Candor Lunar - Livro 2

45 Capítulo 42 Edward e Bella, o amor em meio à cólera


Notas iniciais
Olá pessoal. Mil desculpas, acabei sendo relapso uma vez mais com o pessoal do Nyah. Prometo que estarei postando mais rapidamente os capítulos finais de Candor 2 (que, por sinal era pra ter terminado ainda ano passado). De uma forma ou de outra... boa leitura. finalmente um dos reencontros aguardados. Ang.

O semblante de Kaori estava carregado enquanto ela se concentrava para manter a união das mentes de todos os seus amigos, era um trabalho bastante melindroso e ela estava surpresa consigo mesma; seu dom havia evoluído muito desde que conhecera os Cullen. Agora ela era responsável por entrelaçar a mente de todos para que o combate acontecesse de forma sincrônica e perfeita.

Mas não era um trabalho fácil.

Por isso a deixaram na retaguarda para que não se desconcentrasse, Jasper aprendera com seus erros no Canadá e percebera que era fundamental que Kaori ficasse protegida para que a comunicação na frente de combate não cessasse. Mas era realmente ruim, ela era como um condutor, por ela passavam todas as informações, ela ouvia o receio em cada voz, o apuro, a dúvida, a raiva, os comandos... tudo isso passava por sua mente.

– Então, como está indo? – a voz de Bianca soou atrás dela e Kaori não pode evitar um revirar de olhos.

A Rainha mostrava-se bastante impaciente, uma mulher que não suportava ficar sem saber o que acontecia; Kaori poderia tê-la interligado à mente de todos, mas Bianca apenas iria atrapalhar com sua mania de bradar ordens ao outros. Kaori decididamente não gostava dela e quando virou-se para encará-la, notou que Bianca estava do mesmo modo que há horas atrás quando o grande Arian desceu-a do colo depositando-a cuidadosamente aos pés de um abeto de raízes nodosas, Bianca sentara-se sobre uma raiz descalçando os sapatos e cruzando aquelas perfeitas pernas num gesto de descaso.

Justo no momento em que a voz de Edward ecoou em sua mente, ele estava com raiva de Arian.

Nós estamos enfrentando um problema sério aqui dentro, Arian – disse ele – Será que poderia terminar com isso de uma vez e vir aqui nos ajudar? Ou será que você foi libertado apenas para brincar com os Mercadores da Morte e deixar que nós mesmos matemos os reis?

E pouco depois um riso alto de divertimento soou e a resposta de Arian tocou a mente de Kaori como o som de raio partindo uma árvore.

Sois um homem desprovido de humor, Edward Cullen. Irei cortar o meu divertimento para poder assistir a derrocada dos Três. Não se aflija meu amigo, eu estou a caminho.

– O grupo de Edward invadiu o castelo, Quil libertou-se abrindo caminho para eles e Arian ainda luta com os Mercadores da Morte – resumiu Kaori com uma voz automática.

– Jasper está bem? — Alice perguntou preocupada.

– Sim, está ao lado de Edward, o amuleto de proteção de Charlotte ainda está funcionando, mas esperemos que Arian não demore muito com os Mercadores.

– Arian não recebe ordens de qualquer outro – informou Bianca com tranquilidade – Ele irá até seus amigos no momento em que decidir ir, os Mercadores da Morte não podem fazer frente ao poder dele... é apenas uma questão de tempo.

Kaori olhou para a Rainha tentando disfarçar um pouco sua irritação. Ela naturalmente não gostava de Arian por conta do assassinato de Alec, e decididamente não confiava em Bianca. Mas de uma coisa ela tinha certeza absoluta: Arian não podia ser Rei. O guerreiro-deus estava embriagado com a batalha, pensando apenas em seu divertimento aniquilando os Mercadores da Morte, enquanto os companheiros sofriam dentro do palácio para abrir caminho através da Guarda até os Reis. Isso denotava um egoísmo imenso... um Grande Rei dos vampiros não poderia ser tão mesquinho a este ponto.

Todos ficaram apreensivos com Arian, mas Kaori sabia que o verdadeiro perigo era Bianca, obviamente ela não tinha um poder total sobre o Guerreiro, mas uma forte influência, e se Arian se sentasse na cadeira de Aro significava que Bianca seria a próxima verdadeira Grande Rainha de Volterra... e Kaori podia ver o brilho de cobiça que este pensamento causava nela. Não, talvez fosse muito melhor que o mundo dos vampiros ficasse sem Rei... Kaori desejou que Arian mantivesse o pensamento de ser livre e que retornasse a Volterra apenas para terminar de por abaixo o lugar.

Mas ela varreu estas dúvidas da mente e voltou a concentrar-se em seus aliados dentro do castelo, afinal de contas, a comunicação entre ele não podia faltar.

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Alice sentia seu coração escorrer pelo peito. Ela teria dado qualquer coisa para poder estar ao lado de Jasper e quando pensou nisso seu coração deu um tranco e ela ouviu aquela costumeira vozinha em sua mente: ao lado de Jasper... e Matheu.

A aflição ameaçava-lhe corroer o corpo e a alma, era algo como uma montanha instalada sobre seu peito impedindo que ela conseguisse puxar o ar para seus imóveis pulmões. Ela queria que Jasper estivesse bem, mas não conseguia simplesmente ocultar de si o que sentia por Matheu, aquela coisa que florescera de forma tão forte, desigual e inesperada; não, ela precisava saber se o Cavaleiro estava bem, mas temia perguntar à Kaori e levantar alguma suspeita. Talvez fosse mais sábio esconder isso, e quando o pensamento lhe tocou a mente Alice chacoalhou a cabeça com vigor.

Não seja estúpida – disse para si mesma – O que você espera disso tudo? Jasper está aqui e correu meio mundo para salvá-la, você vai simplesmente trocá-lo por outro homem? Nota o quão injusto isso soa? Não, isso é loucura, eu vou esquecer Matheu...

Mas no momento em que pensou isso sabia que era mentira... e um soluço de choro afogou seus pensamentos. O que ela faria? E quando Alice desviou os olhos do Pináculo notou que Bianca a olhava de cima, mas subitamente os olhos da Rainha suavizaram e Bianca sorriu, dizendo-lhe:

– O amor é deveras frustrante, não é mesmo?

– Eu.. não entendo a que se refere, minha Rainha – respondeu Alice usando o tom serviçal a que se acostumara em Volterra. Mas Bianca pareceu gostar daquilo.

– Notei teu olhar sobre Matheu – Bianca falou levianamente e Alice olhou nervosa para Kaori, mas a companheira estava muito concentrada em sua tarefa para notar a tagarelice de Bianca – Não temas, nada direi aos outros.

– Não há nada a ser dito.

– Uma pena, Matheu é como um irmão para mim... eu gostaria de vê-lo feliz. Notei o olhar febril dele sobre ti e lhe digo uma coisa: há amor ali. Oh, se há. Você seria tola se ignorasse isso.

Eu não ignoro, pensou Alice, mas decidiu ficar quieta. Não queria entregar mais do que Bianca já havia suposto e ela sentiu-se subitamente desnuda ante o olhar da Rainha, pelo visto Bianca não era apenas um rosto e um corpo bonito, aquela vampira era perigosamente astuta. Mas além disso, e algo que Alice não tinha como saber, era que Bianca gostava dela. Não por quem Alice era, por seu caráter ou por sua índole, mas por sua beleza; Bianca era suficientemente superficial para cercar-se de todas as coisas bonitas que encontrasse e provavelmente Alice sentiria um terrível frio na espinha se soubesse que Bianca intentava torná-la uma de suas aias assim que os Reis caíssem.

A Rainha havia se admirado com a beleza de Edward e Carlisle e com a sagacidade de Jasper, e ela também ouvira falar na beleza exótica de Bella e de sua filha híbrida Renesmee, até mesmo a beleza dos lobos Jacob e Seth a haviam interessado. Secretamente, Bianca planejava tê-los todos em seu séquito, quando Arian se sentasse no trono ela exigiria que eles fizessem parte desta nova família de Volterra... os Cullen com seus olhos dourados dariam um brilho especial à sua corte, a uma nova corte que brilharia muito mais do que a dos Três.

Assim que Arian se tornasse Grande Rei.

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No fim eles acabaram encurralados. O salão de entrada era grande demais, até quase tão grande quando o de Volterra, e havia muitos corredores e ramificações ali de onde uma enxurrada de guardas e servos jorrava. Com apenas Jasper com seu dom especial, o grupo dos vingadores acabou vendo-se em uma situação semelhante à de Volterra quando foram encurralados em um canto e Jasper teve que afugentar os inimigos com seu dom. Tudo o que havia no salão fora atirado contra eles, mesas, cadeiras, quadros, prataria e até mesmo lustres; Quil colocou-se sobre seus amigos para poder protegê-los com sua armadura, mas por maior que fosse o lobo, ele era incapaz de proteger a todos o tempo todo, a sorte é que os quadros não eram capazes de feri-los, mas realmente distraiam.

