Candor Lunar - Livro 2

31 Capítulo 30 - O Pináculo da Luz


Notas iniciais
Olá
Bem pessoal, minhas desculpas sinceras! Este capítulo deveria ter saído bem antes, mas desta vez eu me enrolei nos dias e atrasei.
Prometo postar o próximo o quanto antes.
Boa Leitura.
Ang.

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Já era fim de tarde e o sol começava lentamente a deitar-se rumo ao seu leito no horizonte, não havia vento e as folhas das árvores mantinham-se tranquilas e quietas repousando serenamente de seus galhos silenciosos; o céu estava claro e sem nuvens, um final de dia agradável da Itália, sorridente, alegre e inspirador.

O salão era o mesmo em que Aro e Bella haviam decidido pelo destino de todos; o mesmo salão vazio de onde Bella havia decidido tornar-se Isabella de uma vez por todas. E o lugar continuava vazio, apenas o pó maculava o chão de pedras, e ali estava um Rei, o maior dos Três Irmãos... Aro Volturi.

O rei olhava para os pátios da janela aberta, tinha um semblante distante e sorrateiramente distraído quando seu irmão Caius entrou no salão, caminhou até ele e postou-se ao seu lado, mas o Rei não pareceu dar conta disso, ou se percebeu, não quis demonstrar.

- Está quase tudo pronto para partirmos – declarou Caius – Você realmente tem certeza de que quer continuar com isso?

- Houve dúvidas vindas de minhas escolhas em todos estes séculos, Caius? – respondeu Aro ainda distraidamente.

- Sua escolha é peculiar, irmão. Isabella é a viúva de uma de nossas escolhas, filha de uma família que destruímos, fruto de uma de nossas ações, de uma da nossas violências. Por que ela?

- Eu não sei – disse Aro sinceramente – O amor não é racional, Caius.

- O amor para nós é totalmente diferente do amor comum.

- De fato, mas ainda assim somos alguma coisa humanos eu suponho. Lá no íntimo de nós. O seu amor por Athenodora é o amor comum cantado desde os tempos remotos por bardos, não é mesmo? Qual o espanto com relação à Isabella? Eu sei que é algo totalmente inesperado, me ocorreu também a base desta loucura, porém, Isabella me intriga desde que veio a nós para defender o namorado vampiro há tantos anos atrás. Algo nela me chamou a atenção, é como se ela tivesse nascido para ser...

- Rainha? – emendou Caius.

- Exato.

- Ela sem dúvida tem uma personalidade peculiar, tem os modos e o caráter muito genioso. Mas Aro, minha dúvida é oriunda de outras preocupações. Isabella não conhece os segredos que nos cercam, tampouco o que nos aguarda num futuro distante... acha realmente que ela irá conviver bem quando você partilhar com ela os segredos do Livro Vermelho?

- Isso não precisa ser tão logo – disse Aro desgostoso – Ainda temos tempo, Isabella terá tempo para se adaptar a nós até o momento certo de eu lhe revelar nossos segredos mais profundos. Então, talvez, ela comece a realmente nos aceitar como somos depois que conhecer o peso que carregamos sobre nossos ombros... o peso de salvar a humanidade da extinção. Talvez Isabella até mesmo nos seja muito útil na busca pelo Primeiro.

- Como?

- Isabella tem uma sutiliza muito mais branda e doce, talvez o nosso povo a escute melhor através de seus modos delicados do que através de nossa força. Há algo nela, Caius... algo que não sei explicar exatamente o que, mas há uma força, um poder que parece oculto sobre aqueles olhos amáveis, tristes e temerosos. Esta força brota dela quando é pressionada, como se a cada novo obstáculo ela se torne cada vez mais forte, cada vez mais inabalável. Eu não sei como sei, mas compreenda irmão, Isabella ainda fará algo muito grande no futuro, ouso até mesmo afirmar que dela dependerá um futuro melhor do que o que previmos... talvez ela seja o ponto de apoio de todos contra o Despertar do Primeiro...

- Isabella, um pilar contra o despertar do Primeiro? — estranhou Caius.

- Sim. Ela talvez se torne um farol em meio a uma escuridão crescente.

Caius pensou em exprimir seu ceticismo quanto aos sentimentos do irmão, mas o olhar de Aro lhe diziam que ele falava sério e Caius então meditou por um segundo sobre tudo o que o Rei dissera. Isabella realmente tinha este potencial? Será que ele estava tão habituado a subestimar as meninas Cullen ao ponto de não perceber o que o irmão percebia? Mas de qualquer forma, Caius se decidiu naquele instante a começar a prestar mais atenção em Isabella Volturi.

E neste momento, antes de qualquer outra coisa, uma batida soou na porta e um guarda entrou apressadamente, fez uma reverência e falou:

- Meus mestres, um emissário está aqui para lhes falar.

- Estamos de partida, servo – disse Caius casualmente – Diga ao emissário para voltar depois do casamento de seu Rei.

- Mas meu mestre Caius, trata-se de uma daqueles mercenários que partiu para o norte junto de meu senhor Alec.

- Apenas um?

- Sim, meu mestre.

- Pois bem, então – disse Caius num suspiro – Mande-o entrar.

Poucos minutos depois, o guarda introduziu no salão diante dos dois reis um sujeito maltrapilho, sujo e amassado, as roupas aderiam ao corpo amarrotadas e limosas; o vampiro era alto e os cabelos sujos caíam-lhe como uma cascata emboscada de folhas e terra, tinha os olhos levemente vagos, como se estivesse distraído ou com sono. Quando Caius o olhou – Aro não se deu ao trabalho de se virar para o homem – o sujeito fez um meia mesura desajeitada.

- Você é Vesgo John – declarou Caius – Do grupo de mercenários contratados para dar cabo à missão de Alec, onde está seu chefe, o vampiro chamado Dorian.

Vesgo John olhou para seu rei sabendo o que deveria fazer, seu eu interior, sua consciência, tinha a certeza de que deveria relatar tudo o que realmente acontecera, mas no momento em que pensou em fazer isso uma voz sedutora inebriou sua mente e nublou seus sentidos. A voz da feiticeira Charlotte aprisionou sua língua, domou seus pensamentos e ele apenas fez o que foi comandado a fazer.

- Dorian e os outros estão mortos, meu mestre Caius – disse Vesgo John lentamente – Somente eu sobrevivi, meu senhor Alec matou todos.

- Alec? – espantou-se Caius e a declaração do mercenário conseguiu finalmente chamar a atenção de Aro que o olhou com interesse – Mas ele está vivo então?

- Não, meu mestre. Meu senhor Alec ainda tinha muita força consigo, ele concentrou todo o seu poder em cegar meus colegas e matou-os um a um, eu só sobrevivi graças ao meu poder de paralisar um oponente, consegui deter Alec antes de ele me destruir, decapitei-o e atirei-o às chamas. Ele está morto.

- Surpreendente – disse Caius – Alec ainda se mostrou letal.

- No fim não deveríamos ter dado ouvidos ao plano de Jane, Alec ainda poderia nos ser útil – Aro falou olhando o irmão.

