Caminho - os imortais
2 Dois
Notas iniciais
Encontramos um lugar seguro e então conseguimos descansar. Mas o silêncio de Roman me perturbava.
– O que está pensando?
– Nada.
– É por causa da Drina?
– Por favor Davina. Não vamos falar disso tudo bem?
– Mas eu achei que quisesse conversar.
– Vai dormir por favor.
– Tá bem.
Sua energia era negativa e seus olhos emanavam tristeza e desapontamento.
Sabia que não conseguiria convencê-lo a falar. Então fui dormir.
...
– Hey acorde... senhorita...
Acordei rapidamente e me deparei com um rapaz jovem alto de cabelos curtos castanhos. Uma barba a fazer e lindos olhos castanhos. O corpo definido e uma roupa linda. Olhei para os lados e não vi ninguém.
– O que está fazendo aqui fora? Uma jovem tão bela não deveria estar aqui.
– Onde estão todos?
– Todos quem? Só me deparei com a senhorita dormindo neste chão.
– Tinha meus...amigos. Roman, Misa, Marco e Rafe.
– Eu já lhe disse encontrei apenas a senhorita. Por favor não pode fiar aqui fora. Me acompanhe sim?
– Eu preciso encontrá-los.
– A cidade está um caos. Venha para minha casa.
Então eu assenti. Mesmo com as desconfianças, ele tinha razão. Estava um caos e ficar nas ruas me deixava exposta. Olhei em volta e vi várias pessoas correndo. Ele me levantou e me levou para sua casa.
Mas onde estavam todos? Não poderiam ter me largado. Não é possível.
...
Os dias passavam e Endor, o rapaz que me acolheu, continuava se preocupando comigo apesar de eu estar muito bem. Minha saúde nunca havia ficado melhor.
O detalhe é que ele me fazia bem. Uma onda de calor me percorria sempre que ele estava perto. Ele me fazia sentir coisas que eu nunca senti.
Endor é um pouco mais velho que eu. Possui 25 anos e mesmo assim tinha uma aparência incrível.
2 anos depois...
Comecei a notar algumas coisas. O senhor Rorter, que vende os pães envelheceu em dois anos. Deve ser a idade. Mas ao me olhar no espelho, continuo a mesma Davina que saiu do orfanato. Minha aparência era a mesma de antes, meu cabelo cresceu rapidamente no primeiro mês depois do desastre do orfanato. E eu também. Cresci rapidamente. Isso me é muito estranho.
– O que faz aí minha donzela?
– Estou observando a rua.
Endor sempre me tratava bem. Sua onda de calor que me percorria me fazia sempre o querer mais. Sim, eu me apaixonei completamente por ele. Fico imaginando se não é o destino. Qualquer um poderia ter me encontrado naquele dia. Mas foi ele.
– Em que está pensando?
– Em nós dois.
– É bom?
– Sim. Tudo que remete a você é bom Endor.
Ele levantou a cabeça até nossos olhares se encontrarem. Sua mão escorregava lentamente pelo meu rosto e depois pela curva de meu pescoço até chegar ao meu ombro e descer até minha cintura.
– Continua do jeito que te encontrei. Linda e deslumbrante.
Eu apenas sorri. Era verdade, eu continuava a mesma, mas ele já demonstrava sinais dos dois anos que se passaram. Não é muito, mas talvez pela genética dele tenha sido muito. Alguns de seus cabelos já estavam ganhando o tom branco. Sua pele possui esporos visíveis.
– Vamos sair? Está um lindo dia lá fora. Podemos ir até o campo de flores que você gosta.
– Claro.
3 dias depois...
– Meu amor! Venha jantar está tudo pronto.
Passaram- se minutos e ele nada respondia. Decidi subir até nosso quarto onde ele se encontrava. Mas ao chegar lá não o encontrei deitado ou lendo como gosta. O encontrei caído no chão.
– Endor! Endor! Querido por favor, fale comigo. — peguei em seu rosto e repousei sua cabeça em meu colo. — Endor! Por favor, me diga algo. Você tem que estar vivo.
– Da...vi..
– Endor! Querido vai ficar tudo bem!
Repousei sua cabeça no chão e sai na janela do quarto, gritando pedindo por socorro.
– Socorro! Por favor! Me ajudem!
Eu estava desesperada.
Dias depois...
– E então doutor?- meu coração disparava.
– Eu sinto muito senhorita. Não posso fazer mais nada.
– Não! Não é possível! Não!- eu caí em plantos no chão.
.
Fiquei receosa de entrar no quarto. Não conseguia encarar o fato de que Endor estava morrendo. O fato de que eu iria perdê-lo.
Abri a porta um pouco e vi seu rosto ainda mais pálido. Resolvi entrar e me sentei ao seu lado. Não contive minhas lágrimas.
– Davina... Não chores.
– Como não Endor? Não posso te perder.
– Acontece... A natureza é assim. -ele tossia forte.
– Por favor. Fique calado. Falar só vai piorar a situação.
– Eu preciso lhe dizer... Você não foi à primeira mulher em minha vida... Mas saiba que eu te amo.
– Eu também te amo. — minha mão segurava firmemente a sua e a onda de calor me dominava. Enquanto isso, eu desabava.
– Não se esqueça disso.
– Não vou me esquecer nunca Endor.
Ele sorriu pela última vez e então partiu. Seus olhos castanhos já não conseguiam ser vistos. Ele se foi.
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