Canção da Sereia

20 Possessão - RS


Notas iniciais
OneShotGirl, obrigada pela recomendação sua linda =] E continuando, vamos enterrar o Lancey, né galera t.t Boa leitura!

Nora

– Willian! - Ele não me ouve. Ninguém ouve. — Me ajuda. — Eu imploro. Mas ninguém me ajuda.

Em minhas mãos o pescoço da única pessoa que eu pude chamar de amigo na vida. E eu o aperto. Roubo sua vida. Meu corpo não me obedece. Minha mente não me obedece. Como antes, como na caverna. Essa voz fica falando em minha cabeça. Dando ordens. Desejando coisas inalcançáveis. Estou com medo.

Os olhos de Lancey estão se fechando. Eu o estou matando e não posso parar. Não consigo. Ela grita para mim de todos os lados. A voz... não. As vozes. Vozes de mil tormentas ecoando pela minha cabeça e gritando tantas coisas ao mesmo tempo. Não consigo desligar.

As mãos de Lancey caem ao lado de seu corpo.

– Não...

Então vem o barulho. Barulhos familiares.

Andrew atirou em um homem uma vez. Ele me obrigou a dizer a policia que foi auto defesa. Mas não foi.

O cara se aproximou de minha mesa e me chamou para dançar. Eu neguei, pois conhecia bem meu companheiro. Andrew voltou bem a tempo de ver a cena. Ele me questionou a noite toda sobre o que aquele cara queria comigo. No fim, nós fomos para o carro e ele ficou esperando o cara sair. E ele saiu. Andrew o assistiu acender seu cigarro. Então saiu do carro. Se aproximou do homem e lhe deu um soco. Esperou que o cara revidasse, assim ele poderia alegar o que ele queria. Então ele tirou a arma da jaqueta e atirou no cara. Duas vezes. Assim começou todo o pesadelo. Todas as surras, todas as coisas ruins. E aquele barulho nunca saiu da minha cabeça. Os disparos. Era como naquela vez.

Dois disparos. Mas dessa vez eu não fiquei presa a ele. Mentindo e escondendo. Eu fui libertada por ele.

Willian

Dois tiros. Um na mulher nua, que atravessou sua cabeça, e não fez nada a ela.Então ela some no ar, como mágica. O segundo foi o pior. Ele acertou Nora.

Ela caiu ao lado de Lancey.

Gideon vinha a nosso encontro. Ele a mataria, se já não tivesse feito.

– Não atira. — Começo a dizer. Me forço a ficar em pé me segurando em uma árvore. É difícil. Todo meu corpo chia em dor. Mas, eu consegui. Entrei na frente do meu amigo que se preparava para dar outro tiro em Nora. Acabar de vez.

– É a Nora... não atira.

Ele me olha confuso. A culpa está estampada em sua cara.

– Ela fugiu... — Ele diz me apoiando antes que eu caia. — Sinto muito. Não fiz nada do que você mandou fazer. Eles escaparam bem debaixo do meu nariz.

– Não atira. — Eu insisto.

– Não vou.

Ele começa a me puxar em direção a casa.

– Não Gideon... ela. Leva ela primeiro. — Eu peço me lembrando do vulto que sondava entre as árvores.

Ele parece incerto sobre meu pedido.

– Tem certeza que é ela?

– Absoluta. — Ele me deixa ao lado de uma árvore e me entrega a arma.

– Ele está morto...? — Ele pergunta ao ver Lancey. Mas eu não sei o que responder.

Gideon arrebenta a corda improvisada que prende o garoto a Nora e a pega no colo, levando para dentro.

Olho em volta. Não parece haver nada por perto agora. Até os insetos começaram a fazer seus barulhos naturais.

O barulho de galhos sendo quebrados próximo de mim me assusta. Eu aponto a arma para um par de olhos laranjados que vão rapidamente para cima do garoto caído. Sardinha começa a miar, as vezes lambe o rosto de Lancey. Então vejo o improvável, a barriga do garoto sobe e depois desce. Então de novo. Ele está vivo. Me arrasto até ele. O gato saí de perto do rosto do rapaz e vai pra perto de seus pés, sentando e me encarando.

Checo os sinais de Lancey. Ele está realmente vivo, apenas inconsciente. Respiro aliviado em saber que não houve baixas. Exceto por Nora, que não faço a menor ideia de onde foi atingida.

Esse foi, definitivamente, o pior de nossos dias aqui.

Gideon volta, ele está com Kall e Mason.

– Ele tá vivo. — Eu digo no momento que Manson cai ao lado de Lancey.

