Candor Lunar - Livro 2
14 Capítulo 13 – Charlotte e Salesiana
Notas iniciais
Conversamos no final!
Bjks Diê.
Em um mundo onde vampiros e lobisomens existem, é tolice estranhar a própria existência de bruxas. Entretanto, aqui, neste mundo apartado do mundo dos homens, eu me encontro em um dilema que até então não havia me atormentado em todos estes séculos desde que Carlisle me transformou em vampiro.
A existência de lobos gigantes vivendo em uma reserva pacata em um canto dos EUA não me incomodou tanto, afinal, se existiam vampiros também existiriam lobisomens... agora, bruxas? A magia, apesar de existente, é muito insubstancial para ser meramente concebida com o mínimo de razão possível, aliás, não há como compreender a magia através da razão.
Sabemos que o mundo metafísico existe além da nossa razão, não conseguimos tocá-lo ou visualizá-lo, entretanto, sentimos que ele está por perto; este sentido extra-sensorial é o que nos permite, de certa forma, compreender que há alguma coisa além de nossa capacidade sensorial de percepção... ou seja, sabemos que há algo além do que vemos e sentimos no mundo real.
Temos consciência de que a magia pertence ao mundo metafísico... mas adquirir a certeza de que a magia é real pode ser uma empreitada estafante.
Para tanto, eu me encontro junto com meus amigos, em um mundo paralelo à realidade dos homens; neste mundo onírico meus sentidos de vampiro não servem para quase nada. É como se um véu se descortinasse diante de meus olhos e como se uma almofada abafasse minha audição... tudo o que sinto é o calor abafado brotando deste pântano estranho. A luz esverdeada emana da água estagnada dando a impressão de que o verde é a única cor que impera neste charco esquecido e amaldiçoado.
Sinto Jasper esgotando suas forças enquanto luta para manter seu dom nos acalmando, os lobos estão impacientes e os vampiros desconfiados... ter um
sentimento hostil neste lugar é extremamente simples. Parece que todo este pântano desconfia de nossas intenções e de cada movimento que fazemos.
É como se este lugar fosse vivo e cada célula de sua existência estivesse nos vigiando; as estátuas em forma de pessoas enterradas no lamaçal são desconcertantes, a luz que emana das palmas de suas mãos dava a impressão de que estávamos num jardim hediondo onde flores fosforescentes desabrochavam numa luminosidade fátua e entediante.
As árvores eram velhas... velhas e arrogantes como sempre são todas as criaturas antigas que habitam este mundo, suas folhas eram alongadas e sem cor, como se não passassem de folhas de plástico quebradiças. Seus troncos se erguiam esguios e limosos da água parada e não era possível discernir sua altura, pois eram tão emaranhadas umas às outras que a floresta aquática parecia ser uma única e gigantesca planta com vários troncos e galhos.
Não era possível divisar o céu, por um momento eu me indaguei se haveria um céu sobre nós ou se aquele mundo mágico se restringia ao pântano e à casa decadente que se equilibrava sobre os palanques tortos. O vento era um hálito fraco e mal cheiroso que parecia emanar da água parada como um suspiro triste e sombrio.
Mas apesar de todo este ambiente fantástico e tenebroso, eu não conseguia desviar a atenção da casa a nossa frente; as janelas eram de tal forma empoeiradas que era impossível conseguir perceber qualquer coisa em seu interior, o telhado de palha estava meio desabado em um dos lados e a luz que emanava de dentro não emitia qualquer sinal de conforto.
Carlisle deu alguns passos em direção à paliçada que nos conduziria acima do pântano, a madeira podre rangeu sobre seu peso e por um instante eu pensei que se todos passassem ao mesmo tempo aquela estrutura precária desabaria. Então, um a um, nós caminhamos até o outro lado do pântano onde ficava a pequena ilha em que a casa das duas bruxas estava ancorada tristemente.
“E agora?” – perguntou Seth através do dom de Kaori – “Quem se habilita a bater na porta?”
“Esperem aqui” – respondeu Carlisle dando um passo à frente.