- Ah, deixe disso Aro, foi necessário. Alec, no passado, daria cabo de centenas e agora não conseguiu nem ao menos sobreviver ao ataque de meia dúzia de maltrapilhos, Alec teve uma morte gloriosa em batalha, morreu como guerreiro, que valor ele teria para nós agora, Aro? Cego e rancoroso, Alec não passaria de um velho inútil caminhando por estes corredores, tocando suas irritantes melodias depressivas. Não, fizemos o certo, Alec está melhor morto do que vivo e inútil.

- Espero que sim – respondeu Aro inconvicto – Mas será que estamos fadados a matar todos aqueles que um dia nos foram caros, meu irmão? Pagamos todos os séculos de lealdade de Alec com uma morte às escuras.

- Isabella está o tornando complacente demais, Aro.

Mas a esta afirmação Aro não respondeu e Caius permaneceu com a dúvida a preocupar-lhe os pensamentos.

Longe dali, na torre que servia de aposentos a Isabella, a princesa pensava na irmã enquanto assistia a Ícaro, o serviçal da corte Volturi, a dobrar e guardar na mala os vestidos e pertences que Isabella usaria durante sua estadia no Pináculo da Luz. Alice não lhe saia dos pensamentos, a irmã era tão delicada que só de imaginá-la sozinha naquele túmulo tirava todas as energias de Bella.

- Está quase tudo pronto, minha princesa – disse o velho vampiro.

- Obrigada, Ícaro – respondeu Isabella sem alegria – Creio que não será necessário levar todas as roupas, eu não usarei nem metade disso aí.

- Minha princesa, longe de mim contrariar a sua vontade, mas se me permite... a senhora será Rainha dentro de cinco dias, depois disso terá de se vestir como uma rainha. Então provavelmente o conteúdo desta mala ainda será insuficiente a sua posição.

- Eu não usarei isso tudo o tempo todo, se Aro pensa que serei uma Rainha de enfeite ele está se enganando completamente, pretendo usar o cargo para muito mais do que ficar apenas sentada ao lado dele acenando para aquele monte de vampiros que servem como vassalos para os Três.

- Então a senhora será uma rainha diferente – disse Ícaro com um sorriso.

- Provavelmente.

- Os motoristas estão aguardando no hall, minha senhora.

- Minha filha?

- Irá em um carro com seu amigo Quil.

- Menos mal – disse Bella sentindo um alívio por saber que Quil estaria junto de Nessie e também presente no casamento – E o restante da guarda?

- No fim da comitiva, divididos em dois outros automóveis.

- Excelente.

- A senhora é uma mulher muito corajosa, senhora Isabella – disse Ícaro após fechar a última mala e se dirigir para a saída do quarto – Acho que sua presença vai melhorar muito este lugar, sinto mudanças vindo pela frente.

- Eu sou apenas uma garota que acabou de virar mulher, Ícaro... nada mais.

- Uma garota não teria exigido que a capitã da guarda se desculpasse com um Cavaleiro, minha senhora. Acredite em mim, é muito mais do que imagina ser.

E dito isso, o velho vampiro deixou o quarto carregando todas as malas de uma só vez.

Com um suspiro, Isabella postou-se ante o guarda-roupas a fim de escolher o que deveria vestir para a viagem, acabou escolhendo um vestido curto com estampas florais de cor creme e calçou um sapato leve da mesma cor, um fino sinto trançado completou o conjunto. Sobre a penteadeira um estojo de veludo descansava luxuriosamente, dentro dele uma tiara incrustada de diamantes cujo valor incalculável era tão escandaloso que Isabella nem quis perguntar para não se chocar... fora presente de Aro. Um presente de casamento.

Isabella não a usaria de forma alguma, ele jamais se deu ao ímpeto de ostentar joias a não ser nas raras ocasiões em que Edward a obrigada em algum tolo jantar elegante em que às vezes se enfiavam, porém, Isabella não era mais Bella. Ela abriu o estojo e a tiara reluziu como o brilho de dezenas de microestrelas, cuidadosamente ergueu o acessório até a cabeça e olhou-se no espelho, a tiara parecia uma coroa delicada e foi por isso que ela decidiu por usá-la... mostraria a Caius e Marcus e a toda a Guarda de Volterra que ela seria Rainha.

Estava bonita, teve de admitir, era algo sério, porém elegante e a tiara lhe dava um ar absolutamente... real. Enquanto olhava-se no espelho, percebeu o que muitos haviam percebido, ela agora tinha um porte diferente, algo que a aproximava muito de Athenodora, algo altivo e decididamente forte. E ela gostou disso, gostou de sentir que tinha um certo poder de mudar alguma coisa, que tinha a força necessária para decididamente alterar Volterra de alguma forma.

- Minha senhora – disse Giordano na porta – Chegou o momento.

- Está bem – suspirou Bella – Você irá em algum carro junto com a guarda?

- Estarei lá quase antes que a senhora chegue, minha senhora.

- Como assim?

- Irei correndo, à frente.

- Por que você não irá conosco? – mas antes mesmo de Isabella terminar a pergunta ela percebeu o motivo e com o rosto fechado já disparou contra Giordano – Não me diga que os Cavaleiros não podem andar junto com a Corte ou a Guarda?

- Minha senhora, é assim desde sempre, eu não me incomodo realmente.

- Não tente justificar o preconceito estabelecido em Volterra, Giordano. Isso é um absurdo, simplesmente segregar uma casta de trabalhadores...

- Servos – a corrigiu Giordano.

- Que seja, mas isso tem de mudar! Eu entendo que os reis não podem sair por aí correndo feito doidos, mas se vamos todos, temos de ir todos como iguais.

- Minha senhora, eu acho que é melhor deixar como está, este servo jurou que a protegeria em toda e qualquer circunstância, fui designado para isso, prometo que estarei correndo ao seu alcance... realmente não é um problema.

- Para mim é, vou falar com Aro.

- Mas minha princesa... – gemeu Giordano desconfortável.

Porém, obviamente, Isabella já havia atirado-se pelo corredor com Giordano caminhando aos seus calcanhares, o pobre Cavaleiro seguia cabisbaixo já imaginando que sua princesa exigiria mais alguma coisa tola por causa dele.

Quando chegou ao andar térreo, Isabella enveredou direto para as escadarias que levariam ao salão dos tronos, porém deteve-se quando viu Caius caminhando em sua direção rumando vindo de um dos corredores opostos, ele a olhou com curiosidade e sorriu levemente ao vê-la.

- Está muito bonita, Isabella, vejo que se rendeu ao presente de meu irmão.

- Obrigada Caius – respondeu ela simplesmente e parecendo apressada, e o fato de ter se dirigido a ele de maneira tão informal causou ao rei um leve levantar de sobrancelhas – Eu preciso falar com Aro.

- O encontrará no mesmo corredor pelo qual eu vim – disse Caius – Ele deve estar chegando agora, estamos de partida.

- Oh, eu sei, não vai demorar muito... obrigada Caius.

E antes que Caius pudesse responder Isabella já havia se afastado com Giordano grudado nela como uma sombra, Caius apenas revirou os olhos num espanto mudo, sabia que Isabella lhe daria trabalho como Rainha uma vez que provavelmente influenciaria em tudo o que Aro decidiria.

A Princesa encontrou o Rei a meio caminho do corredor, Aro olhou-a distraído e somente depois de alguns segundos se deu conta de que era Isabella, o Rei a encarou da cabeça aos pés e novamente para a tiara cintilando no alto de sua cabeça. Os olhos de Aro pareceram sorrir para Isabella tanto quanto seus lábios, era algo entusiástico, como se ele tivesse visto sua Princesa pela primeira vez na vida.

