Notas iniciais
Presentinho surpresa para vocês! Espero que gostem!

“Você é a razão a qual eu estou dançando no espelho

e cantando no chuveiro — Shower”

— Olha por onde anda! — uma garota loira diz irritada — O que é… quer dizer, quem é você?

Ela era muito bonita, cabelos longos, lisos e com cachos nas pontas, olhos azuis e um corpo de dar inveja, parecia o puro estereótipo de patricinha que vemos em filmes de colegial americano.

— Me chamo Gabriela, acabei de chegar…

— Ah, esquece, eu não quero saber — ela me interrompe acenando para duas meninas que acenavam de volta — Só não fica no meu caminho — ela me empurra contra os armários para que pudesse passar.

— Já vi que vamos ter problemas! — Resmungo, olhando ela se encontrar com as meninas. Ela me encara fazendo uma careta e eu desvio o olhar que por sorte, era o grêmio estudantil. Finalmente!

— Com licença... — Entro na sala onde um garoto loiro de olhos dourados estava. — Por acaso você é o Nathaniel?

— Sim, sou eu. — Ele sorri gentilmente. — Você deve ser a Gabriela Santos, a diretora me informou que viria.

— Ela esteve aqui?

— Sim, poucos minutos depois de falar com você! — Ele sorri procurando algo em uma caixa de arquivo.

— Ela poderia ter me ajudado, eu levei um tempão pra chegar aqui e ainda tive que lidar com aquela patricinha — reviro os olhos. — Aliás vocês são muito parecidos.

— É porque a “patricinha” é minha irmã — ele comenta ainda olhando para a caixa.

— Ah, desculpe, eu não…

— Não se desculpe, convivo com ela há dezessete anos, sei bem como a Ambre pode ser bem irritante, mas logo você se acostuma. — ele sorri.

Nathaniel era lindo, seus cabelos loiros e olhos dourados pareciam brilhar, ele era educado e polido, passando a segurança de que tudo ficaria bem.

— Bem—vinda a Sweet Amoris, aqui está sua grade de horários e a chave de seu armário. Você também precisa se candidatar a um clube, mas você pode ver isso depois da primeira aula.

—Bem, obrigada. — Sorri gentilmente para ele segurando tudo incluindo um mapa da escola que me ajudaria na localização.

Eu demorei quase 10 minutos tentando achar a sala, o que me fez pensar quanto tempo eu levaria se não estivesse com o mapa, ainda não encontrei os gêmeos em lugar nenhum. Ouvia alguns cochichos de alguns alunos no corredor, outros olhares que estavam me incomodando muito, mais um dia normal… qual o problema dessa gente?

Olho o relógio em meu pulso que indicava 7:59h. Subi as escadas correndo, com esperança das salas estarem em ordem numérica e a sala 2A ser no andar de cima.

—Senhorita, é proibido correr nos corredores! — A diretora alerta.

Ouço o sinal tocar, o corredor estava vazio pois todos os alunos estavam em suas salas, o que facilitou minha corrida. Vejo um homem a caminhar pelo corredor abrindo a porta da sala "A".

—Não! Espera! — digo ofegante em português, ele olhou — me confuso e entrou na sala, fechando a porta.

— Qual o seu problema? — Digo irritada abrindo a porta. Ele me olha confuso provavelmente não entendendo o que eu disse, já que falei em português. Percebo a confusão e volto ao idioma local. — Perdão professor, eu não consegui achar a sala.

— Tudo bem senhorita Santos, você chegou a tempo, eu sou o professor de história, Sr Faraize. Aproveite para se apresentar para a turma! — ele diz apontando para a sala. Bendita sala! Me esqueci totalmente dos vinte alunos que me assistiam.

—Ah... — recupero a postura, — Olá, eu me chamo Gabriela, tenho 17 anos, sou brasileira.

— Seja bem—vinda, Gabriela! — O professor conclui e eu escolho um lugar para me sentar. — Será ótimo termos contato com outra cultura por aqui. — Estamos estudando sobre o descobrimento, você pode nos contar um pouco sobre o descobrimento do Brasil?