O que fazemos?– perguntou Jasper mantendo os guardas afastados com seu poder.

Acabei de falar com Arian, ele ainda está enrolado com os Mercadores – informou Edward.

Então não temos escolha a não ser abrir caminho nós mesmos – disse Matheu erguendo sua lança.

O Cavaleiro colou-se à frente do grupo encarando os guardas que se apinhavam formando uma barreira no salão e nas escadarias, fitou-os com soberba e um sorriso de escárnio desenhou-se em seus lábios. Edward sentiu um arrepio, ele já havia visto este mesmo sorriso no rosto de Arian. Matheu saltou sobre os guardas e caiu na escadaria lançando vários vampiros escada abaixo e por cima do corrimão, sua lança varreu ao redor e ele nocauteou todos os oponentes que se atreveram a enfrentá-lo. Matheu havia sido um Mercador da Morte, lembrou Edward, um guerreiro romano com milhares de anos de experiência em batalha, segundo Alec era o único soldado capaz de fazer frente a Arian... e isso significava muito. A destreza com que Matheu se movia beirava a premonição, nada conseguia atingi-lo e sua perícia lhe permitia matar um inimigo com apenas um golpe, um jogo rápido, limpo e eficiente.

Mas mesmo assim havia centenas de vampiros ali, um ninho de inimigos, e apesar de poderoso, Matheu não era Arian.

Isso não foi prudente – observou Carlisle.

Mas a escadaria é nosso único caminho – disse Edward – Quil, Matheu abriu uma brecha, você é intocável dentro desta couraça, abra espaço até lá.

Não foi preciso pedir duas vezes, Quil lançou-se contra a parede de vampiros espalhando-os para os lados e em seu rastro seguiu o grupo, Seth colocou-se no meio da fila aproveitando para ceifar alguns membros enquanto Jacob seguia por último açoitando o flanco com suas presas e garras e impedindo que fossem seguidos com muita rapidez.

– CHARLOTTE – gritou Edward.

A bruxa enterrou a mão dentro de seu saco de viagem e tirou de lá um punhado de pequeníssimos cristais pouco maiores que grãos de areia, brancos como neve, e atirou-os sobre a multidão de guardas. Não tardou muito para que os gritos começassem. Aquele pequeno pó queimava os vampiros como ácido, como se o fogo houvesse sido confinado dentro de minúsculos cristais que agora rompiam a pele quase intrespassável dos vampiros causando-lhes agonia e impedindo-os de lutar ou se mover.

Essa é minha garota – riu Seth, Charlotte nada disse, mas também não foi capaz de esconder um sorriso no rosto.

Não demorou muito para eles conseguirem se encontrar com Matheu e Quil, mas o mundo deles entrou em colapso neste mesmo instante, pois no topo da escadaria surgiu um destacamento inteiro de Mercadores da Morte.

– Puta que o pariu! — xingou Didi.

Isso não estava nos planos, não é mesmo?– observou Garret.

E de fato não estava. No momento em que o grupo parou o enxame de guardas reuniu-se nas escadarias atrás deles, e no salão abaixo vampiros furiosos e com os corpos marcados pelo ácido de Charlotte já se reagrupavam formando um lago de rostos raivosos, olhos estreitos e presas afiadas atirando injúrias contra os invasores. Eles não podiam voltar, assim como não podiam avançar uma vez que os Mercadores da Morte fechavam a passagem, estavam presos no meio de um mar de inimigos e não tinham por onde fugir.

É bom que alguém aí tenha uma ideia genial – disse Jacob.

Não temos escolha a não ser atacar – respondeu Edward.

Vamos morrer todos – disse Vrau Urban com desgosto – Não sei onde estava com a cabeça quando decidi ajudá-los.

Eu disse que tudo isso ia virar em merda – atacou Didi.

Calem-se – bradou Matheu – Se for para morrer, morremos. Mas o faremos lutando. Só podemos ir para cima, então para cima iremos.

E dito isso Matheu arremeteu com a lança em riste contra o paredão de Mercadores. Este foi o estopim e os guardas subiram as escadarias para atacar o grupo, os vampiros que estavam no salão saltaram para o corrimão atacando-os de baixo. Era uma encruzilhada mortífera. Os lobos varreram os agressores com garras e dentes enquanto Jasper impelia o terror em seus inimigos, todos golpeavam o que podiam golpear e aos poucos iam avançando. Matheu atracou-se com os Mercadores, mas os escudos suportavam o pior de seus golpes, uma lança surgiu do nada e cravou-se no ombro dele atravessando armadura e tudo; Matheu gritou de raiva, mas não cedeu e decapitou a primeira fila de Mercadores antes que Vrau e Garret chegassem para ajudá-lo. Garret pegou uma lança perdida do chão e tratou de usá-la contra os inimigos, mas os que vinham atrás entulharam-se contra eles e o espaço da luta ficou muito restrito... principalmente com os lobos.

Não tem jeito de lutar aqui, vou descer – anunciou Jacob Black saltando no ar para o salão abaixo lotado de vampiros.

O que está fazendo, Jake?– Seth perguntou num grito – São muitos! Merda.

Jacob pousou com um estrondo no salão e os guardas ficaram desconcertados por uma fração de segundo, mas não tardou a novamente se reagruparem e partirem para cima de Jacob, o lobo desviava-se dos golpes, lançava garras e presas, mas sentiu que o poder da magia de Charlotte diminuía cada vez mais e o galho de figueira preso em sua garganta, o amuleto de proteção, exauria-se rapidamente. Não demoraria muito para que ele ficasse vulnerável aos ataques físicos, mas tentaria ceifar todos que pudesse antes disso.

Jacob ouvia os gritos de Seth em sua mente, mas não tinha tempo para respondê-lo, vampiros e mais vampiros desabavam sobre ele como as águas turbulentas de uma cachoeira e antes do que esperava, Jacob sentiu uma dor excruciante no lado direito de seu corpo onde um vampiro o golpeara com força. Um ganido de raiva escapou de sua boca e ele virou arrancando o braço que o golpeara com um aceno de suas garras, mas apesar disso outros golpes se seguiram, a proteção de Charlotte terminara e ele estava à mercê dos inimigos.

Correu para frente derrubando os guardas, mas outros atiraram-se sobre ele levando-o ao chão, imobilizando-o. Jacob olhou para cima e um dos guardas assomou sobre ele com o punho fechado prestes a desferir um golpe capaz de esmagar seu crânio... mas o golpe nunca veio. Um vulto atirou-se sobre o vampiro levando-o ao chão, com ele caíram mais dois e Jacob viu-se capaz de se livrar dos inimigos. Seth havia vindo salvá-lo. O amigo atracou-se com os guardas e Jacob correu para auxiliá-lo.

Valeu pela ajuda, Seth – disse Jacob.

Que ideia foi aquela de se atirar aqui para baixo?– a voz de Seth soou irritada.

O que esperava que eu fizesse? Não conseguíamos nos mover na escadaria.

Acho que você deveria pensar antes de agir para variar um pouco, Jake. Morto você não conseguirá salvar Nessie.

SETH!? — gritou Jacob de repente.

Um dos guardas havia saltado sobre os outros e estava despencando sobre Seth como um meteoro com garras e presas arreganhadas. Seth foi pego no contrapé enquanto acaba de rasgar a cara de um guarda com as garras e mesmo a agilidade dos lobos não seria suficiente para que ele pudesse se esquivar, não teve jeito, Jacob saltou sobre o amigo para protegê-lo.

Jake esperou pelo golpe, mas o que sentiu foi mil vezes pior, o vampiro pousou sobre suas costas e cravou as presas venenosas na parte de trás de seu pescoço, quase na junção com a nuca, imediatamente ele sentiu seu corpo arder enquanto o veneno do vampiro invadia sua corrente sanguínea. O lobo pousou pesadamente no chão com o guarda golpeando-o e num último acesso de fúria, Jacob virou-se, cravou as presas na garganta do vampiro e desmembrou-o; afastou mancando até quase perto da parede do salão, a visão embaçada, os músculos em espasmos de fogo... e desabou.

Jacob! — gritou Seth tentando livrar-se dos guardas para chegar até o seu líder, Quil percebeu que o Alfa havia tombado e uivou em ódio, mas ele não podia deixar sua posição ou os guardas avançariam pelas escadas pegando o grupo pela retaguarda.