- Isabella – disse ele admirado e feliz – Você está deslumbrante, é quase um pecado.

- Não exagere Aro, por favor... – disse Isabella desconfortável ante o olhar brilhante do Rei.

- Mas é mais pura verdade – tornou ele agora aproximando-se e segurando as mãos de Bella com delicadeza – Está pronta para partir?

- Não.

- Não? – estranhou Aro, mas logo em seguida um sorriso maroto se instalou em seu rosto – Ah, eu conheço este olhar, o que foi agora?

- Giordano, eu não quero que ele corra daqui até o Pináculo da Luz.

- Ah, isso.

- Sim, isso – irritou-se Bella – Já falei que não vou tolerar este tipo de discriminação, exijo que o meu cavaleiro também viaje conosco.

- Está bem – disse Aro.

- Ah... é? – gaguejou Isabella, nem ela esperava algo tão fácil e Giordano parecia não saber aonde enfiar a cara – Ele vai em um dos carros?

- Se assim você desejar...

- Eu desejo – disse Isabella

- Giordano, vá até Ícaro e peça a ele para que prepare outro carro, se não me engano outros três cavaleiros irão conosco além de você. Diga a Ícaro que vocês quatro vão completar nossa comitiva com o último carro.

- Sim meu mestre Aro – responde Giordano sem, no entanto, arredar pé de perto de Bella.

- Pode ir, penso que sua Princesa ficará segura perto de mim, não é mesmo?

- Perdoe-me meu mestre, estou indo agora mesmo.

E dito isso, o Cavaleiro afastou-se apressadamente de perto dos dois. Isabella viu-se sozinha com Aro no corredor, os olhos do Rei fixos em seu rosto, mas a Princesa não mais se incomodava com isso, aos poucos habituava-se à presença de Aro. O rei, cavalheirescamente, ofereceu o braço para que Bella enlaça-se o dela e juntos caminharam lentamente rumo ao hall de entrada do palácio.

- Não é habito nosso tratar os servos de castas inferiores como iguais – disse Aro numa voz divertida.

- Bem, terá de se habituar a isso – respondeu Isabella sem pestanejar.

- Seria mais fácil você planejar uma lista do que pretende mudar, minha princesa... assim ao menos eu teria antecipadamente alguma ideia do que planeja.

- Não se preocupe meu rei, a lista está sendo redigida.

- Fico feliz por estar usando a tiara.

- Achei que daria uma boa impressão àqueles que ainda podem vir a questionar minha autoridade.

- Você se refere a Jane? Isabella, francamente, você poderia deixar de lado esta rivalidade com Jane, você será Rainha e ela é apenas uma serva. Mas de uma forma ou de outra, esta tiara ficou linda em você, tão linda que me faz pensar se não seria uma boa ideia lhe fazer uma coroa.

- Aro, você não ousaria... – disse Bella fechando a cara para o Rei.

- Não, é claro que não. Estou brincando, me perdoe.

- Você adora me provocar, não é mesmo?

- Talvez pelo fato de você ficar ainda mais linda quando está brava.

- Você, em todos estes milênios, só aprendeu estas cantadas baratas? Está falando sério? – disse Isabella sem, no entanto, conseguir esconder um leve sorriso de divertimento no rosto que, por sinal, deixou Aro extremamente contente.

- Terá de me perdoar minha princesa, eu estou enferrujado... mas prometo tentar melhorar.

Aro manteve o sorriso alegre no rosto até o hall de entrada, mas ele desapareceu no instante seguinte quando Isabella notou Matheu se dirigindo até eles. O Cavaleiro, vestido em sua armadura dourada, com a capa esvoaçante flutuando atrás dele, parecia um personagem saído de contos de fadas; alto e absurdamente bonito, Matheu chamava facilmente a atenção de todos no salão o que sempre levou Isabella a imaginar o motivo pelo qual ele era apenas um mero Cavaleiro. Mas o olhar que Matheu lançou a Aro era furioso, beirava o ameaçador e com uma intensidade tão assassina que Isabella sentiu medo ao ponto de fazê-la pensar “Meu Deus, ele vai atacá-lo”!

E de fato parecia isso, Matheu não diminuiu o ritmo enquanto se aproximava e muito menos baixou o olhar, esta atitude deliberadamente impertinente e revoltosa chamou a atenção de alguns guardas ali parados que, prontamente, começaram também a se aproximar de Matheu imaginando o que diabos ele estava planejando com aquele comportamento, mas pior do que isso foi a atitude do Rei. Aro imediatamente entrou na frente de Isabella para avisá-la de que isso não era assunto dela.

Porém, para alívio de Isabella, Matheu parou a pouco menos de dois metros de Aro e furiosamente caiu sobre um dos joelhos no chão, mas seus olhos rubros de raiva continuaram encarando o Rei com insolência.

- Eu preciso falar-lhe, meu mestre Aro – disse o Cavaleiro cuspindo as palavras.

- Como ousa, servo, dirigir-se a mim desta forma? – Aro falou e as palavras saíam de sua boca como farpas envenenadas – Eu sou o mestre desta Cidadela, os servos vêm a mim quando convocados e não o contrário, jamais aceitarei que um escravo invada desta forma meu castelo e se dirija a mim intempestivamente. Eu deverei lembrar-lhe, Matheu, onde é o seu lugar?

- Ouvi dizer que minha Princesa Alice foi presa nas Catacumbas, meu Rei – disse Matheu não parecendo ter ouvido as palavras de Aro, mas Isabella percebeu que ele estava prestes a atacar o Rei.

- Isso não lhe diz respeito, servo – bradou Aro furioso.

- Este servo vem oferecer a própria liberdade em troca da de minha Princesa, meu mestre. Este servo abre mão de sua posição como Cavaleiro se for preciso, ofereço minha presença nas Catacumbas em troca da liberdade de minha Princesa Alice.

A situação mostrou-se bastante tensa, Aro estava lívido e Matheu igualmente furioso. Isabella surpreendeu-se com aquela súbita aparição do Cavaleiro desafiando seu Rei, ela sabia que Matheu e Alice estavam apaixonados um pelo outro e que esta paixão era metade da carga de preocupação que assolava Alice, porém, havia algo mais ali. Isabella já havia imaginado que os Três depreciavam Matheu muito mais do que qualquer outro servo que existia, geralmente eles conversavam pouco com os Cavaleiros – que estavam em uma posição abaixo da dos Guardas – mas com Matheu era quase uma raiva branda.

Prevendo uma possível desgraça, Isabella delicadamente tocou no braço de Aro; o Rei olhou para a noiva e seu olhar abrandou levemente, mas a Princesa sabia que teria de lidar com cuidado, afinal, Aro era um Rei e havia sido literalmente desafiado por um servo.

- Meu Rei, me permite? – disse ela numa voz baixa e sedutora.

- Este não é um assunto que lhe concerne, Princesa – avisou Aro, mas Isabella não cedeu.

- Eu entendo, porém Matheu está preocupado com minha irmã pela qual ele nutre especial carinho, creio que parte disso é culpa minha, poderia o meu Rei permitir-me falar com ele?

- Seja breve – disse Aro não muito satisfeito, porém verdadeiramente seduzido pelo pedido de Isabella.