Mas, no momento em que ele se moveu, uma sombra mais densa que as sombras ali presentes se ergueu lentamente do solo, ergueu-se e alongou-se até tomar uma forma levemente humanoide, era como se uma imensa mancha de tinta negra se levantasse do chão. Não houve qualquer som, qualquer odor, a massa negra se colocou em pé obviamente com o intuito de barrar nosso caminho, e daquela sombra estranha na forma de um homem corcunda, um par de olhos esverdeados surgiu para nos encarar.
Olhos estranhos e desconfiados.
- Mas o que diabos...? – disse Jacob ao meu lado.
Neste momento eu corri os olhos para Jasper e o vi apertando com força os dentes, ele estava usando cada grama de força para manter nossa tranquilidade, apesar de que eu senti uma leve tensão tomando conta do grupo. Principalmente quando a sombra falou, ou melhor, uma impressão de voz saiu daquela mancha negra apesar de que nenhuma boca podia ser vista... era como o som de um brisa farfalhante.
- O que procuram, forasteiros? – perguntou a sombra.
- A coisa fala... – impressionou-se Seth.
- Estamos em busca de Salesiana e sua filha Charlotte – disse Carlisle um pouco abalado pela aparição repentina daquele ser sombrio.
- E o que quereis vós das minhas senhoras?
- Elas possuem informações essenciais para mim e minha família. Ouça, guardião, não desejamos o mal às suas senhoras... viemos aqui com o desespero em nossos corações, precisamos apenas que elas nos ouçam e tenho certeza de que elas não recusarão um pedido assim.
- E que informações são estas que fizeram com que tantos vampiros adentrassem os domínios de minhas senhoras?
- Nós precisamos dos conhecimentos e dos segredos que guardam Volterra – respondeu Carlisle sem rodeios.
- Volterra – repetiu a sombra e seus olhos esverdeados se estreitaram em desconfiança – A Cidadela dos Vampiros. Este nome é proibido neste pântano... nada conseguirão vindo até aqui para saber qualquer coisa acerca desta cidade.
- Por favor – chamou Carlisle – Eu entendo a desconfiança que o nome de Volterra trás, mas nós corremos meio mundo para chegar até aqui depois que encontramos um antigo vampiro chamado Erestor. Ele nos indicou este local e disse que Salesiana poderia nos ajudar. Tudo o que queremos é uma chance de perguntar... apenas isso. A vida de minhas filhas e neta depende disso.
Por um segundo a estranha sombra nos encarou e fechou os olhos como se meditasse sobre o pedido de Carlisle; por um longo minuto permaneceu assim, quieto e sem emitir qualquer som ou movimento... pensei que isso era tudo e que não obteríamos qualquer resposta quando, de repente, o vulto abriu seus olhos verdes e sua voz soou ainda mais baixa que antes.
- Ela está aqui... mas fiquem avisados, forasteiros, qualquer tentativa de causar mal às senhoras deste pântano desencadeara uma fúria tão avassaladora que mesmo vampiros poderosos não serão capazes de suportar...
Dito isso, um aviso mesclado a uma ameaça, a sombra se desfez evaporando-se na forma de uma neblina negra e sumindo pelo solo através da água parada do pântano. Neste mesmo momento, a porta da choupana se abriu lançando sobre todos nós uma luz amarelada, no limiar da porta havia uma mulher parada que nos olhava com uma mescla de desconfiança e surpresa.
- Eu sou Salesiana... – disse a mulher numa voz grave e austera – Quem são vocês?
Por um segundo nenhum de nós foi capaz de falar. Eu encarei Salesiana e não pude conter minha expressão de espanto; ela era alta e magra, seus cabelos ruivos caiam em cascatas por sobre o manto azulado e puído, sua pele era perolada e parecia cintilar em meio àquela luz amarelada... tinha o rosto bonito, mas extremamente frio e sem emoção. Mas o que mais me chamou a atenção foram seus olhos... eram verdes, verdes e luminosos como se emanassem uma aura de luz.
