Canção da Sereia

24 Despertando - RS


Notas iniciais
Bem, depois de tantos mistérios, está na hora de começar a dar soluções né? XD Embora esse capítulo possa dar alguns nós no cérebro. Depois desse de agora, eu colocarei um extra, que é o prologo, resumido, do livro XD Algumas coisas vão começar a fazer sentido então XD Boa leitura!

Lancey

O que foi isso?

Bem, foi tão intenso quanto pegar fogo. Não aquela coisa dela ter um orgasmo com meu toque. Porra, isso é loucura!

Mas o beijo... ela me correspondeu. Isso sim foi intenso.

Alguma merda bem grande aconteceu com ela quando fomos a caverna. Disso eu tenho certeza. Nora já não é a mesma. Eu posso ver em seus olhos o medo que a ronda. É como depois de Andrew, quando ela tinha medo de sua própria sombra. Tudo que eu posso fazer é estar ao lado dela, como Daniel faria se estivesse aqui. Devo isso a ele.

Nora não me tocou mais depois que saímos o chuveiro. Esperei ela se trocar. Eu nunca pensei nela como um interesse amoroso, apesar de minhas brincadeiras. Ela sempre foi a filha do homem que me acolheu quando precisei. Terreno proibido. Por algum motivo, eu sempre a vi apenas assim. Mas agora... o que Daniel diria se nos visse juntos? Ele aprovaria? Não que eu esteja pensando sobre isso. É apenas... curiosidade.

Nora saí do banheiro. Está devidamente vestida. No entanto tem as pernas e braços nus.

– Talvez seja melhor você... colocar mais roupa? — Sugiro.

Ela me lança aquele olhar irritado de quem não gosta de receber ordens, até que se cala e cora. Provavelmente lembra do que aconteceu. Acena e mexe em sua mala.

Seus ferimentos estão curados. Mas vê-la com todo aquele sangue a sua volta foi realmente assustador. Eu precisei de todas as minhas forças para manter o controle. Não quero assustá-la mais do que já está.

Ela tira um casaco preto de tecido fino de suas coisas e o veste. Mexe mais um pouco na mala, jogando várias coisas no chão. Então ela tira uma saia branca comprida. Volta ao banheiro e segundos depois retorna com apenas o pescoço, rosto e mãos descobertos.

Ainda é dia lá fora, por volta as 15 horas da tarde. Talvez possamos nos juntar aos outros lá fora. Aquela coisa, ou coisas, não parecem atacar durante o dia.

Fico em pé e me aproximo da janela. Puxo a cortina e me deparo com algo assustador. Não uma baleia, mas varias estão encalhadas.

– Cacete!

Nora para de mexer em sua mala e se aproxima. Ela vê aquela cena com horror. Seus olhos enchem de lágrimas.

Nós descemos apressados. Não há ninguém na casa. Corremos para fora, para junto dos outros.

– Volta pra dentro agora, Nora! — Willian esbraveja assim que a vê.

Ela me olha. Está com raiva.

– Cadê a Megan? — Pergunto a ele.

– No quarto com Mason. — Ele se volta pra ela – Fica com eles. Por favor. — Seu tom é menos mandão dessa vez, talvez ele tenha percebido que falar grosso só terá o efeito contrário.

Mas ela não o obedece, ela me olha. Em busca de alguma coisa. Talvez ajuda? Eu apenas concordo e indico a casa.

– É mais seguro.

Ela nos olha irritada e faz o caminho de volta.

– O que eu faço? — Pergunto a Willian.

Ele espera até que Nora tenha entrado na casa, então me dá atenção.

– Precisamos mantê-las molhadas.

Eu concordo e vou para junto de Gideon que tem dois baldes em suas mãos.

Nora

Ele me enxotou como um animal. Eu poderia matá-lo. Acabar o que comecei.

Willian maldito!

Bato a porta com força atrás de mim. Caminho em direção as escadas. Um arrepio atravessa minha espinha. É como se houvesse alguém me observando. Paro e olho para trás, dou de cara com Megan.

– Tem mais coisas acontecendo. — Ela me diz.

Não parece fora de si. Está usando uma bermuda e uma camiseta, como estava mais cedo.

– Não entendo. — Lhe digo confusa.

– As baleias. Não só elas. Tem outros animais. Alguma coisa os está afetando. Tem animais terrestres feridos não longe daqui. Vamos!

Estranho.

– Cadê o Mason?

Olho para a escada e depois para ela de novo.

– Está na floresta. Ele ouviu os bichos e nós fomos atrás. Há vários deles. — Ela parece desesperada agora.

Em sua cintura tem um revolver e em sua mão o kit de primeiro socorros.

– Estou indo, Nora. Se não for vir, pelo menos me dê cobertura.

Ela dá de costas e saí porta a fora. E, bem, isso me convenceu. Eu só gostaria de ter minha arma também. Willian não a devolveu.

Eu vou para fora. Os outros estão ocupados molhando e tentando levar para água os animais encalhados. Eu vou para o lado que Megan foi. A sigo, ela está com pressa, quase me perco dela.

– Onde ele está? — Pergunto quando a alcanço.

– Ele estava indo pro meio da floresta, seguindo rastros. Espero que o alcancemos antes que escureça. — Ela anda pela mata rapidamente e desvia dos galhos precisamente antes de a alcançarem. Como se já conhecesse. Paro abruptamente. Me viro e começo a correr de volta. Seja o que for, essa não é Megan.

Percebo tarde demais que estou perdida e acabo encurralada contra um paredão. Me viro para voltar, mas dou de cara com Megan. Ela me olha curiosa.

Não vou machucá-la. — Ela me diz e pela primeira vez a voz dela soa diferente. Uma voz que eu ouvi a pouco tempo, lá na banheira. A voz que me chamava. — Preciso da sua ajuda.

– Você não é a Megan. — Olho para a arma em sua cintura, ela não faz menção de usá-la, mas ainda está com ela. É uma desvantagem para mim.

– Esse é seu corpo. Mas essa não é sua mente.

– A possuiu...?

As palavras me causam arrepio. Possuída, como eu. Será pela mesma coisa?

Eu quero ajudá-las. Mas precisa vir comigo. Hoje é um dia perigoso para estar tão vulnerável. — A voz é quase fantasmagórica. Me causa arrepio até na alma.

– Quem é você? — Tento soar firme.

Vem comigo. Não me movo — Não machuquei sua amiga e não pretendo machucar. Nem a você. Mas vocês precisam vir comigo. Agora!

As vozes em minha cabeça começam a gritar. Meus olhos estão lagrimejando com a intensidade que as vozes voltam.

Vem!

Não tenho certeza de onde veio esse “vem”, minha visão está embaçada. Tudo está confuso. Minha cabeça parece prestes a explodir. A dor parece espalhar para meu corpo. Estou correndo, mas não sei para onde. Só sei que sou puxada. Arrastada. Galhos cortam minha pele no processo. Pelo menos acho que são galhos. O ar parece fugir de meus pulmões.

Talvez este seja o fim. O que Andrew não conseguiu fazer, esta criatura vai concluir.

Notas finais
Link da imagem: http://2.bp.blogspot.com/-8eh7j40eQ1o/UVH81CMX7mI/AAAAAAAAaOc/qCoEt_qHbjQ/s1600/dark_forest.jpg Quero saber as teorias de vocês, antes de postar o extra (prólogo) XD