Droga – bufou Edward – Segurem as pontas aqui em cima.

Pegando uma lança do chão ele saltou por sobre o corrimão e aterrizou no chão com um baque surdo, os vampiros chiaram e atacaram-no e ele fez o que pode para impedi-los, varreu o ar afastando os guardas até se aproximar de Jacob, mas não pode fazer mais nada a não ser impedi-los de matar o lobo.

– Jacob – ele gritou – Jacob, levante.

Um vampiro o mordeu – avisou Seth – Edward, o veneno de vocês é extremamente letal para nós, temos que tirá-lo de Jake...

– Tirar como? — bradou Edward por cima da balbúrdia, ele nem ao menos era capaz de se abaixar e verificar como Jacob estava.

E num momento de distração um guarda armado com uma clava de guerra, cuja extremidade trazia uma bola de ferro de trinta quilos, aproximou-se pelo seu ponto cego desferindo um golpe que acertou Edward direto na têmpora, atirando-o contra a parede lateral do salão. Edward sentiu o corpo chocar-se contra as rochas e desabou quase desacordado contra o chão.

Edward abriu os olhos e foi como se tudo estivesse em câmera lenta, ele viu os guardas correndo por todos os lados, os seus amigos nas escadas lutando em duas frentes distintas, Seth atirando-se nos vampiros impedindo que eles chegassem até ele enquanto Charlotte – vinda de não se sabe onde – havia aterrissado sobre Jacob lançando suas bruxarias para todos os lados numa tentativa de salvar o lobo tombado.

A dor latejava numa pulsação ininterrupta, a cada virar de cabeça Edward tinha a sensação de que seu crânio racharia e se despedaçaria do alto de seu pescoço, ele tentou colocar-se em pé e o movimento lançou uma onda nauseante de dor em todo o seu corpo. Mas ainda assim ele sabia que não poderia fraquejar, havia arriscado muito para estar ali e seus amigos precisavam dele, a súbita impotência fez com que uma agonia crescesse em seu coração... ele não podia titubear, não podia abandonar seus aliados, aqueles que vieram até ali arriscando suas vidas para salvar sua esposa e sua filha.

Edward apoiou-se sobre um dos joelhos tentando ignorar a dor e a tontura em sua cabeça, a visão estava levemente turvada, mas ainda assim conseguiu colocar-se em pé escorando-se na parede... o movimento chamou a atenção de um guarda que desviou de seu caminho rumo a Seth e rumou para ele com sangue no olhar. Edward sabia que estava liquidado, nas condições que estava não conseguiria lutar... mas com certeza tentaria.

Mas no instante em que o guarda aproximou-se dele, Edward ouviu um eco em sua mente, como um sonar premonitório ele visualizou a vontade do guarda em socá-lo com o punho direito e numa fração de segundos antes do golpe Edward desviou para a esquerda e o punho do guarda enterrou-se na rocha a milímetros de sua cabeça. Logo em seguida a mesma impressão tomou conta de Edward e ele soube que o guarda lhe golpearia com as costas da mão esquerda e virou-se para fugir, mas debilitado como estava não conseguiu esquivar-se de todo e o guarda o acertou um pouco abaixo do maxilar, pegando o pescoço desprotegido. Edward cambaleou para trás, surpreso e atordoado, mas quando o guarda atirou-se sobre ele sabia o que fazer, gingou o corpo para o lado o mais rápido que pode desequilibrando o guarda e agarrando sua cabeça por trás, Edward apoiou o pé direito nas costas do inimigo e girou com força o crânio até separá-lo do corpo.

Uma onda de dor lhe atingiu novamente e com ela uma involuntária tempestade de pensamentos. Vozes raivosas, vozes tristes, vozes desesperadas...

Malditos invasores

Vou tentar cercá-los pelo lado...

São tão poucos e estão nos matando.

Malditos reis loucos com suas malditas picuinhas.

Se eu sair agora alguém me veria?

Não consigo me aproximar... não consigo me aproximar... Jake está morrendo.

O que eu faço com esta lança no peito, merda?

Avancem!

Espero que Kate me perdoe se eu morrer aqui.

Tanta dor, isto está queimando minhas veias, como pode doer tanto?

Tudo por causa daquele maldito livro vermelho, maldito Marcus e seus segredos.

Não sei onde estou, não consigo enxergar...

Onde está meu braço? O lobo comeu meu braço.

Eu vou morrer aqui, depois de tanto tempo... vou morrer.

O horror da surpresa quase foi suficiente para derrubar Edward. Seu dom havia voltado. Se da pancada na cabeça ou do desespero em ajudar seus amigos ele não sabia. Mas ele estava lendo os pensamentos dos outros novamente, e com a perícia de anos de prática sintetizou todo aquele emaranhado de pensamentos perdidos até que sua mente silenciou, um sorriso maligno espalhou-se pelos seus lábios e ele atirou-se contra os inimigos focando em um ou em vários de cada vez, visualizando nas mentes alheias exatamente o que ele queria.

Os guardas enveredaram para ele, mas foram incapazes de tocá-lo, Edward, mesmo ferido, sempre fora o mais veloz dentre os Cullen, sua velocidade fora elogiada e invejada por vários outros vampiros pelo mundo e agora ele a estava aplicando para seus propósitos, guiado por seu dom ele tornou-se intocável fugindo dos golpes no último centésimo de segundo e desferindo ataques precisos, atordoantes e mortais. Era como uma dança da morte e todos que decidiam enfrentá-lo morriam, pobres Volturi estavam em completa desvantagem contra ele.

Vagarosamente Edward conseguiu aproximar-se de Seth e os dois juntos rechaçaram boa parte dos guardas ao redor, quando finalmente chegaram perto de onde Charlotte estava perceberam Jacob caído nu aos seus pés, já na forma humana.

Ah, cara – gemeu Seth – Se ele não foi capaz de manter sua forma de lobo é porque a coisa está feia.

– Charlotte – chamou Edward, havia um tom desesperado nele – Há algo que você possa fazer com sua magia?

– Talvez — ela disse, parecia terrivelmente assustada – Posso extrair o veneno com a magia, mas vai ser doloroso e ele ficará fraco, não sei se terá condições de continuar lutando.

Salve-o – pediu Seth – É o que importa.

Charlotte olhou profundamente nos olhos de Seth e depois novamente para Jacob e acenou com relutância, abaixou-se sobre o corpo caído e depois ordenou-lhes numa voz de comando:

– Mantenham os guardas longe daqui ou eu não poderei salvá-lo.

Edward anuiu e voltou-se para Seth, dizendo-lhe:

– Somos nós dois novamente, compadre.

Como nos velhos tempos – riu Seth – Vamos, meu amigo, temos que matar uns vampiros para podermos salvar a minha afilhada.

Edward e Seth fecharam o certo contra os guardas, um vampiro e um lobo que sustentavam uma amizade verdadeira de anos, uma amizade natural que naturalmente não poderia acontecer; mas ali estavam os dois, unidos. Edward sabia que não seria capaz de pagar por tudo o que Seth fizera por ele, primeiro defendendo Bella há anos atrás e agora arriscando sua vida para salvar Nessie das garras dos Volturi. Para Edward, Jacob era o mais poderoso, mas com certeza, dentre os lobos de La Push, o mais heroico era Seth Clearwater. Amigo, irmão, guerreiro.

E os guardas fugiam das garras de Seth apenas para tombar com os golpes precisos e velozes de Edward.

Charlotte debruçara-se sobre Jacob que estava caído, o corpo gelado enrolado em si mesmo. A bruxa colocou a mão sobre a ferida aberta de onde um pus amarelado jorrava, a costumeira aura verde emanou da bruxa e Jacob gemeu de dor. A testa do lobo estava coberta de suor e a febre lhe dava calafrios, mas aos poucos um líquido incolor misturado com sangue começou a pulsar para fora do corpo dele. Charlotte mantinha sua concentração ao máximo, ignorando todo o som ao redor enquanto dirigia seu poder a cada molécula de veneno que ainda corria pelas veias de Jake, depois de um minuto eterno ela conseguiu.

Jacob abriu um par de olhos febris e a olhou com esforço.

– Como você está se sentindo? – perguntou ela.

– Como se tivesse bebido um balde de ácido – gemeu ele.

– Precisamos escondê-lo em algum lugar, temos que voltar para as escadarias e encontrar uma sala vazia.

– N.. não, eu preciso salvar Nessie.

– Não seja estúpido, Jacob Black. Você está fora do jogo. Nem ao menos é capaz de assumir a sua forma de lobo. Agora cale-se e venha comigo.