- Eu sou Carlisle Cullen e estes são meus filhos: Edward, Jasper e Kaori. Viajo com meus amigos Garret, Jacob e Seth. Nós não lhes desejamos mal, Salesiana, nossa presença aqui já é prova suficiente disto uma vez que seu encantamento não permite aos hostis entrar em seus domínios. Tudo o que pedimos é que nos permita contar nossa história...
Salesiana nos olhou demoradamente, parecia tentar perscrutar os reais motivos para estarmos ali, encarou um a um como se procurasse adivinhar nossa força e o perigo que poderíamos representar. Depois disso, sua voz firme soou novamente pelo pântano abandonado.
- Há vários séculos não vemos outros vampiros e há décadas não deixamos os nossos domínios. De que forma nos encontraram e como souberam do feitiço de proteção?
- Soubemos de tudo através de um vampiro chamado Erestor – respondeu Carlisle, ao ouvir o nome, Salesiana se mostrou surpresa.
- Erestor, o Velho – disse baixinho a bruxa – Eu não sabia que ele ainda está vivo, é um dos mais antigos... foi o último vampiro com o qual tivemos contato. Ele nos prometeu jamais revelar o nosso paradeiro.
- Por favor, não tenha uma má impressão de Erestor – emendou Carlisle – Ele apenas nos revelou onde você e sua filha moravam porque sabia que nós não lhes desejávamos o mal. Como eu pedi anteriormente, viemos contar-lhes a nossa história e com isso implorar para que nos auxiliem.
- Muito bem... que assim seja – ela respondeu – Vou permitir que entrem em minha casa uma vez que o guardião lhes deixou passar, mas saibam que não tolerarei qualquer iniciativa de hostilidade para mim ou para com minha filha.
- Você tem a nossa palavra – afirmou Carlisle.
Com isso, Salesiana se virou e entrou na casa, Carlisle a seguiu imediatamente e nós hesitamos por um instante antes de segui-lo, entretanto, já havíamos perdido praticamente duas semanas tentando encontrá-las e não faria sentido não ir até o fim deste grande mistério.
Passamos pela porta um a um e Seth entrou por último tendo o cuidado de mantê-la aberta, apesar de tranquilo devido ao dom de Jasper, ele ainda não confiava na bruxa. Havia uma sala ampla com móveis velhos e encardidos, estranhos candelabros caiam do teto na forma de galhos de árvores de onde dezenas de velas iluminavam todo o ambiente, mas, apesar disso, a luz era lúgubre deixando tudo num lusco-fusco opressivo.
Uma mesa redonda com várias cadeiras estava disposta no meio da sala, era sólida e de madeira escurecida; nas paredes, inúmeras estantes com livros velhos nos observavam com desconfiança e o ar tinha um cheiro estranho de ervas... não havia sinal da outra bruxa.
Salesiana se acomodou na cabeceira da mesa fazendo um sinal para que nos acomodássemos nas cadeiras livres, Carlisle se sentou no outro extremo e Jacob acabou ficando ao lado da feiticeira... eu notei que ele não estava nem um pouco confortável com isso; Seth preferiu ficar em pé e não desviou os olhos da bruxa nem por um instante.
“Onde está a outra?” – perguntou Kaori através de nosso elo mental.
“Não sei” – respondi – “E acho melhor não perguntar, pode parecer grosseria.”
- Então, Carlisle Cullen – manifestou-se Salesiana – Conte-me a sua história e o motivo por ter vindo até mim.
Carlisle contou sua história e de sua necessidade de constituir família, relatou como encontrou todos nós e dos anos em que passamos juntos até nos mudarmos para Forks e eu me apaixonar por Bella. Kaori prestava atenção e absorvia todas as palavras de Carlisle, ela queria saber a história da família que a acolheu e eu ouvia seus suspiros quando algo a surpreendia.
Salesiana, apesar de sua imperturbável frieza, foi obrigada a demonstrar espanto quando Carlisle relatou sobre meu casamento, a gravidez de Bella e o nascimento de Renesmee. Não sei se ela chegou a acreditar em tudo o que lhe contávamos, mas permaneceu em silencio ouvindo com atenção; seus olhos se estreitavam quando o nome Volturi era mencionado e ela ficou lívida no momento em que Carlisle lhe contou sobre a primeira investida deles contra nossa família.
