Can We Be a Family Again? - Thaluke
2 Meu Irmão Sente Ciúmes
Notas iniciais
Thalia POV´s ON
Quíron passava os dedos por sua barba grisalha enquanto nos observava, impaciente.
– A situação é complicada – o centauro “caminhava” de um lado para outro.
As pontas de meus dedos gelavam. Ajeitei a gola de minha blusa de frio e cruzei os braços, observando-o atentamente, à espera de uma solução. De repente, Quíron interrompeu seus pensamentos e voltou-se para mim.
– É muito arriscado, mas sugiro uma busca. – o centauro coçou o queixo. – Uma missão de no máximo cinco.
Phoebe observava tudo em completo silêncio. Sua expressão transmitia um olhar preocupado, e ela tamborilava os dedos em seu arco.
– Senhor. – a subtenente ergueu a mão aberta, pedindo permissão para pronunciar-se. Quíron assentiu e ela continuou. – Com sua licença, acho que Thalia é uma opção plausível, já que foi ela quem viu o garoto.
– Talvez. Para o caso de Thalia, deverei consultar a deusa Ártemis – ele apoiou o cotovelo direito na alta mesa de mogno –, mas certamente precisaremos do filho de Hades, já que explorarão o ambiente de seu pai.
Alguns minutos de silêncio e ideia preencheram o ar, até o centauro retomar a palavra.
– Bem, sendo assim, deixem que eu cuido do assunto e façam suas atividades. Tomarei minha decisão até a Reunião dos Conselheiros, após o almoço.
– Sim, senhor – respondemos juntas.
Atravessamos o pequeno jardim que cercava a Casa Grande e passamos pela portinhola da cerca de madeira branca.
– Então, Thalia? O que faremos agora? – Phoebe estava curiosa.
– Siga para o chalé oito – ajeitei minha coroa prateada de Tenente – tenho que falar com meu irmão.
– Mas... – Phoebe protestou.
– E diga às outras que as encontrarei na hora do almoço do almoço.
– Sim, senhora – Phoebe retirou-se, correndo – qualquer coisa é só gritar!
Eu sempre detestei quando as outras Caçadoras me chamavam de senhora. Até parece que sou muito mais velha que elas. Ora, se contarmos minha idade verdadeira mais os três anos que envelheci como árvore (na verdade foram sete, mas Quíron disse que árvores envelhecem devagar), sou uma adulta, mas se considerarmos até o dia em que recebi minha imortalidade, tenho eternos quinze anos e trezentos e sessenta e quatro dias de idade. Na caçada, sempre faltará um dia para eu ter dezesseis anos. Não é maravilhoso? Mas elas ainda me chamam de senhora.
– JASON GR... – antes que eu pudesse terminar de berrar seu nome, Jason abriu a porta de nosso chalé e me abraçou forte, suspendendo-me no ar – Bom te ver também, maninho – sorri e retribuí o abraço.
– “Maninho”? “Maninho”? – ele fez uma careta e me colocou no chão – estou mais alto que você, Lia.
Sempre vai ser assim. Apesar de eu gostar de ser a última a falar, preferi não brigar com ele, afinal Jason tem sangue romano e me puxou (POV: hehe).
– Jay – revirei os olhos – Para de criancice. Como você está?
– Não, não. – ele balançou o rosto de um lado para outro, negando – Eu é que pergunto. Como você está?
Percebi que ele estava falando sério por seu tom de voz. Senti um arrepio na espinha. Será que ele sabia? Eu só contara para Phoebe, Quíron e Peleu. Phoebe estivera o tempo todo comigo, Quíron não deixara a Casa Grande e Peleu, bem... dragões não sabem falar.
– Como assim? – perguntei, sem graça e nervosa – O que você quer dizer?
Meu irmão olhou ao redor do chalé para ter certeza deque não havia ninguém ao redor e me conduziu para a sala do chalé de Zeus.
Sentamo-nos em um dos sofás azul-escuros e ele virou-se de frente para mim. Ali, ao lado de Jason, reparei nele por completo. Ele usava uma blusa que dizia “Keep calm and fly” (POV: engraçadinho), jeans escuros e tênis marrons de cano baixo. Seu cabelo loiro estava pouco maior do que no ano anterior, mas não fugia do padrão militar romano e, como ele fizera questão de comentar, estava uns cinco centímetros mais alto que eu. Não que isso importasse, mas importava.
– Irmã, Travis me disse que você e outra Caçadora foram ver Quíron e que pareciam aflitas.
Ai que ótimo. Eu precisava urgentemente de uma desculpa. Qualquer que fosse.
– Ahn... Eu machuquei o pé, então fui avisar Quíron que não participaria das atividades de hoje.
Torci para que o tivesse enganado, mas Jason era esperto demais.
