Candor Lunar - Livro 2
27 Capítulo 26 - O Sombrio Plano de Edward
Notas iniciais
Bem pessoal, este é um capítulo que eu queria escrever desde o Prólogo do Livro 1.
É a história que, na verdade, deu origem a Candor Lunar. Este capítulo trás revelações importantes sobre o futuro da fic... e de como as coisas possivelmente vão terminar.
Na próxima quinta-feira, dia 20/12 estarei postando o próximo capítulo de Candor 2. Eu vou viajar neste dia e por isso estarei adiantando o capítulo.
Por isso, vejam que legal! Na quinta já terão outro capítulo novo pra ler... kkk
Enfim, boa leitura.
Ang.
A neblina formou-se lentamente durante a madrugada.
Formou-se como um hálito gelado aderindo ao ar e baixando a temperatura; tudo era névoa e sombras um pouco antes do amanhecer. O silêncio os cercava enquanto caminhavam lentamente pelos campos escurecidos, Alec os fizera baixar a velocidade a quase menos do que um trote lento... ele explicou que a região da Toscana era habitada por um número imenso de vampiros vassalos dos Volturi e um grupo grande de vampiros correndo juntos produzia um ruído alto que poderia chamar a atenção dos habitantes imortais do lugar.
Isso não os deixou felizes... na realidade, Jacob Black estava absolutamente descontente.
Seth vinha mantendo uma distância fria dele desde que havia votado pela morte do estranho que serviu para o feitiço de Charlotte. O jovem lobo não entendia tudo o que Jacob guardava dentro de si... na verdade o amigo não tinha como saber que o líder dos lobos de La Push estava prestes a explodir de tanta agonia.
Havia muita coisa em sua mente... várias perguntas.
E a presença de Vrau Urban apenas piorou estas dúvidas.
Afinal de contas... de quanta escuridão e de quantos segredos era feito o mundo dos vampiros?
Antes, havia sempre e apenas os Volturi com sua maneira estranha de governar o mundo distópico, caótico e quase anárquico dos vampiros. Mas, agora, surge mais uma sociedade secreta chamada Confraria do Sangue... que, pelo que todos puderam perceber, estava enfiada até o pescoço na tragédia que se abateu a todos.
Todos os nomes pareciam estar envolvidos de alguma forma no esquema que os engoliu... Flávius Aurélius, em segredo, passou informações sobre Erestor que, por sinal, fora o construtor de Volterra. Erestor supostamente era um vampiro recluso, mas acabara se revelando o mentor de uma sociedade estranha cujos sócios eram Vrau Urban, um baderneiro, e uma condessa serva dos Três Reis.
Estava tudo estranhamente conectado apesar de Jacob não conseguir visualizar a imagem geral do plano. Mas era estranho ao ponto de ele ter a impressão de que o envolvimento deles fora predeterminado... de que o destino deles fora escrito por forças maiores cujos interesses eram ainda mais obscuros. Jacob tinha a certeza de que não passava de um mero joguete dentro do grande jogo.
Quantas mais conspirações surgiriam até eles chegarem a Volterra?
Quantas loucuras mais ele presenciaria até ter Nessie novamente em seus braços?
Mas, então... Jacob Black parou de forma abrupta.
O grande quileute, em sua forma humana, erguia-se em seus mais de dois metros de altura sobre a relva adormecida. Ele farejou o ar com desconfiança. Havia algo de errado naquele lugar... o descampado erguia-se irresoluto à sua frente... campos verdejantes e longínquos se espalhavam pela planície até onde a vista alcançava. Mas ainda assim, apesar de apenas o som do vento frio assoviar em seus ouvidos, Jacob sabia que aquele lugar não era seguro.
“Há algo errado aqui” – disse ele aos outros valendo-se do elo mental de Kaori.
“Errado como?” – indagou Jasper.
“Eu não sei, farejei no ar. Mas há algo errado. Como se alguma coisa no ar cheirasse de forma estranha. Você não sente?”
“Eu sinto” – falou Seth chegando mais próximo de Jacob, mas sem ultrapassar o companheiro para não transpor uma linha imaginária que o alfa havia imposto – “É um ar estranho, parado e velho”.
“Não sinto nada de errado” – ponderou Carlisle parando ao lado dos outros.
“É magia” – categorizou Charlotte – “Os lobos são entidades elementais, eles sentem o cheiro da magia. Há magia aqui. Uma barreira de proteção. Foi uma sorte Jacob ter vindo na frente... muito bem instalada por sinal. Uma armadilha perigosa”.
“Eu não vejo nada” – reclamou Kaori.
“E nem verá” – disse a bruxa – “Estas barreiras não podem ser vistas e nem detectadas, mesmo por feiticeiros. Somente seres que coparticipam da magia em seu ser poderiam perceber essa barreira. Os quileutes são úteis, afinal. Muito peculiar. E trata-se de uma barreira muito, muito longa... pelo menos mil e duzentos quilômetros.
“Uau” – suspirou Seth sem saber se pela informação ou por ouvir a voz sussurrante de sua impressão.
E ali, na semiobscuridade, eles pararam admirando o nada enfeitiçado.
– Faz sentido haver algum feitiço por aqui, estamos nos aproximando da região da Toscana – declarou a feiticeira.
– Próximos de Volterra, finalmente – suspirou Jacob.
– Qual é o procedimento? – perguntou Carlisle, virando-se para a feiticeira.
– Ônix – disse Charlotte sacando de um dos bolsos de sua capa de viajem um punhado de pedras pequenas e arredondadas, de um negro absoluto e faiscante – Precisam ser plantadas ao correr da barreira do início ao fim... elas vão neutralizar o encanto no momento em que eu disser as palavras de contrafeitiço.
– Resumindo? – estranhou Edward.
– Vamos ter de nos dividir – a bruxa explicou – Eu permanecerei aqui para marcar nossa posição... no momento em que as pedras estiverem no solo eu saberei e iniciarei o contrafeitiço. O poder das pedras será suficiente para anular o encanto de detecção de Aro e poderemos passar sem alertar os Volturi. Seiscentos quilômetros para cada grupo – respondeu Charlotte – Mil e duzentos quilômetros é o máximo que este feitiço consegue proteger.
– Então teremos de nos espalhar em direções diversas... – ponderou Jasper – Ou apenas dois de nós vão e o resto aguarda aqui.
– Não – disse Alec com veemência – Estamos muito expostos aqui. Nosso grupo é grande demais, nosso cheiro pode ser detectado se ficarmos aqui durante muito tempo... eu já lhes disse, quanto mais perto de Volterra, mais vampiros encontraremos. Podemos ser descobertos. Temos que sair o daqui o mais rápido possível.
– Ou seja, num grupo maior em duas direções cobriremos o perímetro muito mais rápido para desativar o feitiço.
– Exato – disse a bruxa – Peguem as pedras e vão de uma vez... enterrem-nas pelo menos a quinze centímetros de profundidade... eu ficarei com esta aqui – e ela mostrou aos outros uma ônix negra do tamanho de um punho fechado reluzindo à luz da manhã que nascia – É a pedra mestra, com ela saberei que as outras estão espalhadas e enterradas... elas anularão a barreira.
– Alec não precisa ir junto – disse Edward antes dos outros pegarem as pedras oferecidas por Charlotte – Ele não vê e não poderá ficar grudado em Kaori enquanto ela corre... e Charlotte não pode ficar desprotegida; eu e Jake ficaremos aqui para guardá-la.
