Notas iniciais
Mil desculpas pela demora pessoal! Essa semana foi complicada. Vou me programar para postar no mínimo 01 capitulo por semana! Boa leitura!

“Eu quero dançar no meio da noite

Posso ver os céus da noite no espelho de seus olhos. — Dancing in the dark”

Droga! Queria não ter falado alto o suficiente para me ouvirem, e principalmente ter conseguido abaixar e me esconder naquele momento, mas minhas pernas travaram, eles continuaram me encarando enquanto eu pensava no jeito mais rápido de sair daquela situação sem deixar a péssima primeira impressão de ser fuxiqueira.

— Desculpe… — digo com um sorriso torto, o que parece não adiantar, já que falei em português.

— Esse ensaio é particular! — O garoto ruivo diz com uma expressão séria.

— Eu não queria, eu não… — Começo a me embaralhar

— Droga, fale em Francês! — Ele responde irritado.

— Está tudo bem? Você precisa de ajuda? — O garoto com microfone na mão pergunta preocupado se aproximando.

Me senti imóvel, aqueles olhos me impedia de sair do lugar, o que está acontecendo comigo? Nunca sequer tive medo de palcos, porque estou me sentindo assim, paralisada. Dou passos para trás à medida que ele se aproxima até esbarrar em alguém, ótima maneira de começar!

— Ei, olha por onde… — O garoto de cabelos escuros e olhos claros os arregala e abre um sorriso. — Gabriela?

Puxo—o pelo braço o pegando desprevenido e saio dali procurando um local mais calmo. Sentia meu coração sair pela boca sem nenhum motivo aparente, paramos de correr exaustos, apoio minhas mãos em minhas pernas tentando recuperar o ar.

— Ufa, achei que não iria sair dali nunca, tinha até esquecido como se falava francês! — Rio aliviada da situação. — A propósito, que bom te conhecer pessoalmente Armin! — Digo o abraçando forte.

— Ah, eu não gosto muito de contato físico. — ele coça a nuca, um tanto sem graça. — Nada pessoal. O que você estava fazendo espiando a sala de música?

Antes que ele pudesse falar, vi um rapaz se aproximando de nós, a julgar pela aparência e semelhança, esse era Alexy.

— Gabriela? — ele me olha tentando decifrar se eu realmente estava lá, até que abre um sorriso. — Que bom te conhecer pessoalmente!

— Eu falei exatamente a mesma coisa para Armin! — Dou risada e abraço Alexy apertado.

— Tá vendo, por isso que eu gosto do Brasil, isso sim é jeito de cumprimentar! — Alexy brinca, se referindo ao abraço — Vocês parecem exaustos, estavam correndo?

— Tá mais para fugindo — Armin brinca.

— Quero saber disso depois! Bom, eu estava agora mesmo procurando nossos pais, vamos?

Concordo com a cabeça seguindo os gêmeos para fora dali, sem antes parar para olhar o grupo que saia da sala de música, mais especificamente um certo cantor.

Não demorou muito para encontrar meu pai e Vitória na entrada da escola, eles pareciam preocupados com meu sumiço, mas aliviaram a expressão quando me viram acompanhada de Alexy e Armin.

— Pelo visto já se conheceram! — Meu pai sorri contente cumprimentando os meninos.

— Ótimo, então não vamos demorar pois temos muitos lugares para ir! — Vitória diz animada abrindo as portas do carro para entrarmos.

O caminho até às lojas foi animado, Alexy e Armin falavam sobre as aulas enquanto Vitória e meu pai faziam uma lista do que compraríamos nas lojas, não pude deixar de lembrar da música que acabei de ouvir aquela banda tocar, não consegui esquecer aquela voz, embora de longe eu não conseguisse ver muito sua aparência nem o seu rosto. Me senti hipnotizada por sua voz, e algo me dizia que aquele era só o começo.

