Canção da Sereia

19 A mulher prateada - RS


Notas iniciais
Em breve está entrando um personagem novo que tem algumas respostas. Até lá, vamos ver mais algumas coisas estranhas acontecendo...

Willian

É aquilo que dizem. Quando achamos que não pode piorar, piora pra cacete.

Caminhamos a manhã toda atrás de alguma coisa. Caminhamos entre aspas, Steve e George mal se aguentavam, tivemos que parar varias vezes para eles recuperarem o fôlego. E no fim Steve não conhecia a ilha como a palma de sua mão coisa nenhuma. Nos perdemos.

Quando finalmente conseguimos chegar a casa do tal Mellow, ele não está. Ficamos horas o esperando e nada. Tempo completamente perdido. Então a merda da porta começa a fazer barulho.

– Por que o dono da casa bateria? — George indaga.

Eu destravo o gatilho da arma e aponto em direção da entrada. George fica atrás da porta e abre com tudo.

Fico cara a cara com Nora me apontando uma arma.

– Atira, não é a nossa garota. — Steve tenta pegar a arma da minha mão.

– Claro que sou eu, idiota. — Ela baixa a arma.

– É mentira, Willian. Atira. — Ele tenta mais uma vez tomar a arma da minha mão – A perna dela está boa. Atira logo.

Lancey entra na frente da garota, mas não é necessário tanto. Relaxo. Travo a arma antes de abaixar. Steve tenta vir uma terceira vez a tomar de mim.

– Vou atirar em você se não parar. — Ele se afasta. — É ela. Acordou assim essa manhã.

– Curada? — Ele não parece acreditar.

– É. Agora – Volto a olhar para a dupla, ou trio se contar o gato. — Não mandei vocês ficarem?

– E eu não disse que não ficaria? — Nora empurra Lancey e vem ficar a cara comigo.

Uma moleca. Isso sim que ela é.

– Que história é essa de que acordou assim? — George questiona.

Olho do lado de fora. Procurando mais pessoas. Nada.

Pego Nora pelo braço e a puxo para dentro da casa.

–Ei! — Lancey é quem reclama. Ele vem junto no puxão.

Noto que estão amarrados um ao outro.

– O que é isso? — Aponto pra corda improvisada e depois fecho a porta.

– Imagina se me distraio e acabo levando pra casa a criatura... — O garoto me responde debochado. A vontade que tenho é de arrebentar a cara dele.

– Você é doente? — Dou de dedo na cara dele. — Essa coisa a quer e você invés de ficar e cuidar dela a deixa livre e desprotegida. Por que não a joga no mar de uma vez.

Ele me olha com cara feia, mas sorri ao olhar para Nora que está vermelha e olha para o teto.

– Vocês estavam na água? — A bermuda de Lancey esta molhada na área da cintura, assim como a camiseta que Nora usa parecia úmida.

Me afasto deles. Estou nervoso demais.

George está sentado nos estudando e Steve continua olhando para a perna curada de Nora.

O gato nos braços de Lancey começa a miar. Bicho feio e assustador.

– Eu quero socar você, até seu nariz afundar na sua cara. — Digo furioso a Lancey. Seu rosto continua sereno. Isso só me irrita mais. — E você – Aponto pra Nora – Sua moleca – Ela abre as boca em surpresa pelas minhas palavras, mas não demonstra medo ou qualquer coisa que não seja desprezo – Fica brincando com sua vida. Quando aquele bicho te pegar, eu que terei de correr feito idiota pra te salvar.

– Uou! — Lancey finalmente parece bravo, mas ele não me responde. Mal dá tempo de alguém dizer algo quando a mão de Nora acerta minha bochecha.

Nunca bati numa mulher, mas eu tenho uma vontade de revidar que mal para dentro de mim.

– Obrigada por salvar minha vida. Duas vezes. Mas eu estou cancelando seus serviços de super-herói. Não preciso de um imbecil metido a sabichão pra cuidar de mim. — Ela está brava. O que eu disse não foi algo tão grande assim para que ela agisse dessa forma. Seus olhos até brilharam. Tipo. Brilharam mesmo. — Eu tenho duas pernas, duas mãos e uma arma. Não preciso de você, seu merda dos infernos.

Seguro seu rosto entre minhas mãos. Lancey vem prontamente me empurrar, mas George se coloca entre nós.

– Eu também vi isso. — O velho diz. — Os olhos dela mudaram de cor. — Tem certeza que não é a criatura?

– O quê? — Nora olha pra Lancey.

– Ta normal. — Ele diz me empurrando o gato e tocando seu rosto. — O mesmo verde merda de bebê de sempre.

Nora lhe estapeia o braço.

– Porra! — Ele dá um passo pra trás e aponta pra cara dela. — Eu vi, Brilhou. Cacete Nora, Daniel vai me esfolar vivo.

Daniel Ryle? O reitor? Ele tinha parentesco com a família de Nora?

– Oh, meu deus. Que cor?

Eles pareciam uma dupla de idiotas. Era como se só tivessem os dois na sala.

– Verdes! — Ele começa a rir.

– Já chega. Vocês são idiotas ou o quê? — é George quem diz meus pensamentos em voz alta. — Viu alguma coisa Lancey?

