Jack e Luana chegaram na porta do chale 12, ela olhava fixamente nele e disse:

–Bom, aqui está meu chalé.

O chalé estava vazio no momento.

O chalé 12 parecia ser bem simples, havia videiras espalhadas pela parede, a frente era pintada de três camadas de roxo, e na porta, havia a cabeça de um leopardo.

–Jack — alertou Luana — não se aproxime, até eu falar que pode se aproximar — ela examinou o local — Sr.Decepado, não atire veneno neste garoto, ele é meu convidado.

Ela olhou para Jack e acentiu, dizendo que já era seguro entrar. Apesar de parecer pequeno, o chalé era bem espaçoso. Na sala, havia vários sofás em posições simétricas, havia também, uma tevê de sessenta e duas polegadas, assim como vários videogames de última geração.

Na sala, havia uma escadaria que levava aos quartos.

–Bom, nosso chalé tem divisão de quartos por sexo, eu não deveria deixar você ir no meu quarto, mas eu faço o que eu quiser nessa droga de chalé.

Assim, eles subiram as escadas, e atravessaram o corredor, nele, exalava o aroma de uvas frescas, o que podia embebedar qualquer um apenas com cheiro. As portas eram feitas de videiras, e havia o nome de cada um, na porta de seu quarto.

–Aqui está, quarto de Luana Sector, entre.

Ela abriu a porta, e Jack se impressionou.

Ele tinha a parede tingida com um roxo escuro, e espalhados pela parede, havia vários posters de Harry Potter, a marca das Relíquias da Morte também era cravada na parede onde ficava a cama de Luana, e na borda da cama havia várias videiras, assim como havia elas desenhadas na colcha de cama.

Prateleiras com diversos livros cercavam o quarto, e aquilo deixou Jack tonto. O cheiro de uva era mais forte no quarto dela, parecendo ser o ar natural daquele cômodo.

–Gostou? — Perguntou Luana.

–Sim, Batgirl, só acho que... Poderia ser um pouco mais... Frio.

–Filhos de Quione — ela revirou os olhos — Vamos pra cozinha, quero comer alguma coisa.

Havia um baú no quarto, Jack ficou curioso.

–O que é...

–NÃO! — Luana olhou na direção dele e fez as videiras da parede se enroscarem no braço dele — vamos pra cozinha! Agora!

–An... Tá.

Ele se desprendeu e a seguiu.

Luana saiu saltitando até lá. A cozinha, assim como a sala, era simétrica, Luana olhou para o microondas e disse:

–FAROFA!

Ela em seguida abriu a porta do microondas, e dentro dele havia um pote de farofa.

–Huum — disse ela saboreando — farofa, amo — falou enquanto cuspia várias migalhas no chão.

–Credo, não fale enquanto come farofa.

–Eu faço o que eu quiser, bom, agora que você já conheceu o lugar, vamos ao chalé 5. Acho que você tem "algumas" coisas pra limpar.

–Ótimo — ele bateu com força na parede, e fez um pote de vidro cair no chão.

–MEU POTE DE COOKIES, QUE HORROR, COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSA, SEU ET ESTRESSADO!!

As mãos de Luana, então, se transformaram em grandes garras.

–NÃO MEXA COM MEUS COOKIES, SEU REVOLTADO, SE TÁ COM TANTA RAIVA DO SEU CASTIGUINHO, PARA DE CHORAR E SE MATA CARA, MAS NÃO MEXE COM MEUS COOKIES!

Jack encostou na parede, com um pouco de medo, mas pareceu uma péssima ideia, porque ela tremulou, como se estivesse viva, e só então, ele se lembrou que aquele lugar era rodeado de videiras, uma das principais fontes de poder dos filhos de Dionísio.

–Huum... — Jack engoliu em seco — que tal irmos para o chalé 5?

Luana tirou a cara de raiva e saiu pulando até a porta:

–Vamos.

Eles andaram até o chalé 5, Luana cumprimentava alguns campitas, hora ou outra, gritava do nada, mas Jack se conteve à perguntas.

Eles chegaram no chalé 5, e bateram na porta com um javali pendurado.

Cheiro de suor e chulé vinha daquele lugar, então alguém abriu a porta.

–Ah, olá, você é Jack, não é? O problemático? Eu não costumo fazer essa cerimônia toda, mas prazer, eu me chamo Gaby.

–------X-------

Lissa se preocupava demais.

