação tomou conta dos companheiros... uma inércia causada pelo susto.
Até que, finalmente, ouviram um uivo familiar no ar, um deslocamento de algo veloz vindo até eles e, num piscar de olhos, Alec estava ali no meio deles acompanhado de perto por uma Kaori ainda mais surpresa que todos.
– Vrau Urban – disse Alec num tom irônico – Eu bem que desconfiei que conhecia o som desta sua gaita velha. É uma surpresa estar andando por aí uma vez que os Três querem sua cabeça. Bem, pessoal, este é Vrau Urban, o Vagabundo.
– O vagabundo – riu Vrau Urban – Mas também sou Vrau Urban, o Pirata; Vrau Urban o Contrabandista. O Ladrão. Vrau Sorridente. Gaiteiro das Marés. E você menino Alec? Que surpresa agradável, nunca imaginei que o veria na companhia de nossos amigos perdidos.
Vrau Urban era, entretanto, uma incógnita. Suas pernas compridas bamboleavam-se pela estada e seus pés erguiam o pó do chão, seus braços seguravam a gaita de boca com maestria e o som erguia-se em suas notas sopradas na forma de uma melodia de verão, daquelas que alegram os corações dos desalentados.
– Ei ei, vamos lá – cantou Vrau Urban deixando a gaita de lado e batendo com um pé no chão para marca o ritmo – Porque estão com estas caras, meninos e meninas? Eu sou um velho vampiro, mas não sou de má conduta, há quem me chame de amigo, há quem me chame de mendigo. Mas entenda o que digo, o velho Urban só faz amigos.
– Este velho é doido – fungou Jacob.
– Jacob Black, Chefe dos Lobos Peludos. Cacique de Tribo. De doido nada tenho, sei mais do que aparento, e agora lhes pergunto meus amigos. Eu poderei acompanhá-los?
– Como conhece tanto sobre nós? — perguntou Jasper – Sabe nossos nomes, nossa história e sabia onde nos encontrar. Surge do nada querendo ir conosco para Volterra? Erestor não poderia saber onde estávamos. Sugiro que tenha uma excelente explicação para tudo isso, Vrau Urban, caso contrário não permitirei que continue livre.
– Vamos, vamos, amigos perdidos – riu o vampiro cantarolando as palavras – Lhes responderei todas as suas perguntas e suas dúvidas com o maior prazer. Antes, entretanto, precisamos sair desta estrada; não é muito utilizada, mas não seria bom que alguém nos visse a todos brilhando ao sol, não é mesmo? Vamos, vamos, meninos e meninas, sigam o velho Vrau Urban... há um lugar aqui perto onde poderemos conversar com tranquilidade.
Não houve qualquer resistência da parte dos viajantes, eles simplesmente seguiram Vrau Urban como se a melodia da gaita de boca os impelisse a segui-lo naturalmente; não se importaram com uma possível emboscada, ou uma armadilha preparada por um vampiro desconhecido, apenas deram de ombros e caminharam em fila indiana atrás dele.
Por um momento, Carlisle se perguntou se este era o dom de Vrau, destilar uma simpatia imediata nos outros, pois ao conhecê-lo, era impossível não gostar dele. Jasper era o único que se mantinha arisco, mas isso devido ao seu próprio dom de controlar emoções, ele se auto influenciava com preocupação o tempo todo para permanecer alerta sempre; mas mesmo ele seguiu Vrau Urban sem qualquer receio aparente.
Entraram na plantação de macieiras. As árvores lançavam sombras esguias pelo chão e as maçãs exalavam um cheiro adocicado pelo ar; os frutos explodiam num tom avermelhado por todos os lados, mas os lobos estavam tão atentos ao vampiro que seguiam que nem deram atenção aos frutos suculentos.
Finalmente, a plantação deu vez a um pequeno amontoado de árvores altas que crescia rente às macieiras, ali Vrau Urban parou e sorriu para eles convidando-os a se sentarem nas sombras da árvores. Seu sorriso era tão generoso que ninguém resistiu e apenas Alec Volturi continha um sorriso zombeteiro no rosto enquanto se acomodou no solo próximo de onde Kaori havia sentado.
– Então, suas dúvidas serão sanadas – declarou Vrau Urban olhando-os com alegria — A verdade é que depois de visitar Erestor, não perdi tempo em seguir o rastro de vocês. Quase os perdi depois daquela chuvarada toda, mas por sorte consegui informações naquele vilarejo que vocês salvaram uns dias atrás... e acabei passando à sua frente, mas por sorte decidi esperá-los e vocês simplesmente vieram até mim.
– Qual é o seu interesse em nós? — quis saber Jacob com um ar desconfiado.
