Can this be real?
24 Capitulo 23 – Xeque
Notas iniciais
Uma semana de luto, e as pessoas estão cobrando a declaração da morte de meu marido e do meu pai, recebi varias visitas, de varias famílias, todas com interesse em me arranjar um novo marido, uma semana e todos estão de olho no meu patrimônio, é horrível o quanto as pessoas são insensíveis e não respeitam a dor alheia, é como se você não tivesse escolha, na realidade a maioria das pessoas não tem escolha, mas eu tenho, eu tenho uma carta na manga, uma peça chave, e eu vou usar tudo a minha disposição para acabar com esse inferno, só existe um homem nesse reino que pode me ajudar e que por sorte é um dos meus melhores amigos e eu sei que posso contar com ele pra tudo.
O guarda real me anuncia, ele se confunde não sabe se me chama de Senhora Belikov ou senhorita Mazur, eu exigi que você chamada de senhora Belikov, meu marido está por ai em algum lugar, enquanto o corpo dele não aparecer eu ainda vou ter esperança de um dia ele entrar pela porta de casa e me chamar de Roza com aquele sotaque maravilhoso e sua voz aveludada, vamos dizer mais uma vez um para outro o quanto nos amamos e vamos criar nosso filho ou filha, seremos felizes até ficarmos velhos, eu acredito nisso eu tenho que acreditar.
– A senhora já pode entrar. – O guarda diz logo após me anunciar.
Entro na enorme sala do trono, ela é linda e elegante, cheia de adornos de ouro, os antigos reis eram pessoas esnobes e adoravam exibir sua riqueza, esfregar na cara dos outros o quão bom eles são e rebaixar todos os outros, eu não como eles criaram um filho tão nobre e gentil quanto meu querido amigo Adrian, ao contrario dos pais ele não menospreza ninguém e nem faz questão de se exibir por ai, sim ele anda sempre bem vestido e se você olha para ele percebe que ele um nobre, mas seu coração é tão bom e gentil como de um camponês, eu tenho que agradecer a Deus por ele ser assim, por ele ser meu amigo e por ele ter sido coroado rei antes dessa confusão toda bater em minha porta, seus pais jamais iriam levantar uma unha para me ajudar, mas Adrian faria qualquer coisa para me ajudar.
– Vossas majestades – Eu digo assim que estou de frente para os tronos dourados onde se sentam Adrian e sua esposa Sidney.
– Pequena Rose, desde quando você é formal comigo – Adrian diz com um sorriso brincalhão que eu tento retribuir, mas não deve ter dado muito certo, pois ele me olha com preocupação.
– Adrian, eu preciso falar com você em particular. – Eu peço, a sala é cheia de guardas e eu não confio e nenhum deles, eu não confio em ninguém a não ser Pavel e agora Adrian.
– Claro. – Ele concorda e logo dispensa todos os guardas eles são relutantes no inicio, mas logo obedecem a ordem de seu rei.
– Eu também vou me retirar. – Sidney diz com uma voz baixa e eu me sinto mal, não quero que ela ache que eu estou querendo algo com seu marido, é comum viúvas viverem alguns casos.
– Não precisa... – Eu digo um pouco nervosa, mas a rainha apenas me da um sorriso simpático.
– Sim precisa, eu entendo que vocês são amigo de longa data, seu semblante está abatido, eu sei que você está aqui por um ombro amigo, mas nos conhecemos muito pouco para você me considerar dessa forma, eu entendo. – Ela disse com uma voz suave,Adrian lhe lançou um sorriso de adoração e eu entendi o motivo dele ter se apaixonado ela, ela era incrivelmente doce, sincera e compreensiva, gostei dela na mesma hora, mas como ela mesmo disse é cedo demais para eu considera-la minha amiga, então eu a deixo partir, Adrian logo se vira para mim.
– O que te aflige pequena. – Seus olhos verdes estão cheios de preocupação e pesar.
– Você sabe dos acontecimentos recentes, mas aconteceram outras coisas além disso e eu preciso da sua ajuda só você pode me ajudar Adrian. – Eu conto a ele todas as minhas recentes descobertas.
Conto sobre a morte forjada da minha mãe, sobre o desaparecimento real de meu pai e marido, sobre o golpe que querem dar na minha família, sobre minha gravidez e como vai ser pior quando isso vier a tona, conto sobre meus medos, meu pânico, sobre meu desespero e sobre minha esperança, ele ouve tudo atentamente como o bom amigo que ele é, quando eu termino me sinto um pouco mais leve, é bom ter com quem desabafar e conversar, ter alguém com quem contar.