Passamos o restante do tempo comprando alguns itens para decorar meu novo quarto, Armin estava em uma loja de jogos e Alexy me fazia escolher entre lantejoulas e camurça para as almofadas.Faz anos que eu não sei o que é um dia de compras em família. Era nostálgico e reconfortante, eu amava aquele sentimento, de pertencer a algum lugar, mesmo tendo acabado de chegar.

Com as sacolas cheias e com o bolo que Vitória encomendou nas mãos, voltamos para casa. Alexy me ajudava a colocar as compras em seu devido lugar e desencaixotar algumas coisas, Armin estava em uma poltrona com um PSP em mãos, mas fazia questão de fazer saber que ele estava ali.

— Eu nem acredito que está aqui! Vai ser ótimo ter uma irmã! — Ele diz me abraçando forte.

— E eu simplesmente não existo, né? — Armin diz brincando, fingindo estar magoado.

— Menina! — Ele acentua. — Ou você quer me ouvir falar de garotos bonitos?

— Você já faz isso mesmo! — O moreno dá de ombros o que me faz rir da situação.

Eles parecem bem unidos apesar das diferentes personalidades, espero que com o tempo eu também tenha esse tipo de relação. Como passei a maior parte do tempo no Brasil me virando sozinha, é difícil criar esse tipo de laço. Claro que tem o meu pai, mas ele é meu pai, ter um bom convívio já é meio que esperado.

Logo Vitória nos chama para comer, o ambiente não era diferente, todos pareciam muito confortáveis e nos fizeram sentir isso também. Meu pai contava os planos para o casamento e lua de mel enquanto Alexy comemorava por termos a casa só para nós quando o grande dia chegasse, em breve seríamos uma grande família feliz.

(...)

O relógio tilintava nos meus ouvidos anunciando que já era manhã. Levanto sem muito ânimo; arrumo a cama, separei uma calça e uma regata branca básica e vou tomar um banho.

Hoje é meu primeiro dia de aula em uma escola totalmente diferente do que eu estava acostumada. Um misto de nervosismo invadia meu corpo me impedindo de ingerir qualquer comida aquela manhã, quase não abri a boca no café e Vitória tentava me tranquilizar dizendo que a escola ia ser ótima. Respiro fundo, bebo um copo de suco de laranja. Espero conseguir me adaptar.

Pelo que percebi todos saiam de casa pela manhã, me despeço de Vitória e de meu pai que saem para trabalhar e sigo Alexy e Armin porta a fora.

Realmente para gêmeos eles eram bem opostos, Alexy falava mais que a própria boca enquanto Armin respondia o básico por educação, já que estava concentrado em seu jogo, mas admito que conversar com Alexy me distraiu até chegarmos diante dos grandes portões de Sweet Amoris.

As pessoas pareciam agitadas para uma manhã de aula, o ir e vir de tantas pessoas me fez perder os meninos de vista e estar completamente sozinha, andei pelos corredores tentando me localizar, me xinguei mentalmente por não fazer um tour pela escola ontem e decidir passar todo o meu tempo ouvindo aquela banda tocar.

“Talvez se eu encontrar a diretoria” penso comigo mesma até encontrar uma senhora vestida de rosa e cabelos brancos, seus óculos meia lua e o jeito que falava com os alunos me dizia que ela trabalhava ali.

— Com licença...— Cutuco-a — A senhora pode me ajudar a encontrar a diretoria?

— Senhora não, senhorita. — Ela me corrige com uma expressão séria, estava bem mais pra senhora do que senhorita.

— Desculpe...

— Bem, e sim, eu sou a diretora. Você deve ser Gabriela Santos! — Ela analisa alguns papéis em sua mão. — Estou sem tempo agora, mas a senhorita pode procurar pelo Nathaniel na sala do grêmio estudantil, ela vai entregar sua grade de horários.

— Certo, onde eu encontro a sala… — perguntei sem me dar conta de que ela havia partido.

“Ótimo, mais metade do dia para encontrar a sala” penso comigo mesma tentando me localizar pelas placas em frente as portas. Não me parecia uma boa ideia andar em um corredor tão movimentado olhando para o alto, e não foi, até eu esbarrar em alguém.

— Olha por onde anda!