– Eu não preciso de guardiões – disse a bruxa contrariada.
– Eu não me importo – respondeu Edward – Não é bom você ficar sozinha nesta região. Os outros podem espalhar as pedras enquanto aguardamos aqui. Não deve levar mais do que uma hora.
– Muito bem – disse Carlisle olhando Edward com atenção – De nada adianta ficarmos aqui perdendo tempo e acho que Edward tem razão... Charlotte não pode ficar desprotegida. Jasper, Kaori e Seth... vão para o leste, dividam o percurso; eu, Vrau, Didi e Garret seguiremos para o oeste; creio que levaremos pouco mais de uma hora para fazer isso.
– Boa sorte – disse Edward enquanto os outros pegaram as pedras e dispararam como ventos sibilantes em direções opostas.
Houve um silêncio entre eles. Charlotte simplesmente se abaixara no chão e imediatamente começou a escavar a terra para enterrar sua pedra mestra que, alinhada às outras, desativaria a barreira mágica de Aro. A feiticeira estava concentrada em sua tarefa e distraída não percebeu nada de errado na situação.
Mas o mesmo não ocorria com Jacob Black.
O lobo estava prestando atenção a tudo... principalmente no rosto sombrio de Edward Cullen.
Edward não era o mesmo há dias e sua expressão, assim como suas atitudes, se tornara progressivamente obscura desde que Alec se juntara ao grupo com notícias de Bella, Nessie, Alice e Quil. E seu comportamento estranho apenas piorou com a chegada de Vrau Urban.
Mas aquele Edward não era o Edward que conhecera há muito tempo. Os dois se conheceram como inimigos e rivais e provavelmente Jacob já pensara em matar Edward umas oito ou dez vezes... mas esta fase passou. Edward e ele acabaram se tornando, por ironia do destino, parte de uma mesma família; uma mesma e estranha família. O vampiro era um pai exemplar e um marido inspirados, Jacob jamais revelou isso a ninguém, nem mesmo a Nessie, mas ele invejava a forma como Edward se portava para com a esposa e a filha... era um homem honrado. Apesar de chato.
Agora, aquele vampiro que estava parado à sua frente definitivamente não fora o mesmo que conhecera.
E não era apenas a expressão em seu rosto. O assustador mesmo eram seus olhos. Indecifráveis. Não havia ódio ali, nem mágoa, nem projeção de vingança... não havia sinal de tristeza, de desespero ou medo. Os olhos de Edward, de um dourado cristalino, eram como dois poços flamejantes de ouro... vazios, imperscrutáveis e frios. Edward Cullen havia se transformado em algo diferente e somente agora, ali, diante daquele lugar enfeitiçado, Jacob percebera o que faltava nele.
A alma.
Era assim que provavelmente Edward fôra antes de Bella... antes de Renesmee. Quando os Volturi levaram as duas, não tiraram apenas uma esposa e uma filha, mas sim, uma alma e um coração. Edward, sem Bella ou Nessie, era como uma casca vazia e solitária. Um ser sombrio e insensível. Um vampiro pleno.
Mas nada poderia preparar Jacob para o que Edward planejara, e ali o lobo pensou em questionar o que levou o vampiro a enviar os companheiros através dos campos da Toscana para desligar o feitiço enquanto eles permaneceram parados junto de um Volturi exilado... mas não foi preciso dizer palavra alguma. Ele não era o único que percebera que Edward pensava em algo além de desativar o feitiço.
– Cullen – disse Alec numa voz afiada – Seja lá o que queria fazer ou dizer... faça de uma vez. Eu detesto suspense.
Edward encarou o vampiro cego com os mesmo olhos inexpressivos. Alec mantinha seus próprios olhos fechados na ausência de Kaori enquanto permanecia na escuridão de sua cegueira, entretanto, apenas sua visão era comprometida, sua sagacidade continuava tão boa quanto em qualquer outra época de sua vida.
– Charlotte – chamou Edward tirando a feiticeira de sua concentração – Eu preciso de um favor.
– Eu estou ocupada, depois conversamos.
– Você precisa esperar enquanto os outros alinham as rochas, não é mesmo? Mil e duzentos quilômetros, isso nos dará o que? Uma hora ou pouco mais?
– Mais ou menos isso...
– Ótimo, então preciso que realize um feitiço para mim.
– Feitiço...? – repetiu a bruxa sem compreender.
– Ah, isso está ficando cada vez melhor... – suspirou Alec animado – O que você pretende fazer... me transformar num sapo?
– Não – respondeu Edward sério – Preciso de um feitiço de isolamento, se é que isso existe. Uma barreira que nos isole de tudo... algo que não permita que o som de nossas vozes se propague a uma distância grande.
– Você não quer ser ouvido... é isso? – questionou Charlotte agora prestando mais atenção.
– Exato. Quero ter uma conversa com vocês e não quero que mais ninguém ouça.
– Uau! – riu Alec uma vez mais.
– O que você pretende, Edward? – perguntou Jacob já incomodado com o comportamento do vampiro.
– Vão saber se Charlotte tiver como providenciar um feitiço como pedi.
Houve um momento de hesitação onde a bruxa não se moveu, mas Charlotte notou aquela centelha de luz nos olhos de Edward, algo que a deixou intrigada para saber o que o vampiro havia planejado. Ela sabia que os Cullen eram uma família deveras unida... mas isso não impediu que Edward enviasse o pai e o irmão para longe a fim de conversar a sós com eles; era algo que envolvia Alec e onde Jacob provavelmente seria uma peça fundamental ou Edward teria enviado o lobo junto com Seth.
– Eu posso fazer seu feitiço, mas ele não durará mais do que uma hora.
– Uma hora será suficiente – declarou Edward.
Charlotte ergueu-se do chão e foi até a mochila que Seth havia deixado no chão antes de se transformar em lobo e sair correndo com as pedras na boca; da bagagem ela tirou um cantil de água e cuidadosamente colocou o dedo indicador no líquido cristalino. Jacob acompanhou com atenção quando a bruxa pingou uma única gota de água na palma de sua mão esquerda.
A bruxa, aproximou os lábios do pequeno e ralo punhado de água e sussurrou palavras antigas numa linguagem que Jacob não entendeu. Nada aconteceu durante os momentos que se seguiram, mas, então, o pingo de água fulgurou num brilho luminoso como gelo resplandecente e flutuou alguns centímetros sobre a mão da bruxa. Parecia uma pequena e graciosa gota de cristal brilhante.
E a gota flutuante, com um lampejo de luz, começou a inchar e crescer e expandir de tamanho rapidamente. Foi crescendo até tornar-se do tamanho de uma bola de basquete e não parou aí. Jacob suspirou e deu um passo para trás quando a esfera brilhante tocou a mão da bruxa absorvendo-a para seu interior; mas Charlotte não deu qualquer sinal de estar sentindo algo. No interior da esfera cristalina, Jake podia ver a mão e o braço da feiticeira perfeitamente normais.
A esfera cresceu e cresceu até que a feiticeira se encontrasse completamente dentro de seu interior, ela revirou os olhos com a expressão de susto de Jacob. Logo, aquela magia também se expandiu até que cresceu em direção a Edward que não deu qualquer sinal de hesitação; ao mesmo tempo Alec também era consumido pela esfera, apesar de que o vampiro menino tinha uma expressão de repulsa no rosto, ele não gostava de magia.