– Isso é terrível Rose, e não temos um suspeito, afinal todo o reino tem interesse nessas terras, mas um deles se sobressai a ponto de matar, mas quem? E como eu posso ajudar nisso? – Adrian está um misto de fúria e preocupação, ele não se senta mais no trono e sim anda de uma lado para o outro questionando todas as possibilidades.
– Eu ainda não faço ideia de quem está por trás disso tudo, mas eu sei como você pode me ajudar, eu quero pedir que a coroa administre as minhas terras, você é o rei ninguém vai ousar ir contra você, é o único que pode me ajudar nisso, eu não posso me casar de novo Adrian, Dimitri esta vivo ele precisa estar vivo e mesmo se ele não estiver eu não quero outro homem na minha vida, eu não posso.... – Minha força se esvai e lágrimas rolam incessantes em meu rosto, eu choro compulsivamente, Adrian me abraça tentando me passar algum conforto, ele consegue em partes, porque tudo o que eu penso enquanto meu amigo me consola é nos braços fortes do meu marido e de seu cheiro inebriante.
– Tudo bem Rose, eu faço, você sabe que eu faria qualquer coisa por você. – Ele diz com sinceridade e eu agradeço a Deus por ter me dado um amigo como Adrian, disposto a tudo para ajudar aqueles que ele ama, e por sorte eu sou uma dessas pessoas.
– Obrigada Adrian, muito obrigada. – Eu digo secando minhas lagrimas tentado me recompor.
– Você vai ficar aqui, vai anunciar a gravidez, uma hora vai aparecer Rose. – Ele diz com preocupação.
– Eu sei, eu vou esconder por hora, se... se demorar muito sem o Dimitri aparecer eu vou embora ter meu filho longe daqui, e quando eu voltar vai ser para acabar com isso, eu só não posso largar tudo agora, se ele voltar eu quero estar em casa e ser a primeira a vê-lo. – Adrian acena e da um sorriso carinhoso.
– Você realmente se apaixonou por ele. – Ele afirma
– Sim, eu o amo tanto, e eu tenho a sensação de que eu disse isso poucas vezes, eu queria dizer isso mil vezes para ele, e provar todos os isso todos os dias. – Eu digo sinceramente, é bom colocar meus sentimentos para fora, foi como tirar um pouco o peso dos meus ombros eu me sinto mais leve, não totalmente, mas um pouco.
~VA~
A noite cai e eu como sempre estou deitada naquela enorme cama, agarrada com uma blusa de Dimitri sentindo o cheiro dele, tenho medo daquele cheiro sumir e eu nunca mais poder senti-lo, como todas as noites eu choro até dormir, as vezes é de manhã quando eu finalmente caio no sono, as vezes é a tarde, as vezes eu simplesmente caio de cansaço, eu não me alimento direito apesar do meu esforço, afinal, existe uma vida que depende de mim, mas mesmo eu me alimentando eu perco peso, dia após dia, noite após noite, o mesmo ciclo se repete, eu não saio do quarto, eu apenas visto uma camisola diferente por dia, um mês se passa e nada de Dimitri e nada de meu pai, e minha barriga está um pouco oval, ainda tem como disfarçar, mas logo eu terei que partir, eu converso com meu bebe toda noite, ele é a única razão para eu não desistir de tudo, eu vivo um dia de cada vez, sofrendo e aguentando, Lissa é a única que me visita, ela me conta as novidades, sobre como os nobres se revoltaram ao saber que a coroa iria cuidar dos bens Mazur e como eu suspeitei ninguém ousa a se levantar contra o rei, esse foi meu xeque, eu não via a hora de dar o xeque-mate e acabar com isso.
No meio da madrugada, ouço passos na casa, acho estranho, todas as criadas já dormem, eu me levanto e ando pela casa em silencio tentando descobrir o motivo desse barulho a essa hora, fico imaginado se é um ladrão ou se é o homem por trás do inferno que está a minha vida, será que ele veio me ameaçar? Será que ele veio me dizer que meu pai e marido estão mortos e que ele os matou? Panico me preenche e quando eu entro na sala sinto braços fortes me agarrando por trás, logo começo a me debater, se ele pensa que será fácil ele está muito enganado, eu prefiro morrer a ser tocada por outro homem, eu prefiro morrer ao dar o gostinho da vitória para esse monstro, eu tento gritar, mas ele tapa minha boca e eu a mordo, ele solta um resmungo de dor e diz meu nome, sua voz me paralisa é voz que eu tenho sonhado em escutar a mais de um mês é a voz de Dimitri.
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