– Em vocês? Absolutamente nenhum... em Volterra, vários – disse o vampiro com um brilho estranho nos olhos que, por um segundo, nublaram seu sorriso esfuziante e seu rosto generoso substituindo-os por uma máscara misteriosa cheia de cobiça.
– Entendam – continuou Vrau Urban – Volterra, atualmente, é a prisão de dois amigos meus de longa data e eu pretendo reavê-los em breve; sua empreitada rumo à Cidadela dos Vampiros acabou me calhando muito bem. Vocês pretendem salvar suas esposas, filha e amigo... então, aproveitarei o embalo para conseguir o que quero: Libertar meus companheiros.
– Seus companheiros estão presos em Volterra? — perguntou Seth.
– Sim, e por coincidência, não deixam de ser conhecidos de vocês também. Afinal de contas, eles estiveram na batalha que ceifou a vida de sua irmã, meu jovem quileute, mas, infelizmente, do lado errado presumo eu.
– Estiveram na batalha do Canadá? — estranhou Garret – De quem está falando afinal?
– Havia uma rapaz mexicano chamado Miguel e um russo velho e doido chamado Alexandrovish. Miguel possuía um dom muito peculiar, ele consegue ocultar ou camuflar qualquer um que seu poder alcance tonando-os invisíveis. Alexandrovish, por sua vez, é capaz de anular o poder de qualquer vampiro especial... são dois amigo muito talentosos estes dois e eu soube que foram aprisionados em Volterra logo depois de seus familiares lá chegarem depois da batalha.
– Aqueles dois eram seus amigos? — eriçou-se Jacob – Por que diabos deixaríamos nos acompanhar até Volterra para libertar dois canalhas que ajudaram os Volturi a nos destruir? Este mexicano e o russo ajudaram Felix a espancar Renesmee na floresta, se eu os ver na minha frente terei prazer em desmembrá-los lentamente.
– De fato, Vrau Urban – falou Carlisle olhando o vampiro com cuidado – Você surge do nada sabendo nossa história e se oferece para nos acompanhar até Volterra para libertar seus companheiros que foram aliados dos Volturi... e isso me parece no minimo estranho ou suspeito. Se seus companheiros serviam aos Volturi, por que foram aprisionados?
– É mais complicado do que parece, meus amigos. Muito mais complicado – respondeu Vrau parecendo levemente cansado – Na verdade, Miguel e Alexandrovish faziam parte de uma iniciativa... de uma missão assim digamos. Eles foram designados para representarem dois papéis, eles são Infiltradores.
– Infiltradores? — estranhou Kaori – Missão para quem?
– É chamada de a Confraria do Sangue – respondeu Vrau em um tom dogmático – Foi organizada há alguns séculos justamente para lutar contra a tirania dos Volturi. Composta por três vampiros velhos e esperançosos de ver nossa espécie livre do domínio arbitrário de Aro, Caius e Marcus.
– Uma bobagem – riu Alec de forma jocosa – Um punhado de vagabundos errantes brincando de revolucionários anarquistas. Nunca foram levados a sério por ninguém... tão esfarrapados, desajustados e tolos que os Três nunca desprenderam sequem uma grama de preocupação contra eles.
– Fazemos mais do que aparentamos fazer, Alec – reagiu Vrau, mas apenas conquistou mais um riso escrachado de Alec.
– Sério? — sorriu o vampiro menino arqueando uma sobrancelha – O que? Vocês se reúnem há séculos e há séculos não fazem nada a não ser chiar pelos cantos como ratos engaiolados. O que fizeram? Uma briga aqui, uma revoltazinha ali... mas nada comprometedor. Nada. Vocês são o que são: vagabundos com ganas de revolucionários e só.
– Quem são estes três velhos? — perguntou Carlisle não dando atenção às palavras de Alec – Parecem uma antítese aos Três de Volterra.
– Erestor idealizou a Confraria e eu me uni a ele depois de um tempo. Com muito esforço conseguimos o apoio de um dos Lordes Vampiros vassalos dos Volturi...
– Espere! — cortou Alec – Um dos Lordes? Quem teve coragem de traí-los?
– Madalene, a Baronesa de Roma.
– Madalene! — Alec não conteve o riso alto – Eu sempre desconfiei daquela velha esperta... ela nunca perdoou Caius por ele ter assassinado seu marido Atos.
– De fato, ela nos ajudou a criar a Confraria – disse Vrau – Sempre passou segredos para nós, ou melhor, os poucos segredos que os Volturi compartilham com seus súditos.
– E o que tudo isso tem a ver conosco e com seus companheiros que nos atacaram? — perguntou Jacob.
