Can We Be a Family Again? - Thaluke
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Notas iniciais
Thalia POV´s ON
“Dia e noite irão caminhar...
Às profundezas, para uma escolha tomar...
A criança escolhida pelo ser imortal uma confissão fará...
E por dois deles, a vida decidirá...”
Peguei uma pedra e atirei no lago, com raiva. Mas que droga de profecia era essa? Escolha, confissão e decisão? Argh, eu realmente precisava ter uma conversa séria com Apolo, o deus das profecias e irmão gêmeo de Ártemis. Não suportava mais tantas escolhas e decisões. Esperava que a confissão não fosse por minha parte. Esse pedaço da profecia me fazia arrepiar. Tive um pensamento perturbador, mas logo o afastei.
– O que o lago te fez? – Leo perguntou, me assustando. Ele percebeu e riu baixinho – Desculpe pelo susto.
Me recompus e sorri para ele, largando a outra pedra no chão. Bati minhas mãos na calça jeans, afastando a terra deixada pelas pedras.
– Está tudo bem. E eu só estava treinando minha pontaria – tentei disfarçar.
Leo ergueu uma sobrancelha e aproximou-se com cautela, encarando-me nos olhos.
– Thalia... eu sei que é difícil ter esse peso nos ombros...
Ele estava sério, como nunca vi antes. De repente percebi que Leo não era apenas piadas e risos. Ele também era amizade e preocupação.
Assenti e ele abriu os braços.
– Posso?
Sorri e o abracei, ato que ele inicialmente retribuiu com certo cuidado, talvez por receio de eu empurrá-lo ou algo do tipo.
Ficamos abraçados por alguns minutos. Seu abraço era reconfortante e morno. Abri os olhos e ri.
– O que foi? – perguntou, desvencilhando-se de mim.
– Você sempre é quentinho assim? – perguntei, curiosa.
Leo deu uma gargalhada.
– Se isso te responde, sim, eu sou ótimo no frio – disse.
Ele flexionou os braços finos e nós dois rimos.
– Ei, você quer conhecer o Bunker? – ele sorria.
– Vou fazer esse sacrifício – brinquei.
Segui Leo por uma trilha na floresta, desviando de algumas armadilhas. Vez ou outra ele segurava um galho para que eu pudesse passar, o que achei estranho.
Ele havia mudado muito desde quando nos conhecemos. Naquela época ele me fazia muitos elogios e era notável seu encanto por mim. Reconheço que fui rude ao ignorá-lo, porém era o certo. Agora sei que ele ama Calipso, portanto não me incomodo em abraçá-lo e conversar com ele.
Paramos frente à algo parecido com um barranco coberto por musgo e trepadeiras. Leo colocou a mão em seu cinto de utilidades e tirou um aparelhinho, no qual digitou algo. A parte frontal do barranco rangeu e deslizou para o lado, revelando-se uma parede camuflada.
Leo virou-se para mim e, sorrindo, fez uma mesura para que eu entrasse.
– Damas à frente.
Mal entrei no Bunker e já estava impressionada com tudo. Pelo lugar, observei projetos minuciosamente desenvolvidos, ferramentas espalhadas por mesas e prateleiras carregadas de invenções estranhamente esplêndidas. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi um desenho caído no chão ao lado do que parecia ser uma escultura de metal. Caminhei em direção dele, abaixei-me para apanhá-lo e o observei.
– Não sabia que você desenhava – disse, sem me virar para encará-lo.
– Ahn... bem... eu só faço projetos... – respondeu, envergonhado.
Leo caminhou até mim e encarou a escultura.
– E aí, garoto?
A superfície metálica chiou e revelou dois globos vermelhos. Sorri, maravilhada.
– Pelo raio-mestre! Leo, você é um gênio! – afastei-me um pouco para observar o dragão – Ele é lindo!
Outro chiado.
– Eu sei, eu sei – ele riu – Festus disse que você o está envergonhando.
Sorri e coloquei o desenho do Argo II em cima de uma escrivaninha com outros desenhos.
– Sabia que eu também desenho?
Ele pareceu se animar.
– Sério? Você pode vir aqui quando quiser. Vai ser bom ter companhia – Festus chiou em Código Morse – Quer dizer, mais uma companhia.
Ele piscou para mim e revirei os olhos. Ele é muito convencido. Isso nunca vai mudar.
Algo bateu na parede externa e nós fizemos silêncio. Leo juntou suas sobrancelhas, intrigado e me encarou.
– O que foi isso? – perguntei, levando a mão às costas. Logo me arrependi por ter deixado o arco e minha aljava no chalé. Decepcionada, peguei a adaga em meu cinto.
– Espere. Acho que é Código Morse.
Esperei em silêncio enquanto Leo ouvia atentamente aqueles sons que me pareciam simples batidas.
– Conhece alguma Ravenna? – perguntou, quebrando o silêncio.
Guardei minha adaga e sorri, parcialmente aliviada.
– Conheço. Deixe-a entrar.
Leo digitou a senha em seu aparelho e a parede se moveu. Uma águia completamente branca voou pelo salão e empoleirou-se em meu ombro esquerdo. Sorri e acariciei suas penas, ao que ela respondeu esfregando a lateral de seu “rosto” em mim, fazendo cócegas com as penas extremamente macias.
– Não sabia que você tinha um falcão – comentou Leo, desconcertado.
