Canção da Sereia

23 Bobeou, dançou! - Rs


Notas iniciais
Hihihihihihihh, sem comentários XD Mwahahahahahhaa Boa leitura!

Nora

Willian me beijou até precisarmos nos separar para recuperar o fôlego. Suas mãos grandes passeiam pela minha cintura e embora os movimentos lhe causem, ele não reclama em nenhum momento, mas eu posso ler em sua feição. Então escorrego para seu lado. Ele tenta virar e me abraçar, mas a dor o impede.

– Quando você melhorar. — Eu digo a ele e me levanto da cama.

– Só me dê algumas horas, até aqueles malditos comprimidos fazerem algum efeito.

– Oh, viagra? — Debocho dele.

Ele senta com dificuldade, me olhando cheio de humor.

– Oh claro. Preciso muito disso mesmo. — Ele fica em pé e me empurra pra parede, me prendendo entre ela e seu corpo. Empurra sua cintura contra a minha, deixando bem evidente que viagra é a ultima coisa que ele precisa.

– Você não está mais brava. — Ele anuncia.

– Por que estaria?

– Não te deixei ir comigo.

Bem, eu fiquei bem brava com isso. Mas, fui de qualquer maneira e agora as coisas estão bem ruins porque eu desobedeci. Então, tecnicamente, a minha merda anulou a dele. Certo?

– Não estou brava. Você está?

Os olhos dele são tão azuis quanto o mar. Eu poderia ficar o dia todo o olhando. Embora isso não fosse saudável. Eu poderia acabar confundindo as coisas.

– Estou bravo, pra dizer a verdade.

Ergo minhas mãos e passo em volta de seu pescoço.

– Não parece bravo.

– Isso... — Ele beija minha testa – é porque você está bem.

Ele volta a me olhar. Me sinto estranha. Constrangida.

– Tenho que ir... — Escapo de seus braços e vou em direção ao banheiro. Lancey virá em breve me buscar. Não posso ficar me pegando com Willian. Mesmo que eu queira. Seria completamente constrangedor se Lancey aparecesse no meio de algo. — Preciso tomar banho. — Aviso.

Os olhos de Willian brilham.

– Também preciso de um banho. E de ajuda. — Ele aponta para as faixas em seu peito.

De fato, é tentador. Começo a concordar, mas uma batida na porta nos atrapalha.

Tai Willian? — George bate de novo.

Oh velho chato!

– O que você quer? — Willian diz irritado sem me soltar.

– Preciso de você lá embaixo.

Willian bufa. Está irritado. Ele me dá outro beijo antes de me soltar.

Deixa a porta aberta, volto já. — Sussurra ao meu ouvido e morde o lóbulo da minha orelha, me deixando quente. Então ele sai do quarto.

Abro minha mala e pego outro biquíni. Um azul dessa vez. Nunca se sabe quando vai ter que nadar pela sua vida. Encontro um shorts jeans e uma regata branca, então entro no banheiro.

Tem opção. Banheira ou chuveiro. Chuveiro será rápido demais, caso Willian apareça. Então opto pela banheira. Ligo a água, a deixo bem quente. Volto para o quarto, atrás dos meus cremes. Encontro tudo que preciso e vou de vez para o banheiro. Tranco a porta, Lancey mandou trancar. Mas Willian prometeu vir... A deixo apenas encostada.

Tiro o roupão e me surpreendo com as cascas em minhas pernas. Nada realmente muito assustador. Mas há algumas espalhadas. Cutuco minha coxa, consigo tirar uma, mas não sem causar dor e um arranhão em minha pele. Deve ser algo daquela caverna maldita.Tiro a faixa que embrulha meu ombro e estudo no espelho o ferimento. Bem, não há ferimento. Marca nenhuma. Isso está ficando pior a cada instante.

Entro na banheira, a água quente causa um pouco de ardência em minha pele, mas logo vou me acostumando. Esfrego minhas pernas na esperança das coisas casquentas saírem. Na verdade, elas parecem escamas. Mas no momento não posso lidar com isso. Então são apenas cascas por agora e tudo que quero é me livrar delas.

Em minutos consigo tirar todas sem machucar muito minha perna. Não que isso seja um problema, com meu atual metabolismo super acelerado me curando, nem uma bala pode comigo.

Finalmente respiro aliviada ao alisar minhas pernas e não sentir mais nada. Pego um esponja que deixei próxima e a levo as minhas costas. A esponja prende, como se houvesse alguma coisa áspera... Solto a esponja e tateio com os dedos o que posso alcançar. As cascas estão lá. Por quase as costas toda. Desço para o lado do meu corpo, nas costelas, elas estão grossas, cobertas por essas coisas. Respiro fundo, tento manter a calma. Começo a puxá-las, uma a uma. Mas são tantas e estão mais duras que as da perna. Elas causam dor e deixam rastros de sangue pelo meu corpo, colorindo a água. Começo a ficar desesperada com essas coisas em mim e passo as unhas com violência para arrancá-las.