Salesiana encarou Jacob e Seth quando a história falava dos lobos e eu vi que ela ficou levemente tensa, no mundo dos vampiros, os lobisomens eram temidos mesmo depois de sua extinção. Depois do relato de Carlisle sobre o primeiro ataque, houve o período de tranquilidade que perdurou por pouco mais de dez anos e que a história enveredava para uma época de paz em que víamos Renesmee crescer e acalentar os nossos corações.
Infelizmente, os relatos sobre o segundo ataque foram mencionados e no momento em que o nome de Flávius Aurélius foi evocado, Salesiana fechou os olhos e seu semblante demonstrou uma tristeza infinita; Carlisle lhe contou sobre os Mercadores da Morte e como nossos amigos e irmãos foram mortos e como Alice, Bella, Nessie e Quil foram tirados de nós e escravizados em Volterra.
Percebi que as horas eram imutáveis no meio deste lugar encantado, o tempo não parecia correr e eu percebi que estávamos há horas conversando devido à extensão da história contada por Carlisle; finalmente ele contou sobre
meu retorno do mundo dos mortos, nossa busca por Erestor e sobre as revelações que ele nos apresentou.
- No fim das contas – disse Carlisle finalizando – Viemos até aqui para lhes pedir auxílio... precisamos entrar em Volterra e você e sua filha são as únicas vampiras vivas que conhecem os encantamentos que cercam o castelo além do próprio Aro Volturi.
- Sua história e a de sua família são surpreendentes, Carlisle Cullen – falou Salesiana o encarando – Eu jamais havia ouvido falar de um clã tão grande de vampiros e principalmente um clã que se alimente exclusivamente de sangue animal. Há muitas coisas perturbadoras em seu relado, o fato de possuir uma neta meio-vampira já é algo a se impressionar... mas muitas coisas que contou também são perigosas. Os Mercadores da Morte foram quase dizimados na mesma época em que eu fugi da Itália quando meu marido fora morto pelos Volturi; é uma notícia muito ruim o fato de o poderio bélico dos três irmãos estar novamente em seu auge.
- Eu compreendo sua dor – continuou a bruxa – Eu perdi meu marido Forge devido a uma traição perpetrada pelos irmãos Volturi... compreendo sua ânsia de poder ajudar aqueles que lhe são caros e que estão presos no castelo de Volterra. Porém, infelizmente, eu não poderei lhes ajudar.
- Salesiana... – disse Carlisle – Viemos de muito longe para encontrá-la, nós precisamos realmente que compreenda nossa necessidade...
- Eu compreendo – respondeu a vampira – Mas entenda, Carlisle, a manipulação da magia leva séculos para ser adquirida, atualmente há pouquíssimos vampiros feiticeiros no mundo... o próprio Aro Volturi levou décadas para aprender; seria impossível ensiná-los os segredos de Volterra. Eu não me recusaria a fazê-lo, mas entenda que o que me pede não está ao seu alcance.
- Creio que não nos entendeu, Salesiana – eu disse a olhando com cuidado – Nós temos consciência de que jamais aprenderíamos, num tempo hábil, a manipular a magia. Exatamente por isso, não viemos aqui para nos ensinar,
viemos pedir que viesse conosco para Volterra para ajudar a salvar minha esposa e filha... assim como minha irmã e um de nossos amigos.
Houve um silêncio incômodo na sala enquanto as minhas palavras pareciam reverberar pelas paredes, Salesiana me olhou com interesse como se procurasse medir se minhas intenções eram realmente verdadeiras. Ela então sorriu para mim, sorriu como se achasse graça de minha ingenuidade... como se minhas palavras fossem de tal modo absurdas que a única resposta cabível seria um sorriso educado.
- Eu jamais voltaria à Volterra, Edward Cullen – respondeu Salesiana e o sorriso desapareceu de seu rosto.
- Você é a nossa única esperança – disse Kaori em sua voz triste.