A esfera inchou até o tamanho do cômodo de uma casa, ampla o suficiente para envolver sete ou oito pessoas e duas vezes mais alta que um homem comum, parecia um pequeno pavilhão de cristal reluzente. Edward moveu os lábios chamando para que Jacob entrasse na esfera, mas o lobo não ouviu qualquer som saindo da boca do vampiro, Alec também fez um comentário, mas Jake tornou a não ouvir nada e só então percebeu que aquele era o feitiço exigido por Edward... uma mágica que impediria que qualquer um pudesse ouvir o que era dito em seu interior.
Impacientemente, Edward fez um sinal para que Jacob entrasse na esfera e depois de um momento de desconforto, ele o fez. Ao primeiro toque, Jacob sentiu como se tivesse encostado em água, como quando um filete de água corre por uma parede lisa, era gelada e sutil, mas estranha. Com um pouco mais de força, ele rompeu a barreira do encanto e sua mão entrou para o interior da esfera com facilidade e Jake percebeu que a água não era capaz de molhar sua pele... era como uma névoa liquefeita.
Um segundo depois já estava no interior da esfera.
Ele notou que ali era como um quarto completamente fechado. A translucidez do feitiço dava um tom desfocado ao mundo exterior, como uma paisagem vista de um vidro levemente disforme; o som de seus passos na relva era abafado e ele notou que nenhum ar entrava ali. “Um humano comum morreria asfixiado em poucas horas aqui dentro”, pensou Jacob consigo mesmo.
– Está feito – disse Charlotte, a voz saindo também num tom abafado devido a completa ausência de som do ambiente.
– Do lado de fora ninguém nos ouve? — quis saber Edward.
– Não – respondeu Jake – Nenhum som escapa desta bolha esquisita.
– Excelente – disse Alec batendo palmas – Agora podemos ter nossa reunião secreta.
– Vamos logo com isso, Edward – reclamou Jacob – Este lugar me dá calor.
Edward encarou Alec por alguns momentos como se avaliasse o que existia por baixo da máscara de deboche do Volturi, Charlotte estava silenciosa como um cadáver e Jacob começou a suar com o ambiente abafado.
– Você nos disse, enquanto vinhamos para cá, que os Mercadores da Morte não habitam Volterra – começou Edward – Mas que Volterra possui muitos guardas e cavaleiros, além do fato de a Toscana ser a o local com a maior concentração de vampiros do mundo, todos vassalos dos Volturi, que viriam ao socorro de seus mestres o mais rápido possível, não é mesmo, Alec?
– Flávius Aurélius é o Senhor do Pináculo da Luz. Local onde habitam os Mergadores da Morte, fica ao sul da Itália... muito distante de Volterra e eles demoram muito para se locomover, afinal, trata-se de um exército de vampiros. Mas toda esta região é feita de reinados, de pequenos feudos cujos condes, condessas, arquivampiros, lordes, barões e baronesas prestam lealdade aos Três. E são centenas...
– Muito bem, eu quero saber quais são nossas chances reais de entrarmos no castelo sem sermos percebidos.
– Pequenas – respondeu o Volturi – Mas não nulas. Temos que fazer o possível para entrarmos pelo Portão sul, é o lugar guardado por Stevan... um completo idiota, tão imbecil que eu o julgo retardado, mas o Portão Sul é o mais distante das prisões, teríamos que atravessar todos os pátios descobertos por onde ficaríamos bastante expostos.
– E os outros portões? — perguntou Jacob.
– Impossíveis. O Portão norte e o Portão oeste são os portões de acesso à cidade, sempre há pessoas caminhando por ali, moradores ou turistas, e há câmeras nas ruas para a segurança do município, mas também que servem de segurança ao palácio. Além de haver mais guardas nestes locais.
– Além dos feitiços, Aro também emprega tecnologia? — ironizou Jacob.
– É útil e mais fácil que magia, seu imbecil peludo.
– Norte, sul e oeste... existe um Portão Leste? — perguntou Edward.
– Este nós devemos evitar ao máximo – respondeu Alec com uma expressão sombria e indecifrável – O Portão Leste é a casa de Matheu Di Galeone. Ele é mais um prisioneiro do que um servo dos Volturi, mas por seu passado ele deve lealdade aos Três... Matheu é poderoso demais, teríamos baixas consideráveis antes de conseguir derrotá-lo.
– Se ele é um prisioneiro não seria fácil convencê-lo a nos ajudar? — perguntou Jacob.
– Não – disse Alec categórico – Matheu tem muito a arriscar se trair os Três. Ele preferiria nos destruir a nos auxiliar e por em jogo tudo o que lhe resta. Além do mais, Matheu tem uma mágoa profunda contra minha pessoa, se eu chegar perto dele como um desertor a primeira coisa que fará será separar minha cabeça do corpo.
– O que você fez para ele?
– Isso não vem ao caso agora... de qualquer forma, o Portão Sul é nosso único caminho.
– Que seja – disse Edward – Se conseguirmos resgatar Bella, Alice, Nessie e Quil na surdina ou com o mínimo de alarde... poderíamos escapar?
– Há centenas de guardas no palácio, Cullen – debochou Alec – Centenas. E muitos são poderosos. E há também a própria Guarda Real dos Três... Não sei se se recorda, mas Felix praticamente te matou e fez isso sozinho, a guarda não se constitui só dele. Há cavaleiros espalhados pelos pontos principais e estratégicos para virem o mais rápido possível no momento me que o alarme for soado. Então, hipoteticamente falando, se conseguíssemos regatar sua querida família lá dentro e saíssemos sem que ninguém percebesse, bem, teríamos que refazer todo este caminho novamente... mas até lá os Três já se darão conta da ausência de suas prisioneiras. Sua esposa e filha não estão nas catacumbas e Renesmee está mais na companhia da Guarda do que em seu quarto. Ou seja, é impossível que alguém não nos nos veja. Provavelmente morreremos todos no momento em que pisarmos no palácio.
– Está dizendo que viemos até aqui a toa? — rugiu Jacob.
– Não, vieram morrer ao lado das mulheres que amam... o que já é alguma coisa, não é? — riu Alec – Olha, eu vou entrar lá e matar minha irmã, é para isso que estou indo, mas não estou pensando em sair de lá com vida e é aí onde o erro de vocês consiste. O que vocês pensam? Que vão entrar e sair de Volterra ilesos? De Volterra, a Cidadela dos Vampiros? Vamos lá, nem vocês podem ser tão ingênuos assim. Estão aqui por honra, ou amor ou qualquer outro bla bla bla que Carlisle tenha ensinado a vocês... mas não vão sobreviver. Enfiem isso na cabeça de vocês de uma vez por todas, vocês estão aqui para tentar, mas só isso, e já é alguma coisa. Eu admito que é um ato de coragem, sério mesmo, mas não vai passar disso.
Jacob teve ganas de esmurrar Alec, o vampiro menino olhava para eles com seus olhos cegos e um sorriso jocoso nos lábios, mas o pior de tudo é que o lobo sabia que ele não deixava de ter razão no que dizia. Friamente calculando, as chances deles eram ridículas e somente agora, ali, às portas de Volterra, Jacob percebeu que talvez toda a sua força não fosse enfim suficiente para salvar Nessie... era tudo muito impossível para dar certo.
– Eu não vim até aqui para morrer, Volturi – rugiu o lobo uma vez mais.
– Então volte para casa com o rabo entre as pernas e viva – respondeu Alec sem se intimidar com a fúria de Jacob – Porque de outro modo você irá morrer...