– Madalene e Erestor desconfiam que os Volturi escondem no âmago de sua fortaleza um segredo assaz grave, algo muito além do perigo que os próprios Volturi representam. Obviamente, a Confraria despertou um interesse ímpar por este segredo e Madalene sussurrou a mim e a Erestor o nome de um livro... O Livro Vermelho.
– Que, teoricamente, estaria encerrado num lugar secreto chamado de Cofre dos Segredos – emendou Carlisle com uma voz levemente irônica – Eu escutei estas histórias enquanto morava em Volterra anos atrás, mas não passam de lendas.
– Nós somos lendas, menino Carlisle – rebateu Vrau – E você não passa de um rebento imberbe diante dos mais velhos dentre nós. Muito julgam que vários segredos dos Volturi são apenas lendas... mas, entretanto, o perigo reside justamente nesta suposição errônea. Não, meu amigo, alguns segredos dos Volturi são reais e extremamente perigosos... o Livro Vermelho de Aro é uma destas lendas que de lendas nada têm.
– Tendo isso em mente – continuou ele – A Confraria escolheu dois membros especiais para se infiltrarem em Volterra. Miguel foi escolhido por seu dom de ocultação, ele poderia se tornar invisível e perambular livremente entre os Volturi a fim de escutar seus sussurros... e Alexandrovish é um vampiro velho, quase tão velho quanto eu, sua experiência seria útil a um jovem como Miguel. Eles ludibriaram os Volturi, fizeram de conta que foram encontrados por Aro e não o contrário e como todos sabem, Aro adora vampiros especiais e sua ganância se satisfez ao coletar para suas fileiras mais dois vampiros com dons interessantes.
– Durante cerca de dois anos, Miguel e Alexandrovish permaneceram pelos corredores, ouvindo segredos sussurrados, tramoias e planos obscuros... mas os Três são astutos e jamais permitiam que alguém se aproximasse muito deles, sempre havia um vampiro da guarda próximo a Miguel, eles conheciam seu dom de se ocultar e não permitiram que ele invadisse uma reunião dos Reis sem ser convidado. E, aos poucos, ouviu-se um plano para conquistar mais vampiros poderosos para Volterra, um plano envolvendo a América e um clã de vampiros que uma década atrás subjugou os Volturi.
– Então vocês sabiam que seríamos atacados? — Perguntou Jasper.
– Ouvimos falar de sua façanha a dez anos, o fato de terem parado os Volturi e vencê-los com o diálogo – disse Vrau Urban com uma sugestão de assombro no rosto – Desde então, ficamos sempre atentos às suas atividades e a de seus aliados. Sempre que podíamos, buscávamos notícias sobre o clã Cullen da América. Entretanto, depois de um tempo, acreditamos que os Volturi haviam sepultado este assunto, e vocês pareciam inseridos na sociedade em que habitavam; com os lobos de La Push os protegendo, adormecemos nossa atenção a vocês e isso foi um grave erro.
– Voltamos nossas atenções apenas para o “segredo dos segredos” dos Volturi – completou Vrau Urban e sua expressão demonstrava um certo arrependimento – E nos distraímos de todo o resto de seu império. O resultado: durante oito anos Caius reuniu novamente os Mercadores da Morte, aniquilados no passado por Arian Volturi. Só soubemos de seu poderio quando eles entraram em seu navio com todo seu exército, Miguel nos contatou assim que deixaram a Itália avisando que os Volturi se dirigiam para a América a fim de conquistar poderes que lhes escaparam no passado.
– Então vocês sabiam – sibilou Jasper.
– Sim, mas soubemos tarde demais...
– Ou apenas perceberam a oportunidade – rebateu Edward – Com os Volturi e toda sua corte ocupados com nós longe de Volterra, a Cidadela estaria livre para vocês tentarem descobrir os segredos ocultos escondidos lá, não é mesmo?
– O que posso dizer, Edward Cullen? — respondeu Vrau Urban não demonstrando sinais de estar arrependido – O propósito da Confraria é maior que todos nós, trabalhamos em prol da raça dos vampiros. Não sabíamos exatamente qual era o propósito dos Volturi, Miguel e Alexandrovish não tinham conhecimento de todos os detalhes... porém, imaginávamos que eles planejavam subjugar os Cullen para que se unissem a eles em Volterra. Os Volturi já fizeram isso com tantos outros vampiros que decidimos não ser um assunto nosso, além disso, bem, com os Mercadores da Morte somados na equação de fatores, nenhum de nós esperava que vocês fossem suficientemente estúpidos de enfrentá-los em uma batalha.
– E o que você esperava que fizéssemos? Simplesmente os acompanhássemos e vivêssemos todos em Volterra como uma família feliz? — perguntou Jacob levantando-se de um salto.
