Caminhos Distintos

2 A Filha Diligente


Notas iniciais
E se Lady Leana fosse escolhida como noiva do Rei ao invés de Alicent.



Ela devia ter ficado desapontada quando o Rei escolheu Laena Velaryon como sua nova esposa ao invés dela. Alicent tinha sentindo o peso do desapontamento do seu pai quando o anúncio foi feito do pequeno conselho, ela teve a decência de fingir tristeza quando ele veio até seus aposentos perguntar o que tinha dado errado.

— Eu fiz tudo o que me pediu, pai.

E era verdade. Ela seguiu à risca tudo o que seu pai tinha lhe dito para fazer. Converse com o Rei, o faça companhia nesse momento de luto, esteja sempre do seu lado, seja agradável e gentil, faça com que ele a queira. Alicent cumpriu o seu dever de filha diligentemente.

Mesmo que ela não quisesse fazê-lo.

Mesmo que o simples pensamento de se casar com o Rei trouxesse um sentimento ruim em seu estomago.

Queria permanecer do jeito que estava, sendo a amiga de Rhaenyra, permanecendo como sua companheira de cama, contando histórias e segredos de noite e roubando bolinhos da cozinha.

Assim que ela pôde escapar dos aposentos do seu pai, se deixou sorrir pela primeira vez depois de um longo tempo e correu até a princesa, que parecia satisfeita com a escolha do seu pai.

— Nós conversamos sabe, eu já sabia que ele iria escolher Laena. — Comentou a princesa, quando as duas estavam sentadas perto do represeiro.

— Lady Laena será uma ótima Rainha. — Alicent comentou enquanto passava as mãos pelos cabelos de Rhaenyra.

Novamente, Alicent falava a verdade. Laena fora uma boa escolha, mas uma parte dela não pôde deixar de sentir certa pena da garota. A menina era ainda mais jovem do que ela própria, tão jovem que ainda teria que esperar alguns anos para que pudesse consumar o casamento.

Ainda assim, este sentimento não era o suficiente para diminuir a alegria por não ter sido a escolhida.

— Você não está nervosa, Rhaenyra?

A princesa a olhou com curiosidade?

— Pelo que?

— Lady Laena pode lhe dar um irmão.

— Ah… Pode ser que sim, mas meu pai prometeu que eu não seria posta de lado. Continuarei como sua herdeira.

Ela tinha sérias dúvidas sobre isso. Os Valeryon aceitaram ter um herdeiro homem com seu sangue posto de lado? Custava a acreditar que isso poderia acontecer. Seu coração ficava ansioso pela a princesa, Rhaenyra, que era tão livre, que parecia fazer o que bem entendesse sem o medo das consequências, que acreditava do fundo do seu coração que tudo seguiria ao seu modo.

— Ainda assim, Rhaenyra, você precisa se preparar para todas as possibilidades possíveis.

— Quando eu for Rainha, quero que esteja no meu Pequeno Conselho.

Aquilo a fez corar.

— Jamais permitiriam.

— Eu serei Rainha e eu a terei em meu pequeno conselho. — Rhaenyra então se ajoelhou ao seu lado, apertando suas mãos nas dela. — Você será minha dama de companhia e conselheira, ficaremos juntas sempre.

O pensamento trouxe um sorriso para seus lábios.

Era uma fantasia, Alicent quis dizer a ela… mas decidiu que naquele instante, se deixaria acreditar.



— Eu acho que você poderia gostar de um dos gêmeos Lannister. — Alicent comentou.

Rhaenyra a olhou com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Você acredita mesmo nisso?

— Você vai precisar escolher alguém. — Respondeu. Elas tinham passado uma manhã inteira analisando homens de todo o Reino que vieram se candidatar para a mão da princesa. — O garoto Blackwood foi bastante doce.

— Ele é uma criança.

— Ele vai crescer.

— E você sugere que eu espere até que isso ocorra?

— Não é como se você estivesse com pressa de se casar. — Retrucou.

— Ainda assim, Alicent… — Rhaenyra parecia cansada. — Bem, você pode se casar com ele.

— Não acredito que meu pai me permitirá a escolha, princesa. Nem todas têm a mesma sorte que você.

Seu tom, ela sentiu, tinha sido um pouco duro demais. Arrependeu-se logo em seguida e temeu que Rhaenyra ficasse chateada, mas ao invés de demonstrar irritação, a princesa pegou suas mãos com delicadeza, havia um brilho de arrependimento em seus olhos.

— Desculpe, Alicent. Você foi gentil em se oferecer para me ajudar, é só que… é exaustivo conhecer todos esses homens e saber que cada um está apenas interessado na minha herança e no meu sobrenome.

— Bem, eu acho bastante romântico.

Rhaenyra revirou os olhos rindo.

— Sua noção de romantismo é diferente da minha.

Alicent a ignorou e disse:

— O que acha de Sir Harwin Strong?

— Ele não era estúpido como os outros. — A princesa comentou consigo mesma.

Aquilo foi como um raio de esperança.

— Bem, acho que isso é um bom começo.



Muitos anos mais tarde, a Rainha Laena morreria no parto junto com seu bebê, assim como ocorrera com a antiga Rainha Aemma. Ela deixava para trás duas meninas, Baela e Rhaena, e nenhum menino. Alicent, agora uma mulher adulta, estava do lado de Rhaenyra quando o caixão de Laena fora jogado no mar, a moda dos Velaryon.