– Então não temos chance? — perguntou Edward num tom alto sob o olhar temeroso de Charlotte que a tudo assistia com um horror crescente.
– Não.
– A não ser que destruamos Volterra e os Três – afirmou Edward, mas sua resposta foi uma explosão de gargalhadas de Alec, o vampiro menino ria tanto que seu corpo sacolejava e somente depois que percebeu que Edward não estava brincando foi que parou e sorriu de forma dúbia.
– Você ficou louco, Cullen? — disse Alec – Destruir Volterra... destruir os Três? Com o que? Um exército de lobos fantasma ou o espírito de seus irmãos mortos? Você tem uma ogiva nuclear escondida nos bolsos das calças? Acho que a quase morte lhe fez mal, Edward, você perdeu a sanidade, eu achava que você estava empenhado em sua missão, mas agora percebo que na verdade perdeu o juízo.
– Não estou louco, Alec. Se vamos morrer então levaremos todos para o túmulo. E talvez ainda consigamos salvar todos e ainda sapatear sobre as cinzas de Aro, Caius e Marcus.
– Sério? E que plano mirabolante você tem nas mangas para fazer isso? Mesmo sem os Mercadores da Morte Volterra é indestrutível. Vocês tinham um poderio considerável antes, mas agora não têm nada. Então me conte, Edward, como você pretende destruir os Reis? — gracejou Alec.
– Eu vou libertar Arian – disse Edward de forma direta.
Jacob já vira Alec gracejar, insultar, debochar e humilhar; seu rosto sempre tinha um sorriso jocoso e seus olhos cegos ainda mantinham um ar de superioridade e prepotência que irritavam o lobo. E o Alfa admitiu para si mesmo que Alec fora muito corajoso e destemido ao enfrentar sozinho e cego os mercenários enviados para matá-lo... para ser franco, Jake ficara admirado com a sagacidade de Alec e foi obrigado a reconhecer que Alec poderia ser muitas coisas, mas covardia não era um de seus defeitos.
Mas a expressão de medo que tomou conta do Volturi causou estranheza até mesmo em Jacob.
Pela primeira vez ele vira Alec com medo e para um vampiro que não temia nem mesmo a morte isso significava muito. A expressão de susto e horror fez com que Jake ficasse ele mesmo temeroso, os olhos cegos e leitosos de Alec se arregalaram e sua boca abriu-se num grande “o” mudo. E esta mesma expressão e este mesmo medo também estamparam o rosto de Charlotte.
E Jacob percebeu que este era o plano sombrio de Edward, o pensamento obscuro que Salesiana o aconselhara a esquecer; este era o estratagema que ele não partilhara com ninguém... nem mesmo com Carlisle. O lobo pensou em questionar o companheiro, mas decidiu não fazer isso na frente do Volturi que agora, aos poucos, recobrava-se do choque.
– Vo... você está brincando – afirmou Alec esforçando-se para manter o sorriso nos lábios, mas seus sorriso antes altivo saiu trêmulo e quebrado.
– Não estou. Eu perguntei quais eram nossas chances e você deixou claro que morreremos todos. Eu ouvi Erestor, Salesiana e Charlotte falaram sobre este Arian, um vampiro tão poderoso que dizimou todos os Mercadores da Morte no passado e só foi aprisionado graças aos feitiços do pai de Charlotte. Mas agora Forje não está aqui e Aro não sabe fazer feitiços, os Mercadores da Morte e seu General estão há milhas de distância... se for para morrer, morrei com orgulho desde que Aro, Caius e Marcus me sigam para o túmulo.
– Não sabe o que diz – sibilou Alec agora não escondendo seu terror – Arian é uma tempestade, uma tormenta. Ele é indomável. Provavelmente destruiria tudo... inclusive sua esposa e filha...
– Prefiro ver Renesmee e Bella mortas a aprisionadas pelos Reis.
– Edward, você não pode definir o destino de Nessie – reinou Jacob.
– ELA É MINHA FILHA, LOBO – berrou Edward sobressaltando a todos, era raro vê-lo com esse comportamento e Jacob calou-se – Eu a criei, ela é parte de mim... eu tenho todo o direito sobre o bem estar dela e prefiro que Renesmee morra a se tornar uma Volturi pelo resto de seus dias.
– Arian destruiria Volterra, destruiria os Reis... mas há uma grande chance de ele destruir tudo. Você não o conheceu, Edward, não sabe do que ele é capaz – choramingou Alec – Arian é poderoso demais para ficar a solta.
– Alec diz a verdade, Edward – disse Charlotte dando um passo a frente, se era possível, estava tão assustada quanto Alec – Eu apenas ouvia rumores sobre os feitos de Arian, o via apenas algumas poucas vezes, mas o poder estava lá. Ele não pode ser libertado.
– Ele é assim tão poderoso? — perguntou Jacob – Que dom especial este cara tem?
– Aí que reside o problema... Arian é um criador de dons.
– O que?
– Ele cria seus próprios dons, os mentaliza. Se ele quiser ler pensamentos, ele o faz; se quiser prever o futuro, ele prevê; ele cria seus próprio dons, os confecciona, entende? Obviamente não pode manter ou acumulá-los, mas já o vi possuir oito ou nove dons diferentes ao mesmo tempo.
– Misericórdia! — arfou Jacob.
– E o que o faz pensar que ele destruiria tudo e não apenas os Volturi? — questionou Edward.
– Ele está preso a quase mil anos... o que te faz pensar que ele sairá de lá de bom humor? — irritou-se Alec.
– Ele é uma arma, e toda arma tem um ponto fraco, mesmo um ser poderoso como ele. Então nos conte, Alec, o que é o ponto fraco de Arian?
– Não é o que... mas quem – respondeu taciturno o Volturi.
– Quem? — estranhou Jacob.
– Uma vampira. Bianca... Bianca é o ponto fraco de Arian, ela é a dona de seu coração.
– Bianca, a primeira esposa de Aro? — surpreendeu-se Edward – A que está presa nas catacumbas de Volterra?
– Ela mesma... um dos motivos pelos quais ele foi selado.
– Por uma mulher? — foi a vez de Jake rir – Eu achei que havia sido por ele se indispor com as tirânicas leis dos Volturi e não por ter tentado roubar a mulher do pai...
– Você fala do que não conhece, seu idiota – chiou Alec.
– Então teremos de saber exatamente do que estamos falando – disse Edward – E você vai me contar, Alec, você estava lá... “eu deveria ter ficado ao lado de Matheu e de Arian”, estas foram suas palavras para Kaori. Sim, eu as ouvi enquanto vocês conversavam na mata afastados de nós. Você traiu Matheu e Arian e eu quero saber esta história... e quero saber agora.
– É uma história muito complexa... — balbuciou Alec.
– Então sugiro que comece logo – disse Edward inclemente.
Alec pareceu constrangido e isso era algo que Jacob jamais pensou em ver vindo de um Volturi, era como se o vampiro tivesse vergonha do que revelaria, como se o arrependimento ainda estivesse ali, latente, quente, corroendo-lhe as entranhas. Mas Alec, por fim, falou...
… e foi assim que Jacob Black ouviu sua história.
Eu realmente estive lá... há quase mil anos.
Arian foi um viking.
Ele veio de um mundo gelado habitado por gigantes de gelo... você se intimida apenas de olhar para ele, tão grande como seu lobo de estimação aqui, forte como um rinoceronte e com olhos tão selvagens quanto os de um tigre. Nasceu na Escandinávia, Noruega talvez, e era filho de um Rei poderoso entre seu povo, seu pai chamava-se Aesir e era muito rico com vários jarls e karls sob seu comando. Era uma tribo grande e dispunham de imensos navios para cruzar o mares em busca de riqueza e glória... os vikings amam a glória.
