Camp Semitrouxa

11 Em Nome dos Deuses Pt.1


Assim que uma mistura de calor e frio atingiu a pele dos jovens semideuses, os olhos de todos se abriram com rapidez.

Foi de súbito, a surpresa atingiu-os como um tapa na cara. As nuvens acima refletiam a manhã que acabara de nascer, o farfalhar das folhas simbolizava a brisa que corria por entre eles.

– O que está acontecendo aqui? — questionou Clara ainda com os olhos entreabertos pela claridade.

– Estou tão desnorteada quanto você. — respondeu Lissa.

A grama com cerca de dez centímetros de altura cintilava por conta do orvalho e molhava os tênis all-star dos campistas, isso incomodava muitos, mas Molly gostava da sensação.

– Também não faço ideia, mas o lugar é bonito. — disse ela com a pele brilhando como bronze por conta da luz solar.

– Sim. — concordou Bea — Mas não é o acampamento.

– Não precisa ser gênio pra descobrir isso. — debochou Andrey.

Gabe pôs a mão em frente a boca pra rir em silêncio.

– Também não precisa ser gênio pra descobrir que você já quer causar logo de manhã cedo, faz favor né. — reclamou Isa.

– Tá bom, chega. — Vic pôs-se entre os dois — Agora não é hora de se discutir isso.

– A garota aí tem razão, — pronunciou Alex — nada de brigas. Vocês não perceberam que estamos largados em um lugar qualquer?

– Acho que isso já ficou bem claro pra todo mundo. — retrucou Jack.

Algumas risadinhas rolaram, afinal, ninguém era de ferro. A cara de Ale não foi muito boa.

– Alguém lembra de algo estanho ontem à noite? — perguntou Eduardo.

– Não. — responderam alguns em uníssono.

– Eu lembro que Amanda estava com dor de barriga. — comentou Luana.

A filha de Apolo lançou uma expressão não muito boa para a filha de Dionísio, mas a mesma não se importou, ela gostava de enlouquecer os outros.

– A noite foi a mesma. — continuou o filho de Hipnos — O sono foi o mesmo, nenhuma alteração mental, pelo menos eu não consigo sentir.

– Sim, mas algo aconteceu. — disse Gio — Quando se trata de meio-sangues coisas sem explicação vivem acontecendo.

– Nós deveríamos fazer o reconhecimento da área primeiro. — sugeriu Nai — Não me recordo desse lugar.

– O que nós temos que lembrar é que estamos fora do acampamentos, — alertou Livz — ou seja...

– ...Estamos sujeitos a monstros. — completou Iamana.

– Ai deuses, — choramingou Letícia — sempre tem que acontecer algo pra ferrar com tudo.

– Mas somos muitos — falou Mands — somos fortes juntos.

– E justamente por sermos muitos atraimos mais. — lembrou Danny.

– Mas não podemos ficar parados. — alertou a filha de Hades — Tem florestas logo alí, — apontou — Você consegue sentir algo, Molly?

Ela negou com a cabeça.

– O solo é muito bom... Virgem. Ninguém tocou aqui, tudo nasceu e floresceu naturalmente.

Os campistas se entreolharam.

– Se houvesse água em abundância em algum lugar talvez eu pudesse ter nossa localização exata. — disse o filho de Poseidon.

– Eu imagino que tenha, — sua meia-irmã olhou ao redor — talvez não tão perto, mas tem.

– Claro. — Bea revirou os olhos como se fosse óbvio — Vejam o orvalho, as árvores estão verdejantes. Molly disse que o solo é ótimo não é? Está cheio de nutrientes e água, eu tenho certeza de que há uma fonte ou uma concentração do elemento.

– Eu posso sobrevoar os arredores. — ofereceu o filho do deus do sono — Uma águia talvez, elas tem visão aguçada.

– Hum... — balbuciou Batgirl — Eu não faria isso se fosse você.

– Por quê?

O céu rugiu numa horda de trovões e as nuvens se tornaram negras. Várias se amontoaram num único ponto e se abriram como uma ferida, formando uma fenda. O ar rodopiou ferozmente ao ponto de que todos tinham que se segurar uns aos outros para não serem levados.

– Eu vou te falar o porquê. — respondeu a imensidão azul.

O chão tremeu. Várias rachaduras surgiram do solo e explodiram dando lugar à pequenas crateras. Acima de cada uma delas surgiu um trono flutuante de bronze celestial, sendo dois deles maiores e um negro como a noite.

Da fenda aberta no céu despencaram treze figuras humanas em queda livre. Elas tremulavam e reluziam como ouro, caindo numa velocidade absurdamente alta.

– AFASTEM-SE! — gritou Vic enquanto corria e empurrava os outros, que pareciam estagnados em inércia.

Em dois segundos os corpos atingiram os tronos com força e causaram uma explosão sônica juntamente com mais abalos sísmicos. Todos os campistas desabaram com a nuvem de poeira já envolvendo o ar.

– Porque se você fizesse isso estaria me contrariando, jovem semideus. — falou uma voz máscula em meio aos zumbidos que todos estavam ouvindo pela queda estrondosa — E eu não estou apostando em você.

Quando a poeira baixou, pôde-se ver pelo menos trinta homens e mulheres trajados de diversas formas, todos sentados em seus tronos, e nos maiores assentos, um casal com o olhar desafiador e avaliativo.

– Zeus e Hera. — Livz conseguiu falar.

– E vários outros deuses. — Alex engoliu em seco — O que fazem aqui?

– O que fazemos aqui? — repetiu Lady Hera — Viemos assistir vocês.

– Assistir? — perguntou Clara — Então foram vocês que nos colocaram aqui?

– Sim. — respondeu uma mulher vestindo roupas de guerra com uma coruja repousando em seu ombro — Vamos testá-los.

– Serão nosso entretenimento. — sorriu Ares com fogo brilhando nos olhos.

– O quê?! — Isa exclamou — Onde estamos?!

– Numa terra pura criada pelos deuses. — disse Deméter com sua doce voz.

– Ou melhor falando, — completou a deusa da vingança — um campo de batalha.

– Acima da terra e abaixo do céu. — avisou Íris.

– Aqui vocês irão lutar para sobreviver, — falou Poseidon — e enfrentar o que houver pra enfrentar. Caso contrário...

– Você morre. — concluiu Hades.

Ninguém disse nada. Era tudo teatral demais, onde estavam as câmeras?

– Vocês só podem estar brincando. — Iamana suou frio.

– Não há ninguém fazendo piada aqui. — Dionísio se mostrou autoritário.

– Os únicos que vão se divertir com isso somos nós. — declarou o deus da guerra.

– Lutem ou fracassem. — retumbou Zeus — Vivam ou morram. No final será cada um por sí.

– Que a sorte esteja com vocês. — desejou Tique.

– Afinal, — finalizou Nice — vencer não é uma escolha, é uma necessidade.

Todos tremeluziram e se teleportaram para vários pontos diferentes. O jogo havia começado.

Quem irá levar Game Over?