— Bom, é aquela coisa bem comum: estrangeiros colonizadores, invadir uma terra, roubar o que encontrarem de valor, matar os povos que existem ali, violentar as indígenas, e ainda saírem como os bonzinhos da história. — Nesse momento faço a sala olhar para mim. Será que eles tem noção de que é esse tipo de coisa que acontece?

— Deve ser péssimo! — Uma garota de cabelos roxos diz.

— Na verdade isso aconteceu em praticamente todos os países.— pontuo.

— Se você vem do Brasil, você fala brasileiro? — A garota de cabelos ruivos que tocava bateria perguntou.

— Não, o Brasil foi colonizado por Portugal e parte dele pela Espanha, então falamos português.

— Todo mundo no Brasil é negra como você?

— Olha, isso é meio racista… mas não! O Brasil é um país com uma enorme miscigenação, digamos que povos do mundo todo se misturaram lá. Então misturando as genéticas, temos várias nacionalidades e cores. Aproveitando, a oportunidade, o brasil é um lugar como qualquer outro, apenas com costumes e a cultura diferentes, não é uma selva onde nós saímos por aí cantando "Roar".

— Conhecemos bem a fama do país onde os povos se “misturaram” — Ambre ri com a piadinha de duplo sentido.

— Ambre, chega! — o professor a repreende.

— Estou mentindo, professor? Se eu fosse você não ficava me achando por ser estrangeira, todos sabem que no Brasil só tem prostituta. — ela diz com um sorriso sínico no rosto.

Sinto meu sangue ferver, isso não podia ficar assim, não no meu primeiro dia e na frente de toda a sala.

— Você é muito xenofóbica, sabia? Cuidado que isso é crime! E olha que engraçado, você também me parece uma prostituta, e uma das bem baratas que se encontra em qualquer esquina, será que você também é brasileira?

— Para uma novata tá bem ousadinha, não é?! — Ela levanta e me encara feio.

— Porque essa cara feia? Não estão te pagando direito pelos seus serviços?

— Já chega!! — O professor interrompe. — Vamos continuar a aula!

Se ela já não gostava de mim, tenho certeza que a fiz me odiar, mas ela está louca se pensa que justo eu vou tolerar bullying.

A aula não demorou muito para passar, fiquei satisfeita por perceber que não ficaria atrasada mas matérias, já que grande parte das coisas eu já havia aprendido no Brasil, quando o sinal tocou, Alexy me arrastou para fora querendo me apresentar para todo mundo da escola.

— Vou te tornar a garota mais popular daqui, por isso, você precisa conhecer todo mundo! — ele diz animado.

Ele me levou até uma roda de pessoas para me apresentar, no canto dessa roda eu o enxerguei, senti meu coração disparar enquanto trocamos olhares, seus olhos eram profundos e bicolores que me instigavam a querer conhecê—lo melhor.

—Bonjour.

Aqueles olhos…

Meu olhar congelou no dele por alguns milésimos de segundos e o tempo me pareceu parar, eles refletiam uma segurança incomum, me prendiam, me paralisaram. Eu fiquei ali hipnotizada, podendo quase ver as estrelas. Percebi naquele momento que aqueles olhos brilhantes seriam a minha ruína.

O milésimo de segundo passou, minha atenção voltou ao grupo à minha frente e vi o rapaz de olhos bicolores desviar o olhar para um bloco de notas.

— Esses são Rosalya, Íris, Violette, Melody, Kentin, Lysandre, e aquele lá é o Castiel — Ele aponta para cada um respectivamente. — A Ambre você já conheceu na aula e outros estão por aí, você vai conhecer com o tempo. Pessoal, essa é a Gabriela, nossa nova meia irmã.

— Muito prazer! — Sorrio amigavelmente para todos.

— Ah você tem sotaque! Que fofa — A garota de cabelo platinado, Rosalya diz. — Menina, eu nem acreditei quando vi mais alguém enfrentar aquela garota, vamos ser amigas! — Ela diz animada. — A propósito, pode me chamar de Rosa.

