Canção da Sereia

39 Cauda, pra que te quero! - Rs


Notas iniciais
Boa leitura!

Nora

Willian me acorda. Está de noite ainda. Madrugada talvez.

Sonhei com Andrew. Ele estava na ilha e me perseguia. Não sei o que faria se encontrasse ele aqui. Felizmente isso é impossível.

Willian não me conta o que viu. E não para de perguntar coisas que não posso responder. Não que é que eu não confie nele. Eu apenas não o conheço. Mas se eu for pensar assim, também não conheço Megan e estou confiando a ela mais do que deveria. Mas, por outro lado, não tive opção, no caso dela. Mas, estou praticamente dormindo com Willian desde que cheguei a esse lugar e consigo contar a ele sobre a cauda. Me assusta dividir isso.

Bem, talvez, eu não confie nele mesmo.

Mas não é como se eu não quisesse confiar. É só que... WIllian é um biólogo, a curiosidade vem em primeiro lugar. Eu sei disso, eu vivo essa mesma realidade. Sou curiosa e vejo nessa ilha um prêmio nobel. Mas, eu não quero ser o material que proporcionará isso. E se ele tiver que escolher, não tem porque escolher a garota que ele mal conhece.

Willian me beija, me toca. Calor toma conta da minha pele, mas tem alguma coisa me impedindo de seguir em frente. Willian é lindo, é gentil, é tudo que uma garota poderia querer, e em outra época, eu teria me lançado nele sem pensar duas vezes. Mas eu não sou mais a de antes. Eu estou quebrada.

Ele fala sobre encontros.

Como eu poderia planejar esse tipo de coisa? Nem mesmo consigo me ver fora dessa ilha com vida. Quem dirá de volta a faculdade e a tudo que ficou para trás.

E em um encontro!

Mesmo que saiamos vivos da ilha, como eu poderia planejar algo com ele? Um relacionamento. Será que é isso que ele está implicando em seu convite de encontro decente? Talvez seja apenas um código para sexo casual. Mas, não deixa de me assustar. Nunca mais quero passar pelo que vivi com com Andrew. Relacionamentos parecem seguir justamente para essa direção. Gentilezas, carinho, isso não significa nada. Qualquer pessoa pode mentir.

Mas, não sei, acho que é mais que minha insegurança e medo. Acho que a barreira que me impede de estar com Willian é culpa. Eu me sinto culpada por estar aqui com ele. Não acho que seja errado, mas ainda assim, sinto um aperto no peito e uma ansiedade que não é normal. No entanto, meu corpo não acompanha minha mente.

É quase uma necessidade estar com Willian e então eu cedo. Vou contra a razão, contra tudo que estou sentindo e me deixo envolver por esse homem lindo que me cativou desde o primeiro momento.

Não me arrependo, apesar daquele incomodo, seu toque é libertador.

Estar com Willian é perfeito. E delicioso. Menos a parte em que sou empurrada com violência para o chão.

Minhas costas batem com força no piso, assim como minha cabeça.

A voz de Willian profere palavrões em algum lugar. O que está acontecendo? Eu o machuquei? Talvez seja isso!

Meu corpo está quente e necessitado, espantado e com dor também. São tantas sensações e necessidades que tomam conta de mim. Respiro com dificuldade, tentando recobrar a consciência. Vejo Willian passar por mim. Ele nem mesmo me ajuda, ou pergunta se estou bem. O que há com esse idiota?

Me forço a levantar. Estou nua, no chão, e a porta do quarto está aberta.

Estou confusa e assustada agora. O que esta havendo?

Willian não volta. O que eu fiz? Estou com medo, sinto um aperto no peito. Será que ele é outro Andrew? Nem mesmo pude aproveitar antes que ele tirasse a máscara!

Minhas pernas falham e escorrego para o chão de novo. Começo a sentir as mesmas dores de ontem, de quando estive no buraco. Meu peito comprime e o medo e pânico tomam conta de mim. O que está acontecendo? Sinto tanta dor. Minhas pernas ardem e então a tortura começa mais um vez.

Lancey

As coisas são piores do que imaginei. A visão... isso não pode ser nada bom.