A princesa tinha lágrimas nos olhos e orientou os filhos que fosse confortar suas irmãs. Alicent, por outro lado, não fora capaz de chorar, apesar de agora ser uma Velaryon por casamento. Suas unhas tinham sofrido com sua ansiedade a cada parto da Rainha, temendo que dessa vez viesse um menino que iria ameaçar a posição de Rhaenyra.

Alguém que possivelmente poderia colocá-la contra a princesa, afinal, ela ainda era a esposa de Laenor Velaryon, apesar dos dois não viverem como tal desde que Alicent fora capaz de lhe dar um filho homem. Um acordo de casamento que seu pai fora capaz de negociar com Lorde Corlys, quando Leana der à luz a um príncipe, poderemos fazer sua futura filha uma Rainha.

Alicent olhou para a própria filha, Helaena, que estava mostrando um de seus insetos para o irmão mais novo, Joffrey. Ela imaginava se seu pai ainda tinha as pretensões de colocar seu sangue no trono. Os Deuses haviam frustrado dois de seus planos, ele não tinha nenhuma outra filha para colocar na cama do Rei — e este parecia em um estado cada vez pior, que Alicent duvidava que a essa altura, fosse capaz de cumprir seu dever como marido.

Tirando o olhar da princesa para o pai, ela viu Otto Hightower observar agora os príncipes Targaryen. Jacearys, o mais velho entre eles, tinha pouco de valiriano em sua aparência, mas já tinha o seu dragão e Alicent sempre o achou um garoto gentil. Ela sabia o que aquele olhar significava, seu pai não tinha desistido.

Ele apenas mudaria o seu foco.

— Rhaenyra será Rainha. — Naquela noite, seu pai veio ter com ela. — Não haverá mais dúvida sobre isso.

— Nunca houve dúvidas, meu pai. — Ela respondeu simplesmente.

Ele a ignorou.

— Trarei o assunto ao Rei assim que o período de luto acabar.

— Que assunto?

— Não se faça de tola, Alicent. Jacaerys e Helaena. — Respondeu. — No fim, sua amizade com Rhaenyra nos servira bem. Solte a ideia em seu ouvido, tenho certeza que ela fará gosto da união.

— E o senhor meu marido? Certamente deverei levar em conta o que ele tem para dizer.

Seu pai quase revirou os olhos.

— Laenor não dirá nada contra, seria um tolo se o fizesse. — Um breve semblante de desagrado passou pelo seu rosto. — Bem… Ele foi um tolo ao nomear Joffrey, mas decerto não fará nada mais que isso. Você sempre tomou as decisões mais importantes sobre as crianças, isso não haverá de mudar agora.

— E Lorde Corlys.

— Ficará satisfeito em ter uma segunda Rainha do seu sangue.

Alicent olhou pela janela, no céu, três dragões circulavam a ilha.

— É uma pena que Aemond não seja o mais velho, ele tem a aparência perfeita para um Rei Targaryen, mas, bem, não tem um dragão, uma verdadeira ironia.

— Joffrey também não se parece um Velaryon.

— Não… Joffrey é você até o último fio do cabelo. — Seu pai sorriu. — Não esqueça do que deve fazer, filha.

Ele partiu e ela ficou ali, olhando pela janela, observando o céu cheio de dragões. Ela ainda estava lá na janela quando um quarto dragão, o maior entre eles, alçou voo pela noite escura carregando um príncipe em suas costas.



Alicent observava a distância os príncipes treinarem. Harwin Strong e Sir Criston Cole se revezavam entre os rapazes. O príncipe Jacaerys batalhava com o irmão, Aemond, enquanto o mais novo Lucerys observa ávido para ter sua chance de se provar entre os dois. Ao canto, com os braços e pernas protegidos com acolchoados, estavam Joffrey e o pequeno Aegon, ambos novos demais para treinar com os mais velhos.

Ao seu lado, Rhaenyra ninava o filho mais novo, o bebê Viserys, e sua barriga já mostrava sinais de inchaço da sua atual gravidez.

— Eu espero ter uma menina dessa vez. Depois de cinco garotos, é esperado que os Deuses possam me permitir ter uma menina. — Ela sorriu, olhando os filhos lutarem. — Uma que seja doce como a sua Helaena.

— Você certamente garantiu sua linhagem, Rhaenyra.

O bebê agitou-se nos braços da princesa, os bracinhos apontados em sua direção. Alicent não sabia o motivo do bebê Viserys gostar tanto de ficar no seu colo, mas ele sempre fazia aquilo quando ela estava por perto. Rhaenyra deixou que pegasse o bebê e ela o aninhou da mesma forma que costumava fazer com Joffrey.

— Em breve nossas Casas estarão unidas com Jace e Helaena.

— Sim.

— E quando a hora chegar, eu espero que aceite meu convite para fazer parte do meu Pequeno Conselho.

Alicent a olhou, fazia um longo tempo desde que tinha escutado aquilo.

— Ainda se lembra dessa promessa?

— Eu nunca esqueci.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Sinto muito por qualquer erro que tenha me escapado. Comentários são bem vindos :)