Charlotte ergueu Jacob do chão passando um braço do lobo ao redor de seus ombros, olhou ao redor para encontrar Seth e Edward ocupado com os guardas e viu que nas escadarias a coisa também não estava necessariamente melhor.

Eles precisavam de alguma ajuda... mesmo ela sabendo que a ajuda não viria de lugar algum.

A sorte é que Charlotte estava enganada.

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Matheu livrou-se da lança cravada no ombro, quebrou a haste e puxou a ponta para fora num gemer de dor, Jasper estava exaurindo-se de manter uma bolha de terror ao redor deles e Quil mantinha os guarda do flanco afastados, Didi xingava tanto que Matheu teve vontade de atirar o anão contra os Mercadores da Morte.

E foi exatamente isso que ele fez.

Matheu ergueu Didi e atirou-o contra dois soldados que se desequilibraram e tombaram para trás, o anão rolou as escadas e caiu aos pés de Vrau que olhou para o Cavaleiro com um olhar de morte, gritando:

– Mas que merda de ideia foi essa?

– Ele serviu, não serviu? — disse Matheu num grito enquanto atirava a lança contra a garganta de outro Mercador. Mas eram muitos e estavam privilegiados pela posição alta, seria praticamente impossível vencê-los daquela forma.

Isso vai de mal a pior, pensou Jasper, ilhados no meio de uma maldita escadaria e com um lobo a menos e por azar o mais forte. Se não fosse a armadura Quil já estaria morto e o encantamento de Charlotte já abandonou todos nós... estamos realmente ferrados.

E estariam se um alvoroço vindo de trás dos Mercadores da Morte não desviasse a atenção dos soldados, de repente as lanças se dividiram e metade apontava para o grupo e a outra para o interior do estreito corredor para onde Matheu lutava para chegar. Esta distração foi suficiente para que Matheu e Garret abatessem mais alguns Mercadores, roubassem seus escudos e se protegessem dos outros, as lanças também serviram para ferir os que estavam de costas para eles.

Por uma questão de pouco mais de cinco minutos eles se digladiaram na escadaria até que aos poucos o número de Mercadores da Morte foi reduzido e o último morreu quando sua cabeça foi esmagada por uma clava de guerra erguida por um vampiro que parou no limiar do corredor olhando-os de cima. Um vampiro bastante bem formado, vestido com calças sociais e uma camisa de linho cujas mangas estavam arregaçadas, ele usava a gravata elegantemente desajustada ao redor do colarinho. O vampiro fazia um tipo bastante impressionante.

– Dean Portman – sussurrou um Vrau Urban descrente.

– Vrau Urban – riu Dean com deboche – Vejam só! Eu não imaginei que encontraria você aqui. Não me recordo de ser um apreciador de batalhas.

– Ele é aliado? — perguntou Garret tenho ciência de que fora o recém-surgido vampiro que os auxiliou quando atacou os Mercadores pelas Costas.

– Um aliado – declarou Dean fazendo uma meia mesura – Eu sou Dean Portman, senhores, servo de Madelene e um membro da Confraria do Sangue a seu dispor. Mas creio que as apresentações podem ficar para depois, vejo que vocês estão com bastante pressa.

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Bella não conseguia se soltar, o guarda era muito forte para ela, Nessie estava sendo conduzida docilmente sob a influência do dom de Chelsea e os Reis apressavam-se para o ponto mais alto do Pináculo, o Salão dos Reis. De lá provavelmente montariam uma barricada na porta esperando que seus Mercadores da Morte e seus Guardas dessem cabo dos invasores. Bella sentiu seu coração inchar e murchar quase ao mesmo tempo, ficou completamente em êxtase com o surgimento de Edward depois de dois anos acreditando que ele havia morrido, mas o que poderia o marido com o pequeno grupo que reuniu fazer contra toda a horda dos Volturi? Havia sido loucura de Edward invadir daquele modo o Pináculo da Luz, mesmo que o filho de Aro estivesse ali, o filho que ela já ouvira falar, que traíra Aro no passado apaixonando-se pela Rainha Bianca e que pareceu aterrorizar tanto os Três.

Mas seria Arian assim tão poderoso a ponto de Edward ter cometido tamanha loucura?

Ela tentou novamente se libertar e não conseguiu, com o canto do olho notou que Giordano, Seline e Margot a seguiam em silêncio, as duas vampiras tinha um olhar de medo no rosto e Bella sentiu-se culpada. Pobres garotas, pensou, achavam que teriam uma vida tranquila em Volterra sendo as aias de uma Rainha e agora foram envolvidas em uma guerra.

Apesar de tudo, Bella sabia que não podia ficar parada, ela tinha que tentar contornar a situação, de alguma forma ela poderia talvez evitar que mortes desnecessárias acontecessem, mesmo tendo certeza de que seria quase impossível que um massacre deixasse de acontecer. Ela torceu o pulso numa tentativa de evitar o guarda, mas era impossível, era forte demais.

– Aro – ela chamou numa voz angustiada – Aro, eu preciso falar com você.

Em meio àquele alvoroço de guardas e o empurra-empurra dos vampiros numa tentativa de salvar seus Reis, Aro a ouviu e deu uma leve e quase imperceptível virada de cabeça em sua direção, o rosto dele, ela percebeu, estava mortificado. Aro parecia quebrado e talvez, apenas talvez, houvesse ali também uma vergonha e um receio de encará-la.

– Aro, eu posso caminhar por mim mesma e não estou disposta a ser arrastada daqui até lá em cima. Eu preciso falar com você.

– Você não está mais em posição de bradar ordens, Isabella – disse Caius com raiva.

– Cale-se, Caius – vociferou Aro, furioso. O olhar do rei pousou sobre Bella e um suspiro de mágoa escapou dele – Guarda, liberte-a.

O vampiro instantaneamente obedeceu e Bella viu-se livre e rodeada por uma horda de inimigos, pois subitamente todos transformaram-se em inimigos, talvez ninguém mais ali visse ela como uma Rainha ou como esposa de Aro. Talvez todos houvessem percebido o olhar que ela lançou a Edward Cullen e não era dúvida para ninguém a escolha que ela faria... se tive escolha.

Bella caminhou irresoluta até Aro e emparelhou com ele enquanto a marcha continuava pelos corredores até o próximo lance de escada rumo ao Salão dos Reis, Aro não a olhou, havia uma distância abismal separando-os agora onde antes houvera uma proximidade tão estranha e calorosa.

– Eu preciso falar com você – disse ela num sussurro humilde, não era um bom momento para ser orgulhosa.

– Não é uma boa hora, Isabella... caso tenha percebido – respondeu ele de forma lacônica.

– Aro, não ouse me ignorar agora, não depois de tudo o que aconteceu.

– Você espera que paremos apenas para que você possa conversar comigo?

– Sim, espero.

Aro parou, talvez pela familiaridade com que tratava Bella há tanto tempos, ele a olhou como costumava olhar, com aqueles olhos inspecionadores se perguntando em que exatamente ela estava pensando, sem, no entanto, ser capaz de descobrir. Isso deixou Caius tremendamente irritado.

– Aro, nós temos que ir, ou será que não é capaz de perceber a gravidade da situação? — disse ele lançando um olhar irritado ao irmão.

– A situação estará grave da mesma forma – respondeu Aro e pareceu decidir-se, caminhou um pouco além e abriu uma das portas do corredor fazendo um sinal para que Bella entrasse – Não demorará muito.

– Você só pode estar brincando – Caius berrou – Fará nós todos esperarmos aqui enquanto você dá ouvidos a esta traidora?

Mas Aro simplesmente entrou no cômodo atrás de Bella e fechou a porta ignorando completamente o irmão.

O cômodo estava vazio, como tantos outros cômodos no Pináculo, era simplesmente uma sala com paredes de rocha com nada mais além do pó cobrindo o chão com uma leve película, a janela abria-se para um mar azul e o sol era filtrado pelo encardume dos vidros revelando a poeira flutuando em torvelinhos pelo ar. Bella parou no centro da sala, no local onde o sol insidia, seu vestido vermelho fulgurou como fogo pelas paredes e ela olhou para Aro.

E viu que ali não estava um rei, mas um homem quebrado... um homem prestes a ser julgado sabendo que seria sentenciado à morte. Um homem que perdera a mulher que ama.

– Aro, por favor – implorou ela – Pare com toda esta loucura.

– Não há nada a se fazer – respondeu ele evitando o olhar dela.

Bella não iria desistir assim, ela aproximou-se com cuidado e colheu o rosto de Aro nas mãos obrigando-o a encará-la com aqueles olhos rubros de sangue.