– Qual foi a vantagem de enfrentá-los, Jacob Black? — perguntou Vrau pacientemente – Enfrentar uma força centenas de vezes maior que a sua apenas por honra? Por ser um guerreiro, morrer pela honra é uma glória, não é mesmo? Mas você não morreu e levou à perdição boa parte dos lobos de sua tribo. Foram chacinados, esmagados, aniquilados como obviamente seriam... mas se tivessem aceitado os termos dos Volturi sua família estaria completa, não é? Seriam vassalos de reis, mas, ainda assim, seriam uma família. Ao contrário, estão separados, mutilados e feridos... com amigos e parentes mortos; qual foi a vantagem? Rumam para Volterra para enfrentar novamente um mal que não podem vencer... fazem isso por amor? Que seja. Mas ainda assim não é menos inútil. Você podem dizer para si mesmos que lutaram para manter sua liberdade e os aplaudo por isso, mas há maneiras muito mais sábias de conquistar a vitória do que a de se atirar contra um exército infindável.
– Vocês são imortais, afinal de contas – disse Vrau num suspiro – Agiram com impudência e receberam a morte em troca. Se tivessem aceitado os termos de Aro estariam em Volterra agora e seriam mais úteis à Confraria. Poderiam minar os Volturi de dentro para fora... mas isso não é mais possível, agora são obrigados a juntar os cacos do que restou de sua antiga vida.
Jacob abriu a boca para responder, mas calou-se. O silêncio que se seguiu demonstrava que as palavras de Vrau Urban pesaram no coração de todos. Haviam , no final das contas, agido de forma imprudente? Se tivessem aceitado os termos dos Volturi e se submetido a eles Emett, Rosalie, Sam, e Leah ainda estariam vivos?
A não submissão aos Volturi foi um ato de orgulho?
– Todos têm direito à liberdade – declarou Garret.
– Sim, mas à eminência de serem mortos? – riu Vrau Urban — Bem, não posso dizer que não foi um ato corajoso, entre a submissão e a morte, escolheram a morte. Mas sabem o que é pior do que morrer? Não morrer. Vocês que sobreviveram agora vivem sem aqueles que amam, vivem como espíritos arrependidos... como aleijados. E isso é muito pior do que a morte. Enfim, independente de suas escolhas, como eu disse, não imaginávamos que seriam suficientemente loucos para lutar contra os Mercadores da Morte, então sabíamos que Volterra teria mais habitantes quando os Três retornassem da América. Na verdade, imaginávamos que poderíamos usá-los contra os Volturi uma vez que teriam sido coagidos a morar em Volterra... eu fiquei realmente surpreso quando soube que entraram em conflito... mas eu já estava saindo de Volterra quando os Três ainda atravessavam o mar gelado voltando para a Itália.
– Então você realmente invadiu Volterra – afirmou Carlisle.
– Oh sim – sorriu Vrau – Aproveitei a brecha. Tenho muitos contatos lá e, por sinal, alguns membros dos Volturi fazem parte, na verdade, da Confraria do Sangue. Mas, infelizmente, não consegui descobrir muitas coisas... apenas velhas histórias sobre as “lendas” dos Volturi; nada de concreto. Tentei, obviamente, contatar o único vampiro em Volterra que conhecia o paradeiro do Cofre dos Segredos... mas não consegui chegar até ele, os encantamentos de Aro me impediram.
– E este vampiro realmente sabe onde fica este Cofre lendário? — quis saber Kaori, curiosa.
– Arian Volturi sabe. Ele conhece muitos segredos de Aro, afinal é o seu filho. Mas as catacumbas estão entulhadas de feitiços e eu não consegui nem ao menos passar para a segunda profundidade. Agora, entretanto, tenho mais motivos ainda para ir até lá, preciso resgatar meus companheiros que estão presos nas catacumbas e com a ajuda de Charlotte eu poderei, talvez, contatar Arian e descobrir onde fica o Cofre dos Segredos.
– Como foi que seus companheiros acabaram aprisionados? — perguntou Seth.
– Como eu disse, a ideia foi que Aro os encontrou, e não o contrário. Desde o começo, Miguel e Alexandrovish deixaram claro que só serviriam aos Volturi para uma missão específica e depois partiriam, mas, obviamente, Aro não aceitou e quando os dois decidiram partir, foram aprisionados até terem o bom senso de jurar lealdade aos Três.
– Ah, e agora você quer aproveitar a nossa missão para socorrer dois vampiros que nos atacaram e descobrir um cofre estúpido que esconde um livro igualmente estúpido. Desculpe, mas não – disse Jacob fechando a cara – Não somos a oportunidade que você espera e não vamos auxiliar esta Confraria de doidos... nosso objetivo é entrar, pegar Nessie, Alice, Bella e Quil e desaparecer.