A Princesa caminhou até o Cavaleiro com o mesmo porte de uma Rainha, todos olhavam para ela com uma surpresa admiração estampada no rosto e Isabella simplesmente se abaixou, segurou a mão de Matheu e carinhosamente ergueu-o do chão. O Cavaleiro não teve reação alguma a não ser suavizar o olhar para aquela linda e delicada vampira que agora olhava para ele com um esgar de tristeza nos olhos.

- Matheu, creio que você terá de ser paciente. Alice e eu planejávamos fugir de Volterra, foi um plano bobo e falho que desenvolvemos logo nos primeiros dias em que chegamos, porém, com o passar do tempo o abandonamos totalmente. Infelizmente este plano foi exposto e Alice, como mentora, foi condenada a morte, mas Marcus se mostrou misericordioso e ordenou que a vida de minha irmã fosse poupada. Mas para provar que havíamos realmente abandonado nossa intenção de fugir, eu aceitei me tornar Rainha e Alice foi aprisionada nas Catacumbas até depois de minha união com nosso mestre Aro. Então, por favor, não se aflija, eu retornarei dentro de poucos dias e irei pessoalmente libertar Alice daquelas celas encantadas e creio que ela irá vê-lo no momento seguinte.

Matheu piscou algumas vezes mostrando seu espanto, se pelo fato de os Reis terem sido misericordiosos ou pelo plano das meninas Cullen de fugir não se pode saber, porém, o Cavaleiro baixou os ombros sentindo-se aliviado e seus olhos abandonaram a ira que flamejava contra o Rei.

- Creio que este súbito comportamento se deve a sua relação com Alice, mas asseguro que está tudo bem com ela e que logo ela estará livre, agora penso que seria prudente você se desculpar com nosso Rei, não é mesmo? – disse Isabella sorrindo para ele.

- Sim, é claro – e Matheu gentilmente se livrou das mãos de Bella, caiu novamente sobre um dos joelho ante o Rei e baixou a cabeça em sinal de submissão – Eu rogo o seu perdão, meu mestre, este servo excedeu seu comportamento e esqueceu-se de seu lugar.

- De fato – disse Aro que parecia levemente menos furioso – Espero que isso não torne a acontecer novamente, Matheu, ou eu estarei disposto a esquecer da promessa que fiz a meu filho de não lhe causar mal.

- Sim, meu mestre Aro – disse o Cavaleiro e em seguida ergueu-se e deixou o hall de entrada sem olhar para trás.

- Pelo visto, a sua delicada intervenção expira mais respeito do que minha fúria, Isabella – disse Aro erguendo delicadamente a mão de Bella levando-a aos lábios num gesto de carinho.

- Nem tudo se cosegue através da força, Aro.

- Quantas guerras teríamos evitado se tivesse chegado antes a Volterra? – perguntou o Rei acariciando o rosto da Princesa com uma mão leve.

- Muitas, provavelmente – respondeu Bella sem conseguir conter um sorriso maroto que pareceu extasiar Aro.

O Rei tomou a mão da Princesa e começaram a se dirigir para o pátio onde os carros aguardavam-nos, lá fora as estrelas já espreitavam no céu azul escuro e uma brisa cálida se refestelava no rosto dos vampiros reunidos ali fora. Havia lampiões de luz clareando o caminho e os jardins estavam iluminados por luzes artificiais de tom esverdeado que deixava os pátios do palácio estranhamente fabulosos e fantásticos.

Mas antes de descerem os degraus para se reunir aos outros, Isabella fez a pergunta que coçava em sua mente.

- É impressão minha ou Matheu recebe um tratamento mais cuidadoso do que os outros Cavaleiros?

- Minha Princesa Isabella é muito perspicaz – respondeu Aro evasivo.

- Você não quer falar sobre isso, não é mesmo?

- Matheu me traz lembranças dolorosas, talvez por isso eu não goste de olhar para seu rosto.

- Vai me deixar curiosa então? – ronronou Isabella tentando demover aquele escuto de Aro, e para variar, conseguiu, o Rei suspirou alto e olhou para ela com cuidado.

- Matheu me lembra meu filho – disse ele enfim – Matheu e Arian eram como irmãos...

- Arian – repetiu Isabella surpresa e então ela lembrou-se de tudo. Lembrou de quando Garret e Carlisle contaram a história de um poderoso vampiro que havia devastado os Mercadores da Morte no passado, um vampiro tão poderoso que fora aprisionado... um vampiro chamado Arian, o filho de Aro. E só agora esta memória voltou à mente de Isabella deixando-a espantada – Arian que está preso nas catacumbas.

- Ele mesmo.

- Aprisionou seu próprio filho?

- Foi necessário na época – respondeu Aro e uma tristeza profunda se instalou em seu antigo rosto jovem – Mas eu não quero falar sobre isso agora, contarei a história quando voltarmos, contarei a você o que quiser saber sobre qualquer coisa que desejar.

- Como quiser, meu mestre Aro – respondeu Isabella ainda levemente chocada.

No pátio, enfileirados, estavam sete Bentley Mulsanne, reluzindo à luz artificial das luminárias do pátio, carros imponentes e caríssimos que refletiam todo o esplendor luxurioso dos reis. Isabella parou por um momento e virou-se no momento em que Quil era trazido até os carros. O lobo estava vestido com uma rica camisa branca de algodão egípcio, calças jeans e sapatos baixos; estava bonito, barbeado e limpo. Mas seu rosto estava tenso e Bella notou que nas mãos do vampiro que o acompanhava estava a corrente encantada forjada por Loto, o artífice dos Volturi, a corrente foi colocada no porta-malas de um dos carros.

- Quil – chamou Bella se aproximando do rapaz e o abraçando com força – Você está bem?

- Com Alice presa e você se casando a força? – zombou Quil – Estou ótimo Bella.

- Eu prometo que darei um jeito de libertá-lo e enviá-lo novamente para Claire.

- E deixá-las aqui? De jeito nenhum, nós fomos trazidos juntos, Bella... ficaremos juntos até o fim.

- Eu realmente sinto muito, Quil.

- Não é sua culpa, Bells... nunca será – disse Quil abraçando Bella.

Neste instante Renesmee se aproximou da mãe e de Quil, a menina ainda estava desconfortável com o tapa que levara de Bella e por isso se mostrava um pouco distante da mãe, ainda assim ficou ao lado da Princesa.

- Você está bem? — quis saber Isabella.

- Estou, já é um alívio não precisar viajar com a Guarda. Parece que seremos apenas eu e você no carro, Quil.

- Ainda bem – sorriu o lobo – Ao menos poderei ficar um pouco longe destes psicopatas italianos.

- Quil, eles podem te ouvir – alertou Nessie.

- Sim, e eu estou morrendo de medo deles – desafiou o quileute – Pelo visto vamos trocar um castelo pelo outro?

- O Pináculo da Luz é quase tão antigo quanto Volterra – contou a menina – Eu não sei ao certo sua história, mas lá é o lar dos Mercadores da Morte. Pelo que ouvi dizer, todos os Lordes mais importantes que servem os Volturi estão se dirigindo para lá para o casamento, há muito tempo um rei não se casa.

- Pobre Sulpicia – lamentou Bella – O que terá acontecido a ela?