Arian tinha treze anos quando seu pai morreu nas costas da Groenlândia e como herdeiro foi obrigado a reinar; por sorte, mesmo naquela tenra idade, já era um guerreiro nato e destemido... Arian nasceu para guerrear, está em seu sangue, é sua habilidade natural. Ele destruía qualquer rival com a força de seu punho ou usando sua arma favorita: um grande machado de lâmina dupla tão afiado que era capaz de dividir ao meio um homem.
E como amava a glória aquele homem! Tanto que cruzou os mares até a Europa atrás dela, mas tudo o que encontrou foi a morte... seu navio naufragou nas costas do Mediterrâneo e todo o seu povo, todos os guerreiros que o acompanhavam morreram afogados. A muito custo, e praticamente moribundo, Arian encontrou a praia e se deixou nas areias para morrer... mas um vampiro o encontrou e o tornou seu filho.
E Aro criou um companheiro para si.
Arian viveu durante sessenta e cinco anos como vampiro livre... e mais de setecentos enclausurado numa masmorra solitária, apartado dos que lhe eram caros, próximo de seu amor e ao mesmo tempo longe. Pois Bianca foi selada um nível acima do dele... e o feitiço da cela dela era pior que o da dele, pois nem mesmo um telepata poderia transpor a barreira mágica das portas de seu cárcere.
Mas eu estou me adiantando, não é mesmo?
Aro e Arian se davam bem. Acho que talvez por este motivo tudo tenha desandado ou alcançado o nível de desgraça que alcançou... os dois tinham pensamentos parecidos de glória e conquistas; eram irmãos de pensamentos. Aro passava horas e horas conversando com Arian, meses viajando com ele pelo mundo mostrando todas as maravilhas que havia para se ver; mostrou a Arian as estrelas e os planetas, ensinou-lhe filosofia, artes, geometria, história e ciências... tornou o selvagem viking num homem além de seu tempo tal como o Rei queria que fosse.
Mas com o passar das décadas Arian mostrou a que realmente veio. Eram tempos conturbados aqueles quase mil anos atrás... havia sempre uma revolta, sempre alguém tentando usurpar o poder dos Volturi, sempre um louco procurando libertar os vampiros do anonimato e que defendiam uma verdadeira guerra de sangue contra os humanos. E, o pior de tudo, existiam os lobisomens.
Arian, no início, não compreendeu seu dom. Na verdade, todos imaginaram que ele apenas era um guerreiro nato... um lutador batizado em batalhas, curtido em aço e ferro; mas com o tempo percebeu-se o dom de Arian, um dom absurdo, um dom que até então nunca havia sido visto antes... o dom da criação. Ele é um manejador de dons, um arquiteto de manifestações de sua própria vontade.
Ele criou dons para si só. Coisas assustadoras que, para ser franco, causou um certo horror e medo até mesmo nos Três. Aro e Caius viviam sussurrando pelos cantos escuros de Volterra: “será que ele descende dos Primeiros Filhos?”. E o nome de Arian causou terror aos inimigos dos Volturi, o filho de Aro foi o responsável, em parte, por todo o poder e prestígio que hoje os Três possuem.
Arian tornara-se algo que Aro apenas poderia imaginar... um filho poderoso como aquele garantiria aos Volturi um poder avassalador sobre os vampiros. Garantiria a Aro, Caius e Marcus a monarquia eterna sobre os da nossa raça. Mas os Três queriam muito e foram longe demais e talvez o próprio destino tenha-os punido... não é sábio tentar dominar tudo como os Reis tentam fazer, não é natural cobiçar o mundo todo. O mundo não pertence apenas há três indivíduos.
A imensa vantagem dos Volturi era também a sua maior fragilidade. Arian é conhecido hoje como a Ruína de Volterra. Algo que mancha a alma de Aro, que atormenta seus pensamentos lentos e antigos... o riso alegre e retumbante de Arian ainda atormenta sua mente.
Era fácil gostar de Arian... vikings são geralmente alegres, baderneiros e beberrões. O som da voz de Arian era como um trovão retumbante, como uma montanha em movimento... era alta, alegre e exagerada assim como seu riso ecoante e sincero. Não havia maldade em Arian, ou ao menos não a malícia que os Três possuem, não, Arian era diferente, ele apenas gostava de lutar... nascera para lutar. E obviamente houve imensas disputas entre ele e os habitantes de Volterra; Arian sempre organizava torneios idiotas de força entre ele e os cavaleiros do castelo, mas era uma bobagem... ele sempre vencia. Ou, pelo menos, até um jovem Mercador da Morte surgir entre as fileiras de Flávius Aurélius e que conseguia enfrentar Arian em pé de igualdade.
Matheu era um guerreiro destemido também. Alto e poderoso em sua armadura de combate romana só perdeu para Arian graças ao dom divino que o Príncipe de Volterra possuía... mas Matheu deu trabalho, para ser franco, a testa de Arian até hoje exibe uma cicatriz fina e singela da ponta da lança de Matheu. Mas era claro que Arian não veria no Mercador da Morte um rival, mas sim um irmão.
E os dois combinavam perfeitamente... guerreiros natos, homens simples que só queriam poder enfrentar e matar adversários poderosos.
E eu ria com eles, andava com eles e os amava. Passava mais tempo na companhia de Arian e Matheu do que ao lado dos Três, lutávamos lado a lado, feríamo-nos lado a lado, desmantelávamos ameaças aos Volturi como uma diversão de fim de semana. Na época em que Aro chamou de a “adolescência vampira de Arian”, passamos quase oito anos fora de Volterra enfiando-nos em guerras pelo mundo... adorávamos combater. Era nosso passatempo... nossa forma de viver.
Mas então aconteceram as Guerras Secretas... e Bianca.
Quando foi que Arian e Bianca se apaixonaram? Eu não sei. Os dois tinham praticamente a mesma idade vampira, Bianca chegara a Volterra um pouco antes de Arian, mas os dois sempre conviveram normalmente; a bem da verdade, Arian só tinha olhos para suas aventuras durante as primeiras décadas de sua vida imortal e não era capaz de prestar atenção a bobagens como o amor.
Mas acho que este foi o problema.
Arian já tinha vinte e cinco anos de idade quando se tornou vampiro, vinte e cinco anos para um viking é muito tempo, os guerreiros vikings costumavam morrer mais jovens do que isso e eram glorificados. Para seu povo, Arian já era um velho, e ele tinha consciência deste fato. Depois de muitas décadas, quando Arian aproximou-se de seu quinquagésimo aniversário, ele percebeu que já deveria ter morrido e o gosto por tantas aventuras diminuiu um pouco em seu interesse... e foi justamente esta vaga em seu coração que permitiu ao amor entrar e esgueirar-se para sua alma como uma erva daninha.
Eu sou velho apesar do corpo jovem. Já vi e ouvi muitos pensadores falarem sobre o amor e muitos poetas escreverem sobre o amor... mas é uma bobagem sem medida; o amor é a maior maldição que algum deus deixou ao homem. Por que haveria de o destino permitir que os dois se apaixonassem? Bianca, esposa de um rei... Arian, filho do mesmo rei. Parece um toque cruel demais da ironia do amor.