Ravenna bicou-lhe o nariz e voltou para meu ombro, emitindo sons em Código Morse novamente.
– Ai! – Leo esfregou o nariz – Tudo bem. Não sabia que você tinha uma águia, Thalia. – ele fez uma careta para Ravenna – Melhor assim?
Ri e acariciei-a novamente.
– Eu a encontrei em uma floresta no ano passado, enquanto acampava com Ártemis. Ela estava com uma das asas quebrada. Eu cuidei de sua asa, mas quando ela se recuperou, não quis ir embora. Ártemis disse que Ravenna estava muito grata e que ela jurou fidelidade à mim. Desde então ela me acompanha em tudo. – Sorri – Ela pertence à linhagem das harpias.
A águia bicou minha orelha levemente e Leo coçou a cabeça.
– Pensei que fossem proibidos animais de estimação no Acampamento.
– Sim, mas eu só sou uma visitante. E Quíron concordou em ficar com ela na Casa Grande. – Encarei os olhos azuis de Ravenna – O que a traz aqui, minha cara?
Ravenna levou o bico à garra esquerda e desamarrou um pedaço de papel de seu “pé”. Peguei o papel com cuidado e o li.
– Quíron nos convocou para a partida – encarei os olhos do garoto – Está na hora, Leo.
...
Apenas os conselheiros dos chalés e meu irmão sabiam da missão, e os mais próximos de nós, que eram em torno de dez conselheiros, nos desejaram boa sorte. Phoebe foi a única exceção, e levei dez minutos para me despedir dela, que me ajudou com a mochila, me deu conselhos, abraços e deixou muitas lágrimas em minha blusa.
– Thals, aqui estão as bombinhas e algumas armas de ferro Estígio que eu e Travis conseguimos – disse Connor, me entregando uma bolsa relativamente pequena.
– Isso. Não se machuque. Se você morrer, eu te mato – completou Travis, com uma piada notavelmente forçada para quebrar a tensão – Mande mensagens todos os dias.
Ri e agradeci aos dois, enquanto Will conversava com Nico e o restante do grupo. Meu irmão correu até mim e me abraçou forte. Senti minhas bochechas molhadas, mas eu não estava chorando. Percebi que ele chorava e segurei as lágrimas que ameaçavam cair.
– Jason, por que você está chorando? – enxuguei seu rosto com minha luva revestida de tecido preto macio, que encobria os anéis de ferro em formato de soco inglês que ficavam em seu interior. A camada de tecido foi suficiente para secar as lágrimas sem machucá-lo.
– Não quero que... você sabe... eu te amo tanto... – ele fungou – E você é a única pessoa da família que tenho, é minha irmã e ainda é minha melhor amiga... não quero ficar sem você novamente...
Encarei seus olhos. Estavam vermelhos.
– Irmão, eu vou voltar. É uma promessa. – segurei seu rosto com cuidado e beijei-lhe a bochecha. – E eu também te amo, Jason.
Abracei-o novamente, com força. Nossas lágrimas percorriam caminhos por entre as roupas, molhando-as. Desvencilhei-me dos braços fortes de meu irmão e acariciei seu rosto.
– Estou levando dracmas a mais – enxuguei meu rosto – Mandarei mensagens de Iris sempre que puder.
Jason segurou meu rosto e beijou minha testa.
– Faça isso – ele encarou meus olhos, após uma breve pausa – Me prometa uma coisa.
– O quê?
– Faça o certo. Se seus sonhos estiverem errados e se ele não tiver mudado, Thalia...
Esse era meu medo.
– Eu farei o que é certo, Jason. Não se preocupe – forcei um sorriso – Não o decepcionarei.
Quíron pigarreou e todos voltaram sua atenção para ele.
– Tomem bastante cuidado. O Mundo Inferior é muito perigoso. Vocês encontrarão muitos perigos por lá. Fiquem juntos. Se algo der errado, nos avisem por meio de mensagens de Iris que enviaremos um grupo de apoio até vocês. – Os dedos do centauro tremiam – Thalia, você e Nico são os líderes. Não me desapontem. – Ele me encarou e percebi que a última frase fora especificamente para mim. Seu olhar dizia faça a escolha correta.
Abracei Jason uma última vez e notei que seu lábio inferior tremia. Ele estava segurando as lágrimas para não me desencorajar. Estava preocupado comigo. E, principalmente, com minha escolha. Mas eu prometi fazer o certo. E eu nunca volto atrás em uma promessa.
Subimos a Colina Meio-Sangue, onde me despedi de Peleu, que gemeu baixinho em resposta. Acariciei seu focinho e o abracei. Seguimos pela estrada após olhar uma última vez para o lugar em que nos conhecemos e no qual fomos acolhidos. Pensei em nossos amigos, em Jason, Ravenna, Peleu, no dragão de Leo, em Bianca, Zöe, Ártemis e, inevitavelmente, em meu pai. Eu não poderia decepcioná-los.
Apoiei meu arco no ombro, sobre a alça da mochila e ajeitei minha tiara/presilha prata de Tenente das Caçadoras. Suspirei, endireitei minha postura e caminhei prontamente com meus coturnos engraxados, guiando o grupo ao lado de Nico. Alguém me ensinou que a equipe se inspira em seu líder. E eu faria de tudo para minha equipe ser a melhor.
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