Chegando em casa, conto a novidade a todos. Eu era a mais nova paisagista da Akatsuki! Eu iria ganhar bem, iria poder ajudar meus pais com as contas , iria poder viajar com meus amigos e finalmente, comprar um apartamento só pra mim. E quem sabe me casar com Sai, meu namorado. Tudo estava indo quase bem... exceto pelo loiro que sabia dos meus podres... a partir de amanhã eu iria aprender a lidar com aquele cara.

...

No dia seguinte, eu admito que não estava tão empolgada assim pra ir trabalhar. Tomo um café reforçado e saio de casa. Chegando lá, dou de cara com Konan.

—Oi, paisagista.—Ela me cumprimenta.—Bem vinda a Akatsuki.

—Obrigada.—Eu digo tímida.

—Pode pegar seu uniforme no segundo andar, com a Matsuri.—Ela me entrega uma prancheta.—Preciso que você arrume os arranjos de flores nessa sequência , pois iremos ter reuniões nas salas, na parte da tarde.

—Certo...—Eu digo.

Ela me manda um sorriso confiante e logo vai embora. Vou ao elevador e chego no segundo andar. Fico assustada com a quantidade de secretárias que havia ali... qual delas seria a Matsuri?

—Ahn...—Eu comecei, caminhando em direção a uma garota que tinha vários arquivos nas mãos.—Com licença...

—Ocupada.—Ela disse me dando as costas.

Ótimo, se todas tiverem essa mesma disposição, eu tô perdida.

—Senhorita Yamanaka hm.—Ouvi a voz de Deidara atrás de mim.

Me viro lentamente e o vejo caminhando em minha direção.

—Er.. Bom dia.—Eu disse sem graça. Não consigo vê-lo e ficar normal mais... afinal , ele falou da minha calcinha ontem!

—O que faz aqui hm?—Ele pergunta, pegando a prancheta da minha mão e a lendo.

—Vim pegar meu uniforme com uma tal de Matsuri.—Eu digo olhando em volta.

—Segunda sala do corredor hm.—Ele me devolve a prancheta e começa a caminhar.

—Obrigada.—Eu digo, quando ele se distância.

—A propósito.—Ele se vira pra mim.—Eu não gosto de nada colorido hm.—E logo volta a caminhar.

Então... eu iria decorar a sala dele?

...

Vesti meu uniforme, e logo peguei meu telefone e liguei lá na floricultura , para encomendar as flores. Enquanto esperava as flores chegarem, fui nos jardins das sala , para podar e regar a grama. Foi trabalhoso, mas deixei tudo lindo.

—Ufa, terminei.—Eu digo, quando termino a última sala.

Naquela sala em questão, eu deixei um belo arranjo de flores brancas, pra combinar com o tom de cor da sala.

—Bom trabalho hm.—Ouvi Deidara atrás de mim.

Me viro e percebo que ele tinha uma pilha de folhas nas mãos.

—Valeu.—Eu digo tirando minhas luvas.

Ele caminha até sua mesa e começa a lê-los com atenção. Como não queria interromper seu trabalho, vou até a saída em silêncio.

—Que bom que ao menos nisso você estava dizendo a verdade hm.—Ouço o loiro dizer.

Me viro e o encaro.

—Olha...—Eu começo cruzando os braços.—Eu sei que eu disse umas coisas no avião aquele dia.. mas... quero que saiba que aquilo é passado!—Eu tentava passar convicção nas minhas palavras.—Quero que me trate como uma profissional.

—Claro senhorita calcinha rosa hm.—Ele diz irônico.

Eu mal o conhecia... mas nesse pouco conhecimento, ele já tinha a chave pra me deixar vermelha como um tomate. Então, resolvi que ele não iria ter essa ‘chave’ por muito tempo..

Caminho até sua mesa e o encaro.

—Deixe minhas calcinhas fora disso.—Eu disse.

Ele ri baixo.

—São apenas calcinhas!—Eu digo, cruzando os braços.—E só...

—Claro hm.—Ele me encara.—Gomén gomén...

—Hunf.—Eu resmungo, deixando a sala.

Algo lá no fundo dizia que ele ainda iria tocar naquele assunto, para minha sorte.