– E um vampiro anulador de poderes e outro camuflador não seriam de ajuda? — perguntou Vrau Urban sorrindo – Podemos ter nossas diferenças, Jacob Black, e pode ser que não me veja como amigo, mas para quem somou Alec Volturi em seu grupo de viajantes, nada custa aceitar minha companhia, não é mesmo? Quanto mais inimigos dos Volturi, mas amigos dos Cullen. Eu prometo auxiliá-los em seu intento e isso já é mais do que o que vocês tinha quando partiram de sua casa rumo à morte certa.
Eles permaneceram ali, encarando Vrau Urban em silêncio. As palavras do vampiro pesando em seus corações. Havia verdade nas palavras de Vrau, mas também muitos segredos; eles acabaram de se deparar com um vampiro que era o criador de uma sociedade cuja intenção era destronar os Volturi... porém, bem ou mal, a iminente ajuda deste vampiro não parecia alegrar o coração dos viajantes.
– Por que você está sozinho? — perguntou enfim Jacob Black – Se há está tal Confraria do Sangue, não deveria haver mais alguém o auxiliando?
– Ah, eu tenho um companheiro sim, meu bom Jacob. Ele geralmente me apoia a distância caso eu precise de ajuda, mas obviamente estamos entre amigos, não é mesmo? Didi, pode vir! — gritou Vrau Urban.
Algo se desprendeu do alto das árvores e pousou com estrépido entre eles. A princípio todos imaginaram se tratar de um menino... era um vampiro sem sombra de dúvidas e tinha a estatura de uma criança de oito anos de idade, mas seu rosto era enfarruscado e feio. Tinha um par de sobrancelhas hirsutas e dentes amarelos e desalinhados, seus olhos vermelhos eram injetados o que lhe rendia um ar alucinado. O cabelo era preto e tosado tão curto que parecia uma sombra sobre a cabeça do vampiro... em uma das mãos pequenas e nodosas segurava o que parecia ser uma bengala de madeira. As pernas curtas e atrofiadas era levemente arqueadas e vestia roubas tão desalinhadas quanto as de Vrau. O silêncio que precedeu a chegada da criatura só foi rompido com uma gargalhada de Seth.
– Mas é um anão! — disse o quileute rindo alto – Jamais pensei que veria um vampiro anão na vida! Onde estão os outros seis?
– Acho melhor moderar a língua, fedelho – retrucou o anão com uma voz que mais parecia um ganido baixo e grosseiro – Ou eu lhe enfio esta bengala pelo cu até ela sair pela sua boca grande.
– Ele não é muito educadinho, não é mesmo? — horrorizou-se Kaori.
– Ora, parem com isso meninos – disse Vrau – Didi, comporte-se, estamos todos entre amigos, afinal de contas.
O anão fungou e não deixou de encarar Seth enquanto se bamboleava para perto de Vrau Urban, pelo caminhou cruzou com Jacob, o pobre vampiro anão não chegava quase nem à altura dos joelhos do grande Alfa que, em pé, olhou com descrença para o grupo.
– Isso é muito bom – disse Jacob com desgosto – Enquanto os Volturi tem um exército, o que nós juntamos pelo caminho? Uma bruxa, um deficiente visual, um vagabundo e um anão? Esplêndido. Se os Volturi nos verem chegando teremos uma grande chance de que eles morram de rir antes de pensarem em nos atacar... essa é a sua ajuda? Agora sei o porquê desta tal Confraria nunca ter conseguido nada.
– Nós sempre lutamos ao nosso modo, Jacob – retrucou Vrau Urban – Mas sempre tivemos paciência para esperar a melhor oportunidade... e ela se apresentou agora com a sua Cruzada. Unidos teremos uma chance de minarmos a força dos Volturi. Unidos teremos a chance de descobrirmos de uma vez por todas qual é o maior segredo que os Três guardam dentro de seu palácio. Agora, amigos, todos vocês pertencem à causa; a nossa sociedade é de todos aqueles que se levantam contra os Volturi, então somos muitos, de tempos em tempos, de voz em voz... e assim é agora. Agora todos vocês também pertencem à Confraria do Sangue, pois o objetivo é o mesmo.
Um consenso mudo se formou no grupo. Eles não gostavam da ideia, afinal de contas, os vampiros que Vrau queria salvar eram os mesmo que ajudaram os Volturi a destruí-los, entretanto, se agora eles lutassem ao seu lado, seria pior para os Reis. Além do mais, não estava muito claro quais eram as intenções de Vrau, mas isso não importou a eles; Livro Vermelho ou Cofre dos Segredos, nada disso lhes dizia respeito, eles apenas queriam resgatar os que lhe foram tirados à força.
– Você tem algum dom? — perguntou Seth olhando para Vrau com curiosidade – Se é tão procurado, dever ter algum poder especial que te manteve vivo todo este tempo.