E Arian sofreu... ele amava o pai e disso ninguém duvidava, mas era impossível resistir a Bianca. Ah, Bianca. Lembro-me até hoje de seu rosto infante... Aro não resistiu à paixão e a transformou com quinze anos de idade; uma jovem veneziana de longos cabelos dourados, lábios doces e delicados e um rosto tão diabolicamente belo. Bianca não era um poema, nem uma canção, que os céus me perdoem, mas Bianca era o pecado personificado em forma de menina.
E ela amava o poder. Acho que amava Aro pelo poder, obviamente apreciava a companhia do Rei, mas não era nada exuberante. Com Arian era diferente, ela o amava pelo poder, afinal, ele era o poder de Volterra, a força dos Reis, a Fúria da Tormenta... mas Bianca também amava seu corpo, sua alma, sua sagacidade, seu riso alto e sua voz retumbante; amava seu porte, suas mentiras bobas; amava tudo em Arian. Amava-o todo.
E isto foi, além de qualquer coisa... a Ruína de todos nós. Eu e Matheu avisamos Arian de que isso se tornaria uma tragédia sem precedentes, afinal de contas, o que faria Aro quando descobrisse que o filho amava a sua jovem esposa? Destruiria-o? Como? Arian era poderoso demais... forte demais...
E foi aí que as desavenças começaram.
Arian afastou-se do pai. Afastou-se da Corte. Ele afastou-se de Bianca por amor a Aro. Mas este afastamento não caiu nas graças do Grande Rei, Aro amava o filho e o queria por perto e então as discussões dos dois passou a se tornar cada vez mais acaloradas com o tempo. Até que Arian se indispôs com o modo pelo qual os Reis domavam seu povo... os vampiros eram tratados como camponeses, como serviçais, eram destruídos ao menor sinal de desgostos dos Três e isso Arian começou a achar injusto.
O amor nos transforma. Deixa-nos molengas... torna-nos doces e acho que isso transformou o coração de Arian. De guerreiro imoral ele passou a se preocupar com os vampiros, queria dar-lhes uma vida justa, julgamentos justos, queria que fossem livres para caminhar sem medo da sombra de Volterra. E isso soou mal aos ouvidos dos Reis, afinal, não há nada que os incomode mais do que a anarquia e vampiros livres, soltos e desimpedidos representava a ruptura de seu sistema monárquico.
Mas ainda nesta época Aro não desconfiava que a revolta de Arian fora originada do sentimento que nutria por Bianca. Mas Bianca também mudou, ela tornou-se mais fria para com o Rei, tornou-se mais calada sob a ausência de Arian e nos raros casos em que o Príncipe surgia na corte, seu rosto acendia em um sorriso solar.
Aro era ainda mais velho que eles, pelo menos meio milênio mais velho... e obviamente começou a notar que algo estava acontecendo bem debaixo de seu real nariz. Acho que tudo poderia ter desandado de forma ainda mais trágica se não fosse os Lobisomens do Leste Europeu.
Há muito tempo, tempos imemoriais, Níneve, uma das mais Velhas, uma Filha das Eras, a Rainha dos Vampiros, aprisionou Lycos Garoupe num lugar esquecido pela história. Lycos, o Senhor dos Lobisomens. O primeiro. Uma das criaturas mais velhas a caminhar sobre a Terra. Dizem, os anciões que cuidam dos costumes de nosso povo, que Lycos caminhava sobre o mundo desde os tempos da Criação quando o mundo ainda era jovem.
E com Lycos adormecido, ninguém soube explicar como surgiu novamente a praga dos Lobisomens. Os seus queridos lobos de La Push pareceriam filhotes fofos perto dos Lobisomens. Eram chamados de Bestas da Lua e obviamente sua transformação dependia do calendário lunar... mas eram seres bestiais, horrendos, alguns alcançavam três metros de altura... mas houve relatos de maiores; seus pelos eram densos e imundos, seus olhos amarelos como dois sois incandescentes... eram muitas vezes mais fortes que os vampiros, muito mais rápidos, muito mais letais e completamente fora de controle.
Mas o pior era que seu veneno era muito mais potente que o nosso... não apenas suas presas e sua saliva eram venenosas, mas suas garras também. Com um arranhão transmitiam seu peçonhento vírus aos humanos tornando-os feras irracionais e violentas. Em épocas de lua cheia a infestação tomou números crescentes... habitantes de vilas e vilarejos inteiros eram transformados em Bestas da Lua.
Mas foi uma sorte, ainda assim, tudo acontecer naquela época remota, o leste europeu é um local gelado e ermo e as criaturas não conseguiram se multiplicar com tanta velocidade ao ponto de se tornarem incontidas. Mas o estrago foi grande. Os Volturi tiveram de intervir, caso contrário, a raça humana corria o sério risco de ser extinta ou de se transfonar numa raça de lobisomens num mundo caótico e infernal.
Obviamente enviaram Arian.
Foram cinco anos de neve, gelo e ventos caçando Lobisomens naqueles cantos do mundo, chacinando feras vila atrás de vila até que a maldita raça fosse aniquilada completamente. Mas o pior era quando a lua cheia não estava reinando no céu, então os encontrávamos em forma humana, mulheres e crianças, velhos e jovens... sabíamos que estavam infectados pelo cheiro. Quando amaldiçoados os humanos tornavam-se meio animais mesmo não estando transformados, vivam sujos e maltrapilhos, comiam carne crua e tinha o hálito pútrido e dentes limosos...
Quantas crianças eu matei naquela época? Quantas mulheres, velhos e homens? Centenas provavelmente, ou talvez mais... muito mais. Mas era preciso. Este foi sempre o mote dos Volturi: Fazemos o que é preciso, o que ninguém mais quer fazer. E depois de anos, conseguimos finalmente extinguir a maldição das Bestas da Lua e o fizemos na calada da noite, nas madrugas inóspitas... por isso as chamamos de Guerras Secretas; as guerras travadas longe da humanidade e apenas por seres sobrenaturais e amaldiçoados.
E foi justamente na ausência de Arian que Aro descobriu o amor entre o Príncipe e sua Rainha. Bianca ficara cada vez mais introspectiva com a ausência de Arian, cada vez mais calada, triste e solitária... sempre perguntava por Arian pelos cantos, sempre buscando saber notícias de seu amor. E obviamente, Aro percebeu tudo e buscando informações através de seus espiões, ficou sabendo do amor secreto entre os dois... isso o enfureceu. Os Reis determinaram que tanto Bianca quanto Arian eram perigosos juntos; Bianca por ser inteligente e sagaz e faminta por poder e Arian por ser o poder personificado, e como a Rainha tinha uma influência imensa sobre o Príncipe, os Três perceberam que o final daquilo seria trágico.
Afinal, para os dois ficarem juntos Aro teria de ser obliterado da equação... e como Bianca amava Volterra, os outros dois irmãos também teriam de ser destruídos e Arian faria isso sem qualquer esforço. Então, para isso, ficou claro que tanto o Príncipe quanto a Rainha deveriam ser neutralizados.
Entretanto, Arian era uma arma de destruição. Obviamente os Reis não pretendiam se desfazer dele, ao menos não até terem certeza de que não conseguiriam controlá-lo e utilizá-lo para seus propósitos malignos... então surgiu a ideia de gerar celas encantadas nas masmorras a fim de prender vampiros. É claro que não há meios de uma prisão comum deter um vampiro e as catacumbas de Volterra são famosas e temidas justamente por isso... a capacidade ímpar para prender imortais por séculos a fio.
