Notas iniciais
13 de junho de 1393
– Força minha filha, você consegue.
– Tá doendo mãe! Ah !!!
– Ta vindo minha filha! Ah!! É uma menina!
– Deixe-me vê-la mamãe. O minha pequena!... Você vai se chamar Davina.
Algum tempo depois...
– Como nossa filha está?
– Dormindo como um anjo meu amor.
– Devemos dormir também. O dia foi longo.
– É claro.
...
– Querido... Querido acorde.
– O que foi querida?
– Estou ouvindo barulhos. Precisamos ver como está Davina.
– Deve ser o vento...
– Não não é. Por favor, querido, estou com um mau pressentimento. Ah! Ouviu?
– Agora eu ouvi. Fique aqui.
.
– Não!! Lirit acorde todos!!
– O que houve? Não!! Onde está Davina? Onde está minha filha?!?!
– O que foi meu senhor?
– Acorde todos! Levaram minha filha!
– Sim senhor!
– Fique calma Lirit. Vamos encontrá-la.
– Eu quero minha filha!! Não!!
...
19 de agosto de 1407
– Acordem!!! Levantem-se suas pestes!
Acordar aos gritos não é o melhor jeito de começar o dia. Mas é sempre assim. Meredit, a serviçal do orfanato sempre faz isso. Eu já até me acostumei. Também... Vivendo aqui há 14 anos...
– Davina, pensei que já estava acordada faz tempo... — Roman estava na porta do meu dormitório.
– Já estou indo.
– Vou guardar lugar para você.
Roman era o tipo e garoto que faz todas as meninas suspirarem. Menos eu. Nós somos apenas amigos. De uns anos pra cá venho tendo visões durante o dia. Então comecei a me isolar e ele quis me ajudar. É como um irmão para mim.
– Da licença estranha.
Essa é Drina. Chegou há pouco tempo, mas já conseguiu chamar a atenção de todos.
...
– Já soube?
– Do que você tá falando Roman?
– Hoje eles vão apresentar um novo garoto. Dizem que os pais dele foram assassinados.
– Que triste. Mas como ficou sabendo?
– Marco me contou.
Sim claro. Marco é um garoto charmoso. Mas é um língua solta.
– Silencio!!- Meredit só sabe gritar... — Hoje o orfanato está recebendo mais um integrante. Deem as boas vindas a Damen Auguste.
– Seja bem vindo Damen- todos disseram em uníssono.
Damen parecia assustado com tudo aquilo. Eu conseguia ver a tristeza em seu olhar. Um garoto bonito e forte para sua idade.
...
– Ele tá sentado daquele jeito desde que chegou. Olha pro chão e mais nada.
– É tudo novo pra ele. Tem razão de ficar assim Roman. Eu vou... Falar com ele.
– Davina! Deixa ele...
– Eu vou lá Roman.
Caminhei lentamente até ele. Dava pra ver que eu me aproximava, mas ele não reagiu.
– Oi... Seja bem-vindo. De onde você veio?
Ele não disse nada.
– Não quer falar? Tudo bem. Ah... Meu nome é Davina. Se precisar de... Alguma coisa pode me procurar tá?
Nenhuma reação. Ele continuou parado e quieto em seu canto.
...
Os dias passaram e ele ficava sempre sozinho. Os garotos começaram a zombar dele. Começaram a implicar.
– É mudo é?
– Deixem ele em paz.
– A Davina. A gente tá se divertindo.
– Ele não fez nada pra vocês... Saiam!
– Vai defender ele? Tá...
Me virei pra ele e ele estava me olhando.
– Tá tudo bem?- perguntei a ele.
– Sim... Obrigado.
– De nada. Não está com fome?
– Estou...
– Vem sentar comigo e com o Roman. Ele pode ser seu amigo. — ele negou com a cabeça.
– Então eu trago a bandeja pra você tá? Aí eu me sento com você- ele assentiu.
5 anos depois...
– O que tá acontecendo Roman?
– Eu não sei Davina. Nós vamos ficar bem.
– Eu to me sentindo muito quente... Parece que estou pegando fogo por dentro Roman.
– Calma... Vai ficar tudo bem.
– Elina se foi. — Marco chegou assustado e tremendo.
– O que? Tem certeza?- eu estava perplexa.
– Tenho. A encontraram no jardim. Estava caída no chão. Ela está morta.
– Não é possível... Roman eu estou mal como ela- comecei a chorar desesperada.
– Você não vai morrer. Você vai melhorar.
2 dias depois...
– Eu não... Aguento... Mais... Ro...Man...
– Aguenta sim Davina.
– Não... É como... Se... Eu... Estivesse... Em... Chamas...
– Vai dar tudo certo. — Roman estava a caminho do estado em que eu me encontrava.
– Como ela está?- Damen apareceu.
– Muito mal.
– Dê isso a ela. E tome também.
– O que é?
– Vai melhorar. Tomem.
Roman ficou receoso. Mas ele tomou o liquido vermelho que Damen deu a ele e me fez tomar também.
De repente, um estrondo. Os nossos colegas estavam lutando para fugir do orfanato já que a igreja, que tomava conta do mesmo, não estava fazendo nada para nos salvar.
Senti a temperatura de meu corpo diminuir rapidamente e senti uma melhora.
– Precisamos sair daqui Davina.
Estavam todos tão desesperados que provocaram o início de um incêndio. Estávamos tentando achar um lugar para sair, mas o fogo acabou fechando as entradas. Olhei para o lado, desesperada para encontrar uma saída quando vi Damen de mãos dadas com Drina fugindo por uma abertura que parecia mais uma passagem secreta. Puxei Roman e gritei para Misa, Marco e Rafe me acompanharem. Saímos pelo mesmo lugar que vi Damen e Drina sairem. E rapidamente, o orfanato desmorona e a estrutura é consumida pelo fogo.
– Precisamos sair daqui. — Roman me puxou.
Encontramos um beco e nos escondemos.
– Colmo sabia daquela passagem Davina?
– Eu... Eu vi Damen e Drina fugindo juntos por lá.
– O que? Ele e Drina?
Roman era apaixonado por Drina e saber que sua amada partiu com outro o deixou em pedaços.
– Roman?- estava preocupada com sua reação.
– Vamos encontrar outro lugar. Precisamos sair de perto do orfanato.
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