Ela de fato, assim como outros, queria ganhar na inauguração de Resgate e Desarme, mas isso era meio difícil quando se tinha como dupla, um garoto que passava o caminho bocejando e coçando os olhos. Ela tinha uma chave, mas isso não melhorava a situação.

–Vamos logo Clécio! Você anda muito devagar!

–Olha aqui! Eu não ando devagar, é você que tem um motor no pé, se não está satisfeita, ótimo! Trabalho melhor sozinho.

–Ai que idiota.

–Idiota é um elogio, até parece que você me estressa falando essas coisas.

"Como eu aguento esse garoto?", pensou Lissa.

–Também não sei como eu me aguento — ele disse, parecendo ler a mente de Lissa — talvez, porque eu seja super lindo, amo me ver todo dia, me olho no espelho e penso: Zeus me fez pra causar.

–Além de ser lesado, é orgulhoso.

–Pelo menos tenho mais coisa pelo que me orgulhar do que você. E a lesada aqui é você, eu não sou filho do deus dos mares.

–Nem todo filho de Poseidon é lerdo, nem todo lerdo é filho de Poseidon, para que tá feio.

–A única coisa que eu vejo feia aqui, é essa tua cara de Fúria.

–Fúria aqui é tua avó, aliás, quando for se referir à elas, fale Benevolentes, você sabe que os nomes tem poder aqui.

–Fúria é tua vó? Que piada clichê, você passou um tempo no Cassino Lótus ou o quê?

–Clichê é minha mão na sua cara.

–Tua mão na minha cara? Adoro.

Lissa colocou a mão no próprio rosto, ela pensou, onde estava com cabeça na hora de aceitar esse garoto na dupla dela.

Eles estavam próximos aos estábulos, quando, de repente, Lissa escutou um barulho ao redor.

–Para!

Clécio continuou andando.

–Para!

–Parar? Por quê?

Ele continuou andando. Andou até entrar no estábulo, até que algo acertou o braço de Lissa: uma flecha.

–Aaaai — ela deu um grito quase mudo.

Leticia apareceu, dando mais um sorriso vitorioso, parte dos cabelos na frente do rosto, com o arco na mão.

–Desgraçada.

–Talvez... Ah! E só pra avisar... Assim, nada demais... A flecha vai te deixar paralisada por um tempo — ela falou calmamente enquanto observava suas unhas — nem tente desembainhar sua espada, se mexer, enquanto está com esse veneno no corpo, é a pior opção possível. Sugiro que me entregue a chave, e peça pro seu parceiro te levar à enfermaria.

–Eu posso não ter força muscular, mas eu ainda tenho cérebro.

"Vamos, eu sei que vocês estão aí perto, me ajudem, atropelem essa imbecil"

"Sim chefe!", ela teve como resposta.

–Bom, já que você não pode se esforçar, pego as chaves eu mesma.

Porém, um barulho veio do estábulo, e antes que Leeh pudesse fazer qualquer coisa, um pégaso partiu em sua direção.

–MAS O QUÊ? — Leticia gritou.

Lissa riu.

O pégaso atropelou Leeh, e a jogou metros à distância.

–Eu venci nessa, filha de Apolo. Clécio! Venha desarmar ela, e pegue as chaves, rápido! — ela gritou sem nem mesmo olhar pra trás.

–Acho que não.

Rapidamente, Clara a desarmou e tomou sua chave, não deu nem mesmo, tempo de Lissa ordenar o pégaso para atropelá-lá também.

–Fim de jogo. Render seu namorado no estábulo foi fácil, da próxima, escolhe um filho de Hipnos mais inteligente.

Um sátiro escondido dentro do estábulo disse:

–Quiron, a dupla 5: Clécio e Lissa, foi eliminada.

–-------X---------

Gio não aguentava mais esperar.

Parecia que estava lá parada a éons, esperando Moly achar a chave, se é que tinha alguma chave lá. Estava com sua espada azulada na mão, a procura de qualquer distração, mas sabia que não podia distrair.

Nesse dia, poucos visitaram os Campos de Morango, já que o acampamento inteiro, se preparara para a abertura de Resgate e Desarme, mas se percebia que os morangos estavam bem cuidados.

"Claro que temos uma vantagem", pensou Gio, "Molly conhece esse lugar como ninguém".

Apesar disso, Gio se preocupava com o atrasado.

–ACHEI — gritou Molly.

–Finalmente!! — suspirou Gio — já estava quase criando raízes aqui de tanto esperar.