E quando as batalhas já estavam no final... eu e Matheu recebemos ordens para retornar a Volterra enquanto Arian terminava o trabalho.
Ao regresso, nada notamos de errado, mas na mesma noite em que chegamos, Aro veio ter comigo me designando para uma missão especial e de suma importância aos Três... eu teria que usar meus poderes para ajudar Forge a lançar um potente feitiço sobre um vampiro. Obviamente eu aceitei a missão, era uma honra poder realizar um pedido direto de Aro... ao encontrar Forge no pátio, não demorou muito para que Matheu também surgisse acompanhado de um jovem rapaz humano que trabalhava nas estrebarias do palácio.
Eu não sabia que Matheu também estava incluído no plano e Forge me olhou com impaciência dizendo: Ande logo, Alec, isto não é muito fácil de fazer. Matheu empurrou o menino e eu lancei meu poder sobre o humano, num segundo ele perdeu todos os sentidos e ficou ali como uma casca vazia, com o olhar vidrado aguardando o feitiço do bruxo... mas a coisa não parou ai.
Foge me olhou novamente: “Os dois”, disse ele.
Eu não compreendi o que ele quis dizer e Matheu também não, ele nos olhou buscando alguma informação que lhe fora ocultada e eu, a princípio, nada fiz, mas Forge estava tenso, os músculos de sua gargante retesados, ele sabia que Matheu era poderoso e se o Mercador da Morte resolvesse se rebelar o bruxo não conseguiria pará-lo.
“Faça logo, são ordens dos Três, neutralize os dois... AGORA” — dissera Forje.
“O que está acontecendo?” — quis saber Matheu já se preparando.
“AGORA” — berrara Forge.
E eu o fiz.
Não havia compreendido o motivo pelo qual os Três haviam decidido enfeitiçar Matheu, na hora eu não pensei, havia aquela ideia tácita de que as ordens dos Reis eram inquestionáveis e mesmo Matheu sendo meu amigo eu obedeci... foi meio que automático, meio que instintivo... acho que os servos dos Volturi tem esse problema, obedecemos sem pensar.
“Eu também quero saber o que está acontecendo aqui, Forge” — eu perguntei irritado, mas o bruxo nem ao menos me olhou.
“Ordens são ordens” — dissera ele riscando um círculo no chão ao redor de Matheu e do rapaz e se colocando lá dentro — “Não nos cabe questionar e você sabe muito bem disso... para seu próprio bem, fique longe deste círculo”.
E ele realizou o feitiço... eu me lembro de o céu ter desabado sobre a minha cabeça. A lua e as estrelas brilhavam a centímetros de meus olhos e as palavras entoadas no vento me hipnotizaram. Lembro-me dos gritos também. Do desespero daqueles dois homens e do som hediondo que o menino fez quando sua alma lhe foi extirpada do corpo e enfiada em Matheu.
E eu me lembro de meus próprios gritos de horror quando o feitiço terminou. O menino estava caído no chão como uma fruta seca e Matheu nos olhava com um olhar perdido e vazio. Eu me aproximei dele e encarei meu amigo sabendo que eu, em parte, fora responsável por aquilo.
“O que fez com ele?” — perguntei.
“O que foi ordenado a fazer” — respondeu Forje que, em seguida, ordenou a Matheu que o seguisse imediatamente.
Por dois dias eu não o vi ou soube notícias dele, porém, ao amanhecer do terceiro dia, para minha surpresa, Flávius Aurélius entrou na cidade com sua horda de Mercadores da Morte e, ao anoitecer, me surpreendi novamente... pois Arian surgiu nos portões ante uma convocação urgente de nosso Rei.
Eu fui encontrá-lo e ele me olhou com uma expressão confusa no rosto.
“Onde está Matheu? Ele me chamou com urgência... o lobisomem foi morto?” — perguntara ele.
“Lobisomem?” — disse-lhe sem entender.
“Sim, a mensagem de Matheu dizia que um lobisomem os seguiu... mas porque não o mataram se era apenas um? Onde ele está? Feriu alguém?”
“Arian, do que está falando? Não há lobisomem algum aqui em Volterra...”
Mas no momento em que falei isso eu entendi tudo. O feitiço fora usado para controlar Matheu pois sabia-se que Arian confiava nele acima de qualquer outro; Forje o enfeitiçara para atrair Arian até aqui e eu havia ajudado. Mas no momento em que lancei um olhar de compreensão para Arian uma trombeta de guerra soou e reverberou pelos pátios solitários.. e uma onda de Mercadores da Morte caiu sobre nós.
Instintivamente eu ativei meu dom neutralizando a primeira leva que nos atingiu... Arian sacou seu gigantesco machado e decapitou os atacantes cegos, eu vi a ira crescer em seus olhos rubros. “O que significa esta traição?”, bradou ele em meio à balbúrdia. Eu matei os primeiros mercadores da morte, mas eram muitos e logo tomaram conta, me agarraram e me imobilizaram arrastando-me de perto de Arian, deixando-o sozinho em meio a toda aquele exército maldito.
Quando dei por mim estava nos salões e Aro, Caius e Marcus me olhavam de cima.
“Arian tem de ser detido, Alec” — dissera Caius — “Ele tramava tomar o trono de nós, casar-se com Bianca e levar a perdição aos humanos”.
“Não, meu mestre” — eu falei desesperado — “Arian jamais faria isso, alguém o traiu, alguém inventou esta história por inveja ou qualquer outro motivo fortuito. Arian jamais trairia meu mestre Aro... ele ama Volterra. Deve haver algum equívoco.”
“Não há” — disparou Aro sem qualquer remorso na voz, seu rosto tomado por uma máscara de fria fúria — “Meu filho e Bianca estavam confabulando um golpe. Ambos pretendiam tomar Volterra para si, você considera que eu destruiria meu filho de bom grado sem um motivo grave como este, servo? Arian deverá ser contido”.
“Não pode destruí-lo, meu mestre...”
“Ele não será destruído, sera encarcerado nas celas que Forge preparou e ficará preso para sempre na escuridão. Ele e Bianca partilharão do mesmo destino. Eles que foram amantes agora passarão a eternidade separados. E Alec... tu se unirá a eles ou seguira fiel a nós?”
Minha vergonha me assola até hoje. Eu fui covarde. Sabia por pura experiência que era praticamente impossível lutar contra magia, eu não duvidava que Forje realmente houvesse criado celas encantadas que pudessem aprisionar vampiros para sempre. Eu ouvia o clangor da batalha enquanto Arian, sozinho, lutava contra os Mercadores da Morte... ali eu poderia ter feito minha escolha.
Poderia ter me levantado e ir lutado ao lado de Arian.
Mas fui covarde... e fiquei ao lado dos Três.
O que aconteceu em seguida é história.
Depois de dizimar praticamente todos os Mercadores da Morte e metade do castelo de Volterra, Arian foi obrigado a parar sua implacável fúria quando Flávius Aurélius tomou Bianca como refém a mando do próprio Aro e ameaçou tirar-lhe a vida caso o Príncipe não cessasse sua destruição e se rendesse.
Diante da ameaça a sua amada... Arian se entregou.
Aro o olhou com tristeza, mas foi implacável com ambos... encerrou Arian na quarta profundidade das catacumbas, na última profundidade, enquanto Bianca foi presa na terceira. Foram selados com o encanto de Forje... guardados para sempre, separados, naquelas celas solitárias.