...

Meu dia foi longo, carreguei muitos arranjos de flores , resumindo eu não tinha mais coluna. Me joguei num banco na recepção e fiquei por lá por um tempo, observando as pessoas que iam e vinham. Demorei muito para tomar coragem e ir pra casa , mas fui.

Cheguei em casa, e mal vi meus pais. Meus olhos estavam pregando de sono. Eu só queria um banho relaxante e minha cama, só.

No dia seguinte, cheguei no edifício com meu namorado.

—Obrigada por vim..—Eu disse, lhe dando um rápido selinho.

—Sem problemas.—Ele me encarava.

Eu namorava ele a muito tempo. Acho que desde a época da escola, éramos o casal típico ... o menino deixado de canto e a menina que era popular. Devo confessar que Sai era muito lento pras coisas... admito que no começo , eu achava bonitinho e fofo, mas hoje em dia, acho um tanto quanto irritante e sem graça... acho que, não temos mais a química de antes..

—Senhorita Yamanaka hm.—Ouço alguém me chamar.

Me viro e vejo Deidara, que estava descendo de seu carro.

—Oi.—Eu o cumprimento, na esperança de ele não falar nada constrangedor na frente do meu namorado.—Sai, esse é Deidara.—Eu digo.

—Sou o chefe dela hm.—Ele diz , um tanto quanto ríspido.

Sai apenas acena com a mão.

—Você não é...—Eu comecei, mas fui interrompida.

—Você está cinco minutos atrasada hm.—Ele disse depois de olhar pro relógio de pulso.

—Ahn... certo.—Eu me viro pra Sai.—Até.

Eu ia lhe dar um beijo , mas Deidara passa por nós, resmungando algo que me fez ficar sem graça.

—Até.

Entrei no prédio, e fui direto pro jardim dos fundos... estava pensativa. Por quê ele agiu daquela forma? E que papo foi aquele de ‘cinco minutos atrasada’ ?

Assim que terminei aquele jardim, peguei um regador e fui regar todas as flores que eu havia deixado nas salas.. foi exaustivo, pois tinha mais duas mil flores no edifício inteiro.

—Oi..—Eu digo , entrando na sala de Deidara, que estava lendo um livro.—Eu vim colocar um pouco de água...—Eu fiz um gesto pro regador.

Ele apenas concorda com a cabeça. Fui em silêncio até a mesa dele e inclinei gentilmente o regador.

—Você parece cansada hm.—Ele diz.

Eu lhe mando um sorriso tímido.

—É...

—Sente-se e beba água hm.—Ele me entrega um copo de água descartável.

—Obrigada.—Eu disse me sentando.—A propósito... o que foi aquilo mais cedo?

—Hm?

—De ser meu chefe....—Eu o lembrei.—Você não é, e sim a Konan...

Ele sorri torto.

—Mas seu namorado não sabe hm.—Ele recosta na cadeira.

Eu o fitei. Parecia que ele havia se sentido intimidado com meu namorado.

—Sai é um bom rapaz.—Informo, tomando minha água.—Não merecia ser tratado daquele jeito.

—Hm.

—Ele é um artista..—Comento, observando uma escultura de um pássaro na mesa dele.—Aposto que ele poderia te dar dicas de como melhor esse pássaro de argila..

Minhas palavras mexeram com ele, num momento estava calmo , agora ... estava sério.

—Como é hm?

—Dicas ... pra melhorar...—Eu apontei.

—Francamente moça..—Ele pega o pássaro na mão.—Não há nada de errado na minha escultura hm.—Ele parecia ofendido.

Então percebi, que toquei em algo sensível pra ele.

—Bem ... você quem diz.—Eu disse em tom debochado.—Mas eu ainda acho que tem muito a melhorar...

—Tchs... você não entende nada de arte hm.

—É claro que entendo!—Retruquei.—Sou uma paisagista, lembra?

—Uma garota tagarela isso sim hm.

Achei ofensivo, e por isso joguei minha água nele.

—Babaca!—Eu me levantei, peguei meu regador e sai da sala.

O que foi aquele ‘hate’ todo? Poxa, eu só dei minha opinião...