Can You Keep a Secret?
2 Você de novo?
—Aquilo... sobre o que eu disse agora pouco... er... esquece!—Eu tentava não gaguejar, mas era difícil.
Ele ri baixo.
—Difícil hm.—Ele coloca uma mão no queixo.—Ouvir uma garota contar coisas aleatórias para um total estranho hm.
Eu não encontrava palavras para falar... estava de boca aberta.
—Fio dental hm.—Ele murmurou.
Meu rosto só esquentava, droga ... maldita calcinha! Com certeza agora , ele está tendo pensamentos maliciosos a meu respeito.
—Shh!—Eu disse tentando ter um pouco de postura.—É só uma calcinha!
Ele ainda mantinha um sorriso nos lábios. Aquilo estava me matando.
—Pelo amor de Deus! Aja como um adulto.—Eu cruzo os braços.—Tenha compaixão do meu momento de fraqueza!
—Fraqueza hm?—Ele repetiu.—Quer dizer que essas são suas fraquezas?
Abri a boca pra respondê-lo, mas paro. Me toquei de um fato. Eu nunca mais iria vê-lo, pois estava indo para Londres... então, resolvi entrar no seu joguinho.
—Não , eu tenho mais..—Eu me ajeito na poltrona.—Eu só uso calcinhas rosas, quero me casar virgem, meu namoro está indo mal... bla bla bla
Ele me ouvia atentamente, rindo baixinho, claro.
Acho que disse todos os meus segredos pra ele, por um lado foi péssimo pois ele podia facilmente destruir minha reputação. Mas por outro, era bom pois ele foi um bom ouvinte. Meu destino, finalmente chegou que nem vi as horas passarem.
—Bom...—Eu me levanto e passo por ele.—Até mais Deidara, até nunca mais.—Eu acenei pra ele.
Ele apenas concordou com a cabeça.
Não sei se ele disse algo a mais. Não importa, afinal aquele foi nosso primeiro e último encontro. Estava aliviada de ter chegado em terra firme. Mais aliviada ainda em saber que nunca mais iria vê-lo.
—Que voo maluco.—Meu pai disse, quando me viu.
—E como!—Eu concordei colocando minha mochila nas costas.
—Mas finalmente chegamos—Minha mãe disse.
...
Passar uns dias na casa dos meus parentes distantes foi relaxante... eu basicamente comia e mexia no celular o dia inteiro. Não precisava me preocupar em trabalhar ou ir pro cursinho. Foram de longe as melhores mini férias da minha vida, passamos um mês lá, quando me dei conta, já estávamos em casa... voltando pra rotina normal.
—Ah...—Eu disse quando me joguei na minha cama.—Que delícia.—Eu disse abraçando meu travesseiro.—Estou pronta pra voltar a rotina.—Conclui.
Naquele dia, tomei um banho relaxante e resolvi sair com minhas amigas e namorado. Foi divertido.
No dia seguinte, acordei cedo e fui direto pra loja.
—Bom dia , em que posso ajudar?—Eu perguntei, quando uma moça entrou na loja.—Qual flor você gostaria de olhar?
Ela observa todas e fica indecisa.
—Hum... eu não sei.—Ela diz por fim, me mandando um sorriso.—É que eu queria decorar uns escritórios... e uns jardins no meu prédio... na verdade , eu queria contratar um paisagista. Você conhece alguém que esteja interessado?
Uma lâmpada iluminava em minha cabeça, uma oportunidade de sair daquela floricultura no cantinho da cidade havia surgido!
—Bom...—Eu comecei , ajeitando meu cabelo.—Eu sou uma ótima paisagista.—Era mentira... eu nunca se quer decorei um jardim na minha vida... mas, quem nunca mentiu no currículo?
—É mesmo?—Ela perguntou surpresa.—Pensei que trabalhasse aqui...
—Na verdade não.—Eu começo.—Só ajudo meus pais.
—Entendo.—Ela me analisa de cima a baixo.—Você pode trazer seu currículo nesse endereço amanhã.—Ela me entrega seu cartão.
—Obrigada.—Eu sorrio.
Quando ela vai embora, observo o cartão.. o nome dela era Konan. Era diretora chefe do prédio de advocacia chamado Akatsuki. Interessante..
• Amiga, arrumei uma entrevista! – mandei pra Sakura.
...
No dia seguinte, coloquei minha melhor roupa, estava confiante. Meus pais me deram um grande apoio em fazer essa entrevista, afinal eu iria ganhar bem naquele novo emprego, poderia ajudar nas contas.
—Vou indo.—Digo pegando um envelope com meu currículo.—Me desejem sorte.
Saí de casa , corri pro ponto de ônibus e logo estava na frente daquele enorme prédio de advocacia ... ali deveria ter no mínimo uns trinta andares... nossa.
—Oi.—Eu disse sem graça a recepcionista.—Eu vim entregar meu currí...
—Décimo andar.—A recepcionista diz sem se quer me olhar.
—Certo.—Eu digo, caminhando em direção ao elevador.
Chegando lá em cima, vou a uma outra recepcionista.
—Oi, onde posso deixar este currículo?—Pergunto.
—Comigo.—Ela pega o envelope da minha mão e logo anota uma coisa num papel.—Pode aguardar nessa sala.—Ela aponta , pra sala que estava em nossa frente.
—Pra quê?—Pergunto ingênua.