– Não sei se é um dom – respondeu Vrau com um sorriso zombeteiro no rosto – Eu tenho sorte.
– Como assim sorte? — interessou Jasper depois de um minuto de silêncio onde todos olharam para Vrau com curiosidade.
– Eu tenho sorte e só – disse ele com normalidade – É como um instinto eu suponho. Simplesmente sei qual é o melhor caminho a escolher, se devo ou não entrar em determinados lugares, se é melhor fugir ou esperar. Então acho que é sorte – e, com isto, Vrau Urban se encaminhou até perto da plantação e se postou abaixo de uma macieira frondosa, ali deixou a mão esquerda aberta com a palma para cima e poucos segundos depois uma maça vermelha e suculenta despencou do galho e pousou cuidadosamente em sua mão; o vampiro sorriu e atirou a maça para Seth que o olhava com espanto – Entende agora, menino? Eu tenho sorte.
Se se tratava de sorte mesmo ninguém soube dizer. O dom de Edward fez mais falta do que nunca, lendo pensamentos poder-se-ia prever o que realmente Vrau Urban pensava. Mas, de uma forma ou de outra, não tinha mais escolha; aceitaram a ajuda de Vrau, afinal, se não o fizessem teriam de destruí-lo para evitar que sua jornada fosse revelada a ouvidos inimigos.
Seth comeu a maça com gosto sob um olhar risonho de Charlotte.
A tarde passou lentamente enquanto eles esperavam para que o sol baixasse e a estrada se tornasse mais segura, Vrau Urban havia estendido seu corpo comprido sobre a relva fresca enquanto seu companheiro anão Didi o encarava com impaciência. Seth e Jacob dormiram na sombra aproveitando o momento de descanso e foi nesta hora onde todos estavam distraídos que Carlisle resolveu conversar com Edward em segredo se valendo do elo de Kaori.
“O que você acha de tudo isso”? — perguntou o patriarca ao filho.
“Sobre a história de Vrau?” — respondeu Edward — “Sinceramente, são coincidências demais. Os companheiros dele ajudaram os Volturi a nos destruir para seguir com os planos desta tal Confraria? Acho muito suspeito isso. Poderiam ter nos avisado se sua intenção realmente é minar o tiranismo dos Volturi. E é tudo muito estranho. Erestor supostamente era um vampiro ermitão e agora é um dos fundadores de uma Irmandade de vampiros? Não sei não, mas pode ser que tenhamos sido usados como bode expiatório de toda esta confusão.
“ Isso também me passou pela cabeça” – confessou Carlisle — “Parece que fomos envolvidos em algo muito maior. Jacob tinha razão ao interpelar Vrau Urban sobre ele andar sozinho por aí sem assistência de outros vampiros já que formaram uma Confraria. Ele não está aqui por sorte, independente do que diga, Erestor o orientou a nos procurar e eles estão aproveitando a oportunidade que apresentamos; parece que a batalha foi uma jogada, não é mesmo?”
“Como se eles tivessem nos usado para testar a força dos Volturi?” — perguntou Edward se virando para encarar o pai — “Sim, você pode ter razão nisso. Pode ser que eles tenham até mesmo incitado os Volturi a nos atacar, será que esta Madalene, que é uma dos vassalos dos Volturi, não plantou esta ideia na mente dos três? Atacando-nos eles deixaram Volterra desprotegida e quando Vrau Urban não conseguiu o que queria, esta nossa incursão de vingança apresentou uma segunda chance às intenções desta Confraria”.
“Mas se ele nos auxiliar a conseguir o que queremos, haverá mal em ajudar no que eles precisam?”
“Não é isso o que me incomoda, Carlisle” — disse Edward assumindo um tom sombrio — “Há muitas variáveis se formando... primeiro Erestor que agora parece ser mais do que imaginávamos a princípio, depois Charlotte e sua mãe; Alec se uniu a nós, mas não temos certeza absoluta de suas intenções. E agora Vrau Urban e um anão de circo? E mais do que isso, por trás de Vrau e Erestor há esta Confraria que busca supostos segredos macabros dos Volturi. Nós só queremos Bella, Nessie, Alice e Quil novamente... mas estes vampiros parecem possuir intenções muito mais obscuras. No fim das contas, no que vamos nos meter? Está tomando proporções muito maiores e perigosas do que imaginávamos...”
“Eu sei” – suspirou Carlisle — “Tenho esta mesma sensação, a sensação de que estamos metidos em algo muito maior, muito mais perigoso. Com o surgimento de Vrau Urban, a certeza de que somos peões num jogo sombrio apenas aumentou. Temos de ser cuidadosos, Salesiana tinha razão em sua previsão... o perigo está nos cercando por todos os lados”.