– Machucar o pé, Thalia? Até parece que isso a impediria de treinar. E além disso, você estava andando normalmente até aqui.
Se eu contasse sobre a verdade, ele mataria Luke e me levaria de brinde.
– É que eu comi ambrosia e melhorou – tentei parecer sincera.
– Thalia, eu sou seu irmão. Por que não confia em mim? Eu quero te ajudar – ele suspirou – Prometo ser compreensivo.
Ponderei sobre o assunto por alguns segundos. Desde que soube de Luke e o que ele fez, meu irmão passou a odiá-lo, apesar de o filho de Hermes ter destruído Cronos temporariamente. Mas ele descobriria cedo ou tarde, e a melhor opção era eu mesma contar para ele.
– Tudo bem. É o seguinte: Quíron vai enviar um grupo de semideuses para uma missão, pois há algo errado lá em baixo...
– Mas por que você não quis me contar? Eu posso ajudar em alguma coisa!
–... nos Campos Elísios – completei.
Jason levantou-se e pude ver a raiva invadir seus olhos azuis-claros outrora tranquilos.
– Você não vai atrás daquele desgraçado! Thalia, ele te traiu e tentou te levar para o caminho dele! Eu não deixo você ir!
Não acreditei no que via. Por que meu irmão estava gritando daquele jeito comigo? Ele sabia o quanto Luke fora importante para mim, pois já conversáramos sobre nossas vidas desde que fomos separados. Levantei-me espantada.
– Jason, o que é isso? Você não me dá ordens do que tenho que fazer! – me aproximei dele, desafiadoramente – Eu vou nessa missão! Nós juramos ser uma família! Luke pode ter traído à mim e Annabeth, mas eu não volto atrás em uma promessa!
Os olhos de Jason faiscavam de ódio. Ele negava com a cabeça, incrédulo.
– Não acredito que você vai procurá-lo, Thalia. – ele me encarou – Você ainda o ama?
De repente ocorreu-me a ideia de que... não, não era possível. Parecia piada. Não pude evitar sorrir.
– Ciúmes, Jason?
– Não – ele corou.
Sorri novamente. Eu o havia distraído.
– Jay, preciso lhe contar algo. Sente-se.
Ele parecia apreensivo, porém seu olhar não estava mais tão ameaçador. Ele fez o que pedi, assim como eu.
– Escute, Jason. Luke foi quem me ajudou a te procurar, quem me acolheu e cuidou de mim quando fugi e foi quem me treinou e me confortou quando nós dois pensamos que você se foi...
Meus olhos encheram-se de lágrimas e, ao notá-las, Jason acalmou-se.
– Maninha, me desculpe... Admito que peguei pesado com você. É só que... eu não gosto da ideia de que você também ama aquele lá como irmão.
Dei uma risada.
– Só você mesmo para fazer uma coisa dessas. – o abracei – Te amo, irmão. Nunca deixei e nem vou deixar de te amar.
– Também te amo, irmã. – ele retribuiu o abraço apertado – Também nunca deixei e nunca vou deixar de te amar. Senti sua falta nesse tempo todo.
Enxuguei meu rosto com a manga de minha blusa de frio, desvencilhei-me do abraço e levantei. Jason abriu o sofá-cama enquanto eu buscava dois cobertores grandes para cortar o frio. Ajustei o alarme e entrei na montanha de cobertores. Deitados um de frente para o outro à uma distância segura para que Ártemis não tivesse motivos para matá-lo à flechadas, eu e Jason colocamos as novidades em dia, até adormecermos.
...
Acordei com o despertador tocando. Onze e meia. Tempo suficiente para organizar o chalé e ir almoçar. Um aroma de hortelã invadiu a sala e Jason saiu do banheiro vestido com uma calça tech-teel verde escura, secando o cabelo na toalha. Esfreguei os olhos e joguei uma almofade nele.
– Ei! – ele protestou, dando um tapinha deve no abdômen – Perdi o direito de exercer minha beleza?
– Não, você perdeu o direito de se exibir. E se continuar assim vai perder o direito de conviver com Leo.
Levantei-me rindo e segui para o banheiro.
...
Quíron “andava” de um lado para outro. Todos os conselheiros de chalés e o sátiro Grover estavam na sala de reuniões.
– Nico, Thalia, Leo, Annabeth e Grover – chamou – os senhores foram convocados para uma missão.
Nico encarava a mesa, Grover mastigava uma lata de Diet Coke, Leo construía algo com o que pareciam ser parafusos, grampos e gominhas e o restante de nós observava atentamente o centauro.
– Senhor, acabei de voltar, esta não é uma boa ideia... – Leo guardou o que estava fazendo em seu cinto e fitou o diretor do acampamento com seus olhos tristonhos.