– Eu sei que você não é mal – disse ela com sinceridade – Você revelou-me esta porção de sua alma, a parte em que é apenas um homem imortal em busca de fazer o que é certo. Aro, esta é a sua chance de provar que tudo o que me disse é verdade, a chance de provar que o seu amor por mim era verdadeiro.

– Entregando-a a outro homem? — ele riu com amargura.

– Se for preciso... sim. Aro, nem sempre fazer o que é certo nos trás alegrias, mas você tem nas mãos a chance de recuperar a sua alma. Eu sei que é difícil, sei o quão isso deve parecer impossível para você, mas você tem a capacidade de fazer o bem em você, eu sei disso, sei que debaixo de toda esta camada de sombra e tristeza há um homem bom. Você se lembra de quando jurou seu amor por mim? — ela perguntou apertando as mãos dele e Aro lhe lançou um olhar quase magoado – Você fez das estrelas testemunhas quando disse que estava aprendendo a ser um homem melhor, este é um destes testes que a vida nos impõe. Aro, por favor, olhe para mim... olhe para mim e diga que não mentiu quando disse que eu era uma espécie de anjo, eu acreditei em você. Por favor, pare com esta guerra.

Ele se afastou dela, caminhou até a janela para olhar o mar. Bella não era capaz de ler sua expressão ilegível, ou de imaginar as duas forças lutando dentro dele, luz e sombra, mas então ele se virou para olhá-la e havia um brilho no olhar, um brilho que ela vira tantas vezes.

– Você me amou? — ele perguntou e Bella deu um passo para trás como se ele a tivesse esbofeteado – De alguma forma, Isabella, você me amou?

– Sim – ela falou e a palavra reverberou pelo quarto vazio como uma maldição. Bella sentiu o peso daquelas palavras, a verdade que ela escondia dela mesma, o fato de ter amado o homem que a desgraçou. O imenso fardo de ter amado um anjo e um demônio. De ter amado Edward e Aro, mesmo sabendo que o amor por Edward era imensamente maior, totalmente diferente e inconcebivelmente mais forte e potente; o amor por Aro era algo que nem ela compreendia direito, e quando voltou a falar foi com um sussurro – Eu o amei. De alguma forma, Aro, o amei. Não sei exatamente com que profundidade, não sei o porquê, não sei como... eu amei o homem que você poderia ser, o Rei que viria a ser, as promessas que me fez de que melhoraria e se tornaria alguém digno do meu amor. Amei o fato de você decidir ser melhor por mim.

– E agora? — a voz do Rei não passava de um murmúrio, mas seu olhar queimava.

– Vou amar sempre isso em você – disse Bella com cuidado – Mas eu pertenço a Edward e nada no mundo será capaz de me afastar dele agora que sei que está vivo. Ele está vivo por mim, Aro, deixe-me partir... por favor. Conserte tudo o que foi estragado e repare a tragédia da qual você foi o mentor. Está é a sua chance de provar que tudo o que me disse era verdade.

Aro calou-se avaliando as palavras de Bella, e a tristeza que sentiu não podia ser descrita ou medida por qualquer palavra que existisse, ele então havia realmente amado uma mulher e ela estava começando a acreditar nele quando tudo lhe foi novamente tirado. Havia um ânsia dentro dele, uma gana de destruir Edward para que Bella fosse apenas dele, mas fazendo isso ela saberia que ele era um monstro. Ele mentiu no altar quando acusou os Cullen injustamente, um ato desesperado de um homem desesperado para ficar com a mulher que ama... mas Bella tinha razão, com Edward vivo ela não pertencia mais a ele. Ela não era uma viúva, era a esposa de um inimigo.

Ele suportaria viver sem Bella pela eternidade? Ou seria muito pior que ela soubesse para sempre que ele era o crápula que parecia? Ele poderia passar a eternidade sabendo que fora amado ao menos em parte por ela, preferia viver com a lembrança de seu sorriso do que de seu desprezo. Mas agora havia muitas variáveis em jogo.

Havia Arian.

De da fúria de Arian ninguém escaparia.

– Eu poderia permitir que você fosse – disse Aro, a voz refletindo uma tristeza incalculável – Mas Edward trouxe a nós a tormenta. Eu não posso parar esta guerra.

– Você é o Rei.

– Mas Arian é um deus, Isabella... ele irá nos destruir a todos.

– Eu não vou permitir que o matem – ela disse decidida e Aro a olhou com surpresa.

– Não?

– A sua morte não traria bem algum... não agora, talvez – Bella estava angustiada – Eu não sei, simplesmente acho que você pode ser um rei melhor...

– Mas também acredita que preciso pagar pelos meus erros?

– Sim – disse ela não conseguindo olhar para Aro.

– É um beco sem saída.

– É.

Os dois permaneceram por um tempo em silêncio, os olhares se cruzaram e Aro soube que Bella seria a última mulher que amara... e que a havia perdido. Talvez ela nunca devesse ter sido sua, era provável que ele nem ao menos tivesse o direito de dirigir a ela o seu coração sombrio... mas ele o fez. Mais um pecado a que responder no outro mundo.

Mas fosse o que fosse que Aro pudesse ter feito... ele nunca teve a chance. A porta escancarou-se num estrondo e Caius, Felix e dois guardas passaram por ela.

– Mas o que pensa que está fazendo, Caius? — exigiu Aro furioso.

– Você perdeu a razão, irmão – a voz de Caius soou afiada e fria, mas havia algo de mágoa também – Isabella tornou-se seu calcanhar de Aquiles, você não é capaz de raciocinar perto dela, teremos de tratar disso, estou momentaneamente destituindo-o do posto de Primeiro, com o surgimento de Arian sua percepção pode estar afetada. Felix.

O grande vampiro moveu-se com uma velocidade absurda e em segundos tinha Bella nos braços, ele a atirou para os guardas que a levaram rapidamente para fora, Felix não teve coragem de olhar para Aro que não perdeu tempo e deixou o aposento atrás dos guardas com uma fúria feroz emanando do rosto.

– Caius, isto é totalmente inaceitável – bradou.

– Temos de sobreviver – declarou Caius numa voz morta – Estamos à beira da extinção, meu irmão. Não é capaz de ver o quão ameaçado estamos? Aquele louco do Carlisle libertou Arian, não sei em que estava pensando, mas ele será o responsável pelo fim de nosso mundo, pelo fim do governo dos vampiros. Arian é um anarquista, ele não segue leis dos homens, pois entende que é um deus. Nós precisamos de você focado, Aro. Precisamos que os Volturi persistam e eu estou disposto a sanar o seu problema.

– Caius, não ouse...

– Isso já aconteceu antes, não é mesmo? — Caius lançou a Aro um olhar significativo – Você já fez isso no passado para que a unidade dos Três se mantivesse. Agora é minha vez. Um sacrifício pela causa, mais um, vamos terminar com este problema – o rosto de Caius assumiu uma expressão sombria e ele se virou para seus servos, ordenando — Guardas, matem Isabella!

§§§§§§§§§§§§§§§§

– Edward – berrou Jasper – Estamos indo! Ande logo com isso.

Seth estava ao lado de Edward, um filete de sangue seco sobre o olho direito aderindo ao pelo reluzente, a poucos passos deles Charlotte carregava o gigante Jacob Black no meio de um pandemônio de morte e vampiros. Com a ferocidade do ataque de Edward e Seth os guardas se mantiveram seguramente distantes e isso possibilitou a aproximação deles novamente às escadarias, acima deles os amigos haviam conseguido eliminar os Mercadores da Morte com o recém-chegado Dean Portman e Edward não gostou dele. Dean tinha uma mente turbilhonante, arrogante e consideravelmente treinada para não revelar nada a um possível leitor de mentes... Edward não confiou nele e em seu sorriso fácil.

Charlotte ajeitou Jacob nos braço e saltou para as escadarias onde Quil ainda mantinha a retaguarda protegida, o corredor para onde estavam indo era bastante estreito possibilitando a passagem apenas de dois em dois. A bruxa imaginou que o castelo havia sido construído daquela forma justamente para evitar que possíveis invasores atacassem o interior em um número insuperável. Seth e Edward seguiram Charlotte e em poucos segundos já estavam abrigados sobre a proteção do corredor vazio.

– Quil – gritou Edward – Venha.

O lobo deu seu último bote nos inimigos que os seguiam na escadaria e correu para o corredor, Dean bateu uma porta pesada de carvalho e sorriu para eles, em seguida olhou direto para Charlotte e com um aceno elegante de seu bonito rosto, pediu:

– Será que a graciosa feiticeira teria a bondade de lançar um feitiço na porta? Seria muito útil para nós que eles não nos seguissem.

– Com o que tenho em mãos posso encantar a porta, mas ela não suportará mais do que alguns minutos – disse a bruxa um pouco tímida pelo olhar de Dean.