Não... – Continuo cavando em minha pele e a água vai ficando mais e mais vermelha, até que não posso mais enxergar nada além de sangue. — Meu deus...

Nooraa escuto.

Olho em volta. Não há nada. Essa voz... eu nem mesmo a conheço.

Noraa...

Me pergunto se é dentro da minha cabeça.

Não aguento mais isso. Não aguento mais sentir esse medo. Baixo a cabeça para ver meu reflexo na água escarlate.

– Noraaa...

Parece vir... de dentro... da banheira.

– Nora? Porra.

Me assusto pra cacete quando Lancey entra no banheiro. Mas me sinto tão aliviada. Saio da banheira sem me importar com o meu estado. Rodeio os braços em seu pescoço e me deixo afundar em seu peito duro.

Eu não quero chorar, não quero ser fraca de novo. Mas estou em pânico. Posso sentir o medo gelando meus ossos.

– Você está bem? — Ele me afasta e estuda meu corpo nu. Ergue meu pulsos e os estuda.

– Meu deus, Nora. O que aconteceu com você?

Ele volta a me abraçar. Me aperta com força em seus braços e finalmente começo a me sentir mais calma.

– Tem algo muito errado comigo, Lancey. — Eu digo a ele. Percebo tarde demais que estou em lágrimas. Mas não é como se ele nunca tivesse visto esse meu lado fraco e assustado. Então, dessa vez, eu não preciso me controlar. Não preciso esconder o que estou sentindo.

– A voz... eu continuou ouvindo... elas.– Eu conto a ele. — Elas me atormentam. E isso... — Eu me viro de lado, pouco ligando para minha nudez. Mostro a ele o tipo de escama na minha pele e passo a unha com força, arrancando algumas e machucando minha pele.

Lancey segura minha mão.

– Não faz isso, só tá se machucando. Foi a caverna. Alguma coisa naquela água preta, Nora.

Ele me solta e tira a camiseta. Vira de costas e mostra o mesmo tipo de casca que tenho.

– Saí com água quente. Descobri na cozinha, sem querer. — Ele aponta pra perna que tem um circulo vermelho. Onde algo bem quente parece ter caído e queimado — Fica calma.

Ele me puxa para os braços dele, mas me afasta em seguida, quando meus seios encostam em seu peito. Ele desce o olhar para meu corpo. Agora sim eu começo a ligar para minha nudez.

Procuro algo para me cobrir, mas ele é mais rápido. Pega o roupão que eu estava antes e me entrega. Ele se mantém olhando pra cima enquanto me cubro. Toco seu braço quando acabo e ele volta a me olhar.

– Coloca um biquíni, vou te ajudar a tirar essas coisas, ok?

Concordo com ele. Tudo que quero no momento é me livrar disso. Pego meu biquíni e vou para o quarto. Tranco a porta. Não quero que Willian me veja desse jeito. Isso é derrota demais.

Visto o biquíni e volto pro banheiro. Lancey ainda está sem camisa. Ele esvaziou a banheira e usa a camiseta para limpar o liquido vermelho do chão.

– Obrigada. — Agradeço a ele sorri.

– Quem diria que eu viveria para presenciar uma cena real de "a lagoa azul".

– Seu idiota. — Digo me lembrando da cena e lembrando, também, que o sangue da cena vinha de um lugar mais constrangedor.

Ele ri e aponta para o box, onde o chuveiro está ligado. Eu entro e ele vem atrás. Fecha a porta de vidro a nosso redor.

– Só fica parada. — Ele leva as mãos a minha cintura e me gira, me deixando de costas pra ele. Inclina minha cabeça para frente, para que água cubra mais minhas costas e então as pinicadas começam. Muito menos doloridas que antes. Mas, não deixa de incomodar e me dar uma sensação ruim de estar com o corpo formigando. Como se tivesse milhares de agulhas me penicando.

Nós ficamos por quase meia hora no chuveiro. Ninguém bateu a porta. Willian não voltou. Será que ele está bem?

– Onde está Willian? — Pergunto a meu amigo.

– Lá fora.

Me viro para ele assustada.

– Aconteceu alguma coisa?

– Nada tão grave quanto o que você está pensando. — Ele sorri. — Duas baleias encalhadas.

Bem, isso é algo grave no nosso dia a dia. Mas levando em consideração todas essas merdas, isso foi parar alguns degraus mais a baixo na pirâmide.

– Acho que acabei. — Lancey anuncia, me olhando. Sua pele está molhada, seu cabelo caí pesadamente em seu ombro.

– Obrigada Lancey. — Digo com sinceridade — Não sei o que faria se você não estivesse aqui.

– Você ficaria bem, Nora. — Ele me diz decidido. — Você é a mulher mais incrível e valente que conheço. Depois de todas as outras. Se sairia bem.