— Ela é mesmo muito inconveniente, não é atoa que nem o Nathaniel suporta ela! — Iris revira os olhos — A propósito, acho que te conheço…

— Ela assistiu nosso ensaio ontem. — Lysandre diz ainda focado em algo que escrevia em seu bloco de notas.

— Ah é verdade! — Ela sorri. — Sua memória está ótima Lys, e então gostou do que ouviu?

— Vocês são incríveis! Estão ensaiando para alguma apresentação? — Pergunto curiosa.

— Hoje vamos apresentar para o professor de música e para a sala, mas pelo visto você teve um show particular. — Ela sorri.

— Então essa é a nossa fã? — O guitarrista, Castiel aparece. — Eu posso te dar um autógrafo se quiser. — Ele faz uma cara travessa, zombando da situação que ocorreu ontem.

— Seu? Não valeu! — Ainda que eu quisesse, não seria dele, penso comigo mesma enquanto o grupo conversava sobre coisas aleatórias.

Castiel parecia o típico adolecente revoltado que se tem em toda escola, principalmente no ensino médio, jaqueta de couro, camisa de banda e cabelos médios, odeio admitir mas ele era muito bonito, seus olhos eram acinzentados, quantos segredos ele podia esconder ali?

Ele e Lysandre pareciam próximos, isso atiçava minha curiosidade, só não sabia direito sobre quem.

— Eu vi isso! — Ouço sussurrar em meu ouvido.

— Ah, que susto Rosa! — digo colocando a mão no coração tentando me acalmar. — Não faz isso!

— Desculpe, mas você não acha que está muito tempo encarando não? Eu posso dar uma foto para você, aliás eu tenho várias fotos de muita gente nessa escola — Ela pisca para mim enquanto tento me esquivar daquele assunto.

Assim como a aula, o intervalo passou rápido, e o restante do dia também. Eu estava ansiosa para aula de música porque, por mais que cantar não fosse um talento, eu ainda amava ouvir os outros cantarem.

A apresentação de Íris, Castiel e Lysandre foi impecável, até mais que ontem, fui informada que o professor passa trabalhos semanais intercalados entre apresentações solo e em grupo, e no caso a deles era em grupo. Todas as apresentações estavam incríveis, eu queria poder ter preparado algo também.

— Como essa semana eu peguei pesado com vocês, na próxima apresentação vocês devem preparar algo para apresentação solo, pode ser cantando ou apenas tocando um instrumento. — Ele diz encerrando a aula me dando um universo de possibilidades.

(...)

Deixo a água morna escorrer pelo meu corpo levando embora o cansaço do primeiro dia de aula, cantar e dançar no chuveiro sempre foi meu passatempo preferido, aproveito para lavar o meu cabelo já que Vitória disse que o almoço ia demorar um pouco.

Visto um short jeans e um top confortável, a famosa “roupa de ficar em casa”, e termino de finalizar meu cabelo. Ouço o som alto vindo da televisão da sala e desço as escadas, curiosa. Era Armin, estava jogando Mortal Kombat.

— Quer jogar? — ele pergunta estendendo o controle. — Eu até deixo você escolher o jogo, o que você quer? Algum de corrida?

— Podemos continuar com esse mesmo! Modéstia parte, eu vou acabar com você!

— Essa eu quero ver! — Ele ri e inicia o jogo.

Alguns minutos e cinco rodadas depois eu sorrio vitoriosa e satisfeita.

— Eu desisto! — Armin larga o controle na mesinha de centro, jogando a cabeça para trás. — Você está trapaceando, né?

— Não! Eu só sou muito boa!

— Você é incrível maninha! — Alexy comemora atrás do sofá.

— Alexy que susto! Aprendeu a passar despercebido com Rosa? — Coloco a mão no coração. — Quando você chegou?

— Eu e Castiel estamos aqui há uns dez minutos.

Castiel? Olho para o rapaz parado ao lado de Alexy. Olho para Armin confusa, ele parece perceber pois responde sussurrando “Trabalho de biologia”.

— Parece que você arrumou uma oponente à altura, filho. — Vitória se aproxima — Agora deem uma pausa e vamos almoçar!

Pelo visto Castiel seria nosso “convidado especial”, eu não sei se gostava muito disso.