Nora e Willian saem do quarto.

Odeio esse cara. E odeio como ela sempre está atrás dele. Eles estão dormindo juntos há uma semana. Não deve demorar muito agora para que ela fique assustada e o afaste. Não entendo essa capacidade que Nora tem de arrumar caras idiotas num piscar de olhos. É como um imã. Ou ela pensa que aquele doutorzinho almofadinhas vai querer algo além de sexo? Nem que ela quisesse. Nora pode ser brilhante, mas sua beleza sempre vai chamar mais atenção do que qualquer outra coisa. Ela sempre vai ser um pedaço de carne para esses idiotas. Especialmente para Willian, que tem tudo na vida.

Megan fica comigo um pouco mais. Ela não diz nada. Eu prefiro ficar em silêncio também. Mas chega um ponto em que o silêncio fica demais.

– Vou lá pra baixo. — Ela avisa e vai em direção a porta. — Se quiser conversar...

– Você também. — Digo. Mas, pelo tempo que passamos juntos, sem nem olhar para cara um do outro, duvido que tenhamos algo para conversar. Quer dizer, nós nos falamos antes. E foi bom até. Mas agora, com tantos fatos novos, incluindo saber que qualquer espirito desse lugar possa se apossar de nós, não parece mais agradável manter diálogos.

Me aproximo da janela quando estou sozinho.

Está escuro lá fora, e o vento faz as árvores balançarem severamente. No fim do pier, até parece ter alguém. Um sombra. Mas, ao forçar a vista percebo que é apenas a sombra das árvores. Porém, não me culpo por estar quase vendo coisas. Esse lugar é um inferno. Cheio de criaturas demoníacas. Não sei como poderei sair daqui, principalmente porque Nora não parece ter chance alguma de deixar a ilha, pelo menos não com vida, e sem ela não irei a lugar algum.

Culpei Willian por trazer as garotas, mas a culpa não é toda dele. Eu sou culpado por Nora estar aqui. E saber disso está me matando!

Não desço novamente. Já basta de interação por um dia. Preciso de um banho. Infelizmente o banheiro não fica no quarto. O casalzinho feliz ficou com o quarto com banheiro.

Deixo o rancor e inveja de lado. Me arrasto para o banheiro no corredor e tomo banho. Depois disso vou deitar. Não há nada pra fazer, ou alguém para conversar. Adoraria bater papo com Nora, como fazíamos quando estávamos na casa de Daniel, mas ela não tem espaço para mim no momento. Sinto nojo por pensar nela sendo tocada por aquele almofadinhas.

Entre meus murmurosos pensamentos e lembrança das coisas terríveis que vi, acabo dormindo.

***

Acordo no meio da noite, com batidas fortes na porta e meu nome sendo chamado. Me levanto assustado, temendo que algo tenha acontecido. Meu primeiro pensamento é em Nora, nunca deveria tê-la deixado aos cuidados de Willian.

Quase caio ao tropeçar em alguma coisa no chão. Provavelmente uma de minhas camisetas. Encontro o interruptor e ascendo a luz. A claridade repentina queima meus olhos e levo um minuto a mais para atender quem bate, enquanto meus olhos se acostumam.

Abro a porta e me deparo com Willian. Ele usa apenas um calça cinza e tem faixas ao redor de suas costelas.

– É a criatura! Ela assumiu a forma de Nora de novo. — Ele me diz assim que me vê. Escuto barulho nas escadas, alguém está subindo. Sons de coisas caindo vem do quarto dele.

– Cadê ela?

– No quarto. Temos que capturá-la!

Passo por ele. A vontade é dizer para ele dar uma voltinha lá fora, quem sabe até nadar! Com sorte ele pode ser atacado por um tubarão e some de vez das nossas vidas!

Vou apressado pro quarto que Willian e Nora compartilham. Ele vem logo atrás de mim.