– Leo, sei que o término está sendo difícil para você, mas uma viagem assim pode precisar de você e de suas invenções rápidas.
Nico ergueu a mão.
– Viagem para onde? – Mesmo sabendo que sua presença em uma missão só significava um lugar, o garoto decidiu arriscar.
– Para o Mundo Inferior – Quíron disse, preocupado.
– Senhor, qual o motivo da missão? – Annabeth levantou-se.
– Resgatar o herói da batalha contra o titã Cronos.
– O-o senhor se refere à... – Katie Gardner, do chalé de Deméter, estava nervosa demais para falar.
– Luke Castellan.
Um espanto coletivo invadiu a mesa. Nico estudou minha expressão, sério. Grover cuspiu o que restou de sua latinha e Annabeth sentou-se bruscamente na cadeira, boquiaberta.
– Como...? – Clarisse estava incrédula. Foi surpresa até para ela.
O centauro olhou para mim e acenou positivamente, me concedendo a palavra.
– Tive um pesadelo com Luke. Primeiro na Colina, depois no Monte Tamalpais e depois ele me implorava ajuda. Tenho certeza de que ele está em perigo. Algo está acontecendo no Submundo. E não é bom.
– Como você pode ter certeza disso, Thalia? – reparei que Leo não usava a roupa que Calipso fizera para ele. Talvez ela queimara na explosão do ano anterior. Ou talvez ele não usava porque lembrava da ninfa – Você consultou o Oráculo?
– Rachel chegará amanhã – interferiu Quíron.
Nico pigarreou e todos voltaram sua atenção para ele.
– Como filho de Hades, tenho o poder de saber quando há algo de errado no Submundo. – ele encarou meus olhos por um instante – Thalia está certa, há algo errado. Especificamente no Elíseio e nos Campos de Punição. Tentei contatar meu pai, porém ele não me respondeu.
Todos ficaram em silêncio por mais tempo de que eu gostaria.
– Thals, você realmente quer ir? – Travis parecia preocupado. Nunca o vira assim.
– Sim. Eu fiz uma promessa, Travis – virei-me para Annabeth – E você, Annie? Tem certeza?
– Eu tenho que ir... Família, não é? Eu prometi – ela gaguejou. Não a culpo por isso, afinal Annabeth já esteve naquele lugar horrendo.
– Reunião encerrada – anunciou Quíron – Estão dispensados.
Após o sinal de Quíron, Leo, Will Solace, Travis, Piper e Annabeth vieram falar comigo.
– Thalia, nós sabemos que essa missão vai ser difícil. Podemos ajudar em alguma coisa? – questionou Will.
Cada um decidiu ajudar com o que podia. Will forneceria um kit de emergência à la Apolo, Travis cuidaria de equipamentos e armas úteis, como bombas de pum e Piper (POV: minha cunhadinha linda szzs) prometeu roupas limpas para nós.
Após os dois garotos se retirarem, eu, Leo, Annabeth, Nico e Piper seguimos para meu chalé e discutimos um pouco sobre a missão. Após meu irmão chegar de suas atividades e dar um beijo em sua namorada, Nico e Leo foram conversar com ele do lado de fora do chalé, para nos dar privacidade.
– Thalia, você já contou para o Jason? – ela sussurrava, pois, apesar de eles estarem do lado de fora, decidimos falar baixo para não ouvirem – Posso cuidar disso com o Charme.
– Obrigada, Piper, mas creio que não seja preciso. Nós já brigamos e fizemos as pazes quando contei para ele, antes do almoço.
– Eu é que vou precisar de você para convencer aquele Cabeça de Alga – pediu Annabeth –, ele provavelmente vai pensar que Luke estragará nossos planos de fazer faculdade e morar juntos – nós três rimos.
Thalia POV´s OFF
Jason POV´s ON
– Leo e Nico, preciso que me façam um favor – eu estava tenso.
– Fica tranquilo, cara. Eu cuido dela para você – Leo sorriu – nós cuidamos.
– Está tão na cara assim? – perguntei.
– Está óbvio – Nico di Angelo assentiu.
– Pode deixar que o Leozão aqui faz churrasquinho de quem tentar chegar perto da sua linda irmã. Ai! – ele gritou, quando chutei sua canela – E o Garoto Morte pode invocar uns esqueletos se o Luke chegar perto dela. Ai! – dessa vez foi o Nico. Acho que ele não gostou do apelido hehe – Cara, se vocês continuarem fazendo isso eu não vou conseguir andar e muito menos proteger alguém – disse, esfregando onde o atingimos.
– Pode contar comigo, Jason – Nico assentiu novamente, após chutar Leo.
Ainda bem que tenho meus amigos.
– Obrigada, gente– suspirei, aliviado – Estou confiando em vocês, O.K.?
– Você é quem manda, Superman– Leo sorriu.
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