Ela depositou Jacob no chão e aproximou-se da porta mexendo em sua bolsa sempre recheada de coisas úteis para encantamentos.

– Ele é confiável? — perguntou Garret a Vrau apontando para Dean.

– Eu não gosto dele se é isso que quer saber – respondeu Vrau com desgosto – Mas ele é um antigo servo de Madalene e um espião de confiança de Marcus. Ele foi infiltrado pela Confraria para servir diretamente ao Terceiro e com isso era capaz de passar informações privilegiadas de dentro de Volterra ao passo que nutria Marcus com informações falsas da Confraria.

– Este sou eu – disse Dean lançando a todos um olhar faiscante – E se pretendem salvar as duas moças que estão em posse dos Reis devemos nos apressar, eles estão se dirigindo ao último patamar do Pináculo e a resistência deles lá será bastante irascível.

– Temos que deixar Jacob protegido também – observou Carlisle.

– Eu tenho uma ideia – disse Jasper se encaminhando até um Mercador da Morte morto, o soldado era grande como Jacob e Jasper começou a despi-lo metodicamente – A armadura irá camuflar o cheiro dele, além do que, não podemos deixá-lo pelado por aí.

– Eu vou com vocês – arfou Jacob num gemido dolorido.

– Você não vai a lugar algum – respondeu Carlisle tocando a testa de Jake – Está ardendo em febre, o veneno do vampiro fez um estrago em seu sistema, provavelmente seu fator de cura está lutando alucinado para reparar o dano. Você não consegue se transformar e está fraco, Jacob, era para ter morrido. Provavelmente não estará bem por alguns dias... terá de fazer o que decidirmos para não nos dar mais algo em que nos preocupar.

Jacob provavelmente iria responder... se não tivesse desmaiado.

– Ele ainda corre risco? — quis saber Garret.

– Como todos nós – sorriu Carlisle.

– A porta está selada, mas não por muito tempo – anunciou Charlotte.

– Vamos vestir Jake com as roupas do soldado – disse Edward – Depois o escondemos em algum destes quartos e Charlotte coloca um feitiço na porta – ele deu a Charlotte um olhar de dúvida – Ainda é possível?

– Não consigo selar mais nada – disse ela, cansada – Meu poder está quase no limite. O que posso fazer é lançar um feitiço de dissipação para que ele não seja descoberto... e rezar para que tudo dê certo.

– Então é isso que faremos – decidiu Edward.

Em pouco tempo Jacob estava no chão, desacordado, trajando a armadura completa dos Mercadores da Morte. Um elmo foi colocado em sua cabeça para que seu rosto também permanecesse oculto, depois disso seus amigos o carregaram para um das dezenas de aposentos vazios do corredor, deixaram-no recostado contra uma das paredes, os outros dois lobos observando-os da porta. Por um instante o grupo parou e olhou para o guerreiro desacordado e desejou que ele pudesse novamente se reerguer para lutar ao lado deles. Quando saíram Charlotte deixou na porta um pequeno feitiço de dissipação para evitar que qualquer inimigo descobrisse Jacob enquanto ele estivesse incapaz de se defender.

Não me parece certo deixá-lo atirado aqui sozinho – reinou Seth.

– Não temos escolha – respondeu Edward – Não temos como levá-lo conosco, provavelmente ele acabaria morto. Agora vamos, temos que...

Mas Edward foi interrompido quando uma voz urgente invadiu sua mente.

Edward!– chamou Miguel – Eu estou com os Reis, precisa vir rápido... Caius quer matar Bella.

Impeça-o – o pânico caiu sobre Edward com a força de um aríete – De alguma forma impeça-o, tire Bella daí.

Eu consigo ficar invisível, mas não intangível... como espera que eu passe por todos estes guardas que estão aqui sem que eles percebam?

Eu não me importo – gritou Edward – Tire minha esposa daí, você nos deve isso Miguel. Se falhar eu mesmo arrancarei cada membro do seu corpo.

Não será preciso – Miguel fungou em resposta – Pois provavelmente nós dois morreremos aqui.

Edward – chamou Carlisle – O que aconteceu?

– Caius – a voz de Edward saiu num sussurro rouco – Ele quer matar Bella.

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Por um segundo nada aconteceu, ninguém se moveu e Bella apenas ouviu o grito angustiado de Athenodora que agarrou-se a Caius implorando para que ele retirasse a ordem, dizendo que Isabella não tinha culpa e que ela não podia ser morta. A visão de Bella turvou e ela sentiu o pânico invadindo-a, a única coisa que notou além disso foi o sorriso diabolicamente contente desenhando-se nos lábios de Jane.

Aro avançou, mas os guardas barraram-lhe o caminho, Felix moveu-se para o lado de Caius e três guardas agarraram Bella imobilizando-a, um deles laçou um mão ao redor do seu queixo e a outra segurou forte a sua nuca, ela sabia o que ele queria, ia rotacionar a base do seu crânio até que sua cabeça se separasse do corpo.

Bella sentiu-se subitamente entristecida, depois de tanto sofrimento, de tanto amargor e de tantas reviravoltas acabaria morrendo do mesmo modo. Ela queria viver, especialmente agora que Edward estava vivo e tão perto dela; mas a verdade era única, os gritos de Aro não surtiam efeito, aparentemente até mesmo os seus guardas e servos pareciam achar que ele havia perdido o juízo. Isabella voltou a ser Bella, não uma rainha, mas a esposa de um traidor que estava para se casar com o Rei. Um rei louco.

Agora era Caius quem segurava a coleira... e ele não tinha nem um milésimo da hesitação, da retinência ou da complacência rasa de Aro Volturi.

– Caius, maldito seja – berrou Aro empurrando os guardas – Você enlouqueceu?

– Esta vampira é o motivo de sua desgraça, Aro – Caius respondeu com um esgar de irritação – Desde que você decidiu torná-la rainha uma série de desventuras tem ocorrido, e agora o marido dela chega a nós com Arian e a notícia de que Volterra foi destruída. Temos que cortar todas as complicações e esta menina é a maior complicação de todas. Guardas, andem logo com isso... será uma inimiga a menos para lidarmos.

Bella sentiu a torção em seu pescoço, a força prestes a ceifar-lhe a vida, ouviu o som de sua própria pele se fragmentando enquanto o guarda forçava sua cabeça a desencaixar do corpo... mas então, quando ela soube que o fim estava próximo e procurou com os olhos a filha, uma força invisível chocou-se contra ela atirando-a junto com os guardas no chão. Aro arfou e Caius soltou um grito de susto, Marcus apenas permaneceu observando a cena com uma fria e sombria resignação, os guardas viraram-se para acompanhar o alvoroço.

Dois dos guardas que estavam prendendo Bella foram atirados para o lado e a cabeça do terceiro foi arrancada com força e violência, Bella foi colocada em pé com um movimento brusco e antinatural e então, sem mais nem menos, sem qualquer aviso... desapareceu no ar. Simplesmente sumiu. Caius arregalou os olhos em espanto, mas um segundo depois ele percebeu o que estava acontecendo e gritou para todos os guardas:

– É aquele maldito vampiro camuflador, fechem o cerco, fechem os corredores, não os deixem fugir... espalhem-se, seus bastardos... espalhem-se.

Bella já havia se perguntado como seria estar invisível, mas jamais imaginava que seria daquele jeito. A sensação era de estar vestindo um véu de água, a visão parecia mais cristalina e brilhante, e ao olhar para o próprio corpo Bella notou que ainda conseguia vê-lo, mas estava translúcida como vidro e as cores de suas roupas haviam desbotado. Ao virar-se notou o vampiro ao seu lado, Miguel continuava do mesmo jeito nervoso, magro e desalinhado como antes, seus olhos rubros eram assustados e os cabelos negros e cacheados estavam sujos e cheios de pó.

Senhora Cullen – sussurrou ele – Precisamos sair daqui agora.

Ela aquiesceu com a cabeça e permitiu que ele lhe agarrasse o pulso com urgência enquanto a puxava para o fim do corredor, mas quando alcançaram as escadarias um grupo de vampiros acatando as ordens de Caius tropeçou neles enquanto se encaminhavam para os andares de baixo. O impacto dos cinco vampiros atirou-os numa bola de muitas pernas e braços através das escadarias circulares até o andar de baixo onde todos espatifaram-se com um ruído surdo. Os guardas recuperaram-se rapidamente e Miguel se desconcentrou, o seu dom desapareceu e ele levou um safanão no rosto quando um dos guardas o enxergou.