- Os Volturi nos procuram até hoje, se aparecermos no castelo eu estarei condenada, Aro não permitirá que eu viva, afinal, me aprisionar não terá efeito já que sou conhecedora dos segredos das masmorras. Não, eu sinto muito pela sua família, mas não posso arriscar a minha vida ou a de minha filha apenas por terem sofrido e viajado tanto para chegar até aqui.
- Infelizmente não podemos aceitar uma resposta negativa – disse Jacob com um ar sério – Eu sou um guerreiro, não temo ameaça alguma; você se escondeu neste pântano a vida toda com medo de sair, o mundo foi deixado para trás, eu me pergunto qual é a razão desta sua existência limitada e covarde.
- Você fala como um tolo – disse uma voz áspera vinda de trás de Salesiana – Fala de coisas que não sabe.
Nosso espanto diminuiu quando uma vampira saiu das sombras que tomavam o aposento atrás da sala, ela surgiu vagarosamente e se encaminhou até Salesiana se postando ereta atrás da cadeira e cuidadosamente pousou as mãos em seus ombros. Ali estava Charlotte, a segunda vampira-feiticeira.
Era baixa, da mesma estatura de Alice. Tinha uma beleza recatada que só podia ser descoberta após uma observação mais detalhada de seu tosto, tinha traços fortes e nariz pequeno, a boca era desenhada de forma delineada e sutil... os cabelos eram negros e curtos na altura do queixo. Mas seu rosto transbordava de beleza quando admirado em conjunto com os olhos brilhantes, de um verde faiscante assim como os de Salesiana. Charlotte era uma bonita vampira na casa de seus trinta anos de idade, já tinha o rosto maduro apesar de que a juventude eterna podia ser facilmente reconhecida em sua face perolada e séria. Ouvi Seth suspirar alto... talvez até alto demais, mas não dei importância, os humanos sempre se fascinavam com a beleza das vampiras.
- Esta é minha filha Charlotte – manifestou-se Salesiana.
- Você não possui idade suficiente nem para ter presenciado a guerra dos homens – disse Charlotte encarando Jacob com seriedade – Quem dirá a guerra dos vampiros. Por ter participado de uma batalha contra um exército da morte, deveria saber o quão doloroso é perder aqueles que amamos, principalmente quando sua noiva é cativa dos Volturi. Como pode, então, falar sobre coragem e covardia com tamanha leviandade?
- Perdoe-nos, Charlotte – falou Carlisle apressadamente – Estamos todos mentalmente exaustos por tudo o que passamos nas ultimas semanas... peço que tenha um pouco de compreensão.
- Compreensão nada tem a ver com seu pedido, Carlisle Cullen.
- Eu sei, ainda assim, pedimos que reconsiderem. São as duas únicas vampiras que podem nos auxiliar, sem sua ajuda nós estaremos indo de encontro à morte certa.
- A morte os aguarda de uma forma ou de outra – respondeu Salesiana – Se as notícias que trazem são verdadeiras e Flávius Aurélius reuniu novamente um exército devastador, então não há esperança alguma. Volterra é cercada por guardas, encantamentos... há vampiros por todos os lados, e
principalmente, há uma barreira enfeitiçada que cerca toda a cidade e que avisa Aro Volturi quando um vampiro estranho entra em seus domínios.
- Vocês superestimam sua própria coragem – completou Charlotte – Meu pai foi traído por Aro e Caius, isso demonstra que estes vampiros são capazes de qualquer coisa.
- Porque seu pai se uniu aos Volturi? – perguntou Seth do fundo da sala, Charlotte o olhou com uma leve surpresa nos olhos, como se o estivesse notando pela primeira vez.
- Os Volturi eram nobres e nós éramos seus súditos... fora Caius quem enviara meu pai pelo mundo afora a fim de conhecer os segredos da magia. Meu pai viajou para lugares que você, criança, não seria nem capaz de imaginar... e voltou poderoso. Ensinou a mim e minha mãe a magia que aprendera e isso deu a ele o status que sempre buscou... meu pai era um dos Arquivampiros da corte Volturi.