Ele diz que não, mas o olhar que lança a garota ao dizer me deixa em duvida.

– Pode ser reflexo da luz vinda de fora. — Aponto para a janela para me deparar com uma cabeça nos olhando.

O susto maior não vem por sermos espiados, mas pelo tiro que Nora dá na janela depois que ela mesma vê a pessoa. Sardinha escapa dos meus braços e corre pra fora.

– Ai cacete. — Alguém grita.

Lancey e ela já estão fora da casa antes que eu possa sequer pensar no que fazer.

O tal Mellow está no chão, se contorcendo.

Steve e George correm até ele. Eu tiro a arma de Nora antes de me juntar a eles. Ela não parece culpada. Estuda a cena com toda calma do mundo.

– Acertou no ombro. Vamos levá-lo para Mason. — George me fala.

Eu concordo. Não há outra opção.

– A culpa foi dele. — Nora diz.

– Ah claro. Nós invadimos a casa dele e depois lhe damos um tiro e a culpa, certamente, é dele. — Eu digo a ela.

– Elas estão vindo – Mellow diz do chão, em seguida começa a rir.

Já está escurecendo.

– Vamos logo.

O miado irritante começa de novo. O gato vem correndo de trás da casa e salta no colo de Nora.

– Vamos embora logo. — Eu repito.

George e Steve ajudam Mellow a ficar em pé e eu passo seu braço por cima do meu ombro, o apoiando. Do outro lado Steve segura na cintura dele e tenta manter seu braço ferido parado.

O homem grita de dor, as vezes começa a rir.

A menina bonita vai morrer logo logo. – Ele diz quase sempre que olha para Nora.

Lancey e ela continuam amarrados, é ridículo de ver. E irritante. O gato chato continua com os miados.

Estou vendo a casa ao longe quando os miados se intensificam e Nora para.

– Continua garota. – Eu digo.

Ela continua parada.

– Nora? — George a chama. Nada.

Que doce música... — Ela diz finalmente. — Você tem que devolver, Lancey. Nós queremos de volta.

– Puta que pariu. — Dessa vez é Lancey que fica alterado. Muito alterado. Ele pega o gato da mão da garota e enfia nos braços de George. — Andem logo, estamos bem atrás de vocês. — Ele nos diz segurando a garota pelos ombros.

Nora olha para o amigo. Os olhos estão vazios agora. É como se fosse uma garrafa vazia. Como se ela não habitasse mais o seu corpo. Como se outra coisa o fizesse...

– Pega ele George. — Eu digo a meu velho amigo que solta o gato e vem apoiar Mellow em meu lugar. — Continuem.

O meu amigo me olha zangado, mas continua.

Me aproximo da dupla. Lancey segura a garota e fala com ela aos sussurros.

Volta Nora...

– O que está havendo aqui? — Eu me aproximo e seguro Nora pelo braço.

Ela vira a cabeça para minha direção. Parece um animal selvagem.

– Tem alguma coisa vindo. — Lancey anuncia.

Olho para o mar. Lá está, se aproximando. Alta, esquia e nua. Os cabelos esvoaçantes pelo vento. Mas não é o lado que Lancey está olhando. Viro minha cabeça. Não há nada lá. Ou talvez...

O golpe forte acerta meu estomago e sinto minhas pernas erguerem, assim como meu corpo. O choque contra a árvore tira o meu ar. Minha visão está embaçada. Por um minuto eu só consigo pensar que estou morto. Então lentamente as coisas vão voltando ao foco e os sons voltam a fazer sentido.

Lancey está caído no chão a uns dez metros de mim. Nora está sobre ele. Com a mochila em sua mão. Tem algo mais. Um tipo de vulto, que não revela sua face sob as árvores próximas. E a mulher. Eu a vi antes. No primeiro dia. Tenho certeza que era ela quem andava pela praia. Não foi uma miragem. Nada daquilo foi uma miragem.

Lembro da arma. Mas não está comigo. Tento me erguer, mas meu corpo todo dói.

Lancey finalmente se mexe em baixo da garota.

– Nora! — Ele começa a gritar seu nome e a garota deixa a mochila de lado. Leva as mãos a seu pescoço.

Essa não é Nora. Não é a garota que estava comigo ontem. Talvez Noralys Ryle não exista mais.

A mulher nua não se move. Apenas fica assistindo a garota acabar com a vida do amigo. Ela tem marcas pelo corpo. Como as tatuagens de Nora. Mas parecem reais. Eu me arrasto em direção a elas e cada vez posso ver mais claramente. São algas. Algas de verdade que rodeiam seu corpo. Os cabelos são prateados. Eles brilham com a luz da lua, é como se ela penetrasse me cada fio.

A mulher me olha. Os olhos são prateados também. Como se seu corpo estivesse repleto de luz e isso vazasse pelos seus olhos e cabelo. Estou perto.

Olho para Lancey. Ele não consegue se livrar de Nora. Suas mãos se apertam nos pulsos da garota tentando fazê-la soltar. Suas pernas se debatem. Mas não por muito tempo, vejo seus braços caírem ao seu lado, seu corpo para de lutar. Ela o matou.

Notas finais
Escritora do mal, matou um dos mocinhos! Link da imagem: http://img843.imageshack.us/img843/6401/54yr.png Bj bjs =)