- Ela deve estar é muito feliz da vida em algum lugar por aí mordendo algumas gargantas – disse Quil – As más línguas contam que ela não ficou exatamente triste por ter deixado este castelo.

- Eu não sei não, Quil – suspirou Isabella – Mas desconfio que os Três não são do tipo que deixariam uma vampira que fora rainha e que conhece os mais profundos segredos dos Volturi sair assim, sem mais nem menos, em liberdade.

- O que quer dizer com isso, mãe?

- Que muito provavelmente as cinzas de Sulpicia já devem ter sido espalhadas pelos ventos da Itália.

Os três ficaram calados imaginando que muito provavelmente Sulpicia deveria estar morta e que se não fosse pela decisão de Bella, eles também estariam.

A comitiva estava preparada para partir, Jane passou por Isabella, Quil e Nessie como uma estátua ambulante e nem se deu ao trabalho de dirigir um olhar aos três, entrou no carro e sumiu de vista. A Guarda Real ocupou os dois carros logo atrás do de Nessie e Quil, Isabella beijou a filha e seguiu para a linha de frente onde provavelmente embarcaria no carro junto de Aro.

Porém, qual não foi a surpresa de Bella quando, ao embarcar no carro indicado pelo motorista, não encontrou Aro sentado no banco de trás do veículo... mas Athenodora. A princesa piscou uma ou duas vezes ao acomodar-se no assento, surpresa com a presença da outra vampira.

- Minha Rainha – pestanejou Bella – A senhora não irá com meu mestre Caius?

- Meu marido e Aro tem assuntos de negócios a tratar enquanto viajam, então achei melhor deixá-los viajando juntos e decidi lhe fazer companhia – disse Athenodora séria demais, Bella notou – Aro não apreciou muito este fato já que ele queria passar o tempo com você enquanto percorremos os campos lindos da Toscana, mas antes de tudo ele é um Rei e foi obrigado a ceder ao pedido do irmão.

- Surpreende-me muito saber que os Reis falam de negócios e segredos perto de motoristas humanos.

- Isso não é problema, todos os motoristas são deficientes auditivos de nascença, Isabella. Eles não conseguem ouvir nada.

- Oh, eu deveria ter imaginado – sorriu Bella aliviada por poder viajar ao lado de Athenodora e não de Aro.

- É imperativo que alguns segredos de Volterra não sejam espalhados pelos quatro cantos do mundo – disse a Rainha em tom de censura.

- Pode ser impressão minha, mas a Rainha está descontente comigo?

- Sua irmã quase morreu, Isabella, vocês realmente não compreendiam o perigo a que estavam expostos? Sua sorte foi que Marcus resolveu acordar de seu habitual marasmo e não permitir que Alice fosse sentenciada à morte. Eu realmente fiquei chocada quando descobri este tal plano mirabolante e sem qualquer fundamento; compreendo que vocês tivessem este ímpeto de fugir, mas ao menos teriam também a consciência de que suas vidas estavam correndo sérios riscos.

- Compreendi isso no momento em que Aro me ofereceu a Liberdade dos Volturi.

- E agora decidiu abraçar seu destino?

- Minha sina – contrapôs Isabella delicadamente, ela não pretendia se indispor com Athenodora – Destino é algo que de certa forma você escolhe em algum momento de sua vida, sina é como se fosse, inevitavelmente, uma maldição.

- Maldição – meditou Athenodora por alguns instantes – Você considera-se amaldiçoada por ser uma vampira ou por agora ser uma Volturi.

- Por que eu me sentiria amaldiçoada por ser vampira? — disse Isabella fazendo a Rainha compreender que o peso consistia exatamente no fardo do nome “Volturi”.

Neste momento Aro passou pelo lado do veículo e sorriu para Isabella que retribuiu o gesto, segundos depois ela percebeu que fez isso naturalmente e uma ruga de estranheza brotou no alto de seu rosto. Athenodora a olhava com interesse, quase o mesmo olhar com que Aro costumava lançar a ela, era como se Isabella fosse um ser diferente, estranhamente distinto daqueles vampiros que ali habitavam há tantos e tantos séculos.

- Eu nasci na Germânia há quase mil e trezentos anos em uma pequena vila rural – começou a Rainha no mesmo instante em que o carro começou a se movimentar – A vida era complicada naquela época, eu viva suja o tempo todo devido ao trabalho na lavoura, como deve imaginar, minha família não era rica. Casei-me com um bonito rapaz quando tinha quinze anos, ele chamava-se Jörg e adorava a vida tranquila, simples e previsível que levava; eu o amava, mas estranhamente não me via vivendo aquela vida pelo resto dos meus dias.

Você parece saber as coisas que não farão parte de você – sorriu Athenodora de modo saudosista – Depois de cinco anos nós definitivamente desistimos de ter filhos, eu nunca poderia ser mãe... na época não havia como saber o motivo, meu deus, na época não existiam nem médicos! Jörg não me culpou, mas para um homem que cuidava de fazendas ele sabia que a ausência de um herdeiro faria falta no futuro, alguém para ajudá-lo quando envelhecesse... alguém que herdasse o nome da família e todo o pouco que nós possuíamos.

Mais tarde, quando eu contava com vinte e cinco anos, Jörg se apaixonou por uma camponesa, filha de um dos agricultores das fazendas vizinhas, era uma moça bonita de cabelos negros como a noite. Não consigo me recordar o nome dela, mas lembro que era delicada como uma flor e tinha apenas dezesseis anos e idade para casar. Obviamente falava-se em dever e honra desde aquelas épocas e muito antes, porém os homens tendem a esquecer-se de honra e do dever quando uma garota mais jovem e fresca lhes abre as pernas.

Aconteceu da menina engravidar de um tão sonhado filho de Jörg. Apesar de esposa dedicada e querida por todos, era comum na época que mulheres inférteis fossem tratadas com certo resguardo e receio, afinal de contas, uma mulher que não era capaz de gerar filhos para seu marido não poderia ser uma boa esposa. Acabei partindo, tinha apenas duas mudas de roupa, mas parti. Para onde, não sabia, mas permiti que meus pés me levassem para o mais longe possível... instalei-me em uma viela há vários e vários quilômetros de minha pequena vila natal. Ficava na hoje conhecida Áustria e vivi lá por mais nove anos como empregada de um estalageiro rude que aproveitava-se das próprias filhas.

Eu parecia correr atrás de algo que sentia falta, como uma voz que me chamava para longe – continuou a Rainha – Era algo definitivamente estranho, eu sabia que tinha que procurar alguma coisa mesmo não sabendo o que era; uma força me impelia a continuar, como se o destino inexorável estivesse vindo ao meu encontro. Para a época, com trinta e quatro anos eu já era uma velha, recebi algumas propostas por que a natureza me deu um rostinho bonito e olhos cinzentos, e isso chamou a atenção de alguns comerciantes, mas eu já passará por um casamento traumático uma vez, por que o faria novamente?