“Então teremos de ser perigosos também”.
“Espero que não esteja tramando nada tão drástico quando o que Jasper fez” — disse Carlisle com receio.
“Faremos o que for preciso” — respondeu Edward enigmático — “E quanto a você? Como está indo sem Esme?”
“Quando passamos perto de Gênova eu pensei em ligar para ela, mas temo que a casa ainda esteja sendo vigiada pelos Volturi, uma ligação e pronto... estaríamos perdidos se alguém ouvisse a conversa. Não. Deixemos sua mãe e Kate em segurança na mansão... o que podemos fazer é torcer para conseguirmos voltar em segurança, pegá-las e desaparecer do mapa”.
“A mensagem que você havia enviado aos nossos amigos já não terá sido recebida?”
“Mesmo que tenha sido recebida, Edward, o que eles poderiam fazer? Estamos sem comunicação, nossos celulares se perderam na inundação daquela cidade que salvamos, estamos perdidos pelos campos da Itália sem condições de sermos encontrados... eles não têm pistas de nós. Estamos sozinhos e é melhor assim. Não acho que seja justo arrastamos mais amigos nossos para a morte certa”.
“Então aceitaremos a ajuda de Vrau Urban?”
“Não temos escolha, Edward. Mas vamos torcer para que no fim das contas ele se mostre útil. E rezar para que não precisemos destruí-lo”.
Quando a tarde já caia e os raios de sol se desfaziam num brilho dourado conta as árvores, a comitiva resolveu partir novamente. Alec os fez seguir pela estrada por pouco mais de três quilômetros até que eles enveredaram novamente para dentro da floresta fechada que crescia ali.
As árvores sentiam a leve chegada do outono e suas folhas marrons e mortas flutuavam pelo ar até pousarem silenciosamente no chão, o céu ainda era azul de um celeste profundo e claro e um vento estranho e feroz começou a soprar do norte. Um vento forte e profundo que açoitava tudo à sua volta.
– Este é o caminho que nos falou? — perguntou Edward a Alec.
– Sim, sairemos mais ao norte de Volterra, é um caminho mais seguro – declarou o vampiro menino – Logo, mais à frente, encontraremos uma plantação de trigo, e ali poderemos atalhar o caminho até o outro lado onde a região da Toscana se abre em todo o seu esplendor.
– E ali teremos de redobrar nossos cuidados – disse Vrau Urban.
– De fato – suspirou Alec.
Enquanto cruzavam a floresta, o silêncio tornou a imperar sobre eles; Garret seguia na frente com Kaori enquanto os lobos e Charlotte caminhavam mais atrás. Carlisle ia ao lado de Vrau Urban que era seguido de perto por Didi. Edward emparelhou com Alec.
– Você conhece uma forma segura de entrar em Volterra? — perguntou ele.
– Não há formas seguras de entrar na Cidadela na surdina, Cullen – respondeu Aelc azedo – Somos invasores e qualquer entrada é perigosa.
– E as catacumbas? São muito bem guardadas?
– Por uns seis guardas mais os encantamentos... por que o interesse nelas?
– Pode ser que haja algum de nossos amigos presos lá, além dos companheiros de Vrau Urban.
– Bella, Alice e sua filha não estão nas catacumbas – disse Alec – A não ser que neste meio tempo em que estive fora muita coisa tenha acontecido.
– Estamos falando de Volterra, Alec... muita coisa pode acontecer em muito pouco tempo.
Alec pensou em responder, mas antes que movesse os lábios um grito de Garret os alertou mais a frente.
– Vejam, podemos aproveitar esta plantação para cortar caminho – disse ele com o rosto refulgindo com os últimos raios do sol.
– Não podemos nos desviar muito para o norte ou perderemos o caminho seguro.
A frente deles uma plantação de trigo brilhava áurea à luz do sol, o vento balançando o trigal num ritmo lento e sonolento, pareia um mar dourado e verdejante ondulando em ondas precisas diante deles. O sol se punha no horizonte longínquo onde uma casa bonita de telhados cinza se espreguiçava diante da noite que chegava aos poucos.
O vento, entretanto, pareceu surgir com mais força varrendo tudo ao seu redor, e foi assim, que, com a nova voz do vento forte roncando que eles ouviram, tão claro como a primeira luz do dia, tão límpida como os cristais de gelo no inverno, uma voz de menina gritando no meio do vendaval, atrás deles na floresta.
– JACOB!
O alfa voltou-se com rapidez dando vários passos para trás em busca da voz... seu coração possante disparou no peito enquanto seus olhos buscavam a dona daquela voz. Uma voz que ele conhecia melhor do que qualquer outra
– NESSIE? — gritou ele para a floresta – Renesmee? É você?
