Caminho - os imortais
9 Nove
Notas iniciais
Porque vim parar em frente a esta livraria? Será que houve algum erro?
– Olá, posso ajudar?
Uma voz masculina, não muito alta e suave. Ao me virar, me deparo com um louro de bermuda, chinelo e uma camiseta cavada, além dos dreadlocks. Mas ao encontrar seus olhos, uma onda de calor me percorre e fico um pouco tonta.
– Tudo bem moça? – ele pergunta.
– Eu... Estou bem – cambaleio e acabo me apoiando na parede.
– Ao que parece não. Por favor, venha. – então ele me ajuda a me apoiar nele enquanto me leva para dentro da livraria.
– Aqui, sente-se. – ele me coloca sentada em uma cadeira de balanço.
– Obrigada – disse enquanto estava a me ajeitar na cadeira.
– Meu nome é Jude. Prazer.
– Prazer Jude. Meu nome é Davina.
– Davina? Nome diferente. Gostei. – e então ele sorriu de canto, e por incrível que seja me deixando mais tonta.
Porque isto está acontecendo?
– E você não parece ser daqui. – ele interrompeu meus pensamentos. – Estou certo? – ele puxa uma cadeira e se senta de frente para mim.
– Está. Estou procurando um amigo.
– Sei... Cidade é pequena. Logo logo você o encontrará. E quem sabe eu não possa ajudar? Vai que o conheço?
– Bem, o nome dele é...
O telefone toca interrompendo minha fala.
– Eu já volto.
– Tudo bem.
Ele passa um grande tempo na sala onde o telefone se encontra.
Volto a pensar em alguma explicação para aquela onda de calor e a tontura. Só de olhá-lo. Mas o que diabos pode estar acontecendo?
Bufo baixo e começo a olhar em volta. Meu coração dispara ao ver que ele está parado me observando. Ele está encostado na parede com os braços cruzados em frente ao peitoral. Logo ele sorri um pouco sem graça e caminha em minha direção.
– Preciso ajudar um amigo.
– A sim, bem, vou indo então. Muito obrigada Jude. – começo a caminhar em direção a porta.
– Davina?
– Sim?
– Te vejo por aí.
– Ok. – dou um leve sorriso e vou embora.
Sem saber o que fazer, ando sem rumo. Sem saber o porquê, paro em frente a uma loja fechada. Sinto que Roman já esteve aqui. Só que a muito tempo. Mas não só ele. Marco, Misa e Rafe também estiveram aqui. Olho pela vitrine e vejo que ela está vazia. “Não deve ter ninguém”, penso.
Continuo então a andar, e, sem rumo, acabo parando na praia. Retiro minhas sapatilhas e as seguro enquanto caminho pela areia.
...
São quase cinco horas da tarde quando vejo um casal um pouco distante, correndo. Uma moça loira, cabelos longos e um rapaz. Estão felizes.
– Então você veio pra cá? – aquela mesma voz que logo reconheci. Jude.
– Não sabia aonde ir.
Ele coloca sua prancha fixada na areia e se senta ao meu lado.
– Você chegou hoje?
– Sim, Inesperadamente digamos.
– De onde você veio?
– Los Angeles.
– Sério? E saiu de lá só para procurar um amigo?
– Sim... Eu preciso encontrar ele.
– Você já sabe onde vai ficar?
– Não, mas vou procurar um hotel.
– Porque não fica em minha casa?
– Você convida estranhos para ficar na sua casa?
– Normalmente não. Mas algo me diz pra confiar em você. E levando em conta tudo o que já passei... Por que não?
– Tudo o que passou?
– Longa história. Vou surfar um pouco e depois vamos tudo bem?
– Tudo bem.
Ele deu um leve sorriso, se levantou, pegou sua prancha e seguiu em direção ao mar.
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