Estava arrumando minhas malas, pois iria viajar pra ver uns parentes distantes. Confesso que não estava nem um pouco a fim disso, só meus pais mesmo.

—Já está pronta?—Perguntou meu pai.

—Já sim.—Eu respondo, colocando minha mochila nas costas e saindo do meu quarto.

Quando chegamos no aeroporto , eu não estava bem. A maldita calcinha, fio dental estava incomodando... droga! Por quê resolvi colocar ela logo hoje?

Eu não podia falar uma coisa dessas pros meus pais, então eu tentava andar e falar de um jeito ‘normal’ enquanto estava próxima deles. Foi uma tortura!

—Oh, parece que nos separaram...—Minha mãe comentou , quando olhou os papéis do voo.—Estamos nas poltronas da frente, enquanto você está nas de trás filha.

—Ótimo.—Eu tento conter minha alegria, afinal lá trás quase não vai ninguém, então poderei me espreguiçar nas poltronas.—É um voo rápido mesmo, nem vão sentir minha falta.—Eu comento pegando meu papel e caminhando pra parte de embarcação.

Chegando lá, foi como planejado. Nas últimas poltronas não tinha ninguém. Então me joguei nelas e fiquei conversando por mensagem com minhas amigas.

Queria arrumar um novo emprego.. – eu mandei.

• Por quê? – Sakura testuda perguntou.

• Ganho muito pouco na floricultura... – eu mandei.

Antes que eu pudesse continuar a teclar , noto que havia um cara de pé me observando, provavelmente esperando eu me ajeitar para se sentar numa das minhas poltronas... droga, na posição em que estava, a calcinha não incomodava!

Eu rapidamente me ajeito na poltrona, um pouco sem graça. Mando um sorriso de “foi mal” e volto minha atenção pro telefone. Ele se senta bem ao meu lado , o que me fez ficar mais sem graça ainda.

—Ahn...—Eu definitivamente queria quebrar o silêncio.—Desculpa mesmo.—Eu digo.

Me viro para observá-lo, e tomo um susto. Ele era absurdamente parecido comigo! Quero dizer, fisicamente... loiro dos olhos azuis.

E parece que ele se assustou ao me observar também. Aquilo parecia algum tipo de pegadinha...

—Não esquenta hm.—Ele disse desviando seu olhar do meu e foi mexer no telefone.

Droga, a calcinha.... voltou a incomodar.

Olho pra janela do avião e percebo que já estávamos prestes a decolar. Sinto um frio na barriga... não sou acostumada com voos. Pra aliviar essa sensação eu geralmente converso com quem está do meu lado, meus pais... mas dessa vez, eles não estavam alí.

—Bom...—Eu me viro pro loiro novamente, que ainda mexia no celular.—Eu me chamo Ino.—Eu lhe mando um sorriso amigável.

Ele não responde , apenas concorda com a cabeça.

—Não vai me dizer o seu?—Eu continuei, afinal... eu precisava dialogar.

—Deidara hm.—Ele demorou uns dois minutos pra me responder.

Certo, ele não é meu parente. Não tem ninguém da minha família com esse nome.

—Vai pra onde?—Eu sou uma garota insistente.—Pra fora do país ou pra algum estado?

Ele suspira antes de me responder.

—Inglaterra hm.

—Incrível!—Eu digo empolgada, eu sempre quis sair do Japão... ver como o mundo é lá fora....—Eu sempre quis fazer um tour pela Europa...—Comento.

Novamente, ele só concorda com a cabeça. Dessa vez, eu captei a indireta e fiquei quieta... tentei me recostar na poltrona de um jeito que a bendita da calcinha não me incomodasse, mas era difícil. Eu cruzava as pernas, não funcionava. Eu me virava totalmente pra janela, não funcionava. Eu me virava pro outro lado e novamente não funcionava! Meu destino não levaria menos do que seis horas, mas... não sei se iria aguentar tudo isso.

Eu deveria ter voltado pra casa , e ter colocado uma calcinha mais confortável... mas não. Eu , teimosa quis colocar essa maldita! Ah poxa... eu queria usá-la pela primeira vez... mesmo sendo um número menor que o meu.

Enquanto eu mudava de posição, pela milésima vez , o avião começou a balançar... como nunca antes. Aquilo com certeza me fez ficar pálida, eu já não gostava de voar , com turbulência então... nem se fala.

As aeromoças acalmavam ás pessoas, diziam que o clima mudou repentinamente mas que estava tudo sob controle. Essas palavras não surtiam efeito sobre mim, eu apenas fiquei alí, imóvel.

Eu quero meus pais...

De repente, as luzes começam a piscar. Aquilo foi meu ápice. Eu só pensava no pior... iríamos morrer naquele voo. Droga! Eu queria ter feito tantas coisas ... queria ter dito tantas ‘verdades’ para algumas pessoas..

Quando o avião tremeu , a ponto de eu pular da minha poltrona, eu ... automaticamente agarro o cara ao meu lado , num abraço apertado.

—Ah.—Eu gritei.—Eu vou morrer , eu vou morrer...

Eu e mais umas cinquenta pessoas estavam gritando histéricas , então... era difícil ouvir o que as aeromoças falavam.

—Moça hm.—O loiro me chamou.—É só uma turbulência.....

—Eu não quero morrer!—Eu dizia o apertando mais forte.

—Não vai ...—Eu ouvi.

Respirei fundo , ainda de olhos fechados. Se eu fosse morrer, eu queria dizer umas coisas que estavam engajadas no meu coração, eu merecia ir pro céu poxa!

—Tudo bem...—Eu começo, com a voz trêmula.—Sempre digo para minhas amigas que meu manequim é trinta e seis... mas na verdade é quarenta ! Estou sempre comendo o chocolate que minha amiga Hinata deixa pro crush dela, Naruto no cursinho de inglês. Eu já beijei o namorado da Sakura , Sasuke... por favor não diga a ela! Eu estou com uma calcinha fio dental que está me matando ! Eu ainda sou virgem, não diga ao meu namorado! Foi eu quem deixou o cachorro de Sakura fugir! Eu já peguei meus pais na hora h... bati o carro do meu pai , indo pra uma festa , até hoje eu não tive coragem de falar pra ele..

Eu dizia algumas verdades , afinal ... eu iria morrer ali. Mas pra minha surpresa... e alívio, eu não morri! Abri meus olhos lentamente e notei que as luzes haviam voltado ao normal... algumas pessoas ainda gritavam.. então , eu acho que só o loiro me ouviu.

Lentamente, eu me solto dele e volto a minha postura normal, estava com vergonha... afinal, eu contei meus segredos íntimos! Não ousei nem olhar pra ele. Deus , como eu queria que meu destino chegasse logo... ainda bem que ele iria pra outro país ...

—Então...—Eu pude ouvir, ele começar.—Sua calcinha está incomodando hm.

Sinto meu rosto esquentar. Rapidamente o encaro, ele me olhava com um sorriso torto.