Caminhos Distintos
3 A Primeira Rainha
Notas iniciais
A primeira mulher a se sentar no trono.
Houvera momentos em que Rhaenys duvidou que esse seria o caso, que sua reinvidicação ganharia sobre a do seu primo, Viserys. Homens vão preferir queimar o reino a deixar que uma mulher sente no trono de ferro, lhe fora dito, pois bem, fazia agora muitos anos desde que ela se tornara Rainha e até aquele momento, seu reinado conhecera apenas paz.
Talvez não totalmente paz. Corlys, que lutou tanto ao seu lado para que o trono fosse seu, agora navegava para enfrentar a Triarquia novamente. Seu filho o acompanhava montado em seu dragão e ela esperava que eles voltassem vitoriosos, dessa vez definitivamente.
Enquanto esperava, ela frequentava as audiencias, ouvia os apelos dos mais pobres e os aborrecimentos dos lordes. Por vezes, ela montava em Maelys e partia juntamente com sua filha para pequenos tours reais. Laena, sua primogênita, sempre impressionava assim que chegava em Vhagar, o maior dragão vivo do mundo.
Rhaenys não podia deixar se sentir um grande orgulho quando via o modo como até os mais sisudos dos Lordes pareciam impressionados com a princesa.
Isso era bom… Lhe dava mais confiança na decisão que teria que tomar.
Rhaenys não havia nomeado seu herdeiro ainda. Ela era saudável e esperava viver ainda por muitos anos, mas considerando sua própria experiência, ela sabia muito bem que questões de sucessão podiam ser complicadas, especialmente para mulheres. Ela havia sido feita Rainha, mas não havia qualquer dúvida em sua mente que se tivesse tido um irmão mais novo, a questão do Grande Conselho nem sequer teria sido considerada.
A corte parecia considerar Laenor seu herdeiro oficial. Até mesmo Corlys parecia seguir o mesmo pensamento.
Mas ela não tinha tanta certeza assim.
Amava seu filho com todo seu coração. Laenor gostava da ação tanto quanto o pai, o seguia alegremente para enfrentar a Triarquia sempre que tinha a chance. Contudo, não mostrava tanto interesse no trono, na parte mais burocrática de regir um reino. No fundo do seu coração, ela sabia que Laena seria uma escolha melhor.
Ainda assim, ela temia que ao fazer tal escolha, estivesse condenando a família a destruição. Uma irmã herdar sobre um irmão vivo? Os Sete Reinos estariam prontos para tal precendente?
E claro, haviam outras questões a se considerar.
O marido de Laena, Daemon Targaryen, não era um homem em quem ela confiava completamente. Ele era ousado e impulsivo, com um grande apetite pela glória. Parecia amar sua filha e ela sempre lhe garantia que o seu casamento era feliz. Rhaenys tentava diminuir sua desconfiança, focar nas duas lindas netas que ambos lhe deram. Baela e Rhaena… O futuro do trono, caso ela viesse escolher a filha.
Já Laenor casou-se com Rhaenyra, a única filha de Viserys. Na época, todos apoiaram a escolha. Unir as duas famílias, apertar os laços entre a casa do dragão. Rhaenyra e Laenor pareciam se dar bem, mas Rhaenys conhecia as preferências de seu filho, não importava o quão bonita sua nora fosse, ele não se interessaria por ela do jeito que um marido deveria se interessar pela sua esposa.
Os dois lhe deram três netos, o futuro do trono caso ela viesse a escolher Laenor. Não havia nada de Laenor neles, nem uma única gota. Os três tinham os cabelos escuros e o sorriso bonito da mãe. Eram bons meninos, Jacearys sempre a procurava e sentava em seu colo quando pequeno, apontava locais no mapa em sua mesa e lhe fazia milhares de perguntas. Ela sempre respondia com um sorriso dos lábios.
Corlys falava sobre como os meninos haviam puxado a ela. São Baratheons como você, seu tio, Boremund, que lhe servia como Mão, também comentava a mesma coisa. Os dois pareciam ignorar o fato de que enquanto ela e todos os outros Baratheon tinham o cabelo preto da cor de carvão, os príncipes carregavam suaves cachos castanhos. Estariam todos cegos ou ela apenas queria enxergar algo que não existia?
Rhaenyra tinha seu escudo juramentado, Sor Harwin Strong, e as vezes, quando a Rainha observava os meninos treinarem, com Sor Harwin os ensinando com tanta dedicação, a verdade lhe era tão clara quanto o dia.
Uma verdade que poderia custar a cabeça de sua nora e de seus três netos.
E ela amava os meninos, sendo eles do seu sangue ou não.
Quando comentavam que o sangue Baratheon tinha sido forte em Laenor, ela sempre sorria e concordava, Baratheons como minha mãe e meu tio. Pelos Deuses, ela até mesmo havia conversado sobre enviar Lucerys para Ponta Tempestade como escudeiro de seu primo, tudo para que os príncipes ficassem ligados a família de sua mãe.
— Vossa Graça?
A voz do seu tio a tirou de seus pensamentos.
Rhaenys se encontrava sozinha na sala do Pequeno Conselho, a coroa pensando em sua cabeça, como costumava acontecer quando ela divagava sobre os filhos e os netos.
— Tio. Aconteceu algo?
— Um corvo chegou, seu marido venceu a Triarquia.
Ela quase riu.
— Vamos esperar que pela última vez.
— Anda muito pensativa esses dias.
A Rainha suspirou. Com os anos servindo como sua Mão, seu tio passou a conhecê-la bem.
— Estou pensando em nomear meu herdeiro.
Ele sentou ao seu lado, sendo alto e corpulento do jeito que era, a cadeira quase lhe parecia pequena.
— Laena.
Ela o fitou surpresa.
— Como…?
— Vossa Graça a leva para todos os cantos de Westeros, a apresenta para todos os Lordes do reino. É bastante claro quem você quer deixar como herdeira.
— Mas Laenor…
— Laenor será um bom Mestre de Derivamarca..
— Acha que é um erro? Que estarei jogando minha família para o caos? Laenor é o herdeiro homem, tio. Laena é uma mulher e até o momento, só teve filhas. Três gerações de Rainhas… Você acha que os Lordes vão aceitar?
Seu tio sorriu.
— Eles aceitaram você, Rhaenys, vão aceitar Laena. E caso decidam trazer algum problema, a princesa monta Vhagar, o dragão da própria Visenya. Gostaria de ver o homem que terá coragem o suficiente de falar algo contra ela.
— Então não acha que estou cometendo um terrível erro.
— Não. — Ele respondeu. — Confie na sua intuição.
E ela confiou.
No dia em que seu marido, filho e genro retornaram da guerra, Rhaenys tinha a sua decisão. Corvos foram enviados a todos os cantos do reino, uma convocação para que jurassem lealdade a nova herdeira do trono.
Laena Targaryen.
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