Caminho - os imortais
4 Quatro
Notas iniciais
Perturbada. É assim que eu estou. Muitas informações para absorver. Mesmo não confiando em nada que vem de Roman.
Olho a grande fachada da parte de trás da faculdade para tentar conter as lágrimas.
Apenas um lugar pode me ajudar. E eu preciso ir para lá.
Passo em frente o grande campo de margaridas e vou ao ginásio. Está vazio como pensado.
Imagino o grande véu dourado surgir e outro lugar aparecer. Logo estou pousando em um campo de tulipas. Summerland, uma dimensão que eu nunca imaginei existir e que me faz muito bem, me traz uma paz incrível. As almas dos humanos que morrem passam por aqui e depois cruzam a ponte. Mas seres como eu, tem acesso a essa dimensão a qualquer hora.
Como todas as vezes, procuro minhas guias , duas lindas meninas que me mostraram o que eu era. O que eu sou. Rayne e Romy. E novamente não as encontro. Já tem algum tempo que não as vejo. São bruxas quer foram mandadas para cá para serem salvas. Não poderiam ter cruzado a ponte. Poderiam? Não estão mortas...
– Elas não estão mais aqui.
Uma voz fina e suave atrás de mim. Ao me virar, me deparo com uma garota loira e de uma estatura média. Seus cabelos leves estão soltos e caídos até a cintura, onde se encontram enrolados. Usa um shortinho jeans com strass dos lados e desfiado nas dobras. Uma regata com a palavra “Dreams” escrito e um all star na cor preta.
– Quem é você?
– Meu nome é Riley.
– Olá Riley. – dei um leve sorriso. – Meu nome é Davina.
– Eu sei. – ela sorriu de leve.
– Já me conhece?
– Pessoalmente não. Mas me disseram que precisava ir até você.
– Precisava? Quem te disse?
– Não posso contar. O que precisa saber é que vou me dedicar a te ajudar.
– Você cruzou a ponte?
– Sim, mas mesmo quando se cruza a ponte, te dão coisas para fazer. – e então ela deu uma leve bufada.
– Rayne e Romy estão lá?
– Não. Elas estão no plano terreno.
– Plano terreno? Como foram para lá?
– Você vai descobrir. Está ligado ao que você procura.
– Como assim? O que quer dizer com isso? Você sabe o que procuro?
– Você descobrirá. E você é bem curiosa não? – ela deu um leve sorriso e andou parando na minha frente. – Não posso te dizer nada. Mas, se precisar de mim, é só pensar em mim que eu apareço. Mas às vezes posso aparecer por conta própria. Adoro o plano terreno. Que tulipas lindas.
Me virei para ver as tulipas de que ela falava e quando me virei, ela havia sumido. E havia deixado dúvidas. Muitas. Perguntas sem respostas.
Mas bem, hora de voltar ao plano terreno e ir atrás dessas minhas respostas.
Imagino Los Angeles. De repente, estou em um dos pontos turísticos: Disneylândia. Crianças correm para todos os lados e várias pessoas estão em um vai e vem.
Imagino o mapa de Los Angeles e logo sei por onde andar, como se morasse aqui há anos.
Procuro então um lugar privado para poder materializar um carro e arranjar um lugar para ficar até Roman chegar.
– Não faça isso! – escuto risada e um grito de uma voz familiar.
Parecia o de Romy. Uma voz fina e forte.
– Romy!- grito em meio a todos, mas é em vão.
Ninguém me responde. “Devo estar imaginando coisas”, penso comigo mesma. É tanta coisa para se pensar e colocar no lugar que acho que estou escutando vozes. Mas sim, elas estão fazendo falta. Eram e são como irmãs pra mim.
Ando em direção a um beco e materializo uma BMW, que é uma de minhas paixões. Amar carros não é pra qualquer garota. Mas eu vi a evolução da tecnologia. Eu vi tudo. E aprendi a me apaixonar por cada coisa.
Entro no carro e dou partida com a mente, procurando em minha cabeça, algum hotel onde possa ficar e esperar Roman.
Sinto que estou cada vez mais perto. Só espero que ele tenha falado a verdade.
Mas e Riley? Aquela garota misteriosa que diz que precisa ficar perto de mim? O que ela pode ter comigo? Do que se trata?
Espero que com o tempo eu descubra essas respostas.
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