—Pra entrevista.
Engulo um seco, confesso que esqueci que depois de entregar o currículo, tínhamos sempre que fazer uma entrevista. Eu estava enferrujada nessas coisas..
Vou até a sala e me sento na cadeira. Começo a observar o local, definitivamente faltava um arranjo de flores alí. Konan tinha razão.
De repente , ouço passos e logo a porta , atrás de mim se fecha. Deve ser ela... me viro e tenho um quase ataque cardíaco. Era ele! O loiro ! Deidara !
E ele, ao me ver se espanta também.
—Você?!—Dizemos juntos.
Fico perplexa... afinal, ele havia dito que estava indo pra Londres, o que diabos ele estava fazendo no Japão? Droga , droga , droga ! Ele sabe coisas demais a meu respeito.
—O que faz aqui?—Pergunto , tentando parecer normal.
Ele me manda um olhar confuso, enquanto caminhava até a cadeira na minha frente.
—Quero dizer... se me lembro bem, você disse que ia pra Inglaterra.—Eu o recordei.
Ele se recosta na cadeira, parecia que havia se lembrado.
—Fui a trabalho hm.—Ele me informou , abrindo meu envelope e lendo-o.
Droga... eu estava nervosa. Me senti dando um ouro dos tolos para um especialista. Afinal, eu menti um pouco no meu currículo .. e se me recordo bem, eu falei muita coisa pra ele.
—Fluente em Espanhol hm?—Ele me pergunta , me olhando, claro que sabia que era mentira...
Engoli um seco.
—Pois é né..—De repente, morrer não seria uma má opção.
—Interessante hm.—Ele voltou sua atenção pro papel.
Eu estava apreensiva, então resolvi abrir o jogo.
—Okay, talvez eu tenha mentindo um pouco no meu currículo , mas e dai?—Eu falei me inclinando na mesa.—Dá pra parar de ficar me olhando com esse olhar de julgamento? Eu estava esperando a Konan...
Ele suspira e deixa meu currículo de lado.
—Okay hm.—Ele se mexe na cadeira.—Vamos fazer uma entrevista oral hm.
—O quê? Por quê?
—Porque com esse seu currículo falso você não vai conseguir nem se quer uma vaga de faxineira nesse prédio hm.—Ele me informa.
Tento manter a postura, mas era difícil. Ele sabia demais.
—Nem... nem tudo é mentira.—Eu digo remexendo meu cabelo.
—Claro hm.—Ele concorda.—Nós , da Akatsuki temos alguns requisitos... no seu caso, uma graduação na área de interiores hm, você tem?
Não, eu não tinha.
—Eu... quero dizer..
—Isso significa não hm.—Ele anota algo num papel.—Tem quanto tempo na área hm?
—Pouco mais de dois anos.—Informo.
De repente, eu me questionei. Será que ele havia esquecido daquele dia? Das minhas verdades? Ou ele estava apenas sendo formal? Não sei, mas ... aquilo estava me incomodando.
Ele não diz nada, apenas anota coisas num papel.
—Ah poxa.—Eu resolvi quebrar o silêncio.—Me dá uma oportunidade...
Ele me fita.
—Eu sou muito competente. Por quê fica anotando coisas no meu currículo?
—Depois do seu desabafo no avião, eu devo admitir que você é uma moça boa de lábia hm.—Ele me manda um sorriso frio.
Sinto meu rosto esquentar. Ele se lembrava daquele meu momento frágil... e eu não tinha como me defender contra tal argumento.
—Eu...—Eu comecei, mas parei.
Então ele voltou a anotar coisas no meu currículo. Ficamos em silêncio por uns cinco minutos. Naquele momento, eu já havia me contentado de que eu não iria preencher aquela vaga. Estava pensando no que poderia dizer aos meus pais... já que não havia conseguido a vaga.
Quando ele terminou de escrever, ele guarda meu currículo de volta no envelope e me entrega. Fico de pé e caminho em direção a porta, mas antes eu me viro.
—Pode manter meus segredos em segredo?—Pergunto.
Ele me olha surpreso.
—Não diga ao seus amigos sobre minha crise no avião.—Eu digo impaciente.
Ele ri baixo.
—Vou tentar me conter hm.—Ele diz em tom humorado.
—É sério.—Eu faço bico.—Eu preciso entregar meus currículos e...
—Entregar ?—Ele repete.
—É!
—Por quê hm? Eu te contratei.
Fico em choque, a cinco segundos atrás eu estava com raiva dele. Agora eu o amava mais do que tudo.
—Sério?—Exclamei.
Ele concorda com a cabeça.
—Ah muito obrigada!—Eu digo aliviada.
—Não a de quê hm.
Ah, finalmente terei um emprego com um ótimo salário! Poderia me gabar aos meus amigos sobre trabalhar num prédio de advogados! Nossa...
—Você começa amanhã hm.—Ele diz.
—Certo.—Eu abro a porta.
—E senhorita Yamanaka hm.
Eu me viro empolgada, talvez ele queira me dar uma dica pra começar bem amanhã...
—Espero que seu fio dental não esteja te incomodando hoje hm.—Ele me manda um sorriso malicioso.
Sinto meu rosto quente. Não digo nada, apenas fecho a porta e caminho frenética em direção ao elevador. Droga! Qual a necessidade dele me lembrar da minha calcinha?
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