- Mas isso não adiantou nada no final – retrucou Salesiana amargurada – Em uma determinada época, Aro ordenou que meu marido realizasse para ele um feitiço poderoso, muito mais potente que aqueles que já existiam nas masmorras de Volterra. Era um serviço altamente secreto e Forge não foi autorizado a contar a ninguém sobre o que os Volturi tramavam, aliás, além de meu marido, apenas os três irmãos sabiam sobre este plano.
- Meu pai não gostou do que os irmãos estavam tramando – continuou Charlotte – Ele dizia que os três reis estavam tentando controlar um poder grande demais para ser controlado e que isso acabaria conduzindo todos à ruína. Ainda assim, ele trabalhava exaustivamente, dia e noite, no feitiço que Aro lhe havia encomendado.
- Afinal, que poder foi este que ameaçou os Volturi naquela época? – perguntou Garret – Erestor nos falou sobre isso, mas não soube dizer de que se tratava.
- Nunca ficamos sabendo – suspirou Salesiana – Apenas desconfiamos do que tenha sido...
- Ou seja? – perguntou Jacob cortando o suspense da bruxa.
- Houve um vampiro, há séculos atrás, que foi conhecido como o mais poderoso dentre todos os imortais... Arian Volturi – respondeu Charlotte – O filho de Aro.
- O filho de Aro? – admirou-se Kaori.
- Sim, um vampiro de poder avassalador... fora ele o responsável pelo extermínio da raça dos lobisomens no leste europeu; também dispersara revoltas de vampiros por todo o mundo, mas seu poder era tamanho que os três irmãos Volturi passaram a temê-lo, principalmente depois que ele começou a criticar o modo como os Volturi tratavam seu próprio povo.
- Eu me recordo até hoje... – disse Salesiana num sussurro – Das hordas de Mercadores da Morte passando pelas ruas em direção ao palácio, há quase mil anos. Lembro que Forge saiu dizendo para que ficássemos em casa até ele voltar... ele deixou uma vela enfeitiçada para nós, imbuiu na parafina um pouco de sua própria vida e a acendeu nos alertando para que não tirássemos os olhos da luz da vela. Se a chama se apagasse significaria que ele estava morto e que nós deveríamos fugir para muito longe.
- Achamos que o feitiço de meu pai serviu para aprisionar Arian nas masmorras de Volterra, provavelmente ele fora incumbido de usar magia para enfraquecê-lo e com isso Flávius Aurélius teve a chance de trancafiá-lo para sempre.... não sem antes ter perdido praticamente todo o seu exército.
- Então – disse Jasper assombrado – Fora este Arian quem devastou os Mercadores da Morte no passado? Mas como um único vampiro poderia ter feito tudo isso sozinho?
- Já lhes dissemos – respondeu Salesiana – Arian fora o mais poderoso vampiro a caminhar sobre o mundo, e sua presença ameaçava a todos...
- Então é este o mal que está adormecido sob Volterra – disse Carlisle – Foi sobre este mal que Erestor nos alertou mesmo sem saber que se tratava de Arian, o filho de Aro.
- No momento em que a vela se apagou, sabíamos que estávamos condenadas – disse Charlotte – Mas nos recusamos a fugir, nos recusamos a crer que Aro nos havia traído... até o momento em que Erestor apareceu em nossa porta, fraco e raquítico, ele viera a mando de nosso pai para avisar que deveríamos fugir para o mais longe possível de Volterra.
- Aro sabia que nós duas conhecíamos os segredos dos feitiços que cercam sua cidadela – continuou Salesiana – Éramos um estorvo para ele, afinal, Forge fora morto porque Aro preferia que apenas ele tivesse os segredos das celas e da barreira... obviamente ele mandaria nos destruir para que o segredo estivesse à salvo apenas com ele.
- Assim nos escondemos aqui, neste pântano miserável – sussurrou Salesiana e havia desgosto e tristeza em sua voz – Eu e Charlotte fomos obrigadas a nos obliterar de tudo e de todos para permanecermos vivas... caso contrário, já estaríamos mortas à séculos. A mão dos Volturi se estende longe e com força impiedosa.