– Vocês ouviram também? — perguntou Seth assustado – Ela não poderia estar aqui, poderia?
– Você está brincando? — rosnou Jake – Eu ouvi a voz dela... ela me chamou, gritou meu nome, vocês também ouviram.
– Todos ouvimos – declarou Jasper incomodado.
– Mas não tem ninguém aqui... como poderia ser possível? — perguntou Edward quase tão assustado quanto Jacob.
Mas a voz desapareceu como um sopro no vento... e seus sentidos não estavam enganados, não havia qualquer outro vampiro na floresta a não ser eles mesmos. Jacob estava aflito e num segundo estava transformado num lobo gigante, prestes a disparar pela mata atrás da voz da amada que o chamara... mas antes de dar um passo, Charlotte se postou à sua frente.
– Não faça isso, ela não está aqui – disse a bruxa com veemência.
“Sai da frente, feiticeira” – avisou Jacob na voz do alfa.
– Ela não está aqui, Jacob – insistiu Charlotte – Mas provavelmente enviou a voz dela de algum lugar para encontrar você... se ela esteve aqui, não foi com seu corpo físico.
– Explique, por favor – pediu Carlisle.
– Você caminhou pelos sonhos a um tempo atrás, lembra-se? — lembrou Charlotte a Jacob – De alguma forma Nessie fez o mesmo e a impressão dela chegou até você. Esta ligação que vocês dois têm é muito forte, muito poderosa. Renesmee é um ser sobrenatural assim como você é um ser mágico, desta forma, a ligação de vocês transcende todas as barreiras... mesmo a distância. O amor é tão forte e cria um laço tão potente, que vocês dois acabaram unindo os próprios sonhos... seus sonhos provavelmente alcançaram Renesmee aonde quer que ela esteja e agora, os sonhos dela romperam o plano onírico e alcançaram você aqui... no mundo físico.
“Ela precisa de mim” — disse Jacob dando meia volta e atirando-se no meio do trigal — “Não podemos demorar mais”.
– Espere, Jake – gritou Carlisle – Precisamos ir com cuidado.
Mas o poderoso quileute já estava longe, seu pesado corpo abrindo um carreiro pelo meio do trigal, o sol da tarde se escondia na borda do mundo quando Seth também assumiu a forma do lobo e disparou atrás de seu líder.
– Seth! Mas que diabo, estes quileutes são tão impulsivos – disse Jasper disparando atrás dos lobos com Kaori e Garret em seu encalço.
– Segurem aqueles animais antes que eles nos denunciem... que droga – reclamou Alec correndo atrás deles e impelindo Kaori a segui-lo para mostrar o caminho.
Charlotte correu atrás deles imediatamente.
– Bem, já que temos que correr – disse Edward sorrindo e renovado com a súbita aparição da voz de Renesmee – Vamos de uma vez.
E disparando pelo campo como uma flecha foi seguido de perto por Carlisle.
Na floresta sobrou apenas Vrau Urban e o anão Didi. Vrau mantinha um sorriso de contentamento nos lábios quando tirou a sua gaita de boca e ensaiou uma canção antiga de viagem.
– Você acha realmente que eles vencerão os Volturi? — perguntou Didi emburrado com descrença nos olhos.
– Ah sim... ela nos prometeu, você se lembra? – respondeu Vrau Urban com tranquilidade – “Os derrotados serão aqueles que destronarão os Reis” disse ela.
– E como poderíamos saber que Nineve está se referindo a estes fracassados.
– Por que ela é uma vidente. A mais poderosa entre todas e nossa verdadeira Rainha – disse Vrau em tom de censura – Esta profetizado há muito tempo que eles derrotariam os Volturi... você sabe disso.
– Sim, e que depois disso a Escuridão tomara conta do mundo.
– Para isso que estamos buscando os segredos do Livro Vermelho, meu caro Didi... para que a Escuridão da profecia de Níneve não aconteça.
– “O leitor mudo” também estava na profecia, Vrau. Você acha que nossa rainha se referia a Edward Cullen?
– Talvez sim... provavelmente.
– Então seria melhor o matarmos agora, não é mesmo? Se a profecia estiver correta e Edward for este “leitor mudo”, bem, ele será o responsável pela escolha que levará ao fim do mundo.
– Ora, como eu disse... estamos aqui para impedir isso – disse Vrau guardando a gaita no bolso e se preparando para correr atrás do grupo.
– Eu acho que morrermos todos – disse Didi de mau humor.
– Tenha fé, meu amigo anão... tenha fé – suspirou Vrau – Afinal de contas, neste mundo louco, o que nos resta a não ser a fé?
E dito isso disparam atrás do grupo de viajantes que seguia para um destino mortal.
Um destino que enfrentavam...
… por amor.
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