Bella empurrou um deles, desviou-se do golpe do segundo, atingiu o terceiro no peito, mas levou um golpe violento no ombro que foi capaz de desequilibrá-la levando-a ao chão. Ela chutou os saltos altos para fora de seus pés e rolou pelo chão para fora do alcance de uma mão que a buscava, com rapidez ela ergueu o cotovelo esquerdo atingindo um guarda no queixo nocauteando-o; o problema era que ainda restavam quatro inimigos. Quando um deles agarrou-lhe os cabelos, Miguel, surgindo de algum lugar, saltou sobre as costas do guarda tirando-o de perto de Bella, ela teve tempo de virar-se e esquivar-se de um punho dirigido ao rosto, erguendo a mão com força ela espalmou o peito do vampiro atirando-o para longe.

Mas o outro guarda atingiu-a com um chute na lateral do corpo e Bella foi atirada contra a parede, sua cabeça girou e ela viu-se sentada e impotente contra quatro vampiros furiosos, deu uma olhada para os lados e viu que Miguel estava estatelado no fim do corredor visivelmente nocauteado. Mas que porcaria de ajuda, pensou Bella irritada, ele é muito bom para uma menina numa floresta, mas para lutar não serve para nada.

Sem saída, Bella atirou-se contra os guardas, mas determinados a seguir a ordem de seu Rei eles atacaram Bella todos juntos e ela levou uma surra tremenda, um dos vampiros atirou para o alto com um safanão e ela se chocou com o túnel da escadaria antes de cair novamente no corredor vazio, seu braço esquerdo estava dormente e seu rosto estava rachado onde um dos golpes acertou-a em cheio. Uma das alças do vestido havia se rompido e ela teve que segurá-lo para não cair.

Talvez nua eu consiga um distração com eles, pensou ela com desgosto.

– Eu nunca tive o prazer de matar uma rainha – debochou um dos guardas.

Bella olhou para onde Miguel ainda estava caído, ele não poderia ajudá-la, e ferida como estava não conseguiria defender-se sozinha... havia sido uma boa tentativa de Miguel, camuflar-se na confusão para acompanhá-la em segredo e agir no momento certo. Era uma pena que o vampiro camuflador era um péssimo lutador. Bella baixou a cabeça, cansada demais para conseguir se levantar, os guardas iriam acabar com ela.

E foi neste momento em que ela sentiu um deslocamento de ar e ao olhar para cima deu de cara com o manto alvo dos Cavaleiros adejando pelo corredor, e em sua frente estava um vampiro trajando uma armadura dourada com uma lança na mão... barrando o caminho dos guardas.

– Vocês não tocarão na Rainha – disse Giordano numa voz raivosa.

Bella sentiu os olhos arregalaram-se nas órbitas, Giordano havia vindo para salvá-la e logo em seguida ela notou a presença tímida de Margot e Selina ao seu lado, ajudando-a a se levantar do chão.

– O que vocês estão fazendo? — perguntou ela horrorizada – Caius irá matá-los por traição.

– Nós não a abandonaríamos – disse Seline.

– De jeito nenhum – sorriu Margot.

– Seus tolos – cuspiu um dos guardas – Esta mulher é uma traidora, o motivo por termos sido invadidos, vocês ouviram as ordens de Mestre Caius, temos de destruí-la. Ela não é Rainha de ninguém.

– É nossa Rainha – respondeu Giordano erguendo a lança – A rainha eleita por nossos corações, nós escolhemos a quem dirigir a nossa lealdade. Eu não permitirei que vocês passem por mim, destruirei todos os que tentarem.

Com uma mão Giordano soltou seu manto entregando-o a Margot que o passou ao redor dos ombros nus de Bella.

– Ora, mas que ousadia – o guarda falou com ironia – Vamos, vamos colocar em seu lugar este cavaleiro de merda e matar esta falsa rainha de uma vez.

– Seline, leve Isabella para algum cômodo vazio no fim do corredor – disse Margot colocando-se em pé ao lado de Giordano – Eu irei ajudar a atrasá-los.

Seline não hesitou e ajudou Bella a afastar-se dali, os guardas avaliaram Giordano por uns instantes e depois Margot, um sorriso de escárnio surgiu no rosto deles.

– Vocês vão realmente continuar com esta bobagem? — riu um deles – Apenas vocês dois?

– Três, seu hijo de puta – disse a voz invisível de Miguel atrás deles. O vampiro camuflador retomou seu dom e golpeou um dos guardas na nuca atirando-o ao chão.

Isso permitiu que Giordano se movesse rapidamente cravando a lança no peito de um guarda e atingindo com uma mão pesada o rosto de outro, Margot atirou-se sobre um terceiro e houve uma gritaria tremenda, golpes pesados e estalos de membros se partindo antes que Giordano conseguisse se desvencilhar da baderna e arrancar a cabeça dos quatro guardas que os haviam ameaçado.

– Nós não podemos ficar aqui – disse Margot assustada quando vozes de uma multidão encheram o túnel das escadarias, descendo em direção a eles.

– Temos de proteger Isabella – decidiu Giordano erguendo novamente a lança.

– O marido dela está vindo – informou Miguel surgindo na frente deles – Tudo o que precisamos fazer é aguentar um pouco mais.

– Nós três? — Margot parecia bastante incrédula – Como faremos isso?

– Lutando – disse Giordano encerrando a questão.

Edward – chamou Miguel através da ligação mental – Se quiser ter sua esposa nos braços novamente é bom que não demore muito ou os guardas vão acabar com todos nós.

§§§§§§§§§§§§§

– Miguel está em apuros... temos de nos apressar – disse Edward sentindo a agonia tomando conta.

– Venham – chamou Dean Portman correndo na frente do grupo – O Salão dos Reis fica nesta direção.

O grupo galgou a passos largos os degraus, enveredando hora ou outra pelos corredores seguindo Dean, correndo como desesperados. O coração de Edward estaria martelando no peito se ainda estivesse batendo, o desespero para chegar até a esposa era tanto que ele lançou seu dom recém despertado para tentar alcançar os outros à frente e conseguir saber o grau de dificuldade que enfrentariam.

A mente de Miguel era um borrão de golpes, dor e desespero, mas havia mais duas mentes próximas a ele. Uma era igualmente assustada e pertencia a uma vampira muito jovem que apesar do medo era bastante corajosa e mesmo sentindo uma dor horrível no punho direito continuava defendendo sua posição no corredor. A outra mente era de um Cavaleiro da mesma classe de Matheu, uma mente corajosa, brava e irredutível... lutava com uma mecanicidade tática oriunda de séculos de experiência em treinos de batalha e contenção; Edward não sabia o motivo que levou um Cavaleiro de Volterra a lutar contra os guardas protegendo sua esposa, mas agradeceu silenciosamente ao vampiro.

Pouco mais distante ele captou outra mente jovem, a mente de uma vampira chamada Seline que estava num quarto vazio olhando preocupada para uma mulher envolta em uma capa branca caída no chão. Quando a mulher virou o rosto Edward viu que Bella estava ferida, mas viva.

– Minha senhora – falou Seline – A senhora precisa repousar.

– Precisamos ajudá-los – retorquiu Bella com a voz cansada – Não podemos permitir que os três lutem sozinhos, eles não suportarão.

– Mas a senhora nem ao menos consegue ficar em pé. Fique aqui, eu vou ajudá-los.

– Seline.

– Não deixarei que eles cheguem até a senhora – disse Seline irresoluta enquanto caminhava para a porta – Fique aqui e descanse.

Edward desativou seu poder e as vozes e imagens morreram, Bella estava ferida e uma legião de guardas estava forçando o caminho por uma tênue barreira de quatro vampiros para chegar até ela. Instintivamente ele aumentou a velocidade forçando Dean a correr ainda mais rápido.

Um andar abaixo eles já ouviram o choque de corpos e os gritos ecoando pelos corredores e pelos túneis das escadarias.

– Seth – chamou Edward.

Já estou aqui – respondeu o lobo prontamente, emparelhando com o amigo.

Quando as escadarias vomitaram-nos no corredor onde os guardas acumulavam-se seguiu-se um pandemônio. Edward e Seth atiraram-se sobre os guardas que entulhavam o corredor, com surpresa os inimigos se voltaram para ver o que estava acontecendo e receberam Quil com toda a sua velocidade esmigalhando a barreira defensiva que haviam montado. Os guardas não esperavam um ataque por trás.

Surpreendidos pela ferocidade com que o grupo de invasores caiu sobre eles, os guardas que estavam no túnel das escadarias voltaram correndo para armar algum tipo de bloqueio no alto do nível superior. Os seus aliados que receberam o ataque dos recém-chegados não teve chance, sucumbiram ante a raiva de Edward, as garras de Seth e Quil, o descaso de Dean Portman e da destreza de Jasper e Matheu; Carlisle, Garret, Vrau, Charlotte e Didi quase nem ao menos tiveram de lutar já que ao chegarem os guardas que não estavam lutando já haviam fugido pelas escadas.