Houve, eu me lembro, uma noite de tempestades e foi em meio aos raios e aos trovões que ela chegou na estalagem vinda de terras distantes; era absurdamente linda, tão linda que quando entrou pareceu sugar o ar de todos os homens e mulheres da sala de jantar. Era como uma vertigem que toma nossa mente de repente, a burburinho comum nas salas de refeições morreu instantaneamente e ninguém conseguia tirar os olhos da recém-chegada. Era jovem, pelo menos com dezenove anos de idade e um rosto angelical revestido por uma pele branca como a neve que parecia reluzir à luz das velas nos candelabros; seus cabelos eram da cor do fogo, pareciam vivos e iluminados por si próprios e a boca era dotada de lábios carnudos, com uma sensualidade quase obscena. Ela era a luxúria encarnada, uma coisa abominavelmente linda que apareceu no meio do nada, numa estalagem velha como a emissária sexual da perdição. Os homens pareciam hipnotizados por ela.

O tolo e sujo estalageiro se aproximou dela quase temeroso e eu me recordo de sentir um arrepio percorrer meu corpo quando ela falou “Um quarto, por favor, o melhor que conseguir me arranjar neste buraco”. Enquanto o estalageiro se batia para arrumar o que a mulher misteriosa exigia, ela se aproximou do balcão onde eu servia uma sopa rala de perdiz, só então percebi que seus olhos brilhantes eram da cor do sangue. Eu a encarei como alguém encararia uma divindade, ali, toda suja e estropiada, eu parecia um pedaço de esterco perto daquela rainha imaculada em seu vestido azul celeste. Mas ela sorriu para mim, sorriu com uma bondade estranha.

“Aceita um pouco de sopa, minha senhora?” eu perguntei no tom mais serviu que algum dia meus lábios produziram, mas ela apenas abanou a mão e disse “Você é linda demais para ficar toda ensebada por trás deste balcão nojento”. Seu sorriso parecia desnudar minha alma e eu não fui capaz de dizer mais nada, ela apenas sorriu novamente e partiu para os fundos da estalagem seguindo o estalageiro até o quarto que de forma alguma faria jus a sua pessoa.

Ela ficou na cidade por uma semana, sete dias estranhos onde todas as manhãs se descobria que algum rapaz havia sumido na vila, e ela ficava a maior parte do dia no quarto, saía a noite sem dizer para onde ia sem hora para voltar. Eu a via algumas poucas vezes, mas ela sempre sorria para mim e me tratava com educação e acabei percebendo que ela agia assim apenas comigo e mantinha uma distância fria das outras pessoas.

Certa tarde, ali pelo sétimo dia, o estalageiro veio comigo com algumas moedas de prata e me mandou comprar algum pedaço de lombo de porco, arroz e batatas, depois que voltou com tudo eu descobri que a nossa ilustre visitante havia exigido isso para o jantar e dera o dinheiro para que os ingredientes fossem comprados. Nossa cozinheira não era uma exímia gastrônoma, mas deu conta do recado... assou o lombo de porco em molho de alecrim, com a gordura fez um purê de batatas salivante e um arroz fresco e soltinho. O cheiro inundou todo o estabelecimento e eu até fiquei com pena dos pobres coitados na sala de jantar imaginando que tudo aquilo seria para eles.

Quando tudo estava pronto, o estalageiro me trouxe uma imensa bandeja com a carne, o purê, o arroz e um copo de vinho tinto e me mandou entregar para a nossa ilustre hóspede.”Por que eu?” perguntei assustada e o estalageiro apenas deu de ombros afirmando que a mulher misteriosa havia exigido que eu fosse entregar a comida a ela.

Era noite quando entrei. Ela estava deitada na cama vestindo apenas uma leve e delicada camisola de seda que era quase transparente e mostrava todos os delicados contornos de um corpo perfeito. Seus cabelos vermelhos como fogo estavam soltos e seus olhos igualmente vermelhos presos a mim, mas havia um sorriso doce em seus lábios de menina... apesar de que ela parecia um predador ali, algo diferente dos aldeões costumeiros. Era como se ela estivessem procurando alguma coisa... caçando.

“Athenodora, não é mesmo? — perguntou-me ela sem se mover ou tirar os olhos de mim.

“Sim, minha senhora” — respondi com medo — “Vim trazer-lhe o jantar”.

Eu depositei todo o conteúdo em uma mesa de canto, mas quando me virei para sair ela me chamou novamente.

“Athenodora é um lindo nome, por favor, sente-se e converse comigo um pouco”. Havia um comando delicado naquela voz, uma coisa sedutora que não me permitiu partir, então desajeitadamente eu me deixei cair em um banco no canto do quarto e meu fascínio era tamanho que eu não conseguia tirar os olhos daquela menina tão peculiar”.

“Quantos anos têm”

“Trinta e quatro”

“Tudo isso?” — abismou-se ela — “Achava-a mais jovem, és linda demais para um lugar como este. Como veio parar aqui?”

Levei alguns minutos contando a ela a minha história. Ela escutou tudo pacientemente e só depois que terminei, falou:

“Coma, se não vai esfriar”

“Mas minha senhora, a janta é da senhora”

“Não, pedi isso para você, está com uma carinha de esfomeada desde que cheguei aqui”.

Eu resisti apenas por alguns minutos, o cheiro daquela comida me corroía a fome, geralmente eu comia restos de pão com caldo e só. Acabei devorando a carne, o purê e o arroz. O vinho me deixou levemente zonza e aqueles olhos vermelhos me deixavam desconfortáveis.

“Por que a senhora está aqui?” — me obriguei a perguntar.

“Aqui neste quarto conversando com você ou aqui nesta vila insignificante?”

“Não sei... os dois?”

“Eu tenho um dom, sabia?” disse ela sorrindo marotamente – Eu consigo sentir a vontade das pessoas, consigo saber seus desejos mais secretos e posso dizer que você tem uma vontade imensa de ser muito mais do que é”.

“Como poderia saber estas coisas?” — eu perguntei temerosa sabendo que ela havia descoberto meus sentimentos mais preciosos e ocultos.

“Quantos anos você pensa que tenho, Athenodora?”

“Eu não sei, dezoito?”

“Se eu lhe disser que posso mudar sua vida e lhe dar a chance de ter tudo o que quer, você acreditaria?”

“Eu não mereceria isso, minha senhora”.

“Não? Athenodora, não foi isso que buscou a vida toda? Não foi por isso que me esperou todos estes anos trabalhando neste lugar fedorento e deprimente?”

“Lhe esperando?” — eu perguntei já aflita, o sabor do vinho dançando em minha mente.

“Eu sou a voz do seu destino, Athenodora... eu senti os seus desejos mesmo passando a milhas de distância daqui. Foi por você que eu vim, pelos seus desejos tão saborosos de ser muito mais do que é, a vontade de ter tudo e de ver tudo. Você é a companheira ideal que eu até hoje, depois de quatrocentos anos, ainda não havia encontrado”.

“Quatrocentos anos...?”

“Eu sou Lara e posso tornar seus desejos realidade... você virá comigo?”

Eu não sentia medo de Lara, não medo propriamente dito, eu sabia que ela era estranha e perigosa, sabia que era muito mais do que eu podia sequer supor naquela época. Mas algo me impeliu a ir embora com ela.

E eu fui, naquela mesma noite eu fui. Deixei tudo para trás e a segui.

Athenodora olhava para a paisagem que passava correndo pela janela do carro. Os campos verdejantes da Toscana se derramavam entre planícies e colinas na medida em que Volterra ficava para trás; a noite agora já quase os cobria completamente e as estrelas já pontilhavam o céu cada vez mais cintilantes. Isabella ficou quieta por um tempo meditando sobre a história de Athenodora e o motivo pelo qual a Rainha havia lhe contado tudo aquilo.