Permanecemos todos em silêncio depois das últimas palavras que Salesiana proferiu, ali a nossa frente estavam mais duas vampiras que sofreram e perderam tudo nas mãos dos Volturi. Eu não as culpava por não aceitarem nosso pedido de ajuda, mas, infelizmente, apenas as duas vampiras poderiam nos auxiliar na invasão de Volterra.
As revelações que nos foram dadas eram ainda mais aterradoras: além das celas encantadas, havia uma barreira que informava automaticamente a Aro sobre a presença de intrusos. Isso era um pouco pior do que poderíamos supor.
Aos poucos... nossa situação se complicava ainda mais.
- Eu entendo o medo de vocês – eu disse as encarando – Entendo o trauma pelo qual passaram: perder um ente querido e serem obrigadas a se isolar do mundo para sobreviver. E sei o custo para nos ajudarem, entretanto, peço que
pelo menos nos ensinem a passar pela barreira que cerca Volterra e como desativar os feitiços que guardam as celas das masmorras.
- É impossível – respondeu Charlotte pesarosa – Levam-se anos para aprender a dominar este tipo de força...
- Renesmee não pode passar anos trancafiada num castelo de loucos – disse Jacob e o clima se tornou tenso com sua ira.
- Nós sentimos muito, mas não vamos de encontro à morte certa – disse Charlotte com tristeza em sua voz – Os Volturi nos querem mortas há anos, se simplesmente batermos em suas portas, eles não perderão tempo em nos destruir. Vivemos todos estes anos escondidas... já estamos acostumadas a permanecer nas sombras, sentimos muito, acreditem, mas não iremos nos arriscar em uma empreitada onde o grau de risco é imenso. Vocês todos morrerão lá.
Jacob ameaçou falar novamente, mas calou-se. Todos nos calamos. Parecia que seria impossível adquirir a ajuda das duas bruxas, elas tinham receios demais de Volterra para se aproximar da cidade. Eu fiquei chateado, mas compreendia o sentimento das duas... por que elas sairiam de sua vida pacata para ajudar desesperados como nós? Talvez fossemos suicidas no fim das contas e Charlotte e Salesiana, espectadores distantes de nossa condição, conseguissem visualizar a quão absurda era esta nossa tentativa de invadir Volterra.
- O que faremos agora? – perguntou Kaori desanimada.
- Nada – respondeu Carlisle – Vamos embora, teremos de encontrar sozinho um meio de resgatar nossa família.
- Mas... – levantou-se Jacob furioso, mas ele calou-se imediatamente ante o olhar incisivo de Carlisle.
- Não podemos obrigar os outros a nos ajudarem, Jacob – disse ele calmamente – Somo Cullen e não Volturi, não podemos pedir a Salesiana e
Charlotte que morram conosco, elas já têm a própria vida e a própria segurança... já sofreram nas mãos de Aro, Caius e Marcus, não temos o direito de lhes exigir nada. Apenas vamos seguir nosso caminho.
Levantamo-nos e rumamos desolados para a porta da casa, não nos despedimos das duas bruxas, não por rancor, mas, sim, por desalento. Agora teríamos uma empreitada ainda mais impossível nos aguardando... mas antes de sairmos, notamos que Seth ainda estava parado no mesmo lugar encarando a bruxa mais jovem.
- Você chama isso de vida? – ele disse, sua voz não continha escárnio ou raiva, apenas tristeza – De que adianta viver isolada de um mundo imenso que existe fora destes pântanos? De que adianta habitar um mundo onde o céu azul não pode ser visto, ou as estrelas no céu noturno? Eu sou um selvagem e talvez esteja falando besteiras para duas vampiras antigas, mas não vejo razão em viver com medo e escondido como um coelho numa toca... os Volturi lhes usurparam não apenas um marido e um pai, também tiraram sua liberdade, sua vontade de viver.