– Que droga aconteceu com vocês? — Kall parece realmente abismado em nos ver.

Gideon me ajuda a ficar em pé enquanto Kall e Mason pegam Lancey.

O gato mia de novo, me chamando atenção. Ele está ao lado da mochila que Nora mexia.

– Pega a mochila. — Eu digo a Gideon que estica as mãos e pega.

Recomeçamos nossa marcha até a casa. O gato passa correndo por nós e entra na casa. Steve nos espera na porta. Mason e Kall deixam Lancey sobre o colchão que está atrás do sofá. Nora está deitada no sofá. Megan está a seu lado, pressionando um pano em seu ombro. Eu me deixo cair no sofá oposto ao delas. Pelo menos o tiro não foi mais grave.

Tudo que aconteceu hoje foi demais. Eu preciso descobrir alguma coisa e bem rápido.

– Cadê Mellow? — Eu pergunto.

– Está lá em cima. — Mason responde. — Ele estava muito inquieto com a presença de Megan aqui e então mandei George lá pra cima com ele.

– Ele vai ficar bem? — Eu pergunto a ele. Que está atrás do sofá atendendo Lancey.

– Sim. Me sinto em um hospital em noite de sexta feira. Não sei qual de vocês atendo primeiro.

Ele vai para o sofá ver Nora. Megan se afasta e senta ao meu lado. Ela tem os olhos vermelhos e inchados.

– Estamos bem... — Ela concorda e me abraça, mas a dor que sinto se faz audível em minha voz e ela se afasta.

– Hum... A perna dela... — Mason percebe a perna curada.

– É... acordou assim.

– Willian... isso é impossível. — Ele me fita confuso. — Nem mesmo uma lagartixa se recupera tão rápido. O que essa garota é?

Essa é minha dúvida também.

– Era normal até chegar aqui... eu acho. — Digo em dúvida. O que poderia ter acontecido para a tornar diferente. — Teve o ataque na ponte. Talvez o que a mordeu não fosse um tubarão.

– Teve aquela ferida de ontem. A no joelho. — Era Megan quem falava agora – Aquela criatura a atacou. Pode ter passado algo. Como os animais. Alguns são venenosos, outros tem raiva. Uma infinidade de coisas. Podemos estar lidando com algo assim.

– Nós temos o material de laboratório. — Mason anuncia – Vamos montá-lo. Eu preciso olhar o sangue dela. Alguma coisa está muito errado com o corpo dela.

– Ela está curando rápido. Isso não parece ser tão ruim assim.

– Eu estava falando disso aqui.

Ele aponta para pele da perna de Nora. Há algumas bolinhas. Não, não parece bolinhas. Mason tira uma daquelas coisas e me entrega.

– Uma escama? De onde isso surgiu? — Indago ao estudar a pequena casca em minha mão.

Ele dá de ombros.

– Não sei. Pode apenas ter se fixado em seu corpo quando ela entrou em algum lugar... quem sabe. Teorias e mais teorias. Preciso ter certeza antes de dizer qualquer coisa.

– Tinha uma mulher. — Eu mudo de assunto. — Gideon atirou em sua cabeça e a bala atravessou. Então... ela sumiu. Como um fantasma. A bala não teve efeito nenhum além de assustá-la. E tinha um vulto escondido nas árvores.

Megan se encolhe no sofá. Kall vem para junto dela e a abraça. Gideon está perto da parede de vidro, olhando para fora. Vigiando. Mas sei que ele presta atenção no que eu digo.

– Acho que... ela foi possuída.

– Meu deus... — Megan começa a chorar.

– Nora estava completamente fora de si. Então ela me lançou metros a cima, como Mellow contou sobre sua esposa e filhas. Eu acho... que tem alguma coisa possuindo as mulheres nessa ilha e as matando. Os relatos dizem que elas vão para o mar. São possuídas e cometem suicídio... — Meu cérebro tenta trabalhar. Juntar peças. Mas as dores no meu corpo deixam isso difícil.

– Veja – Mason diz enquanto trata o ombro de Nora. — Ela está muito melhor do que deveria. Eu vou... — Ele fica em pé, está estupefato – Megan, tire uma amostra do sangue dela.

Minha amiga concorda e saí da sala com Kall a seu lado.

– Deixe-me ver você agora. — Mason se aproxima de mim. Tenho certeza que isso vai doer o inferno.

Notas finais
E aí, depois de quase morrer, Lancey ta precisando de um carinhosinho, né galera? Agora a pergunta que não quer calar na minha mente... esse hentai que virá, ele deve ser com Lancey ou com Willian? XD Hihihihhihihi ♥