– Incrível como nada de bom saí da sua boca. — O repreendo.

Lancey tem um sorriso bonito. E olhos bonitos. Nem verdes, nem azuis, no entanto, claros. Cinzas eu diria. Um cinza claro fascinante. Acho que nunca o olhei realmente. Ele é bonito. Não de uma forma comum, como sempre pensei. Mas... único. O cabelo loiro contrasta com a pele morena pelo sol que tomávamos dia após dia nas aulas.

Ergo minha mão pra tocar seus cabelos molhados. Ele dá um passo pra trás. Rio com a reação dele. Será que ele pensa que vou devorá-lo? Não posso culpa-lo. Eu quase o matei ainda ontem.

Toco seu cabelo. Deixo meus dedos deslizarem pelos fios lisos.

– Isso é tão injusto. — Reclamo. — Por que seu cabelo é melhor que o meu?

Ele solta uma gargalhada e leva as mãos a minha cabeça, toca os fios molhados.

– Eles não ficam tão mal molhados.

Então seu sorriso vai sumindo aos poucos. E suas mãos mãos não estão mais estudando os fios de meus cabelos. Elas descem para meu rosto. Seu polegar contorna minha clavícula e vai para meus lábios. É quente. Muito quente.

Ele se aproxima aos poucos de mim. Isso não deve acontecer. Eu estou, tecnicamente, com Willian. E qualquer coisa além de amizade com Lancey, estragaria meu relacionamento com ambos. Não quero perder isso. Mas já é tarde demais. Seus lábios estão sobre os meus e por mais que eu saiba que é errado, não consigo me afastar. É quente.

Então eu sinto aquela eletricidade misteriosa passar por meu corpo.

Eu o empurro e ele se afasta como se tivesse levado um chute no saco.

Olho em volta procurando por um Willian zangado, mas ele não está aqui.

– Merda. Desculpa. — Ele leva as mãos a cabeça. Está agitado. — Droga Nora. Não queria fazer isso. Quer dizer, queria. Mas não queria. Eu respeito você, ok? — Ele está completamente perdido em suas palavras. Chega a ser bonitinho, não fosse a confusão que isso vai causar. — Somos amigos. Eu sinto muito, não vai se repetir.

Ele toma meu braço para enfatizar suas palavras sobre amizade, então eu sinto de novo. Vem dele. Aquela sensação tão familiar que Willian desperta em mim.

Sinto meu corpo aquecendo. Um formigamento no centro das minhas pernas.

– Você está bem? Não precisa ficar tão brava assim.

Lancey toca meu outro braço e a rajada que passa pelo meu corpo me deixa sem ar.

– Oh, caramba! — Ele tira as mãos de mim. Estou colada a parede. O Calor é insuportável. Eu desligo o chuveiro e me mantenho longe dele. — Você não está bem. Tá vermelha...

Ele volta a segurar meu braço e leva a outra mão a minha testa. As sensações explodem em mim. Sons altos inundam o cômodo. Eles vem de mim.

Céus! Estou gemendo. Mais que isso, estou basicamente tendo um orgasmo cada vez que ele me toca.

NÃO...– Tento dizer quando ele abre o box e tenta me puxar para fora. Mas as palavras morrem ali mesmo. A sensação é tão inebriante que minha voz falha a cada tentativa de dizer uma palavra.

Lancey tenta me tirar do box, mas eu me puxo para trás, para longe dele. Ele não entende que não estou doente. Quer dizer, ter orgasmos quando te tocam dever ser, de fato, uma doença. Nunca ouvi falar nisso.

– Fica... longe.

Ele finalmente parece entender e se afasta. Se deixando escorregar perto da banheira e encostando em sua borda. Eu me deixo cair sentada no chão do banheiro. Ofegando com a pulsação prazerosa dentro de mim.

Quando finalmente consigo me acalmar, fico em pé e deixo o chuveiro na água gelada. Somente isso é capaz de me dar alguma paz. Isso e talvez uma outra coisa masculina...

Quando saio do chuveiro, consigo uma toalha. Lancey continua sentado no mesmo lugar. Ele tem a cabeça baixa.

Estou envergonhada sobre tantas coisas que não sei como falar com ele. Mas sei que não quero perder sua amizade.

– Sinto muito... eu não sei o que...

Ele levanta a cabeça. O rosto está corado e os olhos brilham. Ele tem aquele sorriso zombeteiro nos lábios.

– Porra Nora, eu sabia que era bom. Só não imaginava que tanto. EU SOU FODA!

Depois ele começa a rir. Eu rio com ele.

Lancey é incrível, isso é inegável. Até mesmo num momento desses ele consegue manter o humor.

Notas finais
Ahahahahahahaha e ai fãs de Lancey? Aprovaram? Mãos mágicas? Será que alguém imagina o que aconteceu agora? Próximo capítulo com algumas pré soluções. Quem será que vai descobrir o mistério dessa ilha primeiro? XD