- Me desculpem – continuou Seth – Mas vocês não vivem, apenas existem como sombras neste pântano desolado; da forma como estão, não verão nem o fim deste mundo quando ele chegar. Se nós conseguimos encontrá-las, os Volturi também conseguirão algum dia...
- Menino tolo – retrucou Charlotte, sua voz também soou triste – Você se dispõe a morrer por amigos, mas não conhece a dor da morte pela tenra idade que possui...
- Você está errada – disse Seth a interrompendo – Na batalha que travei contra os Volturi eu perdi minha irmã que deixou órfão um menino de cinco anos de idade... um amigo meu é prisioneiro em Volterra assim como minhas amigas. Se eu estiver indo para a morte estarei fazendo isso por vingança e por amor... pois prefiro ser morto mil vezes a ter de passar a eternidade sabendo que não fiz nada para mudar o mundo que eu considero injusto.
Seth, geralmente tão animado e extrovertido, nos surpreendeu pelo peso de suas palavras, ele caminhou até nós, porém, antes de deixar a casa, virou-se uma vez mais para encarar Charlotte.
- O vampiro que destruiu nossas famílias é o mesmo que matou o seu pai...
Assim, percorremos o pequeno monte que nos conduziria até o local aonde chegamos ao pântano, não tínhamos uma ideia formada de como faríamos para voltar ao mundo dos homens, entretanto, Jasper acreditava que bastaria pensarmos em algo hostil e o encantamento cairia sobre nós novamente, expulsando-nos do Pântano da Desolação.
Todos carregavam um semblante triste, Jasper achou que nós não fomos suficientemente claros com as duas vampiras, mas Carlisle salientou que não conseguiríamos convencê-las a deixar o pântano e que se as obrigássemos não seríamos diferentes dos Volturi.
Seth estava vindo atrás e eu nunca o vira tão deprimido, mesmo depois da morte de Leah, alguma coisa realmente o estava incomodando, mas talvez fosse o mesmo que todos nós sentíamos: que agora nosso caminho se tornou ainda mais perigoso e sombrio.
Estávamos reunidos do mesmo modo que chegamos, encaramo-nos no círculo e havia desesperança em nossos rostos cansados, tínhamos perdido meio mês em busca das duas bruxas e agora sairíamos daqui com as mãos vazias... Volterra nos aguardava com um ultimato de morte.
- Eu vou libertar vocês do meu dom – anunciou Jasper – Assim voltaremos ao mundo dos homens...
Mas neste momento, uma voz nos alcançou.
- Esperem – chamou Charlotte surgindo das sombras – Por favor, esperem.
Ela disse isso com a voz falha e seus olhos não escondiam o medo, seu rosto belo estava levemente amargurado e ela encarava Seth enquanto pronunciava as palavras que saíam trêmulas de sua boca:
-... eu irei com vocês.
Notas finais
Assim como toda a história... Pois eu sou fanzona mesmo!
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Bom acredito que vocês devem ter percebido que Candor Lunar não é um simples romance comum... E é isso me fez apaixonar por essa história tão criativa e envolvente. Então quero deixar um aviso pra vocês. Não esperem que o autor vá manter os relacionamentos existentes na Saga Crepúsculo até porque a linha de raciocínio que ele toma na história é totalmente diferente da proposta da tia Sthep que fez as coisas mais amenas. (Algo que é totalmente claro pra quem ja leu Candor 1 - Mas que por algum motivo a ficha não caiu! :S )
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Bom eu acredito que teremos finais felizes, mas não acredito que será literalmente os finais felizes nos quais a gente ja está acostumada em ler em tantas fanfictions que são postadas aqui nesse blog. Então leia conscientemente. Pra mim Candor Lunar não é apenas uma Fanfiction, pra mim é uma história a parte totalmente envolvente, criativa e coerente, tendo como base a Saga original, mas seguindo um rumo totalmente independente. Então acontecerá outros romances e acreditem no que eu digo coisas surpreendentes estão por vir.
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Espero que vocês tenham entendido meu ponto vista. Senti vontade de compartilhar com vocês.
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Um super beijo e até semana que vem!
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Diê Kellner.
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