Caminho - os imortais
5 Cinco
Notas iniciais
“Lirit, temos o nosso filho. Temos que aceitar a condição.”
“Isso é injusto. Eu só a queria de volta”
“Eu sei querida”
[ESTRONDO]
“Lirit, se esconda!!”
“O que?”
“Fuja!”
“Querido!! Não!!!!!”
Acordei aos gritos. Mais uma noite seguida sonhando a mesma coisa. Sempre as mesmas palavras, os mesmos gritos, e um nome: Lirit. Mas o que isso significava? O que quer dizer?
Não consigo mais dormir. Estou perturbada demais. Preciso de calma. E por mais uma noite, imagino o véu dourado e um lindo campo. Logo estou em Summerland. E uma paz repentina me domina. Aqui não há pesadelos, nada. Só paz, calma, alegria.
Várias pessoas estão se divertindo, crianças correndo. Uma cidade em Summerland.
– Olá.
Aquela mesma voz fina e suave. Riley. Me viro e deparo com ela usando um vestido florido e o cabelo solto.
– Olá.
– Como está?
– Creio que saiba o que se passa comigo, já que deve ficar “de olho” em mim.
– Sim... Mas todos os sonhos tem um significado. E não... Não posso lhe dizer nada – ela já sabia que eu perguntaria.
– Ok. Eu preciso me distrair. Por que não me leva a algum lugar de Summerland que eu não conheça?
– Posso fazer um teste com você. Venha.
Ela me puxou e logo estávamos em frente a grandes prédios.
– São lindos!- Exclamei
– São os Grandes Salões do Conhecimento. Me diga, o que você vê?
Olho para a grande fachada de uma magnitude esplêndida, quando a fachada se transforma no Partenon no Taj Mahal, e logo depois no Templo de Lótus das Grandes Pirâmides de Gizé e em seguida já não sei o que é. Estou tão admirada que não consigo decifrar. E de repente, as grandes portas se abrem.
– Sabia que seria digna.
– Do que está falando?
– Só pessoas dignas de entrar podem ver as mudanças que ocorrem na fachada. O Salão decide quem entra.
– Eu consigo?
– Claro. Sempre. Só precisa ver a mudança na fachada. Isso é o sinal. Creio que já viu demais. É melhor voltar ao plano terreno. Você tem muito que fazer.
– O que quer dizer com isso?
Ela se foi. Assim como da outra vez. Já estou me cansando disso. Sem saber aonde ir, decido voltar ao plano terreno.
...
Respirar. Muitas informações em poucos dias. Muito mais do que em um mês durante esses quase seiscentos anos. Decido por caminhar. Coloco uma roupa adequada e sigo caminho. Coloco meu fone de ouvido com a música We Remain.
Every single time the wind blows
Toda hora o vento sopra
Every single time the wind blows
Toda hora o vento sopra
I see it in your face
Vejo em seu rosto
In a cold night, there will be no fair fight
Em uma noite fria, não há uma luta justa
There will be no good night to turn and walk away
Não há uma boa noite para se recusar e ir embora
.
Relembro o passado. Relembro a face de Endor. Em como ele me acolheu. Mesmo quando me chamou para sua casa e eu não queria, ele me passou uma tranquilidade e algo me dizia que eu deveria entrar. Destino cruel. Porque o tirou de mim?
So, burn me with fire, drown me with rain
Então, me queime com o fogo, me afogue com a chuva
I'm gonna wake up screaming your name
Vou acordar gritando o seu nome
Yes, I'm a sinner, yes, I'm a saint
Sim, sou uma pecadora, sou uma santa
Whatever happens here
O que quer que aconteça aqui
Whatever happens here
O que quer que aconteça aqui
We remain
Vamos sobreviver
Em súbito, tudo o que vivemos em pouco tempo, passou em segundos pela minha mente. E de repente, não consigo conter as lágrimas e a volta da dor de perdê-lo. Me seguro na grade do lago, e tento não cair. A dor é grande. Tanto tempo nessa terra e sempre lembrando.
– Davina?
Uma voz familiar soa atrás de mim, uma vez que a música acabou. Me viro e deparo com Emily, uma dos órfãos que sobreviveram graças a Damen.
– Emily? Meu Deus. Como vai? – tento limpar as lágrimas que ainda escorrem pelo meu rosto.
– Vou bem. Mas você nem tanto. O que foi?
– Nada demais. Esqueça. E por onde andou todo esse tempo?
– Viajando. Depois que descobri que era imortal, resolvi fazer muitas coisas.
– Isso é bom.
– E porque você não apareceu nas festas de Roman?
– Eu decidi por me afastar. Mas ele me encontrava no mesmo período e me dava o elixir. Por falar nele, tem o visto?
– Não. A última vez que tive notícias dele estava em Laguna Beach. E olha que não tem muito tempo. Uns cinco dias eu creio.
– Sei. Bem, preciso ir. Até mais.
– Até. Bom te ver.
O que aconteceu? Porque ele não veio? Acho que seria uma boa ideia ir até os Grandes Salões do Conhecimento. Preciso de algumas respostas. E é pra lá que eu vou.
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