- Lara é sua criadora, sua mãe – começou Isabella – Ela lhe transformou em vampira logo depois de você fugir com ela?

- Não – disse a Rainha – Lara me explicou quem ela era e o que era, depois disso me deu quanto tempo eu precisasse para decidir se gostaria de ser uma imortal. Um ano depois eu pedi a ela para me transformar. Durante este tempo eu fiquei pensando sobre o que acarretaria a imortalidade sobre mim, por que eu haveria de querer viver para sempre? Então eu soube o motivo: gostaria de estar aqui para ver o fim de tudo o que há. Os séculos manteriam meu corpo intacto, eu jamais padeceria de alguma doença, você consegue imaginar isso, viver sem se preocupar em adoecer? Poderia conhecer o mundo todo, cada cantinho escondido que houvesse nesta terra, e poderia fazer isso sem pressa alguma! Poderia aprender a ler, algo que na época eu não sabia, poderia ler livros sem fim e acompanhar os homens em seu avanço pelo futuro; no fim das contas eu queria estar aqui para ver tudo acontecer. Para ver até onde a humanidade seria capaz de seguir em frente. E foi por isso que me tornei vampira... você consegue ver agora a diferença entre nós duas, Isabella? Por que eu sou como sou ao mesmo tempo em que você se sentia tão perdida?

- Perdida? — estranhou Bella.

- Minha querida, me diga... por que você escolheu a imortalidade?

- Para ficar junto de Edward, eu o amava.

- E é exatamente isso que lhe faz parecer tão perdida – disse Athenodora delicadamente – Você escolheu a eternidade por Edward e não por si própria, entende? Foi por outra pessoa, e no seu caso ainda pior porque você teve Renesmee como um assunto a mais para tratar em tão curto tempo, mas de uma forma ou de outra, nunca escolheu ser imortal por si mesma, mas pelos outros. E é por isso que sempre está perdida, sem Edward o seu motivo para ser imortal não existe... afinal de contas, por que você escolheria ser imortal, Isabella?

Então, finalmente, Bella compreendeu o motivo que levou Athenodora a contar sua história. A Rainha escolheu ser uma vampira por ela mesma e por ninguém mais ao passo que Isabella só se tornou imortal por causa de Edward, para ficar com ele para sempre e para que ele não precisasse vê-la envelhecer e morrer. Mas agora, Isabella se perguntou o que pensaria caso fosse humana e lhe oferecessem a imortalidade sem a intervenção da presença de Edward, o que ela escolheria?

Provavelmente jamais escolheria viver para sempre, não havia muitas coisas no mundo que pudesse atrair Bella para todo o sempre, o que ela ficaria fazendo pela eternidade caminhando pelo mundo? E justamente isso a fez entender que somente agora ela havia encontrado um propósito próprio para seguir, somente agora ela decidiu o motivo pelo qual ela continuaria sendo uma imortal: seria Rainha.

E como Rainha ela poderia mudar aos poucos a concepção dos Volturi, talvez pudesse fazer com que eles se tornassem menos tirânicos e percebessem o que na verdade importa, obviamente levaria anos ou décadas ou séculos, mas ela teve a certeza de que poderia um dia conseguir.

- Você tem razão, Athenodora – disse ela por fim – Eu tenho que escolher minha imortalidade por mim mesma.

A dois carros de distância Renesmee se arrumava no banco com um vago olhar sonolento, Quil não havia comentado nada sobre o plano falho da menina em fugir se valendo da estranha afeição que Jane sentia por ela, mas Nessie sabia que ele estava chateado. À medida que a noite caia e a escuridão tomava conta de tudo, o ritmo monótono do veículo deixava Nessie com sono e de repente ela se viu sentindo frio.

Sabia que a viagem duraria pouco mais de cinco horas, havia quinhentos quilômetros separando Volterra do Pináculo da Luz e a viagem era bonita de se ver durante o dia, porém, a noite, a coisa toda tendia a se tornar estranhamente opressiva. Renesmee sentia aquele cheiro de Quil, tão peculiar e característico dos habitantes de La Push e se surpreendeu pelo fato de que mesmo estando longe da região onde nascera, Quil continuava com seu cheiro de floresta.

Delicadamente ela se aproximou do rapaz e encostou-se a ele.

- Você poderia me fornecer um pouco deste seu calor natural? — perguntou ela sorrindo.

- Fique a vontade – respondeu Quil distraído.

Obviamente Quil não era Jacob, mas diminuía um pouco a saudade que Renesmee sentia do noivo, o calor do lobo e aquele cheiro almiscarado e intenso de mata silvestre fazia com que a menina se lembrasse de tempos mais tranquilos e perfeitos.

- Você sabia do plano e nunca me contou nada – reclamou Renesmee, ela precisava fazer manha pelo menos um pouco para alguém já que sua tia estava presa e a nova versão de sua mãe era relativamente mais fria do que um iceberg.

- E você sabe perfeitamente bem porque eu não podia contar – respondeu Quil.

- Parece que sempre eu sou a última a saber das coisas, eu sou tão vulnerável assim?

- Nessie, você não está preparada para este mundo e sua mãe só tenta lhe proteger. Desculpe, não quero parecer cruel, mas qual é? Você é uma patricinha que cresceu no meio de uma família perfeita e milionária, desde sempre foi prometida ao Jacob que sempre cuidou de você em tudo, então, basicamente, até pouco tempo atrás você não tinha qualquer preocupação na vida a não ser acordar, ir para a escola e voltar para seu lar perfeito. Neste mundo você não tem chance.

- Obrigada pelo apoio, Quil.

- Não deixa de ser verdade.

- Você está assim porque eu coloquei meu plano em prática, não é?

- Renesmee, me diga como foi que seu plano terminou? — perguntou Quil, mas a menina não lhe respondeu – Olha, eu sou seu amigo desde que você nasceu... então me escute ao menos desta vez. Este seu jeito vai lhe trazer problemas no futuro, Nessie, esta coisa de você achar que certo é certo e errado é errado é extremista demais. Sua mãe está fazendo tudo na base da política e do jogo asqueroso dos Volturi, neste mundo não há certo e errado, o certo mescla o errado e o errado mancha o certo, querendo ou não é preciso se sujar um pouco para permanecer vivo. O discurso de ser uma Cullen até a morte é muito bonito, mas não funciona aqui onde tudo é deturpado; jogar o jogo deles não significa ser um deles. E que escolha restou a nós? Se fosse pela sua política estaríamos todos mortos ou pior, presos como Alice naquelas malditas catacumbas... o que estou dizendo é que aqui não tem lado certo, tem-se que jogar dos dois lados para continuar respirando.

- Não foi isso que Carlisle me ensinou – reclamou Nessie.

- Eu sei disso, mas Carlisle também nunca havia enfrentado uma situação destas antes. Carlisle sempre foi tão respeitosamente certo que não viu o perigo que a família corria, não viu a tempestade se aproximando. Você tem esta visão de que as coisas são feitas certas o tempo todo e infelizmente não é assim, eu gostaria que fosse, juro que gostaria, mas não funciona desta forma. O certo e o errado andam juntos lado a lado e as vezes você tem que caminham no meio para conseguir se manter em pé. Eu sei que você não gosta disso, Nessie, mas não deixa de ser verdade. Por isso ouça o conselho deste lobo perdido aqui: o que não se verga, quebra.