Quando o último guarda tombou, Miguel suspirou aliviado, o vampiro camuflador estava com rachaduras no rosto, o corpo inclinava-se para a direita onde um golpe partiu-lhe algumas costelas, as roupas estavam amarrotadas e ele tinha uma expressão exausta no rosto quando encarou Edward.

– Está feito, chefe – disse Miguel – Sua esposa está atrás da última porta à direita.

O som morreu para Edward, ele apenas caminhou através do corredor recheado de vampiros mortos que se estendiam diante dele como um tapete grotesco, ele não parou para olhar os amigos ou o Cavaleiro e as duas meninas que protegeram Bella, para ele nada importava a não ser a última porta do corredor à direita. Caminhou como um bêbado caminharia em uma rua iluminada por lâmpadas à noite, como se subitamente tivesse caído em um sonho estranho. Ele finalmente estava prestes a encontrar a esposa depois de tanto tempo, para ele apenas dois meses haviam passado, mas Edward tinha consciência que Bella tinha esperado-o por dois anos enquanto suportava a loucura de Volterra.

Havia um medo em seu coração, um medo irracional de que Bella não estivesse mais lá, mas quando ele abriu a porta encontrou-a em pé do outro lado do aposento encostada à parede. Bella ergueu o rosto cansado e seus olhos se encontraram... houve um espanto de reconhecimento arregalando seus olhos e os lábios dela formaram o nome dele e um segundo depois ela moveu-se.

Bella se moveu mais rápido que em qualquer outra ocasião, mas Edward acompanhou-a como se o mundo tivesse desacelerado. Ela correu para ele, os raios de sol vibrando pela janela tornando o cabelo um tom mais avermelhado, a capa branca que usava inflou-se atrás dela enquanto os pés descalços de Bella a impulsionavam para o marido. Edward deu apenas um passo para frente antes que Bella se atirasse em seus braços.

Seus corpos ajustaram-se moldaram-se um ao outro com a naturalidade com que o destino os unira há anos atrás, Edward sentiu o perfume dos cabelos de Bella invadi-lo e soube que finalmente ela estava ali. O aperto dos dois era forte e preciso, intenso ao ponto da dor, ele havia renascido de um túmulo de água e ela suportado a insanidade de um reino de vampiros para poderem ficar novamente juntos. Edward escutou um soluço libertar-se de Bella e a apertou com ainda mais força. Ele jamais tornaria a ficar longe dela... ele fez muitas coisas sombrias para tê-la novamente, provavelmente seria o responsável pelo fim do mundo, mas não se importava. Não naquele momento.

Bella ergueu o rosto e os olhos deles se encontraram, absorvendo-se dentro de um olhar. Edward notou com um toque de tristeza que a íris dos olhos de Bella agora eram de um vermelho claro e reluzente, um tom mais cristalino do que quando ela tornou-se uma vampira recém-nascida... os Volturi a haviam obrigado a beber sangue humano. Mas Bella, por outro lado, reconheceu confortavelmente aquele par de olhos dourados como mel, um dourado puro e brilhante que ela amava desde que o havia conhecido.

– Você veio... está vivo – as palavras escaparam dela com um murmúrio de mágoa e alívio.

– Eu vim por você – respondeu Edward – Sobrevivi por você, Bella.

Ela tornou a abraçá-lo com força, e foi como se nada mais existisse a não ser os dois, não havia castelo, não havia guardas ou inimigos, nem reis ou rainhas e nem mesmo o oceano lá fora. Apenas os dois e nenhum outro mundo. Mas de repente Bella tornou a erguer o rosto e olhou-o com um espanto crescente que beirava a descrença.

– Como? — perguntou ela – Como você sobreviveu? Como conseguiu?

– Bella – o rosto de Edward estava sério – Eu me ergui de uma sepultura de lama do fundo de um rio, caminhei à beirada de um vulcão, corri por pradarias sem fim, vaguei por um pântano num mundo além do mundo dos homens, libertei um deus e estou aqui. Estou aqui por você.

Os lábios deles se encontraram e Bella ficou surpresa ao perceber o quão familiar a boca de Edward lhe parecia, como se beijá-lo fosse um dom inato que nascera com ela e que jamais se perderia. O beijo dos dois se apertou por minutos, um beijo atrasado em anos... e só depois de um tempo eles se libertaram um do outro.

– Você demorou tanto – disse Bella desviando o olhar, ela soou assustada e arrependida – Eu acreditei que você estava morto. Edward... eu fiz tantas coisas... há tanto que eu cedi e...

– Fez isso para sobreviver, Bella. Nós dois fizemos coisas discutíveis... para podermos novamente ficarmos juntos. Mas agora está terminando... os reis serão destruídos.

O tom de voz fez com que Bella torna-se a encará-lo, ela notou que Edward estava diferente, mais distante e sombrio, uma aura de austeridade pairava ao redor dele, como a que sempre estava presente na expressão de Jasper. Era como se Edward tivesse sido marcado, marcado de uma forma profunda e irreversível, tivesse mudado a ponto de não conseguir mais recuperar o que havia perdido, aquela parte pura dele, a parte que o tornava tão parecido com Carlisle... havia sido sepultada num leito de rio.

E pela primeira vez ela pareceu notar a cicatriz em seu pescoço, uma linha esbranquiçada e irregular como a escarpa de uma montanha maculando seu corpo outrora perfeito. Os lábios dela se apertaram numa linha fina.

– Matar os reis é mais complicado do que parece – disse ela por fim.

– Não importa, não há nada que eles possam fazer para escapar – a voz de Edward era irresoluta – Você verá, agora vamos... vamos salvar nossa filha.

§§§§§§§§§§§§§§§

Alguns andares abaixo Jacob despertou sentindo-se nauseado e fraco. Seu corpo estava gelado apesar de ele sentir calor, suas narinas queimaram com o cheiro de vampiro e morte que exalava da armadura e ele compreendeu que fizeram isso para ocultá-los dos guardas. A sala onde estava era vazia e sem vida, apenas ele estava ali no meio do eco e da poeira. Ouviu o atropelo de um batalhão de pés apressados quando a porta da entrada do corredor cedeu e os guardas passaram apressados pelo corredor, mas nenhum vampiro pareceu notar a presença de Jacob dentro do aposento fechado.

Eu me tornei um estorvo, pensou Jacob Black.

Mas não estava nele a facilidade da desistência, com esforço colocou-se em pé, o peso da armadura e do elmo na cabeça ameaçando atirar-lhe novamente no chão, e foi isso que aconteceu... Jake desabou no chão e sentiu a consciência consumir-se dentro de si mesmo lançando-o em uma escuridão pesada.

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Jacob sentia-se no limiar do despertar, mas simplesmente era incapaz de abrir os olhos, mas então sentiu um toque delicado sobre a pele do braço, um toque que o fez arrepiar-se e ele abriu os olhos e viu Renesmee.

Viu-a como quando ela morava em Forks e tudo era perfeito, aqueles olhos castanhos e curiosos, o sorriso de lábios carnudos delineando a boca ampla e suculenta, a pele alva refletindo a luz do sol. Ela usava um simples vestido brando e Jake notou o anel de noivado que ele lhe dera, faiscando na mão da menina.

– Nessie? — chamou ele tentando alcançá-la – Você está aqui?

– É claro que não, Jacob Black – riu a imagem de Nessie – Estou aí dentro – ela apontou para a cabeça de Jacob – Mas eu desejo que você se apresse, ou será tarde demais.

– Eu não vou deixar que nada aconteça a você, Renesmee.

– Eu sei meu amor... logo estaremos juntos... de um jeito ou de outro.

E a imagem se foi.

Jacob serrou o punho numa raiva crescente, ele estava tão perto dela e ao mesmo tempo tão longe. Com força ele colocou-se em pé, não, ele não ficaria parado. Ele era Jacob Black, Senhor dos Lobos de La Push, companheiro de batalha do poderoso Sam Uley e não permitiria que seus irmãos guerreiros lutassem sem ele. Não permitira que Renesmee sofresse mais do que sofreu.

Ele estaria lá nem que tivesse de ir se arrastando.

E com um passo incerto ele caminhou para a porta, abriu-a com um esforço, o suor escorrendo pelo rosto... depois olhou para o corredor e para as escadarias que lhe impunha obstáculos intransponíveis. Mas ele não pararia.

Não ele.

Não o alfa.

O papel dele não havia terminado.

O Senhor dos Lobos ainda uivaria uma vez mais.