Ao entrar encontro a luz apagada, apenas um abajur iluminando o cômodo, mas é mais que suficiente para identificar Nora no chão. Ela está deitada, com parte do corpo em baixo da cama e um lençol preso em seus dedos. Ela não emite sons, mas posso ver que se contorce. Vou até ela e me ajoelho a seu lado. Assim que seguro sua mão, ela aperta com força a minha. Está com a face vermelha e molhada de lágrimas. Seu rosto mostra claramente que ela sente dor. Os olhos verdes estão iluminados, como se houvesse uma lanterna atrás deles. Mas apesar disso, essa é Nora. A minha Nora de sempre!

Ao descer meus olhos, percebo, que a parte de seu corpo que está encoberta pela cama não é mais humana. Como eu não pensei nisso antes. Não podia tê-la deixado sozinha com Willian. Era tão claro quanto o dia que algo assim poderia acontecer novamente. A cauda dourada se mexe desenfreada, batendo na cama e no que mais esteja no caminho.

Não me lembro da cauda do outro dia ser dourada, ela tinha um tom mais avermelhado. Parecia em chamas. Mas essa de agora é diferente. Parece que algo realmente ruim está acontecendo. Pelo menos não levo essa mudança como algo bom. Na verdade, nada que acontece nessa ilha é bom!

Esse lugar é amaldiçoado!

Passo meus braços por baixo dos dela, ela está nua. Não quero nem imaginar o que a fez estar nua a essa hora.

– Se afaste, Lancey! — Ouço Willian dizer atrás de mim. — Não é a Noralys!

Nora passa os braços ao redor do meu pescoço, me abraçando. Acho que perdi as contas...

– Lancey... dói tanto... faz isso parar...– Ela sussurra em meio as lágrimas.

Eu gostaria de poder tomar a sua dor. Faria isso sem pensar duas vezes.

– Willian, miserável! — Odeio esse cara do fundo do meu coração. — Essa é Nora, seu idiota.

Puxo Nora pra cima, tirando sua cauda de baixo da cama e escutando exclamações atrás de mim. No entanto, apesar dos murmúrios, ninguém vem me ajudar.

Logo, felizmente, Megan chega e me ajuda em minha luta. Pegar Nora com essa cauda é complicado.

A colocamos na cama. Sua enorme cauda não cabe inteira na cama e fica com boa parte caída na borda.

– Mason – Escuto a voz de George atrás de mim – Cadê sua maleta? Precisamos tirar amostras, rápido!

Isso me faz parar. Sinto meu corpo todo vibrar pelo ódio que me domina. Olho para trás. Willian está a poucos passos de nós. Ele olha surpreso e chocado para Nora. Os outros estão mais longe, eufóricos com a notícia.

Eu sabia que isso iria acontecer. Eles não ligam para ela. Ou para mim, ou qualquer merda. Eles só podem pensar no lado cientifico. Não importa se a ilha cheira a morte e coisas bizarras acontecem. Se eles tem a oportunidade de conseguir algo dela, eles farão. Sem se importar com quem cai no processo. É assim que esse tipo de gente é. Eles sempre virão em primeiro lugar.

– Ninguém vai se aproximar dela. Saiam! — Grito, mas ninguém parece se importar. — Saiam! — Empurro Willian sobre os outros e então Megan se junta a mim, os empurrando para fora, até que sobra apenas nós dois e Nora. Ela tranca a porta e se deixa escorregar,caindo sentada no chão. Me aproximo de Nora. Os lábios estão rachados, secos. Ela parece desidratada. Seus seios estão nus e sobem apressados com sua respiração ofegante. Vou para o guarda roupa, pego uma manta e jogo sobre ela, depois me ajoelho ao lado da cama e fico na altura do seu rosto.

– Já passamos por isso uma vez. Vamos passar por isso de novo. — Digo a ela que tenta ficar calma, mas continua se contorcendo de dor.

Eu deveria estar ao seu lado desde o principio, ajudando a passar por isso. Não Willian. Mas, isso não vai mais acontecer. Ele não vai mais tocar nela e nós vamos sair desse lugar, custe o que custar.

Notas finais
Parece que alguém foi pega no flagra agora... XD Ainda acham que é a mulher prateada que deu uns pegas no Willian, galera? XD Imagem legal que a Death achou. Achei que combina com o capítulo: https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/1391445_575508132517492_519233945_n.jpg Bj bjs