–Até que não seria má ideia ter você sob meu controle.

–Eu hein. Vamos sair daqui, acho que estou virando um morango.

–Vamos.

Elas deram poucos passos, até ouvirem uma voz masculina dizer:

–Acabamos de chegar, você não pode recusar a visita, isso é uma desfeita enorme.

–Essa voz... Gabe?

–ACERTOU! — ele se revelou — só não te abraço agora porque correr atrás de pessoas me dá sono.

–Tudo te deixa com sono Gabe — Mica (Camilla) surgiu atrás dele, assim, do nada.

Isso era uma coisa que Molly não gostava nos filhos de Hades, eles apareciam e desapareciam sempre, em um piscar de olhos, mas ela tinha a sensação, de que sempre estavam por perto.

–Quero minha segunda chave logo, tenho que capturar outras, não tenho tempo — disse Mica.

–Eu tenho que dormir, quanto mais rápido acabarmos com isso, mais tempo eu tenho.

–Nós também queremos nossa segunda chave, estão no meu território, vocês são mesmo bobos.

–Espero que esteja falando sério — sussurrou Gio — espero que possa controlar essas plantas com precisão.

–Está duvidando de mim, Gio? — perguntou Molly.

–Não. Melhor previnir do que remediar.

–Vamos começar logo isso meninas — disse Gabe.

Uma planta se enroscou no pé de Gabe, ele a arrancou com facilidade.

–Só isso?

Molly olhou pra Gio como se dissesse:

"Segura aí, enquanto eu me concentro"

Gio entendeu, e avançou em Mica com sua espada, mas ela defendeu com sua tonfa.

–Ainda não, novata.

Ela virou a espada de Gio e a atacou na cabeça.

–E você Gabe? Vai ficar parado?

–Não tenho necessidade de usar minha espada agora.

–Vai logo Molly!! — gritou Gio enquanto se recuperava da pancada.

Estavam as duas lá, ninguém interferia, apenas observavam.

–Vamos Gio — disse Gabe sarcasticamente — você consegue.

Aquelas palavras entravam na cabeça de Gio como droga. Como se elas anestesiassem seus pensamentos, como se elas repassassem o sono dele. E a cada vez que ele falava, os olhos de Gio pesavam.

Então, uma planta tapou a boca de Gabe, e ele pegou sua espada pra cortá-la, mas foi inútil. Outra planta agarrou sua perna, e esta, adquiriu pequenos espinhos, que perfuravam a perna dele.

–Já chega — disse Mica.

Então o solo estremeceu.

De início, nada aconteceu, mas então, figuras estranhas começavam a sair da terra: guerreiros esqueletos com escudo e espada.

Gio viu a expressão apavorante de Molly, Gabe já estava conseguindo resistir aquilo, Gio tinha pouco tempo pra pensar.

Então ela pensou.

Sabia que não podia atacar aqueles esqueletos de qualquer maneira, então, ela atingiu no pescoço deles, o que funcionou por um breve momento, mas eles se reconstruíram, e eram muitos, ela estava sem opções.

Então, sentiu seu corpo tremer, sentiu seu estômago embrulhar, como se houvesse algo vivo dentro dela, como se algo precisasse ser liberado.

"Quanto chegar a hora, apenas deixe fluir", disse Quiron à ela, no treinamento.

Gio fechou os olhos e se concentrou.

Algo aconteceu, o que havia dentro dela, parecia estar tomando rumo próprio, parecia sair livremente do corpo, como se precisasse ser liberado. Tudo em volta estreceu.

Gio ouviu algo rachar, mas não sabia exatamente o que era, e de repente, todos aqueles estalos de ossos, e espadas rangendo, parou, ela não conseguiu ouvir seus amigos também, então, abriu os olhos.

Ela se surpreendeu quando viu. No chão, havia uma rachadura, mas não uma qualquer, era uma profunda, e obscura, que Gio teve medo até de olhar, ela olhou para a cara dos amigos, e viu que eles estavam surpresos. A rachadura engoliu todos os guerreiros esqueletos.

Ela se deu conta então, que algo brilhava sobre sua cabeça, era isso que acontecia quando alguém era reclamado pelo pai/mãe olimpiano.

–Um bidente — disse Gabe olhando para aquilo que estava flutuando sobre a cabeça de Gio — ela é...

–Minha irmã — falou Mica boquiaberta — ela é filha de Hades.

O ar estremeceu.