- E eu corro o risco de quebrar, é isso? Pois saiba que Jacob e meu pai jamais aceitariam este tipo de coisa – Renesmee falou com convicção – Meu pai jamais faria algo reprovável por mais angustiante que a situação se mostrasse e Jacob também não concordaria em trilhar por um caminho que não fosse o estritamente certo.

- Bem, eu não posso fazer você ver o que não quer ver, mas eu torço para que no futuro este seu pensamento unilateral não lhe traga tristezas e dor.

Renesmee ficou calada por muito tempo pensando no conselho de Quil, mas seu coração não conseguia compreender a ideia de que era preciso às vezes fazer o errado para que as coisas dessem certo. E cansada mentalmente acabou por adormecer encostada no lobo, mal sabendo que seu precioso pai e seu amado noivo estavam seguindo um plano tão sombrio que deixaria em pé os cabelos do mais frio Volturi.

Isabella sentiu o carro ziguezagueando pelas estradas escuras, ao seu lado Athenodora estava distraída com seus próprios pensamentos, vez ou outra encontravam uma cidade em seu caminho e foi em um destes casos que a luz dos postes iluminou seu rosto lançando ao vidro da janela do carro seu reflexo estático... e da cor escura de seus olhos.

Então somente aí Isabella percebeu que o habitual dourado que iluminava seus olhos havia escurecido para um tom pouco mais claro do que o vermelho, algo como um castanho leve e enrubescido. Aro havia levado-a pela cidade na noite passada a fim de se alimentar, ela encontrou uma jovem moça passeando sozinha e sob a supervisão do Rei a atacou... drenou seu sangue e só não a matou porque Aro impediu, levaria anos para aprender a consumir sangue humano sem matar sua presa. Mas era algo que ela não estava disposta a ficar pensando naquele momento.

Finalmente, quando Isabella percebeu que aproximava-se da meia-noite, Athenodora se moveu ao lado dela e apontou para a janela do lado de Isabella.

- Vê a luz lá no alto, aquela que parece uma estrela?

- Sim – respondeu a princesa focalizando o local em que a Rainha apontava.

- Lá é o Pináculo da Luz.

“O lugar onde meu destino será selado” pensou Bella consigo mesma.

A estrada serpenteante carregava-os entre curvas e mais curvas e ao longe Isabella conseguiu captar o ruído estridente do mar quebrando-se em ondas infinitas, uma sobre a outra, nos rochedos afiados da costa italiana. Muito lentamente, o palácio tomou forma sobre a luz das estrelas e a visão sobrenatural de Isabella captou as muitas torres que faziam parte daquela construção tão peculiar. À Bella pareceu que o palácio fora esculpido na rocha e não construído sobre o rochedo, ele dava a impressão de crescer brotando do solo como uma planta gigante de rochas e pedras milenares.

Havia uma larga ponte ligando o espaço ocioso entre as duas descomunais rochas que serviam de exílio para o Pináculo, Bella se pegou imaginando qual seria a medida daquele vertiginosa altura. As paredes externas que mais pareciam muralhas espessas como montanhas, eram caiadas de branco, e dava ao lugar uma impressão levemente fantasmagórica e distante de qualquer coisa que o rodeasse.

Mas isso não era exatamente um problema, não havia ninguém a quem o palácio pudesse chamar a atenção nas vizinhanças, afinal, os Três tinham um acordo com o governo italiano que transformava vários milhares de hectares de terra em uma reserva ambiental chamada de Area Naturale Baia di Leranto, e isso espantava qualquer possível curioso uma vez que apenas os Reis e seus súditos podiam ali entrar.

Isabella sentiu um súbito nervosismo apoderando-se dela. Ali ela se tornaria uma Rainha.

Seria esposa de um Rei.

Athenodora segurou sua mão parecendo antever os sentimentos da princesa, a Rainha sorriu para Bella com delicadeza.

- Não se preocupe minha querida – disse Athenodora sorridente – Tudo vai terminar bem.

Mas Isabella não teve assim tanta certeza, ela sentia alguma coisa ruim no ar, sabia que algo estava para acontecer e então mirando o céu escuro notou no horizonte distante, lá quase na borda do mundo, relâmpagos furiosos cortando a noite e iluminando o oceano furioso abaixo. Ela viu aquela dança hipnótica de raios e luzes e o sentimento ruim pareceu aumentar ainda mais, comprimindo seu peito, fazendo-a sentir que algo iria acontecer.

- Uma tempestade vem aí – disse Isabella num sussurro quase inaudível – Uma tempestade muito forte.

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Heróis vagantes

- Fiquem calmos agora – sibilou Alec para todos eles – E tratem de tomar cuidado, estamos chegando.

A comitiva dos viajantes não fazia qualquer ruído, andavam com cautela agora que a luz da manhã já insidia completamente sobre eles, era como se cada árvore no caminho guardasse um espião prestes a delatá-los aos senhores daquela terra.

Jacob Black, em sua forma humana, adiantou-se um pouco escalando a colina com o coração ribombando no peito, ele sentia que estava finalmente próximo daquilo que viera de tão longe buscar. A fúria acumulava-se dentro dele como uma tempestade prestes a explodir e queimar todos os lindos campos verdejantes da Toscana. Cada passo que dava significava uma ânsia de correr e terminar tudo de uma vez.

A colina não o venceria, não agora que ele estava ali, a exaustão que sentira nas últimas semanas havia se dissipado, a raiva, porém, continuava ali, latejante como um animal ferido e orgulhoso. Ele sentia os companheiros atrás de si, todos apreensivos e igualmente ansiosos para finalmente encontrarem aquilo que tanto buscavam.

E com um leve e desconcertante assombro, Jacob Black atingiu o cume da colina e de lá de cima, daquele topo gramado e ventoso, ele contemplou pela primeira vez em sua vida a Cidadela dos Vampiros. Por um segundo, enquanto os outros ainda não o haviam alcançado, Jacob observou que mesmo àquela distância a cidade parecia charmosa e antiga como uma histórica vila medieval. Os edifícios e casas erguiam-se em paredes de tijolos a vista e havia vasos de flores em muitas janelas das casas, as ruas abriam-se como rios de pedra polida e os telhados do Palácio, no alto, faiscavam com o brilho do sol e com a certeza de uma luxúria milenar.

- Volterra! — disse Seth surpreso ao seu lado.

- Finalmente – suspirou Carlisle.

- Sim, mas só iremos até lá a noite... então aproveitem os seus último momentos de vida – Alec completou de mau humor.

Edward chegou por último, carregando um peso obscuro nos ombros, seus olhos frios olharam a vista que a ele já era familiar e lembrou-se de certa vez, há mais de uma década atrás, quando Bella o salvara de um suicídio à luz do sol italiano. O vampiro encarou o castelo no alto da cidade sabendo que ali estavam as duas mulheres mais importantes de sua vida, ele finalmente chegara para resgatar usa esposa e sua filha.

- Eu não pretendo morrer aqui, Alec – disse Edward sombrio.

E de fato não iria... Edward não chegou a Volterra para morrer.

Mas para trazer aos Volturi a fúria da Tempestade.

Notas finais
Próximo Capítulo: A Cidadela dos Vampiros