Matheu foi libertado por Aro do encantamento que o prendia... a esta altura, Forje já havia sido morto. Aro deu uma escolha ao Mercador, afinal, era um rei justo... ele sabia que nem eu ou Matheu tínhamos consciência dos planos de Arian, apenas pensávamos que ele e Bianca se gostavam. Assim, Matheu teria de servir sob ordens dos Três enquanto o tempo durasse, caso contrário, Arian e Bianca sofreriam as consequências.
Matheu, então, chantageado, não teve escolha e se tornou um Cavaleiro e desde então, por medo, tem se mantido fiel aos Três a fim de preservar a segurança de Bianca e Arian. Ele é um refém, assim como as esposas de vocês... mas não tem coragem de se impor contra os Reis com medo da retaliação.
Eu me recordo do olhar de Matheu em mim quando ele ouviu a sentença de Aro... não era raiva ou frustração, mas uma decepção tão grande que quase me fez implorar aos Três para me enviaram para as catacumbas junto de Arian e Bianca. Matheu pensou que eu sabia de tudo e que havia auxiliado na tarefa de trair Arian.
A bem da verdade eu não sabia de coisa alguma... mas sou culpado de ter escolhido o lado errado e de viver com a culpa por todos os dias da minha vida há quase mil anos.
– Esta é, basicamente, a história de Arian. Ou pelo menos o pouco de seus sessenta anos em que viveu em liberdade... o que resta dele naquela cela depois de quase mil anos? Eu não sei – disse Alec pesaroso, mas, estranhamente leve, como se a confissão de seus remorsos o tivesse aliviado um fardo dos ombros – Mas o que tenho a dizer, Edward Cullen, é que Arian não tinha o título de Cavaleiro Deus a toa, ele é o mais poderoso de nossa raça... e é como uma tormenta, não pode ser detido. Antigamente não havia sombras em seu coração guerreiro, mas agora, depois de tanto tempo e de tamanha traição eu não poderia dizer o que restou dele.
Edward, Jacob e Charlotte encaravam Alec com certo receio. Era estranho olhar para um rosto tão jovem e imaginar que ali estava um ser antigo e amargurado. Mas Jacob Black, em verdade, estava com um péssimo pressentimento com relação ao personagem principal da história que Alec contou.
Arian Volturi não devia ser libertado...
– Você acha que Bianca o pararia? — perguntou Edward.
– O amor deles era tão grande quanto o seu por Bella – disse Alec – Mas isso não significa que ele não pegaria Bianca e destruiria o resto de nós.
– Mas provavelmente destruiria os Volturi?
– Destruiria os Três Reis... os Volturi sempre existirão, mesmo Arian é um Volturi.
– O que importa é ter Aro, Caius e Marcus mortos.
– Então, liberte-o – Alec falou exausto – E deixe que ele devaste tudo.
– O encanto está terminando – anunciou Charlotte pouco tempo depois do silêncio que se seguiu às últimas palavras de Alec.
Mas, antes de acontecer, Alec ergueu-se e deixou a presença deles... tinha muito o que pensar em sua mente perturbada e arrependida. O mesmo aconteceu com Charlotte que com uma expressão quase tão sombria quanto a de Alec, deixou a esfera de proteção e voltou para perto de onde fizera o buraco com as ônix... provavelmente a menção do nome de Forge a deixara triste.
Mas ali, na esfera silenciosa, apenas Jacob e Edward permaneceram. Silenciosos como sombras. Edward não olhou para Jacob.
– Então este é o seu plano sombrio – disse o lobo – Por que não o compartilhou com Carlisle, por que me incluiu neste jogo?
– Carlisle jamais apoiaria esta ideia – respondeu Edward distraído.
– E eu apoiaria?
– Quer ter Renesmee novamente em seus braços?
– Não ao custo de o mundo ser destruído, Edward.
– Não temos certeza de que isso vai acontecer.
– Como não temos certeza de que aquele prisioneiro vai nos auxiliar, seu maldito sugador de sangue – retorquiu Jacob furioso aproveitando que a esfera silenciosa ainda os protegia – Ele pode perfeitamente bem sair de lá e acabar com tudo. Eu não confio em Alec, mas sei que ele não mentiu sobre isso, Erestor e Salesiana já nos haviam advertido sobre este vampiro... ele não pode ser libertado. Edward, este Arian dizimou todos os Mercadores da Morte no passado e quase destruiu Volterra e fez isso sozinho! Livre ele pode destruir tudo.
– Pode, mas lembre-se que ele foi traído pelos Volturi assim como nós. Nossa causa é a mesma e, além disso, nós o libertaremos... com sorte nos dará pelo menos a chance de explicarmos.
– Edward... você está arriscando demais.
– Sem Bella e Renesmee eu nada tenho Jacob... um homem sem nada não tem nada a perder ou a arriscar.
E dito isso, o vampiro deixou a presença do lobo.
Segundos depois, a parede esférica começou pouco a pouco a se dissolver, era como se o brilho do sol nascente vaporizasse aquela finíssima película de água e o ar puro e gelado da manhã o atingiu fazendo com que Jacob respirasse aliviado. Aquele vento gelado pareceu clarear um pouco sua mente... e com isso ele considerou o plano de Edward ainda mais louco do que realmente parecia.
Edward estava fazendo tudo escondido e longe das vistas de Carlisle que, provavelmente, não iria aceitar a ideia mirabolante do filho; para isso ele contava com a discrição de Alec... mas isso não era difícil de conseguir, afinal, Alec só queria se vingar da irmã e não se importava de morrer. Charlotte também queria vingança e seu silêncio comprovava que ela ao menos considerava o plano de Edward apesar de estar com medo de tudo o que esta escolha acarretaria.
Jacob sabia que Edward tinha uma certa cota de razão. Arian, querendo ou não, era um curinga, um ás de aspadas... uma jogada que os Volturi não consideravam de forma alguma. Ter o vampiro mais poderoso do mundo ao seu lado faria uma diferença definitiva, ou melhor, seria o que poderia definir a vitoria deles. Era um jogo, e um jogo de morte. Mas se Arian os auxiliasse, se houvesse a mínima chance de ele ajudá-los... os Três Reis estariam condenados e eles teriam sua vida novamente.
Mas Arian livre acarretava outras variáveis desanimadoras... o que faria um ser tão poderoso livre? Como se comportaria? E pior, se Arian resolvesse devastar tudo... como eles o impediriam?
Jacob Black olhou para o céu que clareava aos poucos e teve um péssimo pressentimento. Antes tudo se resumia a vida tranquila deles em Forks e agora havia muita coisa revelada. Vampiros velhos, sociedades secretas, feiticeiras e um vampiro deus. E o lobo, mesmo possuindo a mente e o coração simples, sabia que havia algo mais acontecendo por ali... parecia estar tudo conectado, tudo intimamente ligado, inerentemente desviado para uma direção pré-determinada.
De uma forma ou de outra, o Alfa sentia que as coisas não iriam correr bem, havia esse mal estar em seu coração. E ele sabia que acontecimentos maiores estavam por trás de todo o resto... inclusive sobre a iminente libertação de Arian e Bianca.
Havia algo de ruim nas sombras... algo de muito grave.
“Você pensa em nos libertar, Edward” — pensou Jacob consigo mesmo — “Mas, no fim de tudo, sua escolha pode determinar nossa destruição... e o fim do mundo”.
Notas finais
E foi pensada antes mesmo de Candor Lunar.
